Pensamento Científico

Inicío o texto com uma citação do livro O Mundo Assombrado Pelos Demônios: A Ciência Vista Como Uma Vela no Escuro, de Carl Sagan (1996):

“Meus pais não eram cientistas. Não sabiam quase nada sobre ciência. Mas, ao me apresentar simultaneamente ao ceticismo e à admiração, me ensinaram as duas formas de pensar, de tão difícil convivência, centrais para o método científico.(…) parece-me claro que não aprendi as coisas mais essenciais com os meus professores da escola, nem mesmo com os meus mestres universitários, mas com meus pais, que nada sabiam sobre ciência naquele remoto ano de 1939”.

Existem conceitos chave que orientam o pensamento científico: o ceticismo, a admiração, a curiosidade e o empirismo. O cientista verdadeiro é um profundo admirador da natureza e do universo. Ele se maravilha diante da beleza do funcionamento das coisas no mundo. Esta admiração é convertida em ações que tentam compreender melhor como isso tudo funciona, e não na mera contemplação ou no exercício puramente reflexivo (não que um seja melhor que o outro, a questão aqui é só diferenciá-los).

A curiosidade é argumentada como natural do ser humano por muitos teóricos. Se estimulada ela se desenvolve, mas a princípio somos todos curiosos. Quando fazemos ciência estamos buscando satisfazer essa curiosidade, mas também buscamos satisfazer nossa necessidade de buscar formas de livrar as pessoas do sofrimento e das privações, tornando nossas vidas mais  felizes.

Kantowitz, Roedinger e Elmes (2006) afirmam que o cientista profissional não é mais curioso do que as pessoas que não são cientistas, a diferença é que o cientista está disposto a se esforçar muito mais para satisfazer a sua curiosidade.

O ceticismo é um princípio importante na ciência – é a noção de que tudo deve ser questionado e analisado sistematicamente, e afirmações nunca devem ser aceitas sem debate. Outra idéia importante é que todo conhecimento deve ser obtido a partir de testes (experimentos) e que só devemos acreditar em afirmações que possuem uma quantidade relevante de evidências apoiando-as: esse é o empirismo.

É comum pensarmos que nos diferenciamos radicalmente dos animais por nosso grau de consciência, lógica, razão, racionalidade, intelectualidade, mas se realmente temos tudo isso, fazemos o uso correto destas coisas? Usamos tudo isso de forma ponderada para decidir se acreditamos em uma coisa ou outra? É comum observarmos uma falta de ceticismo e de uso da razão por parte das pessoas, bastando observar o sucesso que algumas pseudociências, já desmascaradas há anos, possuem em muitos lugares, como a astrologia.

Nossa curiosidade parece diminuir conforme vamos envelhecendo – as perguntas incessantes da criança vão dando lugar ao silêncio e à intolerância à perguntas elementares. Era de se esperar que discutíssemos mais sobre “as grandes perguntas”, pois discutimos de tudo: futebol, política, música, clima, universidade, cultura; mas o que há de mais elementar e importante na nossa existência, discutimos pouco: Como funciona o mundo? O que faz com que as coisas aconteçam? De onde viemos?

Referências:

Kantowitz, B. H., Elmes, D. G. e Roediger, H. L. (2006). Psicologia Experimental: Psicologia para compreender a pesquisa em psicologia (1 ed.). São Paulo: Thomson.

Sagan, C. (1996). O mundo assombrado pelos demônios: A ciência vista como uma vela no escuro. São Paulo: Companhia das Letras.

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