Psicologia Cognitiva

A psicologia cognitiva surgiu formalmente entre 1950 e 1970, na tentativa de investigar os processos mentais subjacentes ao comportamento humano (Anderson, 2004). A Segunda Guerra Mundial, o computador e a lingüística foram as três principais influências para o desenvolvimento posterior desse campo de pesquisa. A Segunda Guerra Mundial proporcionou financiamento para pesquisas envolvendo desempenho humano e atenção, uma pesquisa de natureza prática que não era atraente para os behavioristas naquele momento.

O desenvolvimento dos computadores e da Inteligência Artificial forneceu um modo de pensar metafórico sobre nossa inteligência, sendo o cérebro um “hardware” e a mente um “software” nessa idéia (Anderson, 2004). As analogias e utilizações de conceitos de computação são facilmente constatáveis na produção de conhecimento que surgiu desse novo campo de estudo.

Talvez a mais importante apropriação tenha sido a do processamento de informações, central no entendimento da dinâmica dos processos mentais humanos. A partir do trabalho pioneiro de Alan Turing, matemático britânico, os psicólogos cognitivistas definiram um “computador” como um conjunto de operações para processar informações, sendo possível existir várias formas de construir um computador.

Assim fica claro que a analogia entre a mente e o computador (máquina) não é literal e é diferente de uma máquina física. A mente seria uma espécie de software ou conjunto de operações que permitem ao ser humano processar informações no seu ambiente. O processamento da informação é uma abordagem investigativa da cognição humana que analisa como informações são processadas, através de etapas como a atenção, a codificação, o armazenamento e a recuperação.

A revolução cognitiva liderada por cientistas  como Noam Chomsky e George Miller na década de 50 influenciou de forma decisiva as direções tomadas pela psicologia de um modo geral (Anderson, 2004). Seu trabalho enfatizou a complexidade da linguagem e evidenciou falhas no entendimento vigente do ser humano, abrindo caminho para os psicólogos cognitivos.

Muitas metáforas foram usadas para descrever o funcionamento da mente, como o modelo hidráulico de Freud e a comparação a um relógio. A diferença entre essas metáforas e a feita pelos psicólogos cognitivistas foi que estes desenvolveram formas de operacionalizar testes empíricos das hipóteses derivadas de suas teorias. A partir dessa época também surgiu um campo de investigação chamado Ciência Cognitiva, que visou juntar esforços obtidos em pesquisas de várias áreas como a filosofia, a lingüística, a psicologia, a neurociência e a inteligência artificial para compreender a mente humana (Anderson, 2004).

A psicologia cognitiva tem como temas de estudo mais gerais a percepção, a atenção, as representações mentais, a memória, a linguagem, a  tomada de decisão e todos os processos básicos envolvidos no funcionamento cognitivo humano. Uma área que se desenvolveu muito nos últimos anos foi a Neurociência Cognitiva, que busca compreender os circuitos neurais envolvidos no processamento de informações.

Nos experimentos desenvolvidos nessa área, o tempo de resposta se tornou uma medida de extrema importância, que gerou evidências  apoiando o modelo de processamento da informação. Um paradigma experimental clássico é o que envolve o chamado efeito Stroop, em que nomes de cores são apresentados aos participantes e é pedido que eles digam em voz alta qual a cor das palavras.

O problema é que as palavras estão coloridas em um tom diferente do da palavra (e.g. palavra “vermelho” pintada de verde), o que retarda o tempo de reação em relação a palavras pintadas nas cores respectivas. O maior tempo de latência pode ser atribuído há um maior tempo gasto em uma das etapas do processamento da informação.

Uma aplicação importante do conhecimento gerado pela psicologia cognitiva é na educação (Anderson, 2005), onde,  segundo as evidências apontam, a forma como algo é estudado tem implicações fundamentais na forma como é lembrado. Um método desenvolvido para otimizar o estudo, dentre vários, é o PQ4R de Thomas e Robinson (1972), baseado nas seguintes etapas: preview (apresentação prévia), question (questionamento), read (leitura), reflect (reflexão), recite (repetição) e review (revisão).

É um método de estudo que exige grande investimento de tempo, mas é o tipo de processamento elaborativo que tem se mostrado mais eficaz. Depois de uma leitura prévia, a pessoa deve identificar as principais seções, levantar questões relevantes dessas seções e ler tentando responder a essas questões, refletindo sobre as implicações do texto. Depois deve-se realizar uma revisão dos principais pontos do texto. Apesar de despendioso, é um método eficaz.

Referências:

Anderson, J. R. (2005). Aprendizagem e Memória: Uma abordagem integrada. Porto Alegre: Artmed.

Anderson, J. R. (2004). Psicologia Cognitiva e suas Implicações Experimentais. Rio de Janeiro: LTC.

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Discussão - 2 comentários

  1. Aécio Cândido disse:

    Muito legal o artigo: claro, didático. Condensa em poucos parágrafos o desenvolvimento da psicologia cognitiva e destaca a contribuição de vários pesquisadores. É uma boa introdução a quem se inicia no tema. Grato.

  2. josiel disse:

    Muito bom conteúdo, eu acompanho o blog desde 2010 excelentes dicas, parabéns por tudo o que é disponibilizado aqui e de graça.

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