Psicologia

A psicologia é historicamente reconhecida como um campo de estudo formal há apenas cerca de 130 anos, desde que Wundt fundou o primeiro laboratório de psicologia em Leipzig, na Alemanha, em 1879. Esse tempo de existência é muito curto para uma ciência empírica, bastando comparar com a física para vermos como o tempo é uma variável importante no caminhar científico, que aproximadamente desde o século XVI (desconsiderando sua história na filosofia) é um campo de estudo que acumulou uma imensa quantidade de conhecimento.

A filosofia e a fisiologia são as duas grandes áreas de onde a psicologia nasceu. O resultado disso foi a criação de um campo de estudo extremamente diverso e subdividido quanto a objetos de pesquisa, abordagens, métodos, paradigmas,  metas, resultando em uma diversidade de “times” ou “comunidades” paralelas. Hoje em dia existem várias “psicologias”, como a psicologia clínica, psicologia do desenvolvimento, psicologia comportamental, psicologia social, psicologia humanista, psicologia da saúde, psicologia cognitiva, psicologia evolucionista, psicologia do esporte, psicologia da religião, psicologia transcultural… a lista é enorme!

A unificação do campo ainda parece estar longe de ocorrer (se é que um dia ocorrerá). Desde seu início e no decorrer de sua história, as ditas “escolas” da psicologia surgiam criticando e reformulando os preceitos da escola vigente, e foram sendo criadas ao longo do tempo linhas de pesquisa e abordagens de forma separada e independente; muito menos dialogáveis entre si do que poderiam ser. Muitas vezes é perceptível que profissionais de diferentes abordagens falam das mesmas coisas, descrevem os mesmos fenômenos, as mesmas relações entre variáveis, porém usando nomes e classificações diferentes.

Graças a Freud em grande parte, que fundou a psicanálise, a psicologia se popularizou – rapidamente o campo passou a ser identificado com o terapeuta e a prática clínica, por mais que, do ponto de vista formal, psicanálise e psicologia sejam dois campos diferentes. “Quem faz psicologia tem um pouquinho de louco”, “vou te chamar para ser meu psicólogo”, “quem faz psicologia quer tentar resolver os seus problemas”. Essas são frases muito comuns ditas para profissionais e alunos de psicologia, mostrando como se disseminou essa visão do que é a psicologia. Tal perspectiva não abarca uma série de outras áreas em que a psicologia tem se interessado e dedicado estudo.

Afinal, o que é psicologia? Como toda pergunta que procura encontrar um conceito tão amplo, ela é extremamente problemática. Um conceito bem genérico poderia ser: é o estudo do comportamento e dos processos mentais humanos. Isso lembra tanto a prática clínica? Este conceito de psicologia não é tão coerente com a visão que a maioria das pessoas tem do que o psicólogo faz. Há vária ressalvas para tal conceito, mas ele abarca boa parte do que é de interesse dos pesquisadores. Dentre as várias psicologias, as que serão mais profundamente exploradas aqui são a psicologia social, a psicologia evolucionista, a psicologia cognitiva e a cognição social.

A psicologia social é a área da psicologia que investiga como a presença real ou imaginada das pessoas influencia o comportamento de outras (Aronson, Wilson e Akert, 2002). A interação social e as suas influências são o foco de investigação. O campo de pesquisa existe há aproxidamente 100 anos apenas. Muitas linhas de pesquisa se constituiram ao longo de sua história, sendo alguns exemplos os estudo dos processos sociais de conformidade, processos grupais, atitudes, comportamento de ajuda, agressão, preconceito e atração interpessoal. Mesmo dentro desse campo da psicologia existem várias subdivisões – a divisão mais enfocada será a psicologia social experimental. Esse campo é caracterizado pelo estudo empírico das interações sociais e da influência social.

A psicologia social vem ganhando cada vez mais espaço e reconhecimento no meio acadêmico. Um exemplo do reconhecimento que a área vem conquistando foi o último relatório do IDH brasileiro, redigido pela ONU, no qual a temática central foram os valores dos brasileiros, demonstrando interesse por essa rica linha de pesquisa da psicologia social. Profissionais da área foram consultados e participaram da realização do levantamento de nível nacional que resultou em uma coleta de dados com milhões de brasileiros. O relatório será publicado em breve, divulgarei aqui sua data quando souber.

Referências:

Aronson, E.; Wilson, T. D. & Akert, R. M. (2002). Psicologia social. São Paulo: LTC.

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