Terapias Placebo

Seria mais honesto chamar as famosas “terapias alternativas” de “terapias placebo”, pois esse é um dos elementos que todas dependem para, às vezes, funcionar. Como já discutido anteriormente, o efeito placebo é comumente a razão pela qual algumas práticas como a aromaterapia, auraterapia, anjoterapia, terapia magnética, naturoterapia, florais de Bach e um número muito maior de ditas “terapias”, funcionam.

A anjoterapia deveria soar estranha até mesmo para os mais fundamentalistas religiosos. Esta terapia new age postula que se comunicar com os anjos é a chave para a cura de doenças. Susan Stevenson, uma hipnoterapeuta que pratica terapia de regressão à vida passada, diz que vê anjos em qualquer lugar. Uma fala de Susan me deixa preocupado:

Have you noticed this in your own life? Angelic reminders that they are with us- ‘whispers’ in our ear, ‘taps’ on the shoulder, brushes of air across your skin or changes in air pressure, ‘flutters’ from deep inside, glints of light and color- all these gentle hints to pay closer attention to their presence.

Sussuros e cutucadas de anjos? Correntes de ar passando pela pele? Mesmo que existissem anjos, porque eles perderiam tanto tempo brincando de marco pólo ou pique esconde conosco, só para provar que existem, com tanta gente precisando da proteção que supostamente eles deveriam dar a todas pessoas do mundo? Há algo de muito perturbador nesta idéia.

Mas será que essas terapias de fato funcionam, não por causa do efeito placebo ou pela desejabilidade da pessoa tratada? Não existem evidências claras a favor disso. Pode ser que funcionem mesmo, mas a efetividade desses procedimentos deveria ser testada antes de alguns sairem tratando outros por ai sem saber muito bem o que estão fazendo, mas alegando saber. Além disso, é extremamente improvável que qualquer solução de qualquer coisa  hiperdiluida com água possa curar uma pessoa com câncer, doenças degenerativas, AIDS, tuberculose, uma fratura óssea ou sequer uma simples gripe.

A falta de interesse em testar suas proposições torna mais evidente a falta de crença que os próprios “pseudoterapeutas” têm nas suas afirmações, por mais que digam que acreditam com toda certeza do mundo. Se eu achasse que misturar vinagre com cerveja, pétalas de rosa camponesa e catuaba pudesse curar o H1N1, eu seria o primeiro a querer testar rigorosamente isso, ganhar reconhecimento mundial e muita grana!

Esse imenso mercado que faz uso do efeito placebo, do carisma e da sugestão para enriquecer os bolsos só próspera nos dias de hoje porque existem pessoas para financiá-los. Faça sua parte no combate à ignorância, à superstição, ao obscurantismo, ao charlatanismo e ajude a construir uma sociedade mais pensadora e reflexiva. Na próxima vez em que estiver diante de um destes produtos, não compre! Ou melhor ainda, junte o dinheiro e compre um bom livro, trará mais benefícios para você!

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