O Gorila Invisível

Suponha que você está participando de um estudo e o pesquisador te pede para contar quantos passes são trocados entre os jogadores de um time de branco em um vídeo. Assista o vídeo abaixo e tente contar os passes.

O interessante artigo de Simons e Chabris (1999) resultou mais recentemente (maio de 2010) em um livro chamado The Invisible Gorilla (O Gorila Invisível) (http://www.theinvisiblegorilla.com/index.html). O estudo investigou o papel da atenção na percepção dos participantes e avaliou o papel de um evento inesperado durante um teste de atenção seletiva.

O teste era apresentado na forma de um vídeo e consistia de 6 pessoas trocando passes com uma bola de basquete divididas em duas equipes (uma branca e uma preta), cada equipe com uma bola. As variáveis manipuladas foram o evento inesperado (uma mulher completamente fantasiada de gorila caminhava durante 5 segundos pelo vídeo em uma condição ou uma mulher com um guarda-chuva, em outra), que ocorria por volta dos 44-48 segundos de vídeo, e o estilo de vídeo (parcialmente transparente em uma condição ou completamente nítida e opaca, em outra).

ResearchBlogging.orgForam feitos 4 vídeos com duração de 75 segundos para cada uma das condições experimentais – Trasparente/mulher com guarda-chuva; Transparente/gorila; Opaco/mulher com guarda-chuva; Opaco/gorila. Também manipulou-se no estudo a forma como os participantes deveriam contar os passes em uma condição fácil e uma difícil (contar mentalmente em silêncio todos os passes de uma equipe ou contar separadamente os passes aéreos e os passes onde a bola era passada quicando no chão, respectivamente).

Os resultados obtidos foram que de 192 participantes, 54% perceberam o evento inesperado e 46% falharam em notar o evento. Ou seja, quase metade dos participantes não perceberam um evento saliente e inesperado enquanto estavam envolvidos em uma tarefa de monitoramento.

Além das 16 condições experimentais, os autores adicionaram uma condição onde um gorila atravessava o vídeo parando no meio dos jogadores que continuavam trocando passes, virava-se para a câmera, batia em seu peitoral e então terminava de atravessar o vídeo (esse evento durava 9 segundos e é a condição apresentada no vídeo que iniciou esse texto). Dos 12 participantes desse experimento, apenas 50 % perceberam o evento inesperado.

A mulher com o guarda-chuva foi mais frequentemente percebida em praticamente todas as condições do que o gorila e foi observado um efeito da cor do gorila (preta) com a cor da equipe que o participante devia contar os passes (mais participantes perceberam o gorila quando tinham que contar os passes da equipe de preto), além de um efeito do nível de dificuldade da contagem de passes (mais participantes perceberam o evento inesperado na condição de contagem fácil do que na condição difícil).

Uma das conclusões dos autores é que objetos podem passar pela extensão espacial do nosso foco de atenção e mesmo assim não serem “vistos” se eles não forem especificamente focados (Simons e Chabris, 1999). No vídeo abaixo é apresentada uma outra versão desse paradigma.

Referência:

Simons, D., & Chabris, C. (1999). Gorillas in our midst: sustained inattentional blindness for dynamic events Perception, 28 (9), 1059-1074 DOI: 10.1068/p2952

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Discussão - 2 comentários

  1. Duda Munhoz disse:

    O ser humano é realmente um ser bem estranho…

    Amei o artigo! Está de parabéns, André. 😀

    Beijos, Duda

  2. […] estudos mais famosos sobre a cegueira atencional foi o estudo sobre o gorila invisível. Clicando aqui você pode ler mais sobre isso. E aqui você também encontrará um texto em inglês falando sobre […]

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