Ninguém Vai Mudar de Signo?!

Uma reportagem entrevistando um astrólogo saiu recentemente no portal “Extra Online” da Globo, discutindo sobre a possibilidade de existir um outro signo além dos 12 já usados pela astrologia e da mudança das datas correspondentes a eles, proposta por um grupo de astrônomos que restauraram o zodíaco babilônico e o atualizaram com as mudanças ocorridas desde então.

Para quem considera exagero criticar a astrologia por essa não ter la grandes pretensões além das financeiras, vejam que na reportagem é comentado sobre um “Sindicado de Astrólogos do Estado do Rio de Janeiro”, além do astrólogo entrevistado dizer que a astrologia “é uma  ciência com mais de oito mil anos”.

Porém, concordo com ele que a astrologia “existia da mesma forma na idade média quando se conheciam apenas sete planetas”. Como ele mesmo atesta, pouca coisa mudou na astrologia, e os novas descobertas não parecem abalar os pressupostos deles. Essa não é nem de perto uma postura científica.

Seria o mesmo que ver numa balança 7 bolas e dizer que o peso destas bolas juntas é de 14kg, e, mesmo depois de adicionar mais duas bolas com o mesmo peso das outras, continuar dizendo: essas bolas adicionadas não fazem diferença, o peso deve continuar 14 kg, e não 18kg. O efeito que as bolas tem na balança devido a força da gravidade vai mudar necessariamente se outras bolas forem adicionadas. Porque o efeito que os planetas teriam nas pessoas  não mudaria?

É importante comentar que nenhuma força conhecida hoje poderia intermediar essa influência dos planetas. A única força que um planeta poderia excercer sobre nós é a gravitacional, mas essa seria tão desprezível devido a enorme distância entre nós e esses planetas que qualquer pessoa próxima de você exerceria uma força gravitacional maior.

O astrólgo se desarma definitivamente quando fala que “a questão física pouca importa”.  Se a questão física pouco importa para alguém que se diz estudioso da influência dos planetas, alguma coisa está muito errada. Essa afirmação só corrobora a idéia de que ninguém está fazendo ciência nenhuma na astrologia, mas gosta de dizer que está para ganhar respeito e, consequentemente, dinheiro.

Para mim, foi ótimo descobrir que não “sou sagitariano”, pois por muito tempo tive que ouvir que “eu era assim porque era sagitariano” ( e ainda tenho que aguentar isso). Espero que a minha personalidade consiga se adaptar a minha mais nova aquisição – o signo de libra. Quanta bobagem.

Segue a notícia.

Ninguém vai mudar de signo

Para o astrólogo Jean Pierre Conti, membro do Sindicado de Astrólogos do Estado do Rio de Janeiro, a existência de um possível 13º signo não é novidade e também não faz diferença para o zodíaco, já que “a questão física pouca importa”.

– Os astrônomos se confundem. O fundamental das astrologia são os arquétipos, os símbolos -, diz. Mesmo a mudança na posição das estrelas apontada pelos Astrônomos do Planetário de Minnesota, nos EUA, não faz diferença. – A mandala é dividida em 12 signos, não 13 constelações.

Conti explica que a astrologia é uma ciência com mais de oito mil anos, que existia da mesma forma na idade média quando se conheciam apenas sete planetas. Os astrólogos até já supõem a existência de um outro signo entre capricórnio e sagitário, mas nem por isso pensaram em rever as coisas.

Por fim, ele tranquiliza as pessoas: ninguém vai mudar de signo, só os astrólogos que devem ter mais trabalho.

– Se descobrirem mais alguma coisa, maravilha. Acrescenta opções para estudar.

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Discussão - 4 comentários

  1. Rafael disse:

    André,

    estou conhecendo o seu site agora e queria parabenizá-lo porque as questões levantadas são muito interessantes.

    Acerca desse tema em específico, naveguei por vários sites brasileiros e americanos e encontrei uma explicação que se repetiu várias vezes. A de que existem dois tipos de signos: o signo das estrelas e o signo das estações e que o signo considerado para definir a personalidade de um indivíduo é o signo das estações que se mantém imutável.

    Diante desta constatação fiz uma pergunta que achei pertinente para a autora brasileira que mais foi citada: “se os signos são baseados em estações eles não deveriam ser diferentes nos hemisférios norte e sul?”

    A resposta que recebi foi simplesmente hilária. Foi um longo email explicando que os povos que criaram os signos eram agricultores e que, sendo assim, o que interessava era se a época se caracterizava como boa ou ruim para a colheita. Ela citou um exemplo, o de que tanto o verão como o inverno são ruins para a colheita (ela igualou o inverno ao verão!).
    Também disse que março é uma época de começos e que é por isso que no mundo todo o ano só começa realmente em março (até onde eu sei é só no Brasil que isso acontece).

    Acho simplesmente fantástico como as “ciências alternativas” defendem suas crenças.

    Abraço,
    Rafael

  2. André Rabelo disse:

    @Rafael
    Olá Rafael, obrigado pelo comentário!

    Serviu como um ótimo complemento ao meu texto o que vc trouxe. Nem a mudança de rotação do eixo da Terra (que por sinal, já se alterou de novo depois do terremoto no Japão), nem as diferenças geográficas das estações do ano, nem nada parece impressionar a astrologia.

    É interessante o que vc comentou tb pq de tudo que li sobre as proposições astrológicas até hj, muita coisa fica sim justificada nos planetas e na posição dos mesmos, a princípio. Mas quando alguém indaga acerca dos aspectos físicos destas proposições, muitos fogem da raia falando das estações ou fogem mais ainda falando de simbologia.

    Fiquei curioso quanto à justificativa dessa astróloga que vc mandou o email para argumentar que março é uma “época de começo”… suspeito que surja algum texto quase poético sobre chuva e plantas, mas posso estar errado =)

    um abraço,
    André

  3. Rafael disse:

    Foi bem por aí mesmo. Esse é o email que ela me mandou, acho que você vai se divertir:

    “Continuo afirmando que os signos tem a ver com as estações do ano e não com as constelações. É verdade que essa relação foi estabelecida no hemisfério norte, mas, se você prestar atenção, vai ver que no fundo o resultado é o mesmo.
    As civilizações que construíram a astrologia eram civilizações agrícolas e o zodíaco que usamos até hoje está baseado no ciclo agrícola que se repete a cada ano.
    Assim, se para o hemisfério norte, Capricórnio é um tempo difícil de plantar por causa do frio do começo do inverno, no hemisfério sul o problema é o mesmo por causa do calor do começo do verão. Em Aquário temos mais frio e ainda mais calor. Terra seca, dura, difícil de trabalhar.
    Depois vem Peixes, a estação das grandes águas… para eles pelo degelo e para nós pelas águas de março fechando o verão… também não se planta em Peixes, é preciso esperar a terra secar um pouco para começar a plantar por volta do dia 21 de março que é o equinócio da primavera para eles e do outono para nós. O tempo de Áries é um tempo de começos, para os dois hemisférios… você já reparou que o ano começa mesmo em março?
    Partindo desse ponto de vista, podemos seguir o zodíaco inteiro e perceber que o conjunto de cada três signos (todos do mesmo tamanho) corresponde apenas ao começo, ao meio e ao fim de uma estação….
    a grande diferença entre astrônomos e astrólogos é que eles se preocupam com o que acontece no céu e nós prestamos atenção ao que acontece na terra, sob o lindo pano de fundo das constelações…”

  4. André Rabelo disse:

    @Rafael
    hehehe, não esperava acertar tão em cheio com direito a um trecho de “àguas de março”. De fato me diverti, Rafael.

    É curiosa a estratégia de persuasão que ela emprega já que não tem muitos argumentos nem evidências para corroborar suas afirmações (“se você prestar atenção, vai ver que no fundo o resultado é o mesmo”, “você já reparou que o ano começa mesmo em março?”).

    Valeu por compartilhar a “pérola”, Rafael!

    um abraço,
    André

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