Inato x Aprendido (Parte 1)

Autores: André Rabelo e Felipe Novaes

Texto também publicado no Blog NERDWORKING

Desde a Grécia antiga até os dias de hoje, uma idéia tem tido grande influência na discussão acerca da natureza humana – a dicotomia entre comportamentos inatos e aprendidos ou explicações biológicas e culturais do comportamento, o que ficou conhecido com o debate nature or nurture, natureza ou criação, inato ou aprendido.

Este debate acalorado teve seu auge na metade do século passado e seu período mais crítico durou cerca de 20 anos, apesar de muitos ambientes acadêmicos ainda enfrentarem este fantasma, fruto de uma antiga disputa que misturou posições ideológicas e políticas com científicas.

De um lado, sociobiólogos e etólogos afirmavam que grande parte dos comportamentos eram inatos; do outro, pesquisadores das ciências sociais e psicólogos behavioristas defendiam que a maior parte dos comportamentos (ou todos) eram aprendidos.

Geralmente, as ciências humanas, sociais e comportamentais adotavam, e ainda adotam em muitos círculos acadêmicos, uma idéia próxima da tábula rasa, conceito criado por John Locke, que afirma que o ser humano nasce como uma folha de papel em branco a ser preenchida pelas experiências. Essa idéia já deveria ter sido revisada desde que, nos últimos anos, repetidas evidências tem apontado diversos aspectos do ser humano como tendo fortes bases biológicas.

A dicotomia entre inato e aprendido foi sendo vagarosamente substituída por uma visão interacionista entre ambos – depois de perceberem que além do preto e do branco pode existir o cinza também, os estudiosos do ser humano puderam avançar consideravelmente no entendimento de como predisposições biológicas influenciam o comportamento humano e como o ambiente pode afetar a expressão de características genéticas, além de quando essa expressão poderá ocorrer (Dovidio et al., 2006).

Um dos autores do presente texto já descreveu em textos anteriores algumas evidências empíricas corroborando a idéia de que os seres humanos possuem determinadas tendências humanas inatas, “aqui” e “aqui”. Além disso, Dovidio da dois exemplos para ilustrar  a relação entre pedisposições e o ambiente de um organismo: psicólogos do desenvolvimento conhecem, já há algum tempo, as diferenças individuais no temperamento de bebês (e.g. mais chorões ou calmos) desde o momento em que nasceram praticamente; também sabe-se hoje que determinados genes vinculados diretamente à atividade cerebral e à certos processos fisiológicos são ativados ou desativados por eventos ambientais.
ResearchBlogging.org

Um outro exemplo é a linha de pesquisa sobre emoções humanas e suas expressões faciais desenvolvida pelo psicólogo Paul Ekman, que, inspirado nos estudos iniciais de Charles Darwin acerca da expressão de emoções em animais e em seres humanos, encontrou em seus estudos de povos primitivos que a expressão das emoções básicas (raiva, alegria, tristeza, desprezo, medo, surpresa e nojo) são praticamente as mesmas na espécie humana (Ekman, Sorenson e Friesen, 1969; Ekman, 2003), ainda que culturas diferentes possam dar nomes diferentes e acrescentar à sua expressão pequenas sutilezas; o que Ekman chama de emblemas e ilustradores. Todavia, ainda hoje muitos cientistas da área de humanas rejeitam essas pesquisas e chamam Ekman de preconceituoso e racista.

Apesar de esses esclarecimentos terem sido absorvidos por alguma parte da comunidade científica, a negação da natureza humana ainda é algo comum em muitas universidades no mundo, como o psicólogo Steven Pinker ilustra e explora em um de seus livros, Tábula Rasa: A Negação Contemporânea da Natureza Humana. Conforme Pinker (2004):

O tabu da natureza humana não só põe antolhos nos pesquisadores mas também faz de qualquer discussão sobre o tema uma heresia que precisa ser aniquilada. Muitos autores, de tão desesperados para desabonar toda insinuação de uma constituição humana inata, jogam a lógica e a civilidade pela janela. Distinções elementares – entre “alguns” e “todos”, “provável” e “sempre”, “é” e “tem de ser” – são sofregamente menosprezadas a fim de que a natureza humana seja pintada como uma doutrina extremista e, com isso, os leitores sejam conduzidos para longe dela.

A análise de idéias é comumente substituída por difamações políticas e pessoais. Esse envenenamento da atmosfera intelectual privou-nos dos instrumentos para analisar questões prementes sobre a natureza humana, justamente quando novas descobertas científicas as tornam críticas.

Antropólogos, sociólogos, cientistas políticos, psicólogos e psicanalistas se figuram como os mais ardentes negadores de explicações biológicas acerca do comportamento humano. Para muitos deles, o comportamento pode ter uma base inata, mas o processo de aprendizagem é muito mais importante na hora de explicar o comportamento das pessoas. Também existem concepções mais radicais do ser humano beirando um reducionismo cultural: tudo que o ser humano faz é determinado por sua aprendizagem cultural, as culturas variam de forma quase infinita, caótica e  de acordo com nenhum padrão, sendo que até mesmo urinar ou defecar são apenas práticas culturalmente aprendidas.

Lembro ainda hoje de uma aula que tive (Felipe) na faculdade, sobre psicologia do desenvolvimento. Um aluno tinha feito alguma pergunta sobre esse debate nature or nurture e a professora falou algo interessante. Para ela, a biologia e a cultura atuam entrelaçadamente de forma que é um tanto complicado distinguir os dois.

Até aí tudo bem, mas ela prossegue dizendo que “por exemplo, a necessidade de beber água é determinada por fatores culturais. Hoje os médicos afirmam qu devemos beber 2 L de água por dia, mas eu mesma só bebo um copo de água por dia, quando chego em casa de noite; e nunca morri por isso! Lá na Índia existem aqueles monges que são capazes de permanecer dias sem beber água e também não morrem por isso.” Isso foi chocante. Ou o caso de um outro porfessor meu que afirmou que a pressão arterial e seu valor ótimo é cultural, ou seja, podem existir culturas em que seus habitantes possuem uma pressão alta se comparada ao nível recomendado atualmente em nossa sociedade, mas que vivem normalmente sem ter nenhum prejuízo na saúde por conta disso.

Antes mesmo da presença marcante das ciências naturais no debate, como a genética comportamental e a neurociência, esse aspecto já havia sido explorado de alguma forma pelo psicólogo e médico suíço Carl Jung, por exemplo. Ele percebeu que existem diversos símbolos e conceitos de mitologias de povos diferentes, mas que são muito semelhantes. De fato, vemos certas estruturas presentes largamente por aí, tal como o arquétipo do herói, por exemplo, que rege a jornada de heróis como Jesus, Buda, Hércules, Ulisses e outros heróis mitológicos, independente de haver fundo histórico em suas narrativas. Um de nós já escreveu sobre as semelhanças entre histórias contadas de Buda e Jesus “aqui” e “aqui”.

Hoje em dia compreende-se que a pergunta “é inato ou aprendido” é, além de mal formulada, inútil e retrógrada, pois se baseia numa suposta oposição excludente entre o que é inato ou aprendido, quando de fato os dois conceitos não são opostos, e muito menos excludentes.

Toda essa resistência em considerar as evidências não resultou de pesquisas sistematicamente conduzidas que chegaram à outras conclusões, mas principalmente de ideologias que pretendem fundar e modificar a história humana, selecionando as conclusões “politicamente corretas” às quais os cientistas podem chegar. Algo como “vocês cientistas não devem chegar à essas conclusões, olhem o que poderão estar estimulando”.

Existe nesse pensamento uma noção muito desinformada do que é a pesquisa científica: cientistas fazem pesquisas onde, através de um teste bem elaborado, podem obter mais de um resultado, que acabe corroborando ou não suas hipóteses. Porém, o resultado que será obtido no teste deve estar fora do seu controle de manipulação, portanto não faz parte da pesquisa científica escolher o resultado de algo.

(To be continued…)


Referências:

Dovidio et al. (2006). The social psychology of prosocial behavior. New York: Lawrence Earlbaum.

Ekman, P. (2003). Emotions revealed: Recognizing faces and feelings to improve communication and emotional life. New York: Times Books.

Ekman P, Sorenson ER, & Friesen WV (1969). Pan-cultural elements in facial displays of emotion. Science (New York, N.Y.), 164 (3875), 86-8 PMID: 5773719

Pinker, S. (2004). Tábula Rasa: A Negação Contemporânea da Natureza Humana. São Paulo: Companhia das Letras.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Discussão - 21 comentários

  1. Marcos disse:

    Um adendo, Behavioristas Radicais não acreditam na teoria da tabula rasa.
    Behavioristas Radicais pressupoem um modelo de explicação do comportamento envolvendo três níveis de determinação.

    O Filogenético (Parte do Comportamento é Naturalmente Herdado por seleção Natural)
    Ontogenético (As contingências de Reforçamento)
    Cultural ( como a cultura e as práticas culturais modelam o comportamento).

    É impossível reduzir qualquer comportamento a apenas um desses níveis, pois qualquer comportamento aprendido demanda um organismo intacto com funções (nervosas e cerebrais) que se comporte e seja capaz de se reorganizar de forma a controlar melhor o meio ambiente em que vive.

    O Behaviorismo que todo mundo mete o pau é o de Watson (anterior a Skinner), este caiu a muito tempo em desuso, sendo alvo apenas de história.

    http://funcionalanalise.blogspot.com/2011/03/serie-os-behaviorismos-2-o-behaviorismo.html

    Existem diversas escolas Behavioristas e dentre elas o Radical mantém-se forte e com grande ascensão nas ultimas décadas, sendo uma alternativa ao modelo cognitivista.

  2. André Rabelo disse:

    @Marcos
    Marcos, obrigado pelo comentário!

    sim, os behavioristas ao quais o texto se refere são majoritariamente os da época de Watson, esses foram os que mais se aproximaram da idéia de tabula rasa, apesar de que houve um grande atrito entre o própio Skinner e os etólogos da época também.

    Não sou um especialista em behaviorismo como vc parece ser, então peço que me corrija se eu estiver errado, mas a questão não é que o behariovismo radical excluiu o nivel filegenético de análise (o que ai seria sim a idéia da tabula rasa), o Watson foi mais “radical” que o behaviorismo radical nesse ponto, mas ele defendia que o mais importante para explicar qualquer tipo de comportamento é a aprendizagem através das contingências, mesmo que existam características herdadas.

    Pelo própio foco de pesquisa do behaviorismo durante seu auge, quando se tornou predominante nos estados unidos, e até mesmo hoje em dia pelo contato que tive com essa área, nota-se que, mesmo que o modelo não recomende isso explícitamente, todos estavam mais focados em estudar o efeito do ambiente, deixando bem de segundo plano a importância da filogenia.

    Quanto à “O Behaviorismo que todo mundo mete o pau é o de Watson”, há controvérsias na minha opnião, Marcos. O behaviorismo radical recebeu várias críticas, e inclusive foram essas críticas que criaram o contexto para o surgimento da psicologia cognitiva. Nenhum modelo científico até hoje escapou de críticas ferrenhas, e no caso do behaviorismo radical não foi nem um pouco diferente, diria até que algumas críticas foram tão severas que chegaram à ser injustas.

    um abraço,
    André

  3. Kelvin disse:

    @André Rabelo , permita-me um (outro) adendo:

    Se pelo auge você refere-se à decada de 1950, esta não chega a ser uma boa caracterização, visto que o Bejaviorismo Radical de Skinner só nasce oficialmente em 1953 com a publicação de “Ciência e Comportamento Humano”, e a publicação da maior obra deste “O Comportamento Verbal” só ocorre em 1957. É a partir daí que surge o Behaviorismo Radical; o auge ao qual você se refere é muito provavelmente o auge do Behaviorismo Metodológico de Watson.

    Preciso comentar que, não é que haja uma relegação da filogenia ao segundo plano – o que ocorre é que já há disciplinas que estudem em mais profundidade esse primeiro nível de seleção do comportamento, sendo o Behaviorismo Radical (mais especificamente a Análise do Comportamento) aquele que se ocupa com mais profundidade do segundo nível de seleção. Segundo Skinner (1981):

    “A seleção por conseqüências é um modo causal encontrado unicamente em coisas vivas ou em máquinas feitas por elas. Foi primeiramente reconhecida na seleção natural, mas explica, também, a modelagem e a manutenção do comportamento do indivíduo e a evolução das culturas. (…)
    Cada um dos três níveis de variação e seleção tem sua própria disciplina – o primeiro, a Biologia; o segundo, a Psicologia; e o terceiro a Antropologia. Apenas o segundo, o condicionamento operante, ocorre em uma velocidade em que pode ser observado de momento a momento.”
    http://www.bfskinner.org/BFSkinner/Brazil_files/Selecao_por_consequencias.pdf

    Se foi o caso de que seu contato com a área tiver sido com psicólogos clínicos/escolares/hospitalares, fica fácil entender o porquê da maior “ênfase” aos aspectos ambientais: ninguém pode, nem tem condições, de alterar genes numa escola ou clínica para ver se tal indivíduo deixa de comportar-se de tal maneira, e segundo, não é nada útil apelar para algum tipo de “gene das lacunas” ao explicar ao buscar explicações para o comportamento de um sujeito. Considerando o comportamento como fruto da história de três níveis de seleção, pode-se dizer behaviorismo radical é 100% interacionista. A (muito importante, sem dúvida) carga genética não pode ser separada da influência ambiental que a molda e modela no decorrer da história de vida da pessoa.

    Você está certo, realmente várias críticas que o Behaviorismo Radical recebeu, e ainda recebe, foram injustas; acontece que várias realmente se devem à confusões entre o modelo de Skinner e o de Watson. Quanto às críticas que criaram o contexto para o surgimento da psicologia cognitiva, você provavelmente refere-se ao famoso artigo de Chomsky (1959)[1] criticando o “Verbal Behavior” de Skinner, artigo este refutado por Kenneth MacCorquodale (e não respondido por Chomsky) em 1970, e no Brasil (além de um comentário por Abib em 1994), por Justi e Araújo em 2004. De fato há controvérsias e discordâncias na área, (o debate Staddon X Baum, por exemplo) mas nenhuma delas chega a ser crítica à teoria.

    Um abraço!

    [1]: http://olharbeheca.blogspot.com/2010/08/revolucao.html
    [2]: http://www.comportese.com/2009/11/olhares-teoricos-ii-chomsky-verbal.html

  4. Marcos disse:

    André,

    Não é o que vejo hoje, pelo menos por parte dos ditos cognitivistas ou neurocognitivistas (Neuromentalistas). Os ditos grandes críticos do Behaviorismo como Noan Chomsky, Steven Pinker, John Searle, dentre outros, basearam-nas em pré-conceitos, ou em Behaviorismos que não o de Skinner e Cols.

    E esse modelo se repete até os dias de hoje, todos os cognitivistas que eu conheci (vários professores universitarios com titulação de Doutor pra cima), não conseguem compreender corretamente o modelo operante, o comportamento verbal, o controle de estímulo, etc.

    Eles incompreendem mesmo o que significa “Comportamento” para um Behaviorista.

    Comportamento é qualquer relação do organismo com o mundo (Incluindo neste grupo os sentimentos, emoções, pensamentos, etc…)

    Nós não excluimos o “Mental” nós o entendemos de uma forma diferente.

    E sim para nós o organismo (a parte anatomo-fisiológica) é estremamente importante. Embora nós a entendemos de forma adversa da forma Cartesiana (Corpo- Cérebro/Mente).

    Quanto ao desentendimento de Skinner com Etólogos, acho que foi com os etólogos mentalistas, pois Skinner apoiava também a Etologia como uma ciência que poderia dar conta melhor que sua Analise Experimental do Comportamento da Filogenética.

    Não conseguiriamos fazer e aprender absolutamente nada, se não tivessemos padrões inatos de respostas. Um ser humano nunca aprenderia a falar se não balbuciace, nunca sairia do berço se não emitisse alguns movimentos aleatórios.

    E vc nunca aprenderia nada se não tivesse uma pré-disposição a ser reforçado por determinado grupo de estímulos como comida, agua, contato sexual, etc…

    E vc nunca poderia aprender nada se vc não respondesse inatamente a estimulos luminosos, sonoros, táteis, ou gustativos (os orgãos são apenas a parte estrutural dessas funções).

    Ou mesmo não reteria nada se não tivesse um sistema nervoso.

    O Biológico é o ponto de partida pra qualquer comportamento aprendido por contingências de reforçamento, isso é plenamente reconhecido pelo Behaviorismo Radical, mas nós vamos além, nós dizemos que mesmo esse inato precisou ser selecionado, teve uma função evolutiva para a Espécie.

    Os cognitivistas por outro lado, assumem que o cérebro (ou a mente) são iniciadores ou processadores de comportamentos, tantando ignorar que o meio ambiente é que seleciona o comportamento e o organismo estrutural só existe por essas seleções terem ocorrido seja em nivel filo/onto/ ou cultural.

    Skinner os chama de Criacionistas da Psicologia, e eu concordo plenamente.

  5. Marcos disse:

    Uma proposta unificada verdadeiramente cientifica para dar conta do comportamento e das neurociencias na minha opinião pode ser encontrada nas obras de Skinner e cols. E não no neo-mentalismo que anda mais popular hoje em dia a começar por esse texto:

    http://www.bfskinner.org/BFSkinner/Brazil_files/Selecao_por_consequencias.pdf

  6. André Rabelo disse:

    @Marcos
    Marcos, concordo com a tua compreensão da importância do organismo e da estrutura biológica, e já tinha lido antes na obra do Skinner, “Sobre o behaviorismo”, mt do q vc colocou como a visão do behaviorismo radical. De fato, isso se afasta da tábula rasa, e é por isso que, como eu já havia dito, o behaviorismo do Watson é o foco do texto que eu e Felipe escrevemos.

    Também sei que existe uma grande confusão entre o behaviorismo de Watson e o do Skinner, e muitas críticas foram de fato injustas e errôneas, como eu ja havia comentado.

    Quanto ao q vc falou sobre os cognitivistas serem criacionistas da psicologia, discordo plenamente e acho essa comparação muito tosca e desinformada, com todo o respeito, meu caro. É uma pena que tu precise recorrer à falácia do espantalho pra tentar criticar e ridicularizar o modelo cognitivo, outras críticas mais interessantes de fato poderiam ser feitas. Além do que essa comparação é realmente muito pobre, da para ver pelo que vc escreveu que vc tem uma visão bem estranha do que é a mente/cérebro e qual o papel do ambiente para um cientista cognitivo. Não conheço sequer nenhum “cognitivista” que pense hoje em dia como vc diz que o cognitivistas pensam.

    Me estranha tb que behavioristas, que sempre reclamaram tanto de serem mal interpretados, cometam exatamente a mesma falha que tanto os deixaram injuriados. Tal injustiça que sofreram deveria ter sido uma lição para não cometer isso com outros, até quando se tem uma enorme vontade invalidar um modelo que seja muito diferente do seu, mesmo que este apresente uma série de evidências que demonstram sua utilidade.

    Se tua referência básica para compreender a psicologia cognitiva foi o que Skinner escreveu há muitos anos atrás, seria mt bom para as suas críticas que vc se atualizasse e tentasse entender “o que os cognitivistas realmente propõe, pensam e definem”, pois gigantescas mudanças ocorreram daquela época para agora.

    Acho realmente estéril aprofundar demais nessa discussão do behaviorismo radical, Marcos, até pq não é nem de perto o foco do texto que foi escrito, o behaviorismo radical não foi criticado diretamente pelo texto. Não acho útil nem motivador perder mt tempo discutindo isso, pois confesso que tive muitas experiências desanimadoras até hoje de tentar fazer behavioristas entenderem algo diferente do que skinner disse sobre a psicologia cognitiva. Se quiser se atualizar e fazer críticas mais fundamentadas, beleza, se te satisfaz o retrato esteriotipado, apelativo e pobre, que não corresponde de forma alguma à ciência cognitiva, beleza tb. De qualquer forma, valeu por clarificar alguns pontos da visão behaviorista!

    um abraço,
    André

  7. Rafael disse:

    Acho muito válida essa discussão entre behaviorismo e cognitivismo e gostaria de deixar a minha contribuição.
    O Marcos disse que “Um ser humano nunca aprenderia a falar se não balbuciace, nunca sairia do berço se não emitisse alguns movimentos aleatórios.”. Primeiro gostaria de ressaltar que visto os estudos da Psicologia Evolucionista os movimentos de um bebê estão longe de ser aleatórios. Estudos mostram que um bebê de 10 horas de vida já olha diretamente para os olhos de uma pessoa que fique na sua frente, ou de qualquer padrão que lembre 2 olhos. Mas acho que esse não é o ponto central da discussão.
    Me corrijam se eu estiver errado, mas o seu comentário sobre ao balbucio remete ao que eu li dos estudos behavioristas sobre a linguagem ser aprendida por reforço diferencial. Chomski, em sua crítica ao behaviorismo, condiziu experimentos que chegaram à conclusão que as crianças não eram reforçadas diferencialmente e mesmo assim não tinham problemas em aprender uma linguagem. Steven Pinker posteriormente encontrou exemplos de sociedades que inclusive nem falavam com seus filhos até estes terem desenvolvido a linguagem satisfatoriamente apenas por observação.
    E, indo mais além, ele também encontrou exemplos de crianças desenvolvendo linguagem. Gostaria de saber como o behaviorismo explicaria como uma criança sofisticaria uma linguagem (acrescentando flexões de verbo, inversões de frase, entre outros). Esses casos se encontram no livro “O Instinto da Linguagem”.

    Concordo com os psicólogos cognitivistas quando eles falam que o behaviorismo é muito simplista.

  8. André Rabelo disse:

    @Kelvin , obrigado pelo comentário!

    achei bacana o trecho que vc trouxe do Skinner, deixa bem claro que ele não era adepto da idéia de tábula rasa. Eu não fiz qualquer alusão cronológica à quando foi o auge do behaviorismo no meu comentário ao Marcos, até pq não tenho conhecimento desse detalhe. Conheço sim o momento histórico em que o behaviorismo dominou a psicologia nos estados unidos, mas não suas décadas mais representativas.

    Não me refiro apenas ao artigo seminal do Chomsky, muitas outras críticas foram feitas desde então (1). Vc pode me passar a referência completa desse artigo que vc comenta que refutou a crítica do Chomsky (do Kenneth MacCorquodale)? Nao o conheço e fiquei curioso para saber como as propostas de Chomsky foram refutadas. Agora vou comentar um trecho q vc falou, e peço que me corrija se eu tiver entendido errado, por favor: “De fato há controvérsias e discordâncias na área, (o debate Staddon X Baum, por exemplo) mas nenhuma delas chega a ser crítica à teoria”

    Me pareceu que vc, assim como o Marcos, defendem que o Behaviorismo resolveu todos os seus problemas teóricos, metodológicos, epistemológicos e filosóficos, não restando críticas válidas à ele. Sério? Nem os físicos nem os biólogos gozam de tal privilégio, e admitem isso numa boa. Se a Análise do Comportamento é uma ciência, como muitos pensam, um pouco mais de humildade e de crítica viriam a calhar, pois ciência perfeita ainda não foi feita no planeta Terra, e se não tivesse problemas dificilmente a psicologia cognitiva se tornaria uma área de pesquisa adotado por tantos psicólogos, neurocientistas, filósofos e antropólogos hoje em dia.

    um abraço,
    André

    (1) Bargh, J.A. & Ferguson, M.J. (2000). Beyond behaviorism: The automaticity of higher mental processes. Psychological Bulletin, 126, 925-945

  9. Kelvin disse:

    @André Rabelo , apenas achei importante ressaltar qual behaviorismo foi dominante na época referida – visto que a reação se deu em grande parte contra o behaviorismo que já estava estabelecido (metodológico), e não contra o que estava emergindo (radical). De qualquer maneira, o artigo de MacCorquodale é encontrável na internet[1].

    Percebo que estamos falando de tipos de problemas diferentes. O tipo de crítica ao qual você se refere é diferente do tipo ao qual me refiro; por mais que hajam divergências e debates na astrofísica quanto à origem do universo, a teoria do Big Bang já é um plano comum para os físicos; por mais que hajam divergências e debates na biologia, a teoria da evolução é consenso entre grande maioria biólogos. Nenhuma das divergências e debates destas áreas atinge o “core” da astrofísica e da biologia. Visto, segundo me parece, que você parte de uma visão cognitivista, soa como se a crítica ao qual você se referisse atingisse o coração da teoria, o anti-mentalismo (e outros pontos que dele decorrem, como o pragmatismo, parcimônia, operacionalização dos termos etc) – o que, conforme disse antes de outra maneira, de fato não ocorreu; o “core” das premissas centrais behavioristas permanece intocado pela grande maioria das críticas até então feitas. O artigo que você citou[3], infelizmente, é um exemplo de críticas advindas de confusão entre teorias.
    Por exemplo, já na 2ª página, ele afirma que Watson era um behaviorista “radical” (??) – ficamos sem saber se com este termo eles queriam denotar o adjetivo significando “extremista”, ou se queriam dizer o mesmo que Skinner sobre “buscar a -raiz- do comportamento”. Se for este segundo caso, eles simplesmente ignoram o fato de que o Behaviorismo Radical só teria o seu “boom” a partir de 1953, 40 anos após o artigo em que Watson publica o artigo que funda o primeiro momento behaviorista. Na terceira página, Bargh e Ferguson afirmam que o “Verbal Behavior” de Skinner era uma “tentativa de estender o modelo S-R aos processos de ordem superior em humanos” – algo que é simplesmente falso: a primeira frase desse livro diz justamente o contrário: “Os homens agem sobre o mundo, modificam-no e, por sua vez, são modificados pelas consequências de sua ação.”(1957)[3] (isso é paradigma operante, e não respondente), além de haverem ignorado a complexa análise linguística que ele faz no decorrer de seu livro (tatos, intraverbais, autoclíticos, etc). A semelhança enfatizada entre behaviorismo e cognitivismo, porém, na questão do determinismo, é ponto positivo do artigo, claro.
    Convenhamos que a existência de várias pessoas endossando determinado paradigma não chega a ser um argumento per se, visto que até mesmo o criacionismo é ensinado em várias escolas públicas dos EUA (não querendo comparar o cognitivismo a tal), sendo necessário analisar outros fatores que possam ser responsáveis por isso, e mesmo cognitivistas de renome reconhecem a contribuição behaviorista[4] para o conhecimento científico na psicologia.

    De qualquer forma, esse comentário não pretende ter um tom de crítica, visando apenas um pequeno esclarecimento quanto a um aspecto do texto; tanto cognitivistas quanto behavioristas concordam na questão básica do interacionismo genética-ambiente, e sem dúvida, quanto à este ponto pacífico, o post está 100% correto.

    Abraço

    [1]: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1333660/pdf/jeabehav00145-0085.pdf
    [2]: http://www.yale.edu/acmelab/articles/bargh_ferguson_2000.pdf
    [3]: http://revistas.redepsi.com.br/index.php/RBTCC/article/view/193/159
    [4]: http://www.rebac.unb.br/vol1_1/rebac_roediger_2005.pdf

  10. André Rabelo disse:

    @Kelvin , obrigado por me enviar a referência, quando tiver mais tempo vou dar uma lida.

    Eu concordo que houve um confusão entre nós nesse aspecto. As críticas às quais me referi não falsificaram definitivamente as premissas mais centrais do behariovismo. Por tudo que li até hoje sobre o assunto não penso que isso tenha ocorrido. O behaviorismo radical revolucionou a psicologia no período em que surgiu e deu uma das contribuições mais importantes para o estudo ao qual a psicologia se propõe (dizer que ele contribuiu não quer dizer que ele não contribua mais).

    Eu me esqueci de fazer um ressalva sobre o artigo do Bargh e da Ferguson. Quando eles começam a falar do behariovismo, fazem de fato uma confusão que é bem comum como vc ja havia comentado. Porém eles seguem apontando uma série de críticas que na minha avaliação independem um pouco dessa confusão. Gostaria de te pedir que analisasse o mérito das críticas feitas na página 927, na sessão Determinism of higher order processes, em especial os 3 primeiros parágrafos q vc nao comentou. Como eu disse ao Marcos num dos primeiros comentários que fiz, não sou especialista em behaviorismo e meu estudo dele, junto com as mudanças na psicologia daquela época até hoje, ainda é incipiente e portanto admito que posso estar errado e agradeço teus esclarecimentos. Não quero usar isso como desculpa para o meu desconhecimento, mas de fato ainda não estou nem no meio da minha graduação e mesmo que me esforce muito para ler sobre tantos temas que me interessam não tive tempo ainda para estar a par de todas as questões históricas e teóricas da psicologia.

    A existência de varias pessoas endossando algo não prova nada, é verdade, existem vários astrólogos, por exemplo. Mas uma tendência mundial de disciplinas na graduação, de programas de pós graduação, de artigos publicado nas revistas científicas de maior impacto no mundo (Nature e Science) e de pesquisadores das maiores universidades do mundo (Yale, Harvard, Brown, California, New York, sendo algumas delas) e de diferentes disciplinas, indo da neurociência À filosofia, em usar a ciência cognitiva como um paradigma é um indicador significativo, na minha opnião, da utilidade científica dele hoje em dia, não acha? Essa tendência forte não significa que o behariovismo não tem representatividade ou não tem sua importância, essas duas coisas não são necessariamente excludentes.

    Kelvin, concordo plenamente com o final do teu comentário, e agradeço que vc tenha feito a ressalva! O behaviorismo tratado no texto é um circunscrito a um determinado periodo histórico, não sendo feitas outras ressalvas ao behaviorismo como ele é hoje.

    um abraço,
    André

  11. André Rabelo disse:

    @Kelvin , por sinal, se vc tivesse esperado a segunda parte do texto ser publicada, veria que eu e Felipe não retratamos o behaviorismo após o watson como adepto da idéia de tábula rasa. E entendi melhor a tua observação quanto ao predomínio do behaviorismo de watson durante o início do século XX, obrigado pela ressalva.

    um abraço,
    André

  12. Hoje tive uma pitada de Behaviorismo na aula de Aprendizagem que valeu a pena por me fazer relembrar algumas coisas. O Behaviorismo que citamos aqui no texto é o Behaviorismo em sua forma mais radical, que imaginamos, não corresponde mais à abordagem atual. E é interessante notar que no Behaviorismo existe o estímulo incondicionado, que é um estímulo cuja resposta não é algo aprendido. Um bom exemplo é o tradicional de Pavlov, do cachorro babão. Como o cachorro teria aprendido que deve salivar ao ver um alimento? Esse seria o estímulo incondicionado. Existem também aquelas 3 diretrizes humanas que não seriam aprendidas: amor, raiva e medo. Sendo assim, o Behaviorismo não necessariamente é adepto de uma tabula rasa, pelo menos 100%.

  13. Kelvin disse:

    @André Rabelo , então estamos mais em acordo do que discordância =)

    Reconferi o trecho do artigo que você citou, e infelizmente preciso dizer que as críticas ali contidas não possuem real fundamento. As alegações feitas – que o behaviorismo não dá conta de explicar a capacidade de criar sentenças nunca antes ouvidas, que não explica o rápido aprendizado de regras gramaticais nunca explicitamente ensinadas, e que falha em especificar qual a unidade que está sendo reforçada – são todas errôneas[1]. O segundo dos parágrafos que mencionaste permanece no erro de achar que o Verbal Behavior era uma tentativa de aplicar o modelo S-R à linguagem, o que já demonstrei ser falso; e o terceiro cai na ingenuidade de se achar que se podem definir a priori os estímulos controladores, reforçadores e punitivos para as pessoas, e em achar que a teoria não dá conta de explicar como as qualidades desses estímulos são construídas. Todas as críticas citadas ainda têm raízes no artigo de Chomsky, que conforme disse, está equivocado[1][2] em sua interpretação do que Skinner realmente disse (o livro dele realmente dá conta dessas questões, mas por ser de uma leitura difícil [mesmo] e requerer um certo conhecimento teórico prévio, é geralmente mal-interpretado). Este último inclusive pode ter dado as melhores réplicas à resenha (criticando o Verbal Behavior) de Chomsky: “Chomsky simplesmente não entendeu meu livro”[3]; “Ela não era uma resenha do meu livro, mas do que Chomsky tomou, erroneamente, por minha posição.[4]”

    Obviamente, reconheço a importância e a influência da psicologia cognitiva – Wiseman, Festinger e Bandura, por exemplo, influenciaram bastante em minha visão pessoal de vários temas da psicologia, e o estudo de falsas memórias possui uma vasta contribuição do cognitivismo; apenas alertei que o ad populum seria inadequado. Discordâncias teóricas à parte (pois a meu ver, o argumento de Ryle contra os erros categoriais[5] e o de Whitehead contra a reificação[6] dão ainda mais suporte à crítica que Skinner faz ao mentalismo), o ponto sobre o qual seu post fala é um evidente ponto pacífico para ambos os paradigmas, em que os dois concordam sobre a interação genética-ambiente. Nestes assuntos em que a concordância é óbvia mesmo para teorias distintas, acho que deveria haver um maior diálogo entre a comunidade psi, a fim de combaterem concepções errôneas (“tudo é genético”/”tudo é ambiental”) que muitas vezes são difundidas pela mídia, prejudicando o entendimento real das pessoas sobre o tema.
    (realmente eu não tinha como saber sobre a segunda parte do texto, mas estando assim, é bom saber)

    Grato!
    Kelvin

    [1]: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1333660/pdf/jeabehav00145-0085.pdf e http://www.scielo.br/pdf/ptp/v20n3/a08v20n3.pdf
    [2]: http://www.abpmc.org.br/volume12/A002_a75.pdf
    [3]: http://olharbeheca.blogspot.com/2010/10/verbal.html
    [4]: http://www.comportese.com/2009/11/olhares-teoricos-ii-chomsky-verbal.html
    [5]: http://www.scielo.br/pdf/prc/v16n1/16800.pdf
    [6]: http://en.wikipedia.org/wiki/Reification_%28fallacy%29

  14. André Rabelo disse:

    @Kelvin , obrigado por comentar sobre as críticas do artigo. Eu ja tinha vontade há algum tempo de ler o verbal behavior, nossa conversa me deixou mais estimulado ainda. Fiquei interessado tb em ler mais sobre esse embate e o seu desfecho (se é que houve algum consensual de fato). Tuas referências irão me ajudar nisso, valeu!

    esqueci de comentar que o vc disse é verdade, os psicólogos cognitivos geralmente reconhecem a importância do behaviorismo, até pq foi, sob certo ponto de vista, de onde nasceu a psicologia cognitiva. o seu alerta sobre o ad populum foi adequado, vacilei em não ser mais específico no meu argumento pressupondo que ele seria um pouco óbvio. Por sinal, eu estou fazendo uma disciplina esse semestre e a próxima leitura é justamente o “the concept of mind” do Ryle. Depois de lê-lo poderei conversar melhor sobre os tais erros de categoria.

    Concordo contigo que apesar de diferenças teóricas temos preocupações parecidas, e tb não somos tão absurdamente diferentes assim (me refiro à psicologia cognitiva e à analise do comportamento). São dois sistemas diferentes sim, mas com várias semelhanças tb, entre elas a preocupação metodológica e o uso do método experimental. Concordo que ambos deveriam colaborar mais, pois perto do que existe de resto (ao menos aqui no Brasil) psicólogos cognitivos e behavioristas tem áreas mt mais hostis para lidar, como a psicanálise e as áreas mais pós-modernas da psicologia.

    Me deixa feliz ver um behaviorista (estou pressupondo que vc seja um) tão disposto ao diálogo honesto e argumentativo como vc se demonstrou (estou tentando te reforçar mesmo, hehehehe). Como eu havia dito em outro comentário, não tive muitas experiências boas até hoje. Obrigado pela sua contribuição, Kelvin!

    um abraço,
    André

  15. André Rabelo disse:

    Ahh, e quanto a saber da segunda parte, achei que o (Parte 1) tivesse dado essa idéia de que teria uma continuação desse texto. Enfim, em breve vc poderá ler a Parte 2.

    um abraço,
    André

  16. Marcos disse:

    Só queria saber o seguinte, como Chomsky provou que o comportamento de bebês não é diferêncialmente reforçado?

    Chomsky nem ao menos entendeu o conceito de estímulo reforçador.

    Grandes contribuições Kelvin, eu ainda sou um graduando em Psicologia.

  17. Marcos disse:

    Com sonhos de seguir a carreira de pesquisa em Análise do Comportamento.

  18. Marcos disse:

    Escrevi um post sobre o que significa Organismo para o Behaviorismo Radical e dos maus entendidos entre Conceitos Cognitivistas e Behavioristas.

    http://funcionalanalise.blogspot.com/2011/04/o-cerebro-digo-o-organismo-para-o.html

  19. Marcos disse:

    @Rafael

    Vou te dar um caso hipotético como vc me deu para ilustrar uma possível resposta.
    Uma criança ao nascer emite balbucios de forma respondente, inata, como um padrão fixo de resposta para exercitar seu aparelho fonador, dentre outras funções selecionadas filogenéticamente.

    Nesta cultura que vc sita, os pais não dizem nada a criança (referindo-se a elas), e nem apresentam premiações a aproximações sucessivas de uma estrutura gramatical considerada correta, certo?

    Pois bem, como essa linguagem surgiria aparentemente do nada?

    Os mentalistas (como Pinker e Chomsky) diriam, essa linguagem é herdada, a criança possui essa estrutura dentro dela, etc.

    Dizem isso, porque aparentemente (e só aparentemente) não a causas proximas que explicariam de forma mecanica a aquisição destas estruturas novas.

    Mas se nos atentarmos mais ao funcionamento do que as estruturas (aparencias) poderemos reconhecer as variáveis ambientais que estão controlando este aprendizado de comportamento novo.

    Por exemplo: Os adultos que não falam e nem premiam de forma estrutural (que vcs chamam de reforçar) são os mesmos que alimenta, limpam e mantem contato social com essas crianças (mesmo sem o uso da linguagem).

    As crianças por outro lado, ao emitirem balbucios, em alguns momentos tendem a nestes balbucios “imitar” algumas das verbalizações ouvidas em ambientes vizinhos, sem necessáriamente serem direcionadas a elas.

    Quando esses eventos acontecem a simples aproximação entre sons de dois emissores, reforçaria o comportamento do primeiro emissor (a criança), aumentando assim a probabilidade desse operante se repetir.

    Definindo agora reforçador de forma correta para a Análise do Comportamento:

    Estímulo Reforçador é qualquer evento que venha após o responder e tenda a aumentar a frequencia da classe de responderes que o precedeu. O estímulo reforçador pode ser inato ou incondicionado, e condicionado (determinados estimulos ambientais correlacionados a reforçadores incondicionados tendem a adquirir a função de reforçar).
    Os estímulos reforçadores também são relativos a Operações Motivadoras, que são eventos que acontecem com o organismo que alteram a “força” reforçadora deste estimulo, (como privação e saciação), e também a outros estímulos reforçadores disponiveis no ambiente em que o organismo se encontra.

    Portanto. Reforçador não é o mesmo que premio. Reforçador é o estimulo com função de reforçar. De aumentar a probabilidade de uma classe de responder.

    Portanto Chomsky e Pinker apenas não isolaram todas as variaveis possiveis para a identificação do controle que estava operando no momento. Eles observaram apenas de forma grosseira e superficial (topografica) o fenomeno e concluiram “a moda dos criacionistas” que tudo veio da entidade interna misteriosa chamada mente/cérebro.

  20. Kelvin disse:

    @André Rabelo , bom saber que fui útil então, hahahah fui reforçado mesmo, grato pela troca de ideias. @Marcos , também sou graduando, e identifico-me muito com a análise do comportamento. Pois sim, é do diálogo que boas teorias são construídas. Realmente a colaboração em pontos comuns (e o diálogo em controversos) deve ser encorajada ; quanto às áreas hostis, tenho visto que é mais fácil lidar com psicanalistas do que com os pós-modernistas, mas aqui já é uma opinião pessoal, rs…
    Grato,
    Kelvin

  21. […] os exemplos citados no início da Parte 1 deixam claro, atualmente os biólogos não estão propondo que genes determinam o destino das […]

Envie seu comentário

Seu e-mail não será divulgado. (*) Campos obrigatórios.

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM