A psicologia da UnB precisa de atenção, mas “só se for agora”

Nada como salas maquiadas e defasadas para começar bem um semestre... (Foto: Mariana Costa/UnB Agência)

As aulas dos alunos de psicologia na Universidade de Brasília (UnB)  tiveram o seu início adiado este semestre por uma semana até agora. O motivo é que a situação da psicologia nesta instituição está grave, muito grave.

Os professores do Instituto de Psicologia (IP) tiveram 60 salas alocadas para darem suas aulas provisoriamente, por conta de obras no Instituto Central de Ciências da UnB. Muitas das salas estão com: janelas quebradas, buracos nas janelas e nas grades (por onde pessoas podem entrar pela sala a qualquer momento), vestígios de urina e fezes nas salas, problemas na iluminação e na fiação, falta de cadeiras para o número de alunos das disciplinas, falta de ventilação em salas pequenas no subsolo do prédio… a lista é grande. Neste vídeo é possível ver um pouco desta situação frustrante com a qual estamos convivendo.

A diretoria do IP alertou inicialmente que poderia adiar o início do semestre por conta da falta de condições mínimas para trabalhar – e foi exatamente o que aconteceu, pois poucas das mudanças necessárias foram efetivadas até o momento pela administração da universidade, de acordo com a diretoria do IP. Continue lendo…

Uma homenagem ao mestre César Ades

Autor: Francisco Dyonísio C. Mendes (Dida)*

César e Dida (à direita)

“Minha linha de pesquisa é a curiosidade”. Assim César Ades explicava, com o bom humor e perspicácia de sempre, porque seu currículo era tão eclético. Em seus 47 anos de carreira como psicólogo especialista em comportamento animal, estudou assuntos e espécies diversos: da memória utilizada por aranhas para recuperar as presas na teia às diferenças de ciúmes entre homens e mulheres; do comportamento parental de cobaias ao simbolismo na comunicação entre humanos e cachorros.

Quase causava estranheza como dominava tantos assuntos com tanta facilidade, mas sua característica mais marcante era a paixão – paixão pelos animais, pela psicologia, pela ciência e pela vida! Poucos minutos a seu lado eram suficientes para perceber isso, e assim César costumava encantar aqueles que o conheciam. Esta paixão, e a alegria constante que a acompanhava, escondia sua experiência com a II Guerra no Egito, aonde nascera, teve a perda prematura de um filho e outras histórias que mencionava muito raramente. César queria viver e produzir conhecimento, e para isso seu sorriso farto e sua energia positiva eram mais importantes que recordações negativas. Continue lendo…

Quais são os pré-requisitos para a acumulação cultural?

O que permitiu a acumulação cultural?

No início deste mês, a revista Science trouxe um trabalho investigando os pré-requisitos cognitivos e sociais básicos para que um organismo seja capaz de acumular cultura. Enquanto uma caraterística distintivamente humana, a capacidade de acumular cultura tem sido estudada e debatida há muitos anos, com muitas questões ainda levantando discordâncias.

Um posicionamento  influente na área é que algumas características cognitivas e sociais constituíram os ingredientes básicos para que a capacidade de acumular cultura pudesse se expandir de maneira tão acentuada e “repentina” do ponto de vista evolutivo, como indicam os dados arqueológicos acerca da produção de ferramentas ao longo da história evolutiva humana. Alguns destes pré-requisitos são a capacidade de ensinar, a linguagem, a imitação e a prosocialidade.

 Por outro lado, alguns autores defendem que determinados aspectos sociais impediram o desenvolvimento de acumulação cultural em outras espécies que não a humana, como o cleptoparasitismo, a tendência de indivíduos dominantes monopolizarem recursos e uma tendência a direcionar menos atenção a “inventores” com status social baixo no grupo. Continue lendo…

Entendendo o cérebro humano

Terrence J. Sejnowski é atualmente um dos pesquisadores mais importantes na neurociência computacional, área essa na qual ele foi um dos pioneiros. Na entrevista acima, Sejnowski comenta, entre muitas questões, sobre um editorial na Science [1] que ele publicou no final de 2011 com um colega acerca da grande quantidade de conhecimento sobre o cérebro produzido nas neurociências que ainda não foi acompanhado por um esforço em sintetizar e compreender as relações entre estes conhecimentos. Ele defende que a acumulação de conhecimento é uma etapa importante, mas que já é hora das neurociências repensarem sobre o que esperam encontrar no final deste turbilhão.

ResearchBlogging.orgSejnowski também comenta sobre as implicações no campo jurídico, ético e educacional das pesquisas em neurociências, enfatizando adicionalmente as importantes implicações para estes tópicos das pesquisas em outras áreas como na ciência cognitiva e na psicologia. Um ponto importante que Sejnowski aponta é que aspectos sociais e contextuais são fundamentais para compreender a experiência humana e que estas ainda são variáveis muito difíceis de serem estudadas no âmbito das neurociências (embora estejam surgindo oportunidades inovadoras para investigá-las).

Uma questão é crucial hoje nas neurociências, segundo Sejnowski: se cada vez fica mais claro que o cérebro é um sistema tão dinâmico e flexível, como é possível haver simultaneamente estabilidade a longo prazo? Como é possível que, em um cérebro com sinapses sendo modificadas o tempo todo, possamos reter memórias de episódios ocorridos há décadas, com detalhes minuciosos de informações que somos capazes de recuperar? Vale a pena assistir a esta entrevista, na qual este grande cientista explora diversas questões atuais sobre o desenvolvimento e as implicações das pesquisas em neurociências.

Referências:

[1] Brenner, S., & Sejnowski, T. (2011). Understanding the Human Brain. Science, 334 (6056), 567-567 DOI: 10.1126/science.1215674

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