Sharot: nosso viés otimista

Existem hoje estudos curiosos mostrando que temos uma forte tendência a nos acharmos mais inteligentes, bons de volante e honestos do que a maioria das pessoas. Além disso, estudos como estes indicam que julgamos ter menos probabilidade de sofrer acidentes ou contrair doenças graves do que a maioria das pessoas. Eu já tive a oportunidade de comentar aqui no blog acerca de um estudo publicado ano passado na revista Nature sobre o viés de otimismo irrealista e sobre como ele é capaz de se manter a despeito de informações que o contradigam. A professora na University College London, Tali Sharot, liderou a equipe que conduziu e publicou esta pesquisa. Ela é a palestrante do vídeo acima, publicado ontem no TED.

Porque será que somos tão otimistas assim? O que a neurociência cognitiva tem a nos dizer sobre o otimismo? E se somos otimistas, será que isso é bom para nós? Será que o segredo para a felicidade é ser otimista, ou será que é ter baixas expectativas em relação ao futuro (ou nenhum dos dois)? Estas são algumas das questões abordadas na palestra acima, e as respostas de Tali Sharot à elas poderão te surpreender.

No vídeo, Sharot comenta a linha de pesquisa que ela tem conduzido sobre otimismo nos últimos anos. Em um dos seus estudos mais interessantes, ela estimulou com pequenos pulsos magnéticos regiões específicas do cérebro dos participantes e conseguiu alterar da maneira esperada o otimismo que os participantes expressavam. Ela lançou no ano passado o livro The Optimism Bias: A Tour of the Irrationally Positive Brain (O Viés Otimista: Um Tour pelo Cérebro Irracionalmente Positivo), revisando e apresentando o conhecimento que temos hoje sobre o otimismo. Infelizmente, ainda não contamos com uma tradução do livro e nem com uma legenda do vídeo, torço para que vocês estejam com o inglês afiado (ou esperem algumas semanas até saírem as legendas).

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Discussão - 5 comentários

  1. Vou esperar legendarem a palestra =(

  2. Hugo A.C. disse:

    Eu sou um otimista assumido… mas cético convicto.
    Eu sei do meu bem estar induzido pelo otimismo e dos benefícios que isso traz (viver em relativa paz diante da realidade que na verdade é uma mescla de bom e ruim)…
    Trabalhei por 6 anos em uma empresa dessas que realizam convenções de vendas de onde os oradores saem suados do palco… puxam gritos de convicção de conquista do mercado…
    Até fiz alguns discursos… mas nunca consegui ser o cara que sai suado… nunca consegui fingir que “vamos atropelar a concorrência” subsituisse uma análise real do mercado… e que, em alguns anos, perder menos poderia vir a ser tão bom quanto ganhar…
    E seis anos vivendo isso ano após anos, mais de três vezes por ano, foi uma experiência suficiente para afirmar que, no fim das contas, na segunda feira após a convenção, continuávamos tendo vendedores motivados e desmotivados… resultados bons e ruins… anos de crescimento e anos de retração…
    Para mim, a gritaria emocional irracional, que alguns chamam de motivação, taxando os opostos de desmotivados, sempre foi algo que me decepcionou… eu ficava decepcionado com toda aquela entrega a uma causa inexistente ou a emoção desproporcional à realidade… No fundo, eu acho que muitas empresas afundam pela incapacidade de aceitar a necessidade de estabelecer planos realistas e momentos difíceis… se entregam a realidades improváveis e ao invés de se preparar para o pior, quando ele vêm, se preparam sempre para o melhor… Estou hoje aliviado de não trabalhar mais num ambiente desse…
    Para mim, essa filosofia de se preparar sempre apra o melhor é como alguém que tenha uma cama elástica para pular de alturas de 5 metros… e com a mudança do mercado precisasse pular de 3km… e sem condições de comprar um paraquedas, reunisse um grupo de pessoas para acreditar que poderiam todos pular de um avião, e serem todos salvos pela cama elástica… eu saí de lá antes do dia que me pedissem pra saltar 3km…

  3. André Rabelo disse:

    Devanil,

    boa notícia, já tem as legendas em português no TED, basta selecionar no vídeo:

    http://www.ted.com/talks/lang/en/tali_sharot_the_optimism_bias.html

    Abraço!

  4. André Rabelo disse:

    Hugo,

    muito obrigado por compartilhar a sua experiência com as atividades motivacionais no ambiente de trabalho. Eu penso de maneira parecida com você e assisti a algumas palestras sobre motivação no trabalho. Não é tão difícil se deparar com bobagens e exageros… a sua analogia com a cama elástica foi boa =)

    Abraço!

  5. […] no blog, já falamos mais de uma vez sobre esse assunto. Vale a pena ler esse post e esse […]

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