Adversários precisam cooperar

No vídeo acima, o psicólogo Daniel Kahneman propõe que cientistas adversários deveriam cooperar pelo bem da ciência e deixar de lado seus destemperos. Kahneman chamou a atenção da mídia mês passado, com direito a aparição na revista Nature, por ter enviado um email a um grupo de pesquisadores convocando-os a cooperarem para mostrar ao público e à comunidade acadêmica a robustez dos seus resultados (se quiser entender um pouquinho mais sobre isso, leia aqui).

Ele defendeu enfaticamente a necessidade de lidar com os problemas de maneira cooperativa entre pesquisadores que discordam entre si como uma das poucas maneiras de recuperar a credibilidade de determinadas linhas de pesquisa, abaladas por recentes tentativas de replicação de estudos mal sucedidas. Em outras palavras, Kahneman pediu que a solidez dos fenômenos fosse testada colaborativamente entre pesquisadores que discordassem em pontos cruciais, garantindo assim maior confiança no resultado final de uma eventual colaboração. Me parece que a ênfase do professor pode recompensar muitos esforços na psicologia se for considerada seriamente, já que o acompanhamento de perto de pesquisadores críticos em relação a um fenômeno pode diminuir os vieses inconscientes que poderiam influenciar os resultados de uma replicação de estudo conduzida pelos pesquisadores que encontraram o resultado original. A proposta não é um remédio completo para o problema, mas certamente já acrescentaria mais um nível de rigorosidade aos achados subsequentes.

Peço desculpas, mas eu não sei inserir legendas em vídeos. Entretanto, eu ofereço aqui a tradução da transcrição da fala de Daniel Kahneman. Se algum bom samaritano quiser inserir as legendas e nos enviar o vídeo legendado, ficarei agradecido! Segue a transcrição traduzida:

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Você leva jeito para psicologia?

Você leva jeito para ser um psicólogo?

Você é um bom ouvinte? Da bons conselhos para os seus amigos? Seus pitacos sobre porque alguém fez algo normalmente acabam se mostrando certos? Se sim, então você provavelmente já ouviu alguém lhe dizer que “você seria um bom psicólogo” ou “você leva jeito para a psicologia.” Entretanto, muitas vezes, a visão que as pessoas tem sobre o que é a psicologia e o que é preciso para ser um bom psicólogo não será um bom guia para você descobrir se leva jeito para a coisa. Um estudante que quiser se graduar em psicologia e se tornar um profissional vai precisar de muito mais do que bons pitacos e um bom ouvido, embora essa parte do corpo seja essencial.

Seguem abaixo cinco características que eu considero importantes para alguém que planeja se aventurar nos mares agitados da psicologia brasileira.

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Psicologia Brazuca: Yamamoto e a psicologia evolucionista

Maria Emilia Yamamoto

Maria Emília Yamamoto pode ser considerada uma das “mães” da psicologia evolucionista brasileira. Pioneira na área, ela hoje é professora na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e tem participação fundamental na promoção e no desenvolvimento da psicologia brasileira, especialmente da psicologia evolucionista (PE). Ela editou em co-autoria com a professora Emma Otta o livro Psicologia evolucionista, primeiro manual brasileiro da área.

Assim como o Dida, a Maria Emilia veio da etologia, mas sua carreira foi se direcionando cada vez mais também para a PE. A professora Maria Emilia se tornou uma porta-voz da área e tem divulgado o seu trabalho em diversos congressos, palestras e eventos. Ela gentilmente nos cedeu uma entrevista rica, na qual foram discutidos diversos assuntos que ela, assim como muitos pesquisadores no mundo todo, tem tentando relacionar na sua pesquisa, como a evolução, a prosocialidade, a religião e a moralidade.

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Nosso primeiro impulso é ser gentil ou egoísta?

Nosso primeiro impulso é ser gentil ou egoísta?

Responda o mais rápido que você puder à seguinte pergunta: se alguém te desse dez reais para fazer o que quisesse, mas dissesse que você poderia doar uma parte deste dinheiro a uma instituição de caridade, você doaria? Se sim, quanto você doaria? Agora, se possível, chame alguém próximo de você e peça para ele responder à mesma pergunta, mas use uma instrução diferente – peça para que ele pense por pelo menos dez segundos antes de responder à pergunta. Uma série de participantes foram colocados em situações parecidas com estas e os resultados foram relatados em um artigo recente na prestigiada revista Nature. O propósito do artigo era entender se, quando agimos por intuição, nosso primeiro impulso seria agir de maneira gentil ou egoísta. Além disso, também foi investigado qual seria o nosso impulso caso pensássemos mais detidamente sobre a decisão de ser gentil antes, ao invés de agir por mera intuição.

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