Dizendo mais sobre nós mesmos do que podemos saber

O que podemos saber sobre o que influencia nossos comportamentos?

Imagine o seguinte cenário: alguém lhe pergunta qual era o nome de solteira da sua mãe. Você consegue responder com grande facilidade. Em seguida, a pessoa lhe faz outra pergunta: “como foi que você conseguiu lembrar disso?” Provavelmente, você responderia algo como: “eu não sei, eu só lembrei mesmo.” No dia-a-dia, confiamos regularmente na capacidade das pessoas de explicarem seus próprios comportamentos, como quando perguntamos “porque você fez isso?” ou “porque você não gosta disso?”

Também confiamos, sem perceber, na nossa própria capacidade de avaliar isso, considerando a rapidez com que somos capazes de oferecer explicações para os nossos comportamentos quando somos questionados sobre porque fizemos algo. Mas ao considerarmos o que a psicologia tem a dizer sobre esta capacidade, as pesquisas indicam que com frequência dizemos mais sobre nós mesmos do que poderíamos saber.

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Usando a meditação para controlar impulsos

Reações impulsivas podem ser um problema sério na vida de muitas pessoas. Assim como o Cookie Monster, personagem da vila sésamo, podemos ter poderosas reações impulsivas ao nos depararmos com algo que gostamos muito, como biscoitos, no caso dele. A impulsividade alimentar pode agravar quadros de obesidade e também problemas de pressão alta, colesterol e depressão. Se considerarmos que as nossas mentes podem ser influenciadas de maneira tão automática por pistas no ambiente, como alimentos saborosos na prateleira de uma cozinha, seria muito útil se conseguíssemos desenvolver procedimentos que ajudassem as pessoas a se regularem.

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Felizmente, tais procedimentos vêm sendo desenvolvidos em diversas frentes da psicologia nos últimos anos. Na terapia cognitiva, por exemplo, diversas técnicas que fazem uso de princípios da meditação têm apresentado resultados animadores na capacidade de auto-regulação das pessoas. Muitos estudos têm indicado que algumas técnicas de meditação podem ser poderosas ferramentas de intervenção no tratamento de diversos transtornos, como os de ansiedade, abuso de substância e depressão. Uma publicação recente trouxe evidências de que uma breve intervenção de atenção meditativa pode prevenir reações impulsivas, facilitando a auto-regulação no caso da impulsividade alimentar.

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Kahneman: Como ideias vem à mente?

Thinking: Fast and Slow

No vídeo acima, Daniel Kahneman, psicólogo laureado com o nobel de economia de 2002 e atualmente professor de psicologia na Universidade de Princeton, fala sobre os dois sistemas de processamento de informações discutidos em seu mais recente livro, Thinking, Fast and Slow (Pensamento, Rápido e Devagar) publicado no final de 2011.

O livro é certamente uma boa recomendação para quem se interessa  nos processos cognitivos envolvidos na tomada de decisão, um tema para o qual Kahneman ofereceu enormes contribuições com uma linha de pesquisa riquíssima que extrapolou as vizinhanças da psicologia, ajudando a fundar uma das áreas mais importantes da economia atualmente, a economia comportamental. Mais detalhes sobre os modelos de processamento duplo discutidos por Kahneman podem ser encontrados aqui no blog.

Estes modelos ainda carecem de uma formalização e aprofundamento, pois muitos deles  se mantiveram em uma dimensão mais descritiva e a sua utilidade tem se situado principalmente no valor heurístico que eles oferecem para a interpretação de dados e elaboração de hipóteses. Existem, entretanto, esforços na área para formalizar computacionalmente estes modelos e oferecer um maior poder explicativo.

Para um aprofundamento mais denso neste tema e um panorama da área, juntamente com as contribuições da filosofia, recomendo a leitura do livro In two minds: Dual processes and beyond. Jonathan Evans, primeiro autor do livro anterior, também lançou em 2010 o livro Thinking Twice: Two minds in one brain. Este trabalho vai em uma direção muito semelhante ao do Kahneman, divulgando os achados na psicologia sobre os nossos sistemas cognitivos. A leitura destes livros são dicas para aqueles interessados na racionalidade humana, na intuição e na consciência.

Priming

Um paradigma experimental bem estabelecido na Cognição Social é o que investiga o processo de priming, já apresentado anteriormente no blog no texto sobre o Modelo Duplo de Processamento da Informação. O paradigma se baseia em uma idéia simples: a mera exposição de estímulos relacionados a determinadas categorias conceituais associadas na memória de uma pessoa resultará em maiores tendências comportamentais relacionadas a essas categorias. Em outras palavras, o termo priming se refere ao processo pelo qual experiências recentes criam, de forma automática, prontidões de conduta (Bargh e Chartrand, 2000).

John A. Bargh foi e ainda é um dos pesquisadores mais importantes no estudo de priming, e “nesse” vídeo ele discute de forma simples e objetiva a idéia do paradigma, apresentando um estudo realizado por um aluno do seu laboratório. Continue lendo…

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