Replicação e publicação: A atual tentativa de auto-correção na psicologia

Cientistas como Brian Nosek estão empenhados na valorização da replicação

Um antigo problema tem direcionado os holofotes da mídia para a psicologia atualmente: o da replicabilidade. Replicar um estudo significa que outros pesquisadores são capazes de reproduzir o procedimento de um estudo publicado e encontrar resultados semelhantes. A replicação é muito importante na ciência. Ela pode funcionar como um filtro da própria comunidade, pois os colegas de área de um pesquisador podem averiguar se o efeito relatado em um estudo é reproduzível, generalizável ou se é limitado. O problema da replicação na psicologia, e em outras áreas da ciência, não é novo, mas tem chamado a atenção atualmente os esforços de diversos cientistas para priorizá-la.

A inquietação na comunidade foi se agravando na medida em que diversos pesquisadores, como o professor Brian Nosek da Universidade da Virginia (na imagem acima), um importante pesquisador na área de cognição social, não conseguiam obter, em seus próprios laboratórios, os efeitos relatados nos artigos de seus colegas, e como não tinham para onde mandar estes dados, eles eram engavetados [1]. A este problema, têm sido dado o nome de The File Drawer Problem (o problema da gaveta de arquivo). Isto pode representar um considerável problema para uma área da ciência, principalmente se o que você está tentando fazer é uma ciência que produza conhecimentos que possam se embasar em estudos anteriores e aprimorar sucessivamente a compreensão de um fenômeno, ou seja, uma ciência cumulativa. Muitos psicólogos têm promovido cada vez mais iniciativas visando uma auto-correção em relação a diversos problemas da área relacionados à replicabilidade, às políticas editoriais das revistas científicas e aos incentivos de agências de financiamento.

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Divulgar ciência vai ajudar a sua carreira, não atrapalhar

Sim, divulgar pode te ajudar, caro cientista!

Cientistas precisam publicar artigos, dar aulas, preparar apresentações, escrever projetos e mais um tanto de coisas… isso tudo toma muito tempo. Não é a toa que muitos não se dedicam a atividades vistas como menos importantes para a sua carreira, como a divulgação científica. Com o objetivo de desmascarar alguns mitos sobre esse tema, pretendo mostrar neste texto que divulgar ciência pode tomar pouco do seu tempo e oferecer diversas vantagens com repercussões diretas e positivas para a sua carreira. Continue lendo…

Nielsen: Ciência aberta

Cientistas poderiam ser incentivados a aderir a uma nova cultura científica aberta, onde compartilhar em tempo real dados de pesquisa e se engajar na promoção da ciência aberta seria parte do próprio “fazer científico”. Isto poderia promover avanços no processo de descoberta científica sem precedentes históricos.

Defendendo esta linha de pensamento, Michael Nielsen, atualmente um engajado entusiasta e desenvolvedor de ferramentas de colaboração científica aberta, oferece acima uma palestra crítica, com uma oratória impecável e inspiradora sobre as ferramentas que estão surgindo e acelerando a primavera acadêmica.

Nielsen, que já ofereceu várias contribuições científicas na física e na computação quântica no passado, lançou no fim do ano passado o livro Reinventing Discovery: The New Era of Networked Science (Reinventando a Descoberta: A Nova Era da Ciência na Rede), no qual ele desenvolve a defesa desta nova forma de fazer ciência que  vem entusiasmado diversos cientistas ao redor do mundo.

A primavera acadêmica: O livre acesso ao conhecimento científico

A quem as editoras servem?

Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios. 

Artigo XXVII da Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948.

Um assunto anda bem quente na comunidade científica desde que, no mês passado, o professor de matemática da Universidade de Cambridge, Timothy Gowers, publicou um texto em um blog explicando porque ele boicotava as revistas publicadas por uma das maiores editoras de revistas científicas.  As reclamações dos preços altos para submissão e assinatura das revistas, assim como das diretrizes que estas editoras adotam, já são antigas, mas o ano de 2012 começou com uma novidade: um grupo de cientistas cada vez maior está se unindo para boicotar uma das maiores editoras, a Elsevier,  por meio de uma petição online que já conta com mais de 2700 assinaturas de cientistas ao redor do mundo. Este impacto da “blogada” de Gowers reflete a insatisfação crescente da comunidade com as editoras. Seria este o início da “primavera acadêmica”?

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