O que você pensa sobre si mesmo, mas não sabe

Autor: Victor Keller (autor convidado)*

O que você pensa sobre si mesmo, mas não sabe

A visão que temos sobre nós mesmos, conhecida como a autoestima, tem um grande impacto em nossas vidas. Ela influi na nossa visão de mundo e, consequentemente, no nosso comportamento. Esta influência é bem conhecida na psicologia clínica, pois é um elemento associado a diversos transtornos mentais como a depressão e alguns transtornos de personalidade (e.g. narcisismo).

A autoestima pode ser entendida como a avaliação que possuímos sobre nós mesmos, podendo variar entre uma avaliação mais positiva ou negativa. Pessoas com uma autoestima muito positiva normalmente se consideram mais capazes e competentes para lidar com as situações, enquanto que pessoas com uma autoestima mais negativa normalmente pensam que são menos capazes e preparadas para lidar com as situações e responsabilidades.

Se quisermos saber qual é a avaliação consciente, ou explícita, que uma pessoa possui sobre si mesma, poderíamos pergunta-la diretamente por meio de questões como: você gosta de si mesma? Você se considera alguém capaz e competente? Existem vários instrumentos validados que medem a autoestima explícita (por exemplo, a Escala de Rosenberg).

ResearchBlogging.orgEntretanto, como a pesquisa que faz uso de medidas implícitas tem evidenciado, as pessoas nem sempre serão capazes ou estarão dispostas a relatar as suas avaliações. Muitas vezes, não temos consciência de diversas avaliações que possuímos ou, se as percebemos, muitas vezes podemos nos sentir desconfortáveis com relatá-las. A partir desta linha de pesquisa, diversos pesquisadores passaram a se perguntar se as pessoas possuem avaliações sobre si mesmas das quais elas não tem consciência, mas que mesmo assim poderiam enviesar a percepção e o comportamento delas. Esta linha de pesquisa indicou que a nossa autoestima inconsciente, ou implícita, pode nos influenciar de maneira considerável.

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Medidas implícitas: Indo além da consciência

Indo além da consiência

Como comecei a comentar no último texto, a psicologia têm desvendado nos últimos anos a dimensão implícita ou inconsciente de nossas mentes, que na maior parte do tempo não somos capazes de perceber ou não temos motivação para relatar. Isso significa que, a princípio, podemos possuir avaliações negativas de grupos, como conservadores ou homossexuais, das quais nem nos damos conta ou nos sentimos desencorajados a revelar em público, mas que podem ainda assim enviesar nossos pensamentos e ações no cotidiano.

ResearchBlogging.orgPara lidar com estes problemas – o da limitada capacidade de introspecção e da falta de motivação para relatar certas informações -, os psicólogos buscaram alternativas para as medidas de auto-relato, e foi a partir dai que o estudo da cognição implícita passou a se tornar uma vasta área de pesquisa não só na psicologia social, mas abrangendo os mais diversos tópicos de interesse – preconceito racial, auto-estima, relacionamento romântico, religião, transtornos mentais, tendências suicidas, vício em drogas [1, 2] – e subáreas da psicologia – psicologia clínica, psicologia forense, psicologia política, psicologia do desenvolvimento, psicologia da saúde e psicologia do consumidor [1, 2]. Uma das principais contribuições que essa área ofereceu foi o desenvolvimento das chamadas medidas implícitas, que nos permitiram tentar responder a perguntas sobre o que estava além da consciência.

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