Sharot: nosso viés otimista

Existem hoje estudos curiosos mostrando que temos uma forte tendência a nos acharmos mais inteligentes, bons de volante e honestos do que a maioria das pessoas. Além disso, estudos como estes indicam que julgamos ter menos probabilidade de sofrer acidentes ou contrair doenças graves do que a maioria das pessoas. Eu já tive a oportunidade de comentar aqui no blog acerca de um estudo publicado ano passado na revista Nature sobre o viés de otimismo irrealista e sobre como ele é capaz de se manter a despeito de informações que o contradigam. A professora na University College London, Tali Sharot, liderou a equipe que conduziu e publicou esta pesquisa. Ela é a palestrante do vídeo acima, publicado ontem no TED.

Porque será que somos tão otimistas assim? O que a neurociência cognitiva tem a nos dizer sobre o otimismo? E se somos otimistas, será que isso é bom para nós? Será que o segredo para a felicidade é ser otimista, ou será que é ter baixas expectativas em relação ao futuro (ou nenhum dos dois)? Estas são algumas das questões abordadas na palestra acima, e as respostas de Tali Sharot à elas poderão te surpreender.

No vídeo, Sharot comenta a linha de pesquisa que ela tem conduzido sobre otimismo nos últimos anos. Em um dos seus estudos mais interessantes, ela estimulou com pequenos pulsos magnéticos regiões específicas do cérebro dos participantes e conseguiu alterar da maneira esperada o otimismo que os participantes expressavam. Ela lançou no ano passado o livro The Optimism Bias: A Tour of the Irrationally Positive Brain (O Viés Otimista: Um Tour pelo Cérebro Irracionalmente Positivo), revisando e apresentando o conhecimento que temos hoje sobre o otimismo. Infelizmente, ainda não contamos com uma tradução do livro e nem com uma legenda do vídeo, torço para que vocês estejam com o inglês afiado (ou esperem algumas semanas até saírem as legendas).

Sou foda

Eu sou sinistro!

Muitos homens costumam perceber, erroneamente, interesse afetivo por parte de mulheres até quando este interesse nem existe. Imagine uma situação “típica”: uma mulher que está em um bar procurando o garçom no meio da  multidão da, sem querer, “aquela” olhada no “bonitão” que acabou de chegar, achando que encontrou o garçom… pronto. O camarada já pensa: “sou foda!”

Vários estudos demonstram que homens possuem esta tendência de perceber maior interesse sexual por parte das mulheres do que elas realmente têm por eles. Um estudo publicado recentemente na revista Psychological Science replicou esta tendência e foi um pouco mais além: pessoas como o nosso amigo “foda” dos Avassaladores na imagem  acima podem ter sido favorecidos evolutivamente, mas mulheres também podem possuir um viés cognitivo na percepção de interesse sexual, porém no sentido oposto.

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Ser otimista é saudável?

Romance protagonizado por "Pollyanna", uma menina cuja filosofia de vida é sempre encontrar algo para ficar contente

“Pense positivo”, “vai dar tudo certo, você vai ver”, “isso não vai acontecer com a gente, a probablidade é muito pequena”. Estes exemplos são familiares para você? Já ouviu isso de alguém hoje (ou ontem)? É cotidiano observar a capacidade que muitos de nós possuem de ser extremamente otimista, mesmo quando existem evidências claras de que deveriamos estar mais preocupados com o que está por vir.

Seja em relação ao contágio de doenças, ao furto de bens ou à acidentes graves, o ser humano parece tender a ver tais riscos como distantes de si e improváveis. Ser otimista já foi relacionado em alguns estudos com uma série de efeitos psicológicos benéficos, como menor ansiedade e melhor bem-estar. Este excesso de confiança, todavia, pode nos tornar ainda mais vulneráveis do que já somos, exatamente por pensarmos que não corremos certos riscos e não tomarmos ações necessárias de precaução.

O otimismo pode ser entendido tanto como uma superestimação de eventos futuros positivos quanto uma subestimação de eventos negativos futuros [1]. O que alguns estudos recentes tem indicado é que nós somos propensos a apresentar um otimismo exagerado, “irrealista”, em relação à eventos futuros [1,2]. Na psicologia social, uma propensão similar à esta já havia sido identificada nos anos 1970 e batizada de crença em um mundo justo [3]. Obviamente, esta crença (a de que o mundo é inerentmente justo) é bem otimista em relação à realidade cruel que salta aos nossos olhos diariamente, quando lemos ou ouvimos um noticiário. De acordo com esta ideia, as pessoas acreditam que o mundo é fundamentalmente justo e que coisas ruins acontecem com pessoas ruins – todos passam pelo que merecem [4].

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A Ciência do Erro e o Erro na Ciência

Fonte: Bule Voador

Autor: Rodrigo Véras

 

Se existe algo em que podemos realmente confiar é no fato de que nós, seres humanos, somos especialistas em nos enganar e cometer toda sorte de erros. Essa intuição básica que remonta pelo menos aos céticos antigos tem sido sistematicamente corroborada através de uma grande quantidade de estudos que mostram como nossas percepções, memória e julgamentos são pouco confiáveis. Muitas pesquisas em psicologia e neurociências têm ajudado a revelar estes vieses e tendências, além de revelar em que situações estamos mais propensos a errar. Trabalhos como os de Forer, capturados no dito de Barnum, “Para qualquer pessoa temos alguma coisa” sobre validação subjetiva, e as seminais contribuições de Amos Tversky e Daniel Kahneman [1] sobre heurísticas de decisão, a partir dos anos 70, tem nos ajudado a compreender melhor como erramos e por que erramos, o que nos permite criar maneiras mais eficientes de lidar com nossas limitações. Algumas das nossas limitações são que:

  • Subestimamos a probabilidade de certos eventos ;
  • Temos uma expectativa distorcida da aparência de sequências aleatórias , portanto, não as reconhecemos bem;
  • Somos enviesados em direção a confirmação ;
  • Nossa memória é tremendamente falha;
  • Superestimamos frequentemente nossas próprias qualidades. Continue lendo…

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