Queijos e combustível de casca de banana melhores com ultrassom

Está online a reportagem que fiz para a revista Unesp Ciência sobre um  trabalho do engenheiro de alimentos Javier Telis Romero, da Unesp, em conjunto com pesquisadores do Grupo de Análises e Simulação de Processos Agroalimentares (Aspa), da Universidade Politécnica de Valência (Espanha). Eles conseguem analisar o interior queijos de diversos tipos, sem precisar abrí-los, medindo a velocidade de ondas de ultrassom – um feito que já rendeu um prêmio IgNobel aos espanhóis. Para saber mais, leia minha história aqui: LINK

Controlar a qualidade dos alimentos produzidos em série em uma fábrica, sem precisar nem tocá-los, é o sonho de qualquer engenheiro de alimentos. Pouco a pouco, pesquisadores vêm descobrindo meios de fazer isso, não só por ultrassom, mas por radiação eletromagnéticas como o infravermelho. São os chamados “testes não destrutivos“, em oposição aos testes “oficiais”, previstos por lei, que envolvem a demorada análise química de uma amostra da produção, que é obviamente perdida após o processo.

Os usos do ultrassom na indústria alimentar e na química em geral não param por ai, entretanto. Ao passar por uma amostra de um material qualquer, uma onda de ultrassom de baixa intensidade é modificada pelas propriedades do material. Mas aumentando a intensidade dessas ondas, o inverso começa acontecer: as propriedades do material começam a ser modificadas por elas. Isso acontece quando a passagem do ultrassom cria microbolhas de ar que implodem rapidamente. A energia liberada nessas implosões pode iniciar e acelerar processos físicos e reações químicas. “O ultrassom pode produzir temperaturas tão altas quanto as da superfície do Sol e pressões tão grandes quanto as do fundo do oceano”, escreve o químico Kenneth Suslick, da Universidade de Illinois, em um artigo em seu site sobre a sonoquímica. “Em alguns casos, pode também aumentar a reatividades químicas em quase um milhão de vezes.”

Essa energia às vezes é liberada na forma de luz, um fenômeno conhecido como sonoluminescência.

O pesquisadores do Aspa já demonstraram como o ultrassom de alta potência alecera a secagem de frutos e a  salga de carnes. Durante a reportagem, conversei por email com a engenheira de alimentos Regina Isabel Nogueira, que passou um tempo no Aspa dominando essas técnicas. Ela espera montar em breve um laboratório de ultrassom de alta potência para conversar alimentos no Centro Nacional de Pesquisa de Tecnologia Agroindustrial de Alimentos, da Embrapa, no Rio de Janeiro, conforme menciona neste artigo.

Enquanto isso, Javier Telis Romero está para começar o seu primeiro projeto de pesquisa próprio com ultrassom. O pesquisador, entretanto, resolveu deixar um pouco de lado a indústria alimentícia e se concentrar no aproveitamento dos resíduos dela. Apoiado pelo CNPq, ele pretende estudar a fabricação de biocombustível a partir do pedúnculo e da casca de banana, uma das principais fontes de biomassa do país, junto com a laranja e a cana-de-açúcar. A ideia do projeto é usar a energia transmitida pelas ondas ultrassônicas para acelerar as reações químicas que transformam a celulose dos restos de banana em etanol.

Imagem acima: Um autêntico queijo de Mahón-Menorca, pronto para análise com ultrassom em laboratório do Aspa.



 

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