Pois o teu corpo suado, com esse cheiro de fulô…

…tem o gosto temperado dos tempêro do amor.
Luiz Gonzaga e Zé Dantas, em 1950, já haviam desvendado o mistério da atração olfativa (sabor é intrinsecamente ligado ao olfato, pois na boca nós só distinguimos salgado, doce, amargo, azedo e umami, o resto vem do cheiro).
Segundo a edição 2061 (do futuro, sairá amanhã) da revista Veja:
“Os sinais são claros e surgem no cérebro como um vulcão. Subitamente nos apaixonamos por alguém, e tem início uma série de reações que muitas vezes contrariam nossa condição de animais racionais. Ao estudarem os mecanismos do cérebro, os pesquisadores comparam a euforia provocada pelo fascínio por alguém àquela experimentada pelos viciados em drogas. Nos dois casos, a mesma região do cérebro é inundada pelo neurotransmissor dopamina, associado à sensação de prazer e de recompensa. Assim como o drogado, o ser apaixonado é capaz de contrariar o bom senso em busca de seu objeto do desejo. Ambos têm pensamentos obsessivos e sofrem síndromes de abstinência.”
A reportagem continua dizendo que a escolha é feita inconscientemente por nós, fisicamente (“Mulheres preferem homens altos e fortes, capazes de conseguir alimento para a prole e manter os leões longe da caverna. Homens escolhem mulheres de quadris largos e seios bem torneados, o que lhes garantirá herdeiros possantes como eles.” Não posso negar…) e quimicamente (“Prosaico como possa parecer, o cheiro – não o dos perfumes, mas aquele que o corpo exala naturalmente – também serve como um filtro na escolha do parceiro ideal.”).
A parte química é na verdade bioquímica, pois, segundo as pesquisas, um gene chamado MHC (sigla em inglês para Complexo Principal de Histocompatibilidade, ou compatibilidade de tecidos), que é sabidamente responsável pelo extermínio de patógenos (células causadoras de doenças), pode também ser o culpado pela nossa escolha de parceiros, através de moléculas voláteis emitida pelo tecido epitelial (ou, cheiro de suor) e pela troca de fluidos enzimáticos salivares (ou, beijo de língua).
Por se tratar primordialmente de algo que nos ajuda a combater infecções e corpos estranhos, é interessante que, em prol do melhoramento genético, nós escolhamos parceiros com características diferentes e complementares às nossas.
A melhor maneira de fazer essa escolha, sem a necessidade de seqüenciamento e posterior comparação do nosso material genético, é ter um mecanismo que faça isso por nós (sem que saibamos, para não arruinar o mistério da paixão) e que seja facilmente detectado por nossos sentidos.
Primeiro, vemos o formato do parceiro em potencial.
Se nos agrada, nos aproximamos, ficando a uma distância dentro do raio de cheiro do outro.
Se nos é prazeroso, testamos uma dose mais concentrada em forma de saliva.
Tato ajuda na última parte, Audição fica de fora, porque alguém tem que prestar atenção a Dentes-de-Sabre famintos nas redondezas.
Infelizmente, nós inventamos uma maneira de esculhambar o sistema.
Anticoncepcionais.
Já que não dá mais para procriar, para quê se preocupar com a prole perfeita?
Segundo alguns estudos (cientistas estão sempre estudando mecanismos de atração sexual, já notaram isso?), contraceptivos orais (A Pílula) tendem a reverter o processo, confundindo as mulheres, fazendo-as escolher parceiros com MHC semelhante ao delas.
Mas, novamente, qual o problema nisso? Ninguém vai nascer mesmo…
Isso é mais um bala no meu rifle anti-cosméticos. Além de me fazerem espirrar e suar profusamente, perfumes ainda mascaram meu MHC. Ao inferno com eles!
Não sei quantos dos meus leitores seguiriam o conselho de um Nerd semiprofissional, mas evitem perfumes. Um banho bem tomado com um sabonete bom é suficiente.
O melhor aroma para você é o natural da sua pele.
Menos o de debaixo dos braços. Use um desodorante (sem perfume) pela caridade…
Ou a menos que você coma MUITO alho ou esteja tomando antibióticos.
Ou trabalhe diretamente com enxofre.
Ou como fritador de hambúrgueres (huummm, hambúrgueres…).
P.S. Escutem Luiz Gonzaga.

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