Receita de sorvete

1 medida qualquer de suco de fruta
1 outra medida arbitrária de açúcar (ou leite condensado, ou isso + creme de leite)
1 certo tanto de leite (ou não, talvez baste a aquosidade do suco, se bem que pode ser um suco ao leite. Huumm…)
Agora, a parte importante: o preparo.
Sorvete só é sorvete (macio e molinho, de comer com a colher) porque a estrutura microscópica permanece assim; pequena demais para ser vista.
Ninguém gosta (estou extrapolando da minha própria experiência) de quebrar um dente numa pedra de gelo perdida dentro da bola gelada de gostosura e delícia.
Para que tais blocos de água congelada não se formem, eles precisam ser quebrados enquanto ainda são pequenos¹, deixando-os do menor tamanho possível. E isso é feito mexendo a mistura, ou constantemente (numa sorveteira) ou vez por outra (usando o método de deixar no freezer pelo resto da noite).
Quanto mais for misturado enquanto congela, menores serão os flocos de gelo. E quanto menores eles, melhor será a textura do sorvete.
Mexer também acrescenta ar à massa, o que deixa a sobremesa ainda mais leve e prazerosa de se comer (dá menos trabalho, aumentando o custo-benefício).
O sorvete ainda contém muito líquido (na forma de solução de água e açúcar), que serve de liga para segurar o gelo e o ar e os pedaços de fruta e as outras coisas que vão nele
Outro método interessante é aumentar a velocidade de congelamento, pois quanto mais lento for o congelamento, mais tempo os cristais de água terão para aumentar de tamanho.
Eu vi uma receita de sorvete com nitrogênio líquido (cento e noventa e poucos graus centígrados negativos), que congela a mistura instantaneamente (nem tanto, demora um meio segundo), deixando a textura inacreditavelmente suave e “soltinha”, como diz minha mãe.
Fora isso, o negócio é mexer loucamente.
A mesma coisa acontece com pedra.
Quando lava endurece lentamente, grandes cristais têm tempo de se formar (como no caso do granito), mas quando esfria rapidamente, como quando dentro d’água, forma rochas ígneas com material vítreo (vidro, basicamente).

Quanto mais lentamente for o esfriamento, mais dura será a rocha (assumindo materiais com composições semelhantes).
Já foi inclusive sugerido que sorvete é um tipo de rocha ígnea.
E por falar em vidro (que não é um líquido ultraviscoso como meu professor de História disse, mas um sólido amorfo, que se solidifica sem cristalizar:

a linha vermelha representa a transição de um material normal (como gelo), onde o X aponta o ponto de fusão. A linha verde representa a transição suave do vidro, onde não há ponto de fusão.

a linha vermelha representa a transição de um material normal (como gelo), onde o X aponta o ponto de fusão. A linha verde representa a transição suave do vidro, onde não há ponto de fusão.


), eu já achei um pedaço de vidro dentro do meu sorvete e fui trocar, aí o balconista voltou dizendo “agora pode comer sem receio”.
?
Tirou a primeira bola do contêiner rotulado “contém vidro”? Catucou meu sorvete? Passou numa peneira? Raios-X? Cão farejador?
Acabei tomando (!) de todo jeito. Era sorvete de jabuticaba.
¹lembrei da piada do cara que é atropelado por um trem, se recupera, vai passear, vê um ferrorama numa vitrine e o destrói, dizendo: “esse bicho é perigoso, tem que matar enquanto é novo!”

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Discussão - 10 comentários

  1. Rafael [RNAm] disse:

    Confira ae a frase anterior ao gráfico. Parece que o texto deu uma pulada, talvez pela incersão da legenda da imagem que parece a continuação do texto de cima.
    tem a ver?

  2. Igor Santos disse:

    É isso mesmo. Uso criativo de parênteses, englobando um gráfico com legenda.

  3. Isis disse:

    Parabéns pelo Post! A explicação foi genial

  4. rebecka disse:

    whaaa vc me iludiiiiu pensei que eu ia comer um sorvetinho gostoso e vvc vem me falar de pedraaa? pedras e mais pedrassss. Droga detesto os químicos que tornam prazer de comer um estudo ¬¬ (pesando bem eu acho super legal, dá pra impressionar nas aulas de gastronomia!)
    Sniiif.
    Mas acredite meu pai prefere o sorvete pedra de gelo. Não, sério. Ele ‘mexe’ de alguma forma no sorvete que tira a cremosidade dele e faz parecer que a gente está chupando fragmentos de gelo doce. Entende? Ao Invés daquele cremoso e delicioso sorvete de creme (ha ha ha) ele prefere o pedaço torturante de sorvete -__-‘ (que nao é ruim, sorvete nunca é ruim *_* só não é tão gostoso ¬¬)

  5. Igor Santos disse:

    Não sou químico, sou engenheiro..

  6. Everton Marcello Araujo Fintelman disse:

    Oi,
    gostaria de apreender a fabricar sorvete em casa gostaria de saber das receitas.
    Grato.

  7. Igor Santos disse:

    Everton, sinto informar que você veio ao lugar errado.
    Aqui nós só damos receitas para rochas ígneas.

Envie seu comentário

Seu e-mail não será divulgado. (*) Campos obrigatórios.

Categorias

tempo

agosto 2008
D S T Q Q S S
« jul   set »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31  

espaço

Locations of visitors to this page

desfrute e compartilhe

Creative Commons License
Esta obra de Igor Santos é licenciada sob Creative Commons by-nc-sa.

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM