O fim da Dengue

Dengue só vai se acabar quando o Aedes aegypti for extinto e se o vírus não achar outro hospedeiro.
Não gosto de ser o arauto do terror nem o núncio do pânico, mas desde que o mosquito consiga pôr ovos, locais propícios faltarão jamais.
Por mais que se furem todas as latas, se virem todas as garrafas, se troque toda a água de jarro por terra e se queimem todos os pneus em rodovias federais durante protestos criminosos e indecentes, não vai parar de chover (pelo menos não aqui em Natal, pelo menos não no futuro próximo) e água não vai deixar de empoçar (ô palavrinha feia…).
Aqui, nós temos o segundo maior parque urbano do país (o maior natural, não-reflorestado) mais milhares de árvores espalhadas pelos canteiros e casas urbanas e de praia. Cada uma dessas árvores tem milhares e milhares de folhas que, pela falta de estações bem definidas a essa pouca distância do equador, estão o tempo todo sendo repostas, o que significa o descarte das velhas em favor das novas (“não vou mais com meias velhas, só vou com meias novas”). Cada uma dessas folhas mortas é um potencial receptáculo de água da chuva (que, através de impacto mecânico, derruba ainda mais folhas), se tornando também um berçário para os ovos dos mosquitos (talvez seja verdade que tampinhas de garrafa também podem ser).
Os ovos são postos acima d’água e podem sobreviver na secura por mais de um ano, em condições favoráveis (umidade, temperatura, falta de perturbações, etc). Quando a chuva (ou qualquer água, tanto faz, basta ser mais ou menos limpa) cai e o nível do líquido sobe, o ovo cai na água e choca (eu li que isso pode acontecer em meia hora), se desenvolvendo, em mais ou menos uma semana, num mosquito adulto que pode viver até trinta dias.
Eu não sei quantas vezes a fêmea põe, mas (ainda não sabendo com certeza) li que elas podem colocar até 200 ovos duma vez e que para produzir uma fornada elas precisam se alimentar até três vezes e que cada refeição do nosso sangue (o diabo do bicho é antropofágico, só gosta de sangue humano) leva de dois a sete dias para ser digerido.
Se a digestão durar em média cinco dias e a fêmea se alimentar duas vezes para gerar os ovos, são seiscentos ovos por mosquito(a).
Nem todos esses seiscentos vão chocar, alguns vão chocar na época errada, alguns vão ser comido por lagartixas, alguns nasceram machos (só as fêmeas se alimentam de sangue para ter energia suficiente para produzir ovos. Fora da época de reprodução, tanto elas quanto eles se alimentam de seiva e néctar, como as borboletas), alguns vão nascer mal formados, outros não vão encontrar as condições ideais. Aliás, por falar nisso, as condições ideais para o desenvolvimento das larvas se dão num local com alta umidade e temperatura entre 25 e 30 graus Celsius.
Eu conheço um lugar assim.
Voltando para o assunto “poças d’água”, quem aqui já subiu no telhado da própria casa (ou conhece alguém que o fez) para fazer o rodízio das telhas? Uma telha é uma tigela que não desenvolveu a tecnologia da borda contínua. Mas basta um empecilho (um mói de poeira ou terra ou folhas caídas) para tapar o escorrego e transformá-la num prato. Que fica escondido por duas outras telhas viradas para baixo.
Qual é o órgão da Prefeitura que vai passando de buraco em buraco (porque Natal está LOUCA de buracos, mais buraco que boneca de Vodu) das nossas ruas jogando água sanitária? Porque um buraco forrado com asfalto junta água bem que só. E junta muita.
Carros Fumacê (hoje tem muita palavra feia aqui…) são úteis porque matam os mosquitos. Mas não matam os ovos nem as larvas. E matam apenas na hora, já que a fumaça se dissipa muito rápido (não consegui achar um dado confiável, mas fumaça é fluida, que tende a se espalhar muito rápido, afinando e se diluindo, perdendo a eficácia) e toda hora tem mosquito nascendo.
Para ser eficiente MESMO, a fumaça teria que jorrar vinte e quatros horas por dia, por trinta dias, o que não seria muito bom para a nossa saúde.
Esta semana eu fiz uma observação interessante. Eu trabalho num prédio que fica entre duas ruas de mão única, uma indo, outra vindo. O bico da bomba de aerossol dos carros Fumacê é fixo e aponta para o lado do passageiro (talvez para zelar pela saúde do motorista que, desse jeito, não fica exposto ao produto o tempo todo). Ou seja, quando está subindo a avenida, a fumaça está indo para os prédios aqui em frente. Quando está voltando pela rua de trás, novamente o bico aponta para o outro lado. Se a via for mão-única, os prédios do lado esquerdo jamais serão encobertos pela névoa de querosene e veneno.
Os mosquitos atacam em ambos os lusco-fuscos e são guiados pelo cheiro do gás carbônico que exalamos pela nossa respiração e através da nossa pele e pelo ácido lático produzido em nossos músculos (existem outros odores também, mas esses dois são os principais).
Depois da picada, o tempo de incubação do vírus varia entre quarenta e oito horas até quinze dias, quando ficamos doentes (mas nem toda picada transmite o vírus e às vezes são necessárias várias incidências).
Os sintomas principais são: dores nos músculos e nas juntas, manchas vermelhas pelo corpo e moleza generalizada.
Mas um só não quer dizer nada, todos têm que estar presentes. Só dor nas juntas pode ser Gota, manchas na pele pode ser Chanha e moleza pode ser preguiça.
Se os três sintomas estiverem presentes, corram (mas corram devagar) para o médico ou posto de saúde, bebam água como se não houvesse amanhã e DESCANSEM. Dengue não tem cura, quem faz o sujeito melhorar é seu próprio sistema imunológico que precisa de energia para detonar os invasores. Não desperdice.
E façam um acompanhamento, pois a sociedade precisa saber por onde o infectado andava ao ser picado, quanto tempo durou o quadro e a intensidade daquele modelo do vírus (do qual existem quatro sortes).
Novamente, água e cama. Muito de cada.
Porque a Dengue jamais vai acabar…

(adjetivo) repórter (verbo) reportagem. (substantivo)!

Participando da enxurrada de indignação que está caindo sobre a cabeça da colunista Ruth de Aquino da Época Online, resolvi me pronunciar (nada como uma mentalidade de turba logo de manhã cedo para me deixar excitado).
Porém, não consegui pensar em nada, pois Renan e Karl roubaram tiveram as melhores idéias, portanto vou usar as palavras da própria Ruth e distorcê-las ao ponto do ridículo, assim como ela se mostrou capaz de fazer (apesar de ter chupado a idéia já pronta e o texto já escrito de uma publicação internacional).
Ponto-a-ponto:

Com tanta desgraça na política, uma receita de riso certo é ler sobre pesquisas “científicas” de universidades respeitadas.

Com tanta coisa importante acontecendo no mundo, uma receita certa de indignação é ler uma “reportagem” leviana numa revista respeitada.

Conclusões: o cérebro masculino vê mulher de biquíni e sem rosto como objeto. Canhotos vão pior na escola – e os mais desajustados são as meninas ambidestras. Genes gays excitam as mulheres. Brincadeiras fazem bem às crianças.

Sugestões, pois pesquisas isoladas não concluem muita coisa, de pesquisas primárias que podem ser o início de algo melhor, mais bem elaborado.

Resultados variam do óbvio ao inverossímil e preconceituoso. Como se arruma patrocínio para tanto besteirol?

O resultado da reportagem mostra que ela é obviamente preconceituosa e inverossímil em seu besteirol patrocinado (e ela realmente acha que “genes gays excitam as mulheres” é uma conclusão óbvia? Até a idéia de um “gene gay” já está sendo descartada).

Essa enxurrada de conclusões, com base em entrevistas e em ressonâncias magnéticas do cérebro, vem revestida de um manto de credibilidade.

Um manto de credibilidade parecido com o vestido por esse artigo, baseado em desinformação?
O próximo trecho é meio longo, vou tentar cortar um pouco sem mudar o teor:

A “mulher-objeto”, por exemplo. Foi “um experimento nos Estados Unidos com 21 homens heterossexuais estudantes de pós-graduação, apresentado em Chicago na Sociedade Americana para o Avanço da Ciência”. Avanço? O estudo, com uns gatos pingados, comprovou que “ao observar um corpo feminino sensual desprovido de identidade” – ou seja, ao olhar uma gostosa de biquíni e com o rosto escondido – “os circuitos cerebrais ativados nos homens são os mesmos acionados ao observar uma ferramenta, um objeto inanimado”.

Bom, não consegui cortar. Mas o que tenho a dizer é o seguinte: reclamar que o experimento foi feito com pouca gente é tão fácil quanto escolher poucos artigos com conclusões aparentemente óbvias e expô-los ao ridículo.
Será que Ruth teria chegado a essa mesma conclusão usando apenas seus extraordinários dotes previsíveis? “Todo homem é cafajeste” não conta como conclusão.
E “avanço” não é só uma marca de desodorante. Se mesmo com essa amostragem imensamente mínima já foi possível notar que certas partes do cérebro acendem e outras não, já é um avanço.
Agora já há base para uma pesquisa com vinte mil homens.
Um passo de cada vez, jovem padawan.
Contrariando meu próprio conselho, vou pular uma parte do artigo e vou direto para

Como o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assina todos os documentos com a mão esquerda, é no mínimo inoportuna a pesquisa recente afirmando que “os canhotos vão pior na escola porque são uns desajustados com Q.I. mais baixo”.

Tem razão. Que burrice!
Resultados científicos tem que ser bonitinhos e favorecer os que mandam.
Longe daqui com essa idéia de que o presidente pode ter um traço ruim! Aff!
Se Obama começar a fumar vão mudar todos os resultados “inoportunos” que mostram que cigarro faz mal?

Homens gentis e sensíveis atraem mulheres, isso todo mundo sabe, para que pesquisar? E vice-versa.

Se todo mundo sabe, quem inventou o ditado “mulher gosta de apanhar”? E o termo “mulher de mecânico”?
E esse “vice-versa”? Mulheres atraem homens gentis e sensíveis?
Quando eu escrevia uma redação com ambiguidades assim no primário minha professora brigava comIgor…

Uma pesquisa inédita, da Faculdade Albert Einstein de Medicina, em Nova York, comprovou que crianças que dispõem de 15 minutos de intervalo para brincar na escola são menos bagunceiras e aprendem mais que as crianças confinadas o dia inteiro numa sala de aula. Esse estudo envolveu mais de 10 mil crianças entre 8 e 9 anos. Para provar o que todo ser humano já sabe.

A – todo ser humano sabe que uma criança de oito anos que passa quinze minutos brincando aprende mais.
B – eu não sabia disso
Conclusão – eu não sou um ser humano.
Isso explica tanta coisa! Obrigado Ruth, agora eu sei o que estava errado todos esses anos!
Para meu gran finale, uma explicação dos prêmios do IgNobel que ele acha hilários:

pulgas que vivem nos cães pulam mais alto que as que vivem nos gatos

Demonstração de corrida evolutiva. Cães são mais altos em geral, logo as pulgas que os afligem precisam pular mais alto.

Coca-Cola é um espermicida eficiente

No mesmo ano o mesmo prêmio foi dado a outra equipe que provou exatamente o contrário. Odeio explicar piada, mas isso é uma.

dançarinas de striptease ganham mais dinheiro nos períodos de fertilidade

Pesquisa sobre interações humanas e estados psicológicos afetados por mecanismos biológicos.
Isso é realmente muito interessante e merece mais pesquisa.

medicamentos falsos caros são mais eficientes que medicamentos falsos baratos

a comida é mais saborosa quando soa mais atraente

Mais sugestões acumuladas sobre o efeito placebo e o poder psicológico de influências externas.

montes de fios ou de cabelo inevitavelmente enroscam

Fios de qualquer tipo. Essa pesquisa pode ajudar a desenvolver um modelo matemático para a produção mais eficiente de certos produtos e embalagens.
Ruth, geralmente nós pensamos para a frente! Até primatas menores fazem isso.

É muito mais saudável que ler sobre o Senado, Sarney, Collor e Renan Calheiros. Está comprovado cientificamente.

Imbecil.
Pessoas mais discretas/responsáveis/esclarecidas que eu, sobre o mesmo assunto:
Em prol dos cientístas, idiotas e dos “ridículos” – Ciência Brasil
Conselho de Darwin para Ruth – Ecce Medicus
É muito fácil ser um jornalista frívolo – Geófagos
Nunca é tarde para uma autocrítica – n-Dimensional
Candidato a santo– Boca do Inferno
Ciência e o óbvio – Rainha Vermelha
Ciência é besteira? – Discutindo Ecologia
“Mas isso eu já sabia!” – 100Nexos
Pesquisas científicas me fazem rir! – Rastro de Carbono
Cara Ruth de Aquino, – Brontossauros
Ruth de Aquino já é a segunda colocada em comentários na Revista Época – SemCiência
Reportagem original – LINK

Pesca mortal

O G1, central de notícias mais visitado e mais mal escrito do país,
ataca novamente.
Reproduz uma matéria do Daily Mail, dizendo que um mergulhador pescou um marlin apenas com um arpão portátil.
E que ambos se encontravam a dois quilômetros de profundidade quando isso aconteceu.
O Daily Mail, tablóide inglês conhecido por fabricar matérias e com sua maior parte editorial centrada em fofocas, diz na manchete da
notícia que o médico pescou o peixe “com as mãos nuas” porque ele não usou vara ou linha.
Mais adiante, no entanto, revela que o peixe foi pego com arpão.
Se eu estivesse numa briga de mãos-limpas e meu adversário segurasse um arpão, eu não consideraria a luta como justa.
A foto parece MUITO com um trabalho de photoshop para ser real e o pescador está usando um tubo de mergulho (snorkel) na foto.
Ele mergulhou dois quilômetros prendendo a respiração?
E ainda foi atrás do peixe?
Nadou atrás de um Marlin, um peixe um tanto rápido (o texto da matéria afirma que ele pode chegar a 80Km/h), usando só seus pés (as mãos ocupadas com o arpão) e enquanto segurava o ar dentro dos pulmões em um ambiente de extrema pressão?
Novamente, não existe o mínimo de senso crítico no G1.
Sequer disseram que poderia ser exagero.
Nada, nem uma nota de rodapé ou um 😉 para disfarçar.
Deram a notícia como real, como tendo acontecido mesmo.
Repúdio.
Dica do Breno, via Twitter.

Cadê o horizonte?

Ombro deslocado, dente faltando, olho roxo, supercílio aberto, dedão quebrado, costela fraturada.
Levei uma Sra. Surra do programa novo que usamos para blogar aqui no SBB, mas agora o tenho numa chave de perna, esperando que ele diga “Mat-te” e desista (e torcendo para que não escape e reverta o golpe. Acho que tenho um pulmão perfurado).
Pois bem, referências a filmes de Van Damme à parte, vamos ao que interessa: informações relevantes.
Durante o último fim-de-semana eu fiquei tentando calcular o quão longe o horizonte estava (mas fiz isso em segredo e em silêncio pois não queria que meus amigos achassem que eu sou nerd), mas a falta imensa de memória e Internet não me deixaram chegar a uma conclusão satisfatória e então, logo na segunda-feira, fui atrás.
Munido de um computador e de duas línguas, descobri que o cálculo é bem mais simples do que pareceu na minha cabeça distraída por talharim aos quatro queijos e churrasco com chimichurri.
O horizonte está exatamente (aproximadamente, na verdade, mas a primeira palavra tem mais peso dramático) a uma distância que é igual à raiz quadrada do triodécuplo da distância entre o plano observado e o ponto de observação.
Fácil assim e eu não conseguia calcular de cabeça enquanto tomava vodca com soda. Estou ficando velho…
Tudo bem, eu admito, inventei uma palavra ali no meio, mas a definição é exatamente essa, sendo que é bem mais fácil pensar desse modo: multiplique a altura em que seus olhos ficam por 13 e tire a raiz quadrada desse número e você encontrará a que distância o horizonte se encontra (mas a conta só funciona para lugares planos, como o mar. Não adianta medir o horizonte se tem uma montanha nele).
Sua altura é em metros e o resultado é em quilômetros.
No meu caso, por exemplo, meus olhos ficam a um metro e oitenta do chão (sim, eu sou bastante alto), então 1,80 x 13 = 23,4.
A raiz quadrada de 23,4 é 4,84, aproximadamente.
Então, eu estando em pé na praia, o céu encontra o mar a pouco menos de cinco quilômetros.
Além do horizonte existe um lugar bonito e tranquilo pra gente se amar. E esse lugar se chama Universo.
O que vemos depois da linha limítrofe é mais céu, porque a Terra se curva para dentro e só podemos ver mais dela se subirmos um pouco mais.
Do terceiro andar de um edifício, veríamos mais ou menos dez quilômetros de mundo antes desse se esconder.
horizonte.jpg
O Oráculo pode lhe ajudar nos cálculos se não houver lápis e papel por perto: basta escrever no campo de busca “raiz quadrada de (13 * altura)” e a calculadora Google vai resolver seus problemas aritiméticos.
Agora me dêem licença que eu vou tentar extrair mais informações deste programa e ver se consigo pelo menos colocar minha foto em algum lugar…

Candiru (or the-fish-you-don’t-want-to-get-intimate-with)

This is the english version of a post written in portuguese, which can be found here.
Two fish are the stuff of nightmares in the Amazon region: the piranha and the candiru. The former is the carnivore that has sharp teeth and is attracted to blood, like small river sharks, while the later is a parasite that is attracted to urea and has a head that works like a hook.
Oh, yeah…
Piranhas kill in the traditional way: chewing your meat until there’s nothing left but partially-cleaned bones and a temporally satisfied school.
The candiru, in turn, kills in an innovative way: They freak you out dead.
But not the kind of freak-out that makes the freak so chic. Oh, no. This is much worse.
The fish, which is thicker than it should be, enters the urethra of people trying to relieve themselves in the river.
So why would this animal do such an evil thing?
Not on purpose, that’s for sure.
The candiru doesn’t really cares for willys. It is a temporary parasite that attaches itself to other fish for a few minutes in order to feast on their blood.
The victims excrete ammonia and urea from their gills, which attract the sucker. When the candiru reaches the gills, it hooks itself to an artery, where blood will be pumped into itself via the prey’s blood pressure.
Clever, ay?
The fish smell urea and ammonia dissolved in the river, like piranhas smell blood and bouncers smell fear.
However, when Candiru gets into the human urethra, nothing happens since it can’t suck blood, like mosquitoes do. Unless there is positive pressure pushing blood down its throat, it cannot eat.
For the candiru, the human urethra is like the soup bowl for the crane.
When the little bugger realises there’s no blood coming, it relaxes and tries to get out.
However, it’s too late: by that time, the owner of the urinary passage is already running like hell through the forest with his apendage safely shelled in between his hands, crying.
If this image doesn’t stop you from relieving yourself in the Amazon river, I don’t know what’s what.

Avião de papel

Não vou falar sobre aerodinâmica, mas sobre o melhor avião de papel que já voei.
Há muito, num tempo em que Internet não tinha muito atrativos (for o mIRC), estava eu a procurar algo para me distrair e eis que acho essa pretensiosa frase: Build the best paper airplane in the world! How to build it, how to fly it. (Faça o melhor avião de papel no mundo! Como fazê-lo, como voá-lo.)
aviãozinho
Aparentemente esse desenho sempre existiu (o autor da página, Michael O’Reilly, conta que o aprendeu em 1950) mas nunca adentrou as portas da minha escola, onde só existia a flecha voadora clássica, mais um dardo que voa torto que um aviãozinho.
Quando descobri a página, dobrei o danado e joguei da minha janela (7º andar, o pior de todos os andares para gatos) e lá foi ele, em linha reta, até o outro lado da rua que faz esquina com a minha.
Alguns anos mais tarde, já numa Internet com YouTube, tentei o mesmo, mas do alto do trigésimo sexto andar e, ainda um pouco surpreso, lá se foi o avião rumo ao horizonte.
Pois bem, agora compartilho com todos vocês o melhor aviãozinho de papel de mundo!
Link para as imagens originais.
Link para o vídeo instrutivo.
É tudo em inglês, mas as imagens são autossuficientes.

Ao vivo do espaço

A NASA (Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço, em inglês) já tem um canal de TV há algum tempo, que funciona o dia todo, mostrando programas educativos e mostrando algumas coisas legais em tempo real, como o lançamento dos foguetes e consertos nas naves e blá blá blá…
Não comecei a escrever para falar da NTV, mas de uma câmera na Estação Espacial Internacional que virou webcam.
Eu gostaria de ter visto para acompanhar a movimentação da estação sobre a Terra, mas o computador que estou usando começou a suar, ficou esbaforido, com o rosto vermelho e segurando o braço esquerdo, aí eu achei melhor fechar a página, mas vocês podem acompanhar aqui toda a adrenalina que é ver, por um ângulo inédito, o mundo passar.
Literalmente.
Eu queria mesmo era tentar ver Antenor passando.
[dica do Atila, via Wired]

Candiru (ou “o peixe com o qual você não quer se familiarizar”)

Irei a todo custo evitar rimas neste artigo.
Na região amazônica, dois peixes fazem parte da pletora de pesadelos: a piranha e o candiru.
O primeiro é carnívoro predador, atraído por sangue e tem dentes bastante afiados, como mini-tubarões fluviais, enquanto o segundo é um parasita, atraído por uréia e tem um anzol na cabeça.
Unra!
As piranhas matam da maneira clássica, mascando a sua carne até que nada mais sobre a não ser ossos mais ou menos limpos e um cardume de peixes temporariamente satisfeitos.
O Candiru, por sua vez, mata de uma maneira inovadora: agonia.
Não o tipo de agonia que se sente quando Emílio Santiago rima “macho dengoso” com “tá delícia, tá gostoso”, mas algo um pouco maior.
Esse peixe, que é mais grosso do que deveria, se aloja na uretra dos incautos que se aliviam nas águas daquela região.
E por que esse bicho faz essa malvadeza tão grande?
Ele não faz, isso é um acidente. Nem de uretra ele gosta.
O Candiru é um parasita eventual e se liga a peixes para se alimentar de sangue (por alguns minutos por vez apenas). Esses peixes excretam amônia pelas guelras atraindo o pseudovampiro que se liga, usando o seu ferrão/arpão, a uma artéria e tem o sangue prontamente bombeado para dentro de si usando a pressão sanguínea do parasitado. Clever, ay?
Ele faz isso ao sentir o cheiro da amônia dissolvida, assim como as piranhas farejam o sangue e meu cachorro fareja medo (amônia é convertida em uréia nas pessoas e o cheiro deve ser semelhante, mas eu não saberia).
Quando eu disse que nem de uretra ele gosta foi com base no dado da ligação com a artéria. Ele não sabe chupar como um mosquito. Se não houver uma pressão positiva empurrando-lhe sangue goela abaixo, ele não tem como se alimentar. Logo a uretra humana é o prato de sopa para a cegonha.
Não conseguindo beber, o peixe relaxa e tenta sair, mas aí o dono do canal excretor já está correndo louco pela floresta, com seu apêndice seguramente acoplado entre as mãos e chorando.
Se essa imagem não o impedir de mijar na bacia amazônica, eu não sei o que impedirá.
(Faz sentido para mim (e talvez só para mim) que o peixe ache o alvo usando o olfato como os urubus o fazem.
Explico: urubus sentem cheiro de carniça enquanto estão voando numa certa direção. Se o cheiro aumentar, continuam em frente, se diminuir, dão meia-volta. Enquanto estão indo em frente, fazem uma curva para um lado e o processo se repete; se o cheiro aumentar, continuam praquele lado, se diminuir, voltam para o outro.
Eles vão fazendo isso, corrigindo a trajetória aos poucos até que, de repente, estão voando em círculos cada vez menores, sentindo que o cheiro está ali meio para a esquerda e que todos aqueles outros urubus voando na mesma área do mesmo jeito não podem estar errados.
Mas isso demora e ele precisa ser mais rápido. “Ele” que eu digo é o Candiru.
Uma ruma de carniça não vai se mover tão rápido tão cedo, mas o alvo do peixe é móvel e está engajado numa atividade curta e intercalada com vários momentos de não-excreção.)
E quanto à rima?
Por não enxergar muito bem, o peixe entra no primeiro buraco que encontra perto da fonte de uréia.
Às vezes o Candiru entra no buraco errado.

Quadrinhos

A triste verdade sobre os cientistas loucos.

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Retirado do Cowbirds in Love.

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