1º de abril

Hoje não vou falar do tradicional Dia da Mentira (algo a ver com a maneira como os franceses marcavam a passagem do ano), mas sobre os 45 anos da Ditadura Militar Brasileira.
No primeiro dia do quarto mês do ano de 1964, João Goulart foi derrubado da presidência, num episódio que deu início à ditadura militar no Brasil.
Ontem, na Rádio Senado, ouço um senador dizendo que “o dia de hoje deve ser lembrado como uma lição de que o processo democrático não pode parar”.
Imediatamente me lembrei de uma hipótese formulada por Ford Prefect que supunha que “os humanos devem permanecer constantemente falando porque, se suas bocas pararem de mexer, seus cérebros começam a funcionar”.
Não creio que essa tenha sido a idéia do senador, mas foi sem dúvida a minha: se o processo democrático parar, as coisas começam a funcionar.
Tudo bem que existia censura de imprensa institucionalizada, mas hoje em dia até o YouTube foi tirado do ar por causa de uma apresentadora que achou ruim ser filmada fornicando numa praia pública e um jornal de Minas que foi cercado pela PF para que nenhuma edição saisse das prensas sem um “direito de resposta”.
programa na TV Senado foi tirado da grade de programação antes de sequer estrear.
A censura serviu pelo menos para alimentar uma geração de letristas razoáveis, um mundo de distância dos xárli-bráu-júniores de hoje em dia.
Também não podíamos escolher nossos governantes.
Daqui de onde eu estou não vejo muito lucro em ter esse “poder” de escolha. Já chegamos ao ponto onde devemos escolher o “menos ruim” para termos alguma chance.
O que inevitavelmente leva a lugar nenhum, pois A vira apoiador de B, mas C ainda terá direito a X vagas no ministério de sua escolha.
Aí eu me pergunto: qualé a diferença? E eu mesmo me respondo: nenhuma!
Os militares governavam arbitrariamente, mas faziam isso abertamente, sem se esconder sob o manto da “democracia”.
Hoje nossos representantes escolhidos por voto popular também fazem o que querem, mas o fazem na surdina, sem o menor respeito pelo povo.
Essa democracia em que vivemos é um lixo. Sou mais a ditadura…
Numa nota diferente, mas nem tanto, ontem foi um dia ruim para a política norte-riograndense; escutei o noticiário no rádio e fui ao teatro ver a orquestra.
No rádio, ouvi Paulinho Freire, o vice prefeito de Natal dizer que de janeiro a março deste ano o número nos casos de dengue diminuiu e que isso se deu por causa de Micarla, a prefeita.
Dane-se que choveu consideravelmente menos no primeiro trimestre deste ano comparado com o mesmo período do ano passado. Temos que agradecer à prefeita!
Sua inação é realmente assombrosa, não tendo tido ainda a vergonha na cara de encher pelo menos um (01) carro fumacê de veneno e mandá-lo pelas ruas.
Soube de um funcionário do Conselho de Medicina do RN que ela se reuniu com o ministro da saúde para conseguir verba para construir mais cinco (05) hospitais municipais. Talvez seja porque os que já existem são regularmente interditados pelo Conselho por falta de pessoal, material e estrutura.
Aí precisamos de mais cinco.
O vice prefeito é um ridículo, que não sabe a diferença entre “correlação” e “causa”, mas a prefeita é uma imbecil esférica.
A governadora do meu estado também não fica muito atrás, mas as pessoas que ela coloca em cargos de médio-poder são ainda piores.
Como eu disse, ontem eu fui ver a Orquestra Sinfônica do RN com um maestro convidado.
Uma desqualificada analfabeta que foi recentemente nomeada diretora do Teatro Alberto Maranhão subiu para apresentar o espetáculo.
Passou quase quinze minutos falando como Wilma de Faria era uma pessoa boa e como o secretário para assuntos institucionais (ali presente, “representando” a governadora) era bonito e iria, não, deveria repassar os beijos que ela, diretora, estava dando metaforicamente no rosto da governadora.
A idiota falou ainda como DOIS MILHÕES DE REAIS haviam sido investidos no teatro nos últimos cinco anos, como se isso fosse muito ou como se fosse pelo menos mais do que o governo do estado gasta em propagandas em um mês.
Todo esse dinheiro, porém, não impediu que a tampa da privada, ao invés de substituída, fosse reconstituida com resina epóxi e ao lado houvesse uma lixeira sem fundo, o que se torna nada além de um cilindro vazio
privada.jpg
Ao fim da “apresentação”, a diretora do TAM diz: “E agora, com vocês, Thomas Lawrence Toscano!”
E a orquestra? Merece alguma menção? Pelo menos por tocar naquela noite? Não creio que o maestro vá se apresentar sozinho. Aliás, ele é um convidado da OSRN.
Após essa prova de falta de preparo da nova diretora do teatro que apresenta o convidado da atração da noite mas não a atração da noite, ela fica prostrada ao lado do palco, impedindo que os músicos apareçam, enquanto o MC (um profissional da voz bonita, empostada e que sabe ler e apresentar um espetáculo) conserta e diz o seu “senhoras e senhores, a Orquestra Sinfônica do Estado do Rio Grande do Norte”.
Neste momento, a cretina adentra a coxia e sai de mãos dadas com o maestro, se curva em agradecimento ao público como no fim do espetáculo e fica estupidificadamente olhando para o representante da governadora, mandando beijos como um toureiro sob uma chuva de rosas ao fim de um dia de trabalho bem sucedido.

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