Sobre como é fácil criticar

Peço licença aqui à minha colega de ScienceBlogs Luciana Christante para reproduzir seu comentário em meu último artigo

De fato, essa matéria é horrível, deprimente, desvairada, vergonhosa, indesculpável, irresponsável etc, mas nem ela nem vários outros exemplos de péssimo jornalismo justificam a afirmação de que a mídia (quero crer que você se referiu à imprensa) é formada por idiotas que não entendem o mínimo do que estão fazendo. Veja bem, Igor, se um cientista falsifica os dados de um paper, se um engenheiro constrói um edifício que cai, se um médico erra e coloca em risco a vida de seu paciente (e temos vários exemplos disso, não?), não é muito sensato sair por aí dizendo que a ciência, a engenharia e a medicina são formadas por um bando de cretinos. Se assim fosse, o que não poderíamos dizer dos blogueiros, não é mesmo? Além do fato de haver pouca sabedoria nas generalizações, você poderia considerar seus colegas do ScienceBlogs que fazem parte da imprensa (entre os quais me incluo obviamente)e que não devem ser tão idiotas assim pelo simples fato de estarem compartilhando o mesmo espaço que você, poxa.
Outro ponto: é complicado dizer que o JB é um dos maiores jornais do País. Faz tempo que não é. Nos últimos 7-8 anos, mais ou menos, houve uma incrível decadência e um lamentável sucateamento desse que já foi, sim, um grande jornal e hoje é um tablóide de pouco prestígio. Segundo dados de 2007 do IVC (Instituto Verificador de Circulação), o JB era 12o maior jornal do País e sua circulação era quase três vezes menor que a de O Globo, o principal concorrente carioca (infelizmente não tenho dados mais recentes). Isso não justifica aquela matéria lastimável, mas é sintomático. Aberrações como essa são altamente improváveis em veículos como a Folha, o Estado ou O Globo, para ficar nos exemplos de jornais diários. Há ótimos jornalistas neste País, Igor, mas eles não estão em toda parte, por questões de mercado que são comuns a qualquer atividade. Selecionar bons veículos para ler é um ótimo critério para encontrá-los. Curiosamente, são poucos os posts que comentam ou elogiam o trabalho que eles fazem. É muito mais fácil chutar o cão sarnento (e creio que também gere mais pageviews).
Espero que você não me leve a mal, mas eu realmente fico muito incomodada com esse tipo de crítica virulenta em que não há o mínimo sinal de discernimento e que eu considero bastante injusta.
Saudações,
Luciana

Com meu proverbial rabinho entre as pernas, em primeiro lugar peço desculpas se minha raiva momentânea me fez ignorar a régua que geralmente uso para medir minhas palavras e me fez escrever de um jeito que aparenta que me referia a toda a mídia, incluindo todos os jornalistas, editores e afins.
Posso até ter pensado isso mesmo, meus acessos de fúria impedem minha visão da razão e cegam meu julgamento, mas eu sei que não é bem assim.
Como diz o velho meta-adágio autorreferente: “toda generalização é burra”.
Reconheço que há realmente jornalistas excelentes que sabem o que estão fazendo e que conseguem mostrar seu trabalho, assim como existem os que são barrados no editorial e os que simplesmente não sabem do que estão falando (e várias gradações entre as categorias citadas).
Não posso simplesmente extrapolar de um exemplo só nem deixar que um viés anti-TV me faça apontar os maus exemplos em detrimento dos bons, pois isso seria semelhante ao argumento “morreu um sujeito enforcado pelo cinto de segurança do carro ontem, nunca mais eu uso cinto”.
Complementando as palavras da Christante: quando ela diz que é muito mais fácil chutar o cão sarnento (e creio que também gere mais pageviews), está coberta de razão. É bem mais fácil e infinitamente mais satisfatório.
E, sim, gera muito mais visitas!
Já escrevo na Internet há mais de um ano e já vou no meu terceiro blogue e NUNCA tive 19 comentários em um mesmo artigo (que até entrou no Uêba) e, tirando alguns raros eventos, nunca tive um aumento de tráfego de mais de 450%.
E daquelas 19 comentários, apenas três não me ajudaram a chutar o cachorro.
E isso diz muito da índole humana, na minha opinião.
“(…) Eu realmente fico muito incomodada com esse tipo de crítica virulenta em que não há o mínimo sinal de discernimento e que eu considero bastante injusta.”
E com razão.
Não vou tentar me justificar mais, apenas peço desculpas.

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