Rapidinha: autocontrole

Ontem eu entrei numa livraria e, quando me dirigia ao computador para pesquisar o título do livro que pretendia comprar e que me havia sumido da memória, noto muitas crianças sentadas (ou tentando permanecer sentadas) e muitos pais aliviados, todos virados para a mesma direção.
Não dei muita importância porque estava querendo muito lembrar o título de livro e tentando com muita força não esquecer do sobrenome da autora (cujo nome eu até agora não decorei), mas depois de ter adquirido eletronicamente a informação desejada (me forçando a não acotovelar um adolescente que havia invadido violentamente o meu espaço pessoal semelhantemente a como pés de lagartixa fazem com paredes), relaxei e deixei meu cérebro vagar em busca de algum estímulo. Eis que então ouço uma voz feminina dizendo: “Vocês sabiam que antigamente não existiam noites? Pois é, houve um tempo em que só havia dias!” (os erros de concordância da frase original foram devidamente suprimidos para este artigo)
Ao reparar na cena completa, vejo que uma jovem senhora está falando em direção a receptivos rostos infantis.
Não sei se ela era uma autora de livros ou apenas alguém que gosta de discursar na frente de crianças, pois não colhi mais informações, saindo do âmbito auditivo daquela narrativa o mais rápido que pude.
Motivo? É bastante difícil para mim não confrontar alguém que espalha mentiras deslavadas do jeito que aquela mulher estava fazendo.
Tudo bem; livros infantis, fábulas, estórias fantásticas, pequenos polegares, etc, mas a vontade de retrucar com um “como assim não existiam noites?” é maior que eu.
Precisei ir correndo ao caixa, assoviando “90 milhões em ação” o mais alto que conseguia.

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Discussão - 7 comentários

  1. Juninho disse:

    Também não simpatizo muito com alguém que “espalha mentiras deslavadas”. Principalmente às crianças. Esse é o porquê de o número de ateus no mundo ser “tão baixo”.

  2. Priscila MOnteiro disse:

    Depois desse “tipo” não deveria nem me dar ao trabalho de comentar esse post, mas como sei que a humanidade carece de ajuda.
    Meu bem, se diante a uma contadora de histórias, você não consegue abstrair a realidade e embarcar na aventura, você está perdendo grande parte da beleza da vida…
    tudo bem; aonde contar mentiras pode ser bonito não é mesmo?
    No mundo da imaginação, que de fato é o único lugar que pretendem habitar os livros infantis… pena você não ter ficado para ouvir mais da história, talvez a pedra que está obstruindo suas emoções pudesse ser lascada e quem sabe você aprendesse que nós aprendemos muito na vida quando damos espaço as emoções, e a fantasia… e talvez com esse espaço você também descobrisse algum pra colocar o nome da autora que tanto precisa… Você acha que o tudo é por mero acaso nessa vida? Louis Pasteur dizia, que pouca ciência te afasta de Deus, mas muita ciência te leva pra perto dele… talvez você esteja precisando de mais ciência na sua vida…e aonde é que isso se encaixa, no fato de que ninguém que creia em algo além do próprio umbigo seria capaz de desprezar algo tão raro, e tão belo quanto o lúdico infantil, uma das grandes composições que dão sabor a vida.
    A mas você NÃO deve ter interesse pela vida.
    Perdo-me o tom, mas é que assim como você fico muito aborrecida quando ouço tamanho absurdo.

  3. Igor Santos disse:

    Priscila, você acha que saber como uma flor funciona diminui sua beleza?
    Não basta que se admire o jardim, é necessário acreditar que existem fadas embaixo dele?
    Não posso afirmar que foi isso que você quis dizer, mas me parece que você é a favor de mentir para as crianças porque elas não merecem entender o mundo como ele é de verdade.
    Priscila, os pequenos são mais inteligentes do que você lhes dá crédito.
    Mas não precisa acreditar em mim, continue sua jornada de olhos fechados.

  4. André Souza disse:

    Concordo que não se deve contar mentiras deslavadas às crianças, mas reconheço o papel dos contos de fadas na formação de novos leitores e como atividade lúdica para o exercício da imaginação e capacidade de abstração. Não lembro qual conto tem exatamente este começo, mas tlvz até este “absurdo” possa ser trabalhado (sei lá..algo do tipo q as pessoas não conheciam a noite por não conhecer o fogo…daí, dormiam logo após o pôr-do-sol…meio forçado mas dá pra dar uma saída)
    Justamente por serem inteligentes, as crianças conseguem entender bem o que é real e o que é “faz de conta”..Só lhes dar crédito. E usar historinahs pode facilitar o entendimento de conceitos bastante complexos (até para adultos) e fazer com que elas se apaixonem por ciência.
    E depois, bem sabemos que certos conceitos da física dão mais pano pra manga que qq historinha da carochinha.

  5. Sandro disse:

    Pois é… li um livro de contos de fadas de um autor brasileiro – que nada nesse mundo ou fora dele me fará lembrar o nome – que criticava as histórias de ficção científica, pois, segundo ele, criança não confunde conto de fadas com a realidade mas um conto de ficção científica sim pode confundir, pois um universo mágico é apresentado travestido de ciência… sei lá, pode ter sentido. Aí ficamos com quem, Irmãos Grimm ou Isaac Asimov? Lewis Carroll ou Arthur Clark ?

  6. Sibele disse:

    A infância passa longe da visão fria e mecanicista atribuída à Ciência. A fantasia faz parte.
    E, pensando nos pequenos, Igor, lembro de uma frase de Albert Camus:
    “Le goût de la vérité n’empeche pas de pendre parti”.
    Ainda bem que vc se autocontrolou e foi correndo ao caixa. Do contrário, assustaria as pobres crianças!

  7. Chloe disse:

    “Em latitudes superiores a 80 graus, o Sol não se põe por mais de setenta dias sem o verão, ou seja, não há noites durante mais de dois meses” – (ctrl C + ctrl V do Google – Wikipedia)
    Só pra te provocar, rs…
    Ela podia estar falando de um lugar assim.
    Mas como vc não ficou pra ouvir o final da história… não vai saber : )
    Deixe de ser bravo menino!
    Baixe a guarda!
    Um pokin de fantasia faz mal não. ; )
    Veja o trabalho dos Doutores da Alegria, tem tudo de lúdico e o resultado é fantástico!
    E as crianças ainda vão ter muuuito tempo pra se inteirarem da realidade.
    ( )’s.
    C.

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