Experiência caseira – ovo sem casca

Eu passo boa parte do meu tempo livre mexendo em coisas.
Ontem, ao concluir a construção de um veículo motorizado autopropulsionado reduzido (carrinho movido a pilha) feito de isopor, madeira e restos de um vídeo cassete, eu estava começando a ficar entediado, quando lembrei do meu ovo.
“Meu” porque veio numa embalagem com mais cinco ovos que eu comprei no supermercado e que, por direito, me pertencia.
“Lembrei” porque não estava com ele imediatamente na minha memória de acesso rápido, pois o havia deixado pelas últimas 96 horas imerso em vinagre.
ovo1.jpgA casca (feita principalmente de carbonato de cálcio) e o vinagre (constituído quase completamente por ácido acético) foram mutuamente cancelados, resultando numa poça salobra de um líquido espumoso e acre, de gosto bastante repulsivo (mais ainda que seu aspecto, pena que não tirei fotos).
ovo sem casca2.jpgO ovo em si estava macio ao toque e inchado, como um balão cheio de água, e havia aumentado de volume consideravelmente (como uma barriga grávida, talvez?) e parecia estar prestes a romper.
Antes que isso acontecesse, eu intervim da melhor maneira que sei em situações como essa: com um palito, uma faca e uma câmera.
Cliquem no read on para ver o vídeo e mais fotos:



O que eu estou furando no vídeo é uma espécie de pele que reveste a casca por dentro, aumentando a resistência do invólucro ao combinar uma parte externa rígida que resiste a choques e introduzir um elemento maleável e impermeável que evita que a parte de fora se despedace facilmente.
planetovo.jpgCerta vez o vidro da janela da portaria do meu edifício foi atingida pelo cabo de uma vassoura enfurecida e se despedaçou em milhares de pedaços, mas jamais feriu alguém ou se espalhou pelo chão, pois a película que servia para escurecer e reduzir o calor dentro do ambiente serviu, naquela ocasião, como uma malha de segurança, sustentando todos os cacos em seus lugares.
Analogamente, se um ovo acidentalmente tombar, ele pode até rachar, mas dificilmente vai vazar.
Essa pele forma uma camada tão fina que é possível ver qualquer luz que venha por trás, incluindo um laser vermelho:
ovo vermelho.jpg
ou um foco de luz semiultravioleta (pois é, eu tenho uma lanterna de luz negra em casa):
ovo azul.jpg
Continuando a minha experiência, eu bati a gema e clara resultantes e já notei alguma diferença de consistência.
A espuma criada era mais fina e compacta que o normal, mas durava pouco (como a espuma de um refrigerante), diferente da espuma normal de um ovo batido, que é grossinha e fica lá para sempre.
Próximo passo, cozinhar (lógico, é um ovo, o que mais eu haveria de fazer com ele?).
Um ovo batido cozido costuma se comportar como uma só criatura; todas aquelas proteínas unidas em seu momento final de desnaturamento, finalizando numa consistência firme e flexível.
A “omelete” que eu fiz não ficou com uma aparência muito boa:
mexido.jpg
O melhor exemplo que eu consigo dar é cera de vela misturada com detergente (talvez eu esteja passando tempo demais em casa sozinho).
Ao invés de se comportar como cera de vela deveria, ela fica esfarelada e completamente granulada, como areia.
O ovo sem casca depois de cozido ficou assim; minipartícular totalmente independentes umas das outras, não aparentando querer ter qualquer ligação com coisa alguma, com uma consistência espapaçada e quebradiça.
Parecia xerém.
Para finalizar meu experimento, eu comi o ovo cozido.
Se alguém (além de mim) lendo isto já comeu cola branca, vai saber exatamente a sensação que eu tive na boca.
Não há sal no mar que dê gosto àquela gosma e não há água nos rios que tire o gosto da minha boca.
Mas pelo menos eu matei a minha curiosidade.

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Discussão - 8 comentários

  1. Igor Santos disse:

    Claro que eu comi.
    O que mais haveria de fazer com um ovo cozido?

  2. Chloe disse:

    comer o ovo até vai, mas cola branca!?!?!
    vc é pirado, rs…
    qd eu vi as primeiras fotos achei que era daqueles ovos de pedra, sabe? tipo pra decoraçao.
    gostei da experiencia, vou tentar em casa.
    só até a parte de furar o ovo é claro.
    ()’s.
    C.

  3. maria disse:

    competição séria para os caras do “kitchen science” dos naked scientists.

  4. Dånut disse:

    “O melhor exemplo que eu consigo dar é cera de vela misturada com detergente (talvez eu esteja passando tempo demais em casa sozinho).”
    Ri muito o/
    Também lembrei das pedras de decoração…
    E gostei do post, não sabia a função daquela “pele”.

  5. “vinagre (constituído quase completamente por ácido acético)” – na verdade a maior parte do vinagre é constituído de água, o ácido acético corresponde a cerca de 3 a 5% em massa.
    Colocar o ovo em vinagre deve ter denaturado a albumina.
    []s,
    Roberto Takata

  6. Igor Santos disse:

    “Quase completamente” que eu digo é tirando a água.
    Eu costumo descontar os elementos naturais (água, ar, fogo, terra e éter) nos meus cálculos.

  7. julianna disse:

    essa experiência é um bicho vou faze-la em casa

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