Abram os vidros e deixem o spam sair

Mais um dia, mais um spam, mais um artigo combatendo essa praga.
O de hoje é um sobre carros e benzeno que pede a todos os motoristas para não ligarem o condicionador de ar assim que entraram em seus carros pois blá blá blá.
(Mais uma vez, é parte da minha política não incluir o texto para não confundir, senão daqui a seis meses tem uma ruma de gente pensando “é verdade sim, eu vi num blogue de ciência!” e isso é uma das últimas coisas que eu quero.)
Quem já recebeu o dito cujo pode conferir, quem não ainda recebeu espere um pouco. Ele vai chegar.
Vamos lá.
A primeira coisa que eu gosto de checar nesse tipo de mensagem é a consistência interna: entre o primeiro e o último parágrafo há alguma contradição?
Logo no começo temos uma lista de problemas que o produto causa. No final, temos outra lista.
Para mim, isso tem cheiro de empolgação do autor, como Chaves quando se empolga e fica chutando o ar, dizendo “zás, zás, e isso, e mais aquilo, e mais aquilo outro e, e, e…”.
Quem estava escrevendo não se satisfez com apenas seis doenças, aí antes de acabar o texto incluiu mais três ou quatro.
E sim, existe uma contradição pequena, mas que está lá.
O email afirma que o produto “causará leucemia”. Não é “pode causar”, é “vai causar, se ligue!“.
E ainda na mesma linha diz que “pode causar câncer”, assim, bem despreocupado. “É, pode ser que cause, mas não sei, não tenho certeza. É mais um ‘talvez’ que um ‘é batata!'”
Primeiro diz que vai (leucemia é um tipo de câncer), depois diz que talvez.
E a conjugação verbal? cáspite, deplorável!
Meu segundo problema (depois da gramática) é a miríade de doenças distintas e não-relacionadas que podem decorrer da exposição à substância protagonista.
Esse tem até “envenena os ossos”. Ou seja, não tente fazer caldo com benzeno por perto.
Agora, as informações testáveis: níveis seguros e exposição, sensações olfativas e relação com doenças.
O primeiro eu não achei confirmação ou negação, então vou ignorar. Até porque 76% das pessoas inventam estatísticas para confirmar seus argumentos, o que torna todos os números do email inúteis para mim.
O segundo é fácil. O autor assemelha “cheiro de carro novo” a toxicidade.
Segundo um estudo coreano, quanto mais velho o carro, mais benzeno ele produz.
Ciência 1, spam 0.
O mesmo estudo concluiu que a exposição aumentava durante o inverno, quando não se usa ar-condicionado em carros.
2 x 0
A principal fonte de benzeno é externa, vindo diretamente da gasolina, e não interna, proveniente de painéis e dutos de ventilação, como sugere o email.
3 x 0
Terceiramente, leucemia foi associado sim a benzeno. Que não é liberado pelo painel do carro, então não se preocupem por isso.
Outro ponto que eu checo sempre é a origem. Esses emails são geralmente traduções, então procurar em outras línguas sempre revela alguma coisa.
Por exemplo: é afirmado no texto que o nível aceitável dentro do carro é de “0,05 gr por cm2” (sic).
Um email em inglês de maio deste ano (o mais antigo que consegui rastrear, fazendo desse o spam mais novo do pedaço) fala em 50mg por pé quadrado, que daria 0,05 miligramas por centímetro quadrado, mil vezes menos.
Tem mais um pouco de matemágica incluída que difere medonhamente da versão em inglês, mas como eu disse, esses números não fazem sentido para mim.
Eu tenho quase certeza de que o original não foi escrito no Brasil por causa desse dado bastante explícito: “Se estacionado em área externa, sob o Sol, a uma temperatura superior a 16ºC”.
Exatamente em qual lugar do país existe uma área externa sob o sol onde o interior de um veículo não atingiria os dezesseis graus em cinco minutos?
Nossas contas sempre são pelo menos acima de vinte graus.
Isso é seguido por um conselho que pelo meu ponto de vista é pouco prático: “Recomenda-se que abra os vidrose porta para sair o ar quente interior antes que entre no carro.”
Desconsiderando a estrutura textual que me dá náuseas sempre que leio, quanto tempo esse “ar quente” demora para se dissipar?
Morando numa cidade muito quente e ensolarada como é Natal, posso dizer que esse tempo vai além dos limites da paciência da maioria das pessoas que eu conheço.
Eu concordo que os vidros devem permanecer abertos um tempinho, mas com o carro em movimento. E não para aerar o benzeno-mortal-envenenador-de-ossos, mas para tirar o calor-mortal-criador-de-círculos-sudoríferas-sob-os-braços de dentro do veículo.
Por fim, fica a dica: manter os vidros abertos enquanto o carro está andando aumenta a circulação do ar dentro do veículo, dissipando calor mais rapidamente e economizando combustível que seria gasto para condicionar o ar forçosamente.
Via ClauChow, minha atravessadora de emails sem sentido.

Mais spams destruídos:
Alpiste não cura diabetes nem nenhuma outra coisa;
Como reconhecer um spam;
Motivos para não incluí-los em meus textos;
Spam da Doença de Chagas em feijão;
Spam sazonal da gripe suína;
Spam dos batons com chumbo;
Spam do camarão e da vitamina C;
A falsa cura do câncer desmentida mais rapidamente que eu já vi;
Spam dos absorvente internos que causam câncer.

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Discussão - 30 comentários

  1. Wario disse:

    Quer dizer que é para deixar de acreditar em e-mails? Se eu não puder acreditar na internet, eu vou acreditar em quem? Será a televisão a única fonte confiável hoje em dia?

  2. Igor Santos disse:

    Se o email tiver mais de uma cor, não confie.
    Estendendo o conselho, TV só é verdade se for em preto-e-branco.

  3. Joey Salgado disse:

    Nossa, coitado do benzeno, já vi ele ser protagonista de vários lances e doenças, mas “envenenador de ossos” era novo…
    Inté!

  4. Claudia Chow disse:

    Mereço o prêmio de pautas para o 42!! hahaha

  5. Igor, se eu te mandar minha conta corrente, você me envia os R$ 37 reais? É que o Hotta já pagou a aposta, só falta você:
    Putz, achei esta noticia agora!
    http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,parte-das-mortes-por-gripe-suina-e-associada-a-segunda-infeccao,443574,0.htm
    Parte das mortes por gripe suína é associada a segunda infecção
    Estudo mostrou que 29% das mortes ocorreram em pacientes que tiveram coinfecções bacterianas
    WASHINGTON – Muitas pessoas que morreram de gripe suína nos Estados Unidos também tiveram infecções bacterianas, disseram autoridades de saúde nesta quarta-feira, 30.
    Um estudo de 77 pacientes que morreram do novo vírus pandêmico H1N1 mostrou que 29% deles tiveram as chamadas coinfecções bacterianas, informou o Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC).
    Cerca de metade dessas pessoas tiveram o Streptococcus pneumoniae, que pode ser evitado com uma vacina, disse o CDC.
    O CDC já informou que o H1N1, declarado uma pandemia em junho, se tornou mais ativo com o tempo frio e o retorno das aulas no país.
    “Nossa temporada de influenza está começando e infelizmente haverá mais casos de infecções bacterianas em pessoas sofrendo de influenza”, disse o epidemiologista do CDC, Matthew Moore.
    “É realmente importante que as pessoas, especialmente aquelas em grupos de alto risco, chequem com seus provedores de saúde, quando forem receber a vacina para influenza, se serão vacinados contra o pneumococo.”
    Nos Estados Unidos, a vacina Prevenar, da Wyeth’s, faz parte do calendário de imunizações infantis e uma outra vacina contra a chamada bactéria pneumocócica está disponível para idosos.
    A equipe do CDC notou que, no início, não parecia que as pessoas gravemente doentes com gripe suína ou as que morreram em decorrência dela tinham infecções secundárias. Mas os médicos podem não ter percebido essas infecções, afirmou o CDC.
    “Os testes clínicos de rotina usados para identificar infecções bacterianas entre os pacientes com pneumonia não detectam muitas dessas infecções”, relatou a equipe do CDC.

  6. Igor Santos disse:

    O Carlos é um precipitado.
    Eu não consigo achar um número maior que 899 desde 23 do mês passado e não vou perder uma aposta por inferência.
    Se chegar a mil, eu publico uma derrota e mando sua caixa de cerveja.

  7. Rafael |RNAm| disse:

    Atenção para o AUTOJABÁ maroto na palavra “caldo”.
    Excelente.
    E caso o benzeno dê câncer, bicarbonato nele!

  8. Wario disse:

    Chegou esse e-mail pra mim.

  9. Felipe disse:

    Muito bom! Já cansei de ver spams, digo, e-mails com informações no mínimo duvidosas. E as pessoas repassam sem nem procurar saber se aquilo ali é verídico.

  10. Celio Mendes disse:

    Sob incidência direta da luz solar, um veículo fechado pode atingir em seu interior temperaturas elevadas, de 50 a 60ºC em apenas 15 minutos. No alto verão, pode chegar a próximo de 70ºC após 30 minutos. Médicos dermatologistas têm se deparado com manchas escuras na face após a exposição direta dentro dos veículos nestas condições. As manchas surgem algum tempo depois da exposição, resultado da estimulação incontrolada da melanina, pigmento de proteção à pele. É IMPORTANTE VENTILAR O CARRO EXPOSTO AO SOL ANTES DE OCUPÁ-LO. Embora não haja uma indicação científica do tempo para redução a níveis suportáveis (35ºC) a presença de um termômetro no interior do veículo pode ajudar. Acredito que pelo menos 3 minutos sejam indispensáveis!

  11. Igor Santos disse:

    Celio, eu concordo com você quanto a necessidade de ventilação, mas mais por causa do desconforto do que pelo que você citou.
    O que são essas manchas escuras na pele? Quem são esses dermatologistas?
    Melanina é estimulada por radiação ultravioleta, enquanto calor é infravermelho (extremos opostos do espectro visível). Calor fica guardado, UVs não.
    E você tem razão quanto às temperaturas também. Eu já medi e certa vez o termômetro passou da marcação máxima de 70º.
    Outra: por que as manchas são só na face?

  12. Maurício disse:

    O pior de tudo é a frase final desse e-mail : “Quando alguém recebe uma informação valiosa e se beneficia dela, tem obrigação moral de partilhar com todos”. Ou seja, transformam o Spam agora em obrigação moral…

  13. garota disse:

    olá
    estava pesquisando sobre esse email e achei seu texto. obrigada pelas informações, foram muito úteis. sempre pesquiso esses e-mails e fico impressionada em como as pessoas divulgam as coisas sem pesquisar ou pensar direito. elas leem e já vão repassando.
    sou de cuiabá, cidade que é um inferno, e tenho certeza que ainda irei receber dezenas desse mesmo email.
    novamente, obrigada.
    abraço!

  14. Marcos Vinicius disse:

    Concordo 90% do que li,recebi esse hj mesmo,só discordo da parte de economizar combustível evitando o ar-condicionado.Assisti a uma reportagem sobre isso faz pouco tempo no auto esporte(globo),qd vc está com os vidros abertos,o atrito com o ar de fora do carro é maior,fazendo o motor trabalhar mais para se deslocar,gerando um gasto maior de combustível,então qd vc mantém as portas do carro fechada ao usar o ar-condicionado esse atrito diminui poupando o motor,no caso o gasto que vc teria a mais pelo ar,é recuperado com menos atrito do motor.
    Parabéns,esses spams realmente incomodam bastante,e o pior é ter que avisar todos os amigos que vc não quer receber isso…

  15. Marcos Vinicius disse:

    Concordo 90% do que li,recebi esse hj mesmo,só discordo da parte de economizar combustível evitando o ar-condicionado.Assisti a uma reportagem sobre isso faz pouco tempo no auto esporte(globo),qd vc está com os vidros abertos,o atrito com o ar de fora do carro é maior,fazendo o motor trabalhar mais para se deslocar,gerando um gasto maior de combustível,então qd vc mantém as portas do carro fechadas ao usar o ar-condicionado esse atrito diminui poupando o motor,no caso o gasto que vc teria a mais pelo ar,é recuperado com menos atrito do motor.
    Parabéns,esses spams realmente incomodam bastante,e o pior é ter que avisar todos os amigos que vc não quer receber isso…

  16. Igor Santos disse:

    Marcos, eu soube desse teste também, mas ele foi feito em “condições ideais”.
    O carro estava se deslocando a uma velocidade constante de 80km/h e, quanto maior a velocidade, maiores as perdas por atrito.
    Onde nas nossas ruas e avenidas nós temos oportunidade de andar a oitentinha cravados?
    Obrigado pelo comentário.

  17. Marcos Rodrigues Pinto disse:

    Achei este blog justamente quando estava procurando informações sobre o benzeno. A minha dica é olhar em sites oficiais do Governo e das ONGs. No Brasil temos a ANVISA, a CIPA, a CETESB, o Ministério da Saúde, o CONAMA. Nos Estados Unidos, tem-se a EPA. No mais, a única certeza é a morte, mas, morrer não é tão ruím quanto passar pela vida em lamentável sofrimento ocasionados por determinadas doenças.

  18. Sanos disse:

    Quando se circula com os vidros abertos consome-se mais combustível, dito por técnicos.

  19. Aline disse:

    Adorei… acabei de receber esse email sobre o ar condicionado e o benzeno… como não acredito em tudo que leio, pesquisei na net e achei seu blog… Muito interessante… agora possa tirar as conclusões… Valeu !

  20. Alexandre disse:

    É, o e-mail continua a circular e já tem mais de dois anos!!

  21. JOTA disse:

    Como mora no interior do interior do interior do RS, chegou somente hj pra mim… como químico, balancei, mas não caí! Feitooooo

  22. Marcelo Pacheco disse:

    Ao autor: Manter as janelas abertas com o veículo em movimento NÃO ECONOMIZA COMBUSTÍVEL. Muito pelo contrário, pois o ar que entra no carro pelas janelas abertas faz uma FORÇA CONTRÁRIA ao movimento, fazendo com que o motor tenha uma quantidade de combustível de 8% A MAIS. Isso se chama arrasto aerodinâmico. Saiba mais dessa dicas em: http://www.noticiasautomotivas.com.br/hypermiling-a-tecnica-de-economizar-combustivel-de-qualquer-jeito-possivel/

    • Igor Santos disse:

      Marcelo, o arrasto depende da velocidade. Se você está dirigindo no trânsito da cidade, dificilmente vai atingir uma velocidade onde isso faça diferença.

  23. Alex Cruz disse:

    Não entendo de química, mas tenho alguma experiência em ceticismo e uma mania persistente de vasculhar aquilo que sei para encontrar pistas sobre aquilo que quero saber. É apenas com isso que vou arriscar um palpite:

    Existem agências reguladoras, como a FDA, americana; a ANVISA, brasileira, e outras tantas europeias. A FDA tem regulamentações precisas com relação ao uso de polímeros plásticos na embalagem de alimentos que vão ao forno com alguma parte de seu invólucro, pois há plásticos que, quando aquecidos, podem sim liberar substâncias tóxicas nocivas, se ingeridas por via oral. Se as vias aéreas podem absorver o benzeno ou outras substâncias tóxicas emanadas pelo plástico aquecido, eu realmente não sei.

    Mas eu vi que, curiosamente, o autor do texto em questão foi categórico ao afirmar que respirar o ar aquecido de dentro de um carro pode causar câncer pela ingestão de benzeno e acho que, para dizer isso, seria preciso ter, pelo menos, um pouco de trabalho: medir a quantidade de benzeno encontrada por centímetro cúbico de ar, calcular que quantidade de ar contaminado será inspirada por um ser humano médio, determinar quanto do benzeno presente nesse ar seria efetivamente absorvido pelos pulmões (provavelmente com testes de laboratório em animais), comparar essa quantidade com o nível de benzeno por quilograma de massa corporal que é considerado perigoso para o ser humano e só então afirmar que, sim, respirar este ar pode causar câncer. Para mim isso parece ser um trabalho bastante meticuloso, que exige tempo e equipamentos razoavelmente sofisticados, além de ser obra digna de figurar como artigo em um periódico científico indexado. Tal publicação seria a precursora de novas regulamentações para a indústria automotiva nos EUA e na Europa (copiada pelo Brasil talvez uns 10 anos depois). Além disso, seu autor seria aplaudido (dizem que alguns cientistas gostam disso), grandes jornais publicariam o alerta de utilidade pública, governos teriam interesse me difundir a notícia para diminuir a demanda por tratamentos contra o câncer em seus sistemas de saúde.

    Entretanto essa notícia nos foi divulgada por quem? Um bom samaritano anônimo. E não em periódicos científicos indexados, não em grandes jornais, não em um pronunciamento oficial do ministro da saúde, mas em mais uma das inúmeras postagens de corrente nas redes sociais (aliás a mesma que eu já havia recebido por e-mail uns dois anos atrás). Acho que isso levanta algumas hipóteses interessantes das quais vou elencar três:

    1) Estamos diante de um aviso real de um(a) pesquisador(a) real, com acesso a um laboratório e a equipamentos precisos e reais para medição de compostos químicos no ar, que resolveu investir tempo e recursos reais para pesquisar essa questão e que quis divulgar suas descobertas anonimamente, pois ele(a) não gosta de fama.

    2) Há uma grande conspiração das indústrias automobilísticas capitalistas para esconder a verdade do público através do suborno de um sem-número de agências reguladoras, governos, periódicos e pesquisadores; pois assim elas poderão economizar algum dinheiro que a mudança dos polímeros plásticos dos seus automóveis provavelmente exigiria.

    3) Trata-se de mais uma lenda urbana da internet, com suas típicas exortações ao compartilhamento (afinal, compartilhar “pode salvar uma vida!”), que se utiliza das emoções dos internautas, especialmente o medo, para se propagar.

    Não tenho provas quanto a nenhuma delas (talvez não seja nenhuma delas!), mas estou um pouco inclinado a escolher a terceira.

    • Igor Santos disse:

      Alex, como você está familiarizado com o ceticismo, sem dúvida já ouviu a expressão “princípio da parcimônia”, mais popularmente conhecida como “navalha de Occam”, que prega que, entre várias afirmações, a que necessitar de menos elementos complexos ou sofisticados para se justificar é a mais provável de ser real.
      Da três hipóteses levantadas, a primeira desconsidera uma coisa que você citou antes; o brio do pesquisador. Por que ele espalharia um texto anonimamente? Especialmente tendo acesso a tantos equipamentos sofisticados de medição e tendo total liberdade para publicar um artigo a respeito? Mesmo que não tivesse, existe um sem-número de veículos midiáticos de vários graus de rigidez e sensacionalismo. Por que não apresentar seus dados diretamente em Ratinho ou Oprah?
      A segunda desconsidera todas as vezes em que a indústria precisou fazer mudanças por motivos de segurança. Todo carro a partir deste ano precisa ter air bag, nos anos 90 nenhum carro precisava ter retrovisor do lado do passageiro, cinto de segurança, encosto de cabeça, etc. As companhias não fazem isso porque são boazinhas ou por competição (o ser humano comum não paga mais num carro para se sentir mais seguro pois sempre acha que não precisará da segurança adicional – caso contrário, só se venderiam carros blindados), mas porque foram forçadas, de uma forma ou de outra, por agências regulatórias. Por que essa mesma conspiração não evitou a retirada das barbatanas do Cadillacs e outros carros no final dos anos 50? O acessório era extremamente popular mas agravava vários acidentes que, de outra forma, seriam leves (um colisão traseira com uma bicicleta, por exemplo, passava de um simples arranhão de pintura para um empalamento). Por que a conspiração não traz de volta para-brisas comuns ao invés do modelo antiestilhaçamento bem mais caro?
      Na falta de provas para qualquer uma, a terceira (com evidências de inúmeros outros spams do tipo, clara e facilmente desbancados) é a que introduz menos elementos novos. Portanto, deve ser considerada tentativamente como a mais provável.

  24. […] nada a ganhar com isso, assim como ninguém tem nada a ganhar inventando que carro quente produz benzeno. […]

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