“Eu não recomendo quimioterapia”

Interpretação imediata do paciente: “o médico disse que o meu câncer é tão grave que ele não quer desperdiçar recursos num caso perdido e não vai passar um tratamento que pode salvar a minha vida.”

O que o médico quis dizer: “o tumor não apresenta risco algum e não necessita de quimio, pode ficar tranquilo.”

A melhor tática que o paciente acima poderia adotar para esclarecer o mal-entendido seria perguntar “por que?”.
Talvez até um simples “hein!?” resolvesse.
Mas alguém que escuta “câncer” durante seu diagnóstico passa a ouvir todas as palavras que vêm depois como sendo ditas por um adulto do desenho de Charlie Brown.

Eu tenho pena de um profissional que precise dar uma notícia com esse peso, porque certamente vai acabar sendo apontado como culpado de alguma forma.
Especialmente se perder o paciente ou este piorar.
Porque, claro, quando melhora é “porque deus quis”.

———
Médicos: salvando vidas e aguentando abuso de pacientes desde que coprólito era mole.

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Discussão - 8 comentários

  1. Cintia disse:

    Melhor é pediatra. O pediatra, todo correto, percebe que a criança que faz febre tem uma virose simples. E não passa mil remédios.
    Os pais, que deveriam ficar aliviados com este diagnóstico, o que fazem? Vão de pronto-socorro em pronto-socorro até conseguir uma receita médica de pelo menos 5 remédios.
    É….

  2. Joey Salgado disse:

    Hehe, a verdade e nada mais que a verdade.
    E concordo plenamente com a Cintia. Certas pessoas adoram tomar um remedinho e acham pouco satisfatório quando o médico decide não prescrever. Certa feita, ouvindo a conversa dos outros (que feio…), uma mulher reclamara para a amiga que ela estava com dor e que o médico não havia lhe passado medicamento. Ela fechou o papo com o comentário: “é, porque falando que não ia me dar remédio, ele praticamente me chamou de fresca e dondoca!”
    Não é mole não…
    Inté!

  3. dra_lulu disse:

    vou te falar Igor.. é uma droga mesmo, eu lido com pctes soropositivos todos os dias.. e todos os dias alguem olha pra mim com uma cara de esperança do tipo” fulano vai se curar né?”… e o não é a única resposta. Mas sei tambem q lidar com a dor e a morte faz parte da profissão, e a minha resposta ,para mim mesma, é fazer digna e suportavel essa fase terminal dos pacientes… cuidado paliativo nao significa não-cuidado.
    mas duro mesmo é o paciente não entender o seu papel de ator principal nesse processo, entendendo que somos só coadjuvantes; quem vai possibilitar a minha ação é a atitude dele,da familia, do carinho, do afeto, da compreensao. Na nossa cultura idiotizada de negação da única certeza da vida-morrer- a luta pelo quando passa a ser mais importante do que o como… é , realmente, isso que importa.

  4. Dånut disse:

    Minha tia é um exemplo de pessoa que não aceita que o médico não passe remédio… Já deixou de ir em médico por isso (ele mandou fazer só banho de água quente e sabão pro pé dele, não lembro o que ela tinha).
    Por isso que sempre que vou no médico e ele me receita algo eu pergunto “tá, mas e esse remédio, eu preciso mesmo dele?”.
    Economizei uma boa grana nisso já…

  5. Wagner Alves disse:

    Penso que a questão na trata-se apenas de dispensar remédios ou não. Acho que as condutas devem ser claras, diretas, verdadeiras. Acredito que os pacientes devem ser conhecedores das suas condições de saúde, até porque é o principal interessado.
    Os profissionais devem apresentar alternativas e junto com seus pacientes decidir. A decisão quando é unilateral, especialmente quando é tomada pelo profissional, é uma verdadeira loteria. Se der certo, maravilha, mas, se der errado, o profissional será crucificado. Essa é a roda da vida

  6. Milton disse:

    Muito bom! Vou aproveitar para apresentar outra situação interessante sobre atendimento médico. Muitas pessoas costumam reclamar do pouco tempo que o médico fica conversando com o paciente e com alguma frequencia esse tema é abordado em programas de televisão, jornais, revistas, mesas de bar, ponto de ônibus e assim por diante.
    “Fui ao médico contei o que estava sentindo, ele me passou um monte de exames e mandou voltar na próxima semana, uma falta de consideração.”
    Alguém já ouviu essa? Eu ouvi muitas vezes.
    O que o cara quer? Um diagnóstico ou uma análise combinatória para apostar na mega sena?
    A outra reclamação é esperar muito para ser atendido. Não quer esperar para ser atendido mas quer um atendimento demorado.

  7. glenn disse:

    “desde que coprólito era mole” hahahaha
    excelente

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