Resenha – Serial Killer – Louco ou Cruel?

Olá, caros leitores. Estavam sumidos. O que aconteceu com vocês?

Que interessante! Bom, chega de falar de vocês, calem a boca e me escutem um pouco para variar. Aff…

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Na minha infinita busca por algo que me entretenha enquanto me informa, recebi (pedi, na verdade) da Ediouro o livro de Ilana Casoy sobre matadores em série e, assim que o recebi, não quis largar o pacote. Infelizmente, minha mulher é mais esperta e retirou o livro da embalagem sem que eu notasse (caixas me fascinam, sou como um gato assim) e se prestou a ler o volume antes que eu pudesse protestar.

Como eu rapidamente me ocupei com outra coisa (novamente, como um gato), ela leu e escreveu uma resenha que apresento a seguir (ela tirou o livro de mim, eu tirei a resenha que iria para o Tumblr dela. Nada mais justo).

(Nota do editor: a boneca na foto ao final do texto não é minha. Eu jamais teria uma boneca Monster High. Prefiro brincar com miniaturas.)

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Serial Killer – Louco ou Cruel?

(Ilana Casoy, 2ª Edição, Ediouro)

A brasileira Ilana Casoy se formou em administração de empresas porém acabou mergulhando no estudo da mente criminosa. Mesmo sem ter formação em Direito, Medicina ou Psicologia Forense, hoje é considerada especialista no assunto e atua como consultora da OAB/SP, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica do Hospital das Clínicas de SP, bem como auxilia diversas Polícias na elaboração de perfis de criminosos.

Serial Killer – Louco ou Cruel? é o primeiro dos quatro livros da autora e foi relançado em 2010 pela Ediouro, que teve a gentileza de nos enviar um exemplar.

Na fase introdutória, Ilana faz um resumo didático e bastante acessível ao leigo sobre as teorias que tentam explicar o que leva uma pessoa a praticar atos hediondos em série, os diferentes padrões psicológicos dos criminosos, o ciclo vicioso com que os crimes no geral se processam, a capacidade de simulação do indivíduo para “envernizar-se” e viver em sociedade sem que ninguém desconfie de seus atos e as características comuns à infância de muitos deles, bem como o fato de que eles são, em sua maioria, brancos.

Não existe uma teoria que sozinha explique satisfatoriamente as ações de um assassino em série, e é digno de nota ressaltar que a autora nem se deixou contaminar pelas teorias dos defensores da tábula rasa, tampouco por teorias de determinação genética pura e simples. Não se pode, do ponto de vista científico, afirmar que uma pessoa nasce com o destino selado porque conta com uma carga genética X pois a qualidade dos relacionamentos interpessoais e as experiências psicológicas que a pessoa acumula ao longo da vida, ainda que não necessariamente mudem sua personalidade, podem atenuar ou moldar seu caráter violento. Ela se mostra muito mais preparada do que muitos professores universitários brasileiros.

Há psicopatas que escolhem, por exemplo, cursar Medicina e se especializar em cirurgia, outros que se encaminham para os crimes de colarinho branco sem chegar perto de uma gota de sangue durante toda a vida, outros que apenas vampirizam financeiramente a família e os criminosos de diversas naturezas. Os psicopatas estão por toda parte. A menor fatia deles, felizmente, age como os que Ilana coletou em sua obra.

Muitas pessoas adeptas da crença que descarta o biológico e defende que o homem é apenas produto do seu meio esquecem que a maioria das pessoas que sofreu abuso sexual nunca se tornou molestadora de crianças ou assassina em série e esquecem o principal; que adultos psicopatas que alegam passado de abuso no geral apontam que foram molestados de modo sistemático pelo pai, pela mãe, por tios ou avós. Os abusadores do passado destes psicopatas não só doaram a sua carga genética como também acionaram o gatilho para que a infância do serial killer se transforme na perfeita incubadora para o mal latente. De um lar desestruturado para uma inadequação social é um pulo.

O livro é interessante do começo ao fim. Cinco dos dezoito assassinos seriais retratados, como Ed Gein que inspirou ‘Psicose’de Hitchcock, ganharam uma descrição bem romanesca e diferente do relato algo jornalístico dos outros casos, porém sem qualquer tipo de apelo à compaixão do leitor em favor do assassino. É preciso reforçar que embora a imputabilidade seja algo relevante durante o julgamento, o fato é que indivíduos que praticam crimes hediondos em série não podem recuperar sua liberdade, seja através da permanência em casas de custódia ou de prisão perpétua ou pena de morte, de acordo com a legislação de cada país. Aqui no Brasil ainda se consegue manter alguns indivíduos de alta periculosidade em casa de custódia, mas às custas de um trabalho silencioso pois sempre há pressão para que o indivíduo, por mais cruel que seja, ganhe liberdade.

Apesar de não ser um livro técnico (nem ter a pretensão de ser), em minha opinião é leitura obrigatória para Policiais, Promotores, Médicos, Psicólogos, Advogados e Juízes. Muitos dos erros da nossa Justiça hoje, como soltar um criminoso perigoso só porque ele tem bom comportamento na cadeia, foram cometidos no passado em outros países e resultaram na perda de vida de muitas pessoas. No emblemático caso de Arthur Shawcross, que foi solto pelo Juiz por bom comportamento mesmo diante de vários pareceres médicos desfavoráveis – o que é revoltante -, mais onze pessoas morreram.

Um pedófilo que molesta crianças pode ser um cidadão modelo, um trabalhador dedicado em sua profissão, frequentar Igreja e fazer trabalho voluntário, e na cadeia se comportar como um Lorde Inglês, porém isso não muda em nada o fato dele ser incapaz de parar de molestar crianças sempre que tiver oportunidade.

O Brasil simplesmente não consegue entender isso e a cada natal temos mais pessoas mortas, estupradas, agredidas e assaltadas por causa do indulto natalino. E como se não bastasse, ainda temos a figura legal aberrante do semi-imputável, uma piada sem nenhuma graça.

Outra lição interessante que podemos extrair dos estudos de Ilana é que algumas Polícias costumam revistar a casa e fazer alguma devassa nos antecedentes dos assassinos quando estes são presos por crimes banais. Muitos sociopatas criminosos em série foram pegos assim, após furtarem uma conveniência saindo sem pagar ou fraudarem cartão de crédito, pois são mais cuidadosos quanto mais grave é a ofensa. Isso deveria ser rotina no Brasil. Quantos assassinos e estupradores entraram na cadeia por um crime bobo e saíram em poucos meses?

Todo mundo mente. E quando essa pessoa é um assassino em série essa regra é ainda mais forte. Médicos são educados sem capacitação para diagnosticar simulação e essa capacidade só vem com a prática que leva à busca de dados extra-médicos, de evidências circunstanciais que apoiem o raciocínio médico. A qualidade da Assistência Técnica ao Juiz foi bem ilustrada no caso de Dennis Andrew Nilsen, o serial killer ‘carente’. Os dois médicos que o avaliaram criaram uma série de teorias mirabolantes totalmente desconectadas dos fatos já documentados à época e enquanto eu lia as ideias dos colegas quase arranhei meu próprio rosto pensando que o criminoso havia se safado. Andrew trabalhava todos os dias em dois expedientes, mantinha rotina regular, cuidava de um animal doméstico e descreveu detalhadamente todos os seus crimes e mesmo assim um dos psiquiatras afirmou que ele teria “brancos” ocasionais como se fosse uma esquizofrenia que vai e volta, sugerindo imputabilidade! O terceiro parecer, que foi emitido por um Médico Legista, concluiu que o criminoso era um exímio manipulador.

Muitos dos dados de entrevistas acerca da infância dos criminosos não resistem a um detalhamento mais técnico, bem como as alegações das suas motivação para os crimes. Uma assassina em série que escolheu matar homens de meia idade foi mudando sua versão da história calculando os riscos, porém quando estava no corredor da morte disse que estava cansada das mentiras e confessou mais um crime, para o qual não havia sido julgada.

As mulheres são minoria entre os assassinos em série. A autora mostra a lista de mulheres executadas nos EUA desde 1976 e a das que estavam no corredor da morte até 2007. Além disso, ela também inclui um apêndice com alguns nomes apelidos de criminosos de todo o mundo e algumas frases famosas.

E, como ‘faixa bônus’, Ilana coloca o famoso caso do ‘Zodíaco’, sem resolução até hoje e que inspirou filmes, livros e seriados.

Recomendo a leitura.

Agora me responda: você é a favor da pena de morte? Por quê?

Não tem opinião formada? Sugiro que para ilustrar seu brainstorm leia os casos de Andrei Chikatilo e de Edmund Emil Kemper III.

Abraço,

M.

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Serial Killer – Louco ou Cruel?, de Ilana Casoy, pode ser adquirido diretamente na página da Ediouro ou, se você é do tipo que ainda sai de casa, em livrarias.

Até mais. E não sumam novamente.

Resenha – E Se?

“É provável que bifes sobrevivam ao romper a barreira do som. Se o bife estivesse só parcialmente congelado, ele iria se estilhaçar muito fácil. Contudo, se ele aterrissar na água, na lama ou em folhas, talvez fique ok.[1]

Plasma incandescente, petabits por segundo, gotas de chuva de um quilômetro de diâmetro, escala Richter negativa, cozimento gravitacional, quantos mortos existem no Facebook, o sinal UAU! e um secador de cabelos indestrutível. Este livro é, sem sombra de dúvidas, o meu filão.

Sem se manter numa mesma linha de raciocínio por mais de dois parágrafos, Randall Munroe, autor do sempre (estatisticamente) excelente XKCD, responde perguntas hipotéticas (e algumas aparentemente nem tanto) de seus leitores com um rigor científico encontrado apenas nas mais bem conceituadas instituições de publicação de webcomics. Afinal, apesar de ser roboticista, Randall é um cartunista humorista (ou “roboticisto”, “cartunisto” e “humoristo”, como o jornalisto Jô Soares acredita ser correto).

Foto do autor

Foto do autor

Um dos melhores capítulos é o que fala sobre o que aconteceria com a órbita terrestre se todas as pessoas se juntassem num mesmo lugar e pulassem ao mesmo tempo. E não digo isso porque o Scienceblogs é citado (é a matriz, afinal, mas está valendo) mas pela reviravolta épica que me pegou de surpresa. Pensamento lateral daqueles que caem para fora da página. E ainda me lembrou um texto épico meu.

Um livro extremamente divertido, fácil de ler (para mim foram três ou quatro horas de pura empolgação) e de acompanhar (as contas mais pesadas ele guarda para si e não “mostra o trabalho”, só dá a resposta). Divulgação científica de primeira com inúmeras piadinhas discretas espalhadas por todo lugar (incluindo no verso da folha de rosto que, quando trabalhei num jornal, chamavam de “serviço”) que certamente causarão gargalhadas em quem as encontrar dentre as 300 e poucas paginas.

Eu achei muito erro de tradução[2] e até alguns de gramática (e uns mistos, como muito uso de vírgula que sobrou do original mesmo não existindo em português). Mas não acho que a maioria das pessoas realize ou se incomode, com essas coisas.

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A minha cópia é da primeira edição e tem uma diagramação esquisita no inicio, onde um mapa com os oceanos do mundo esvaziados ficou praticamente sem África e Europa, que se perderam dentro da lombada. Mas, como sou gente boa, eis aqui o desenho original.

Em E Se?, lançado aqui pela Companhia das Letras, você também vai descobrir uma nova solução para a máxima do copo meio vazio, quanto custaria morrer num quebra-molas e, com a ajuda de girafas empilhadas, como uma criança de cinco anos pode destruir a lógica de um físico e a força de um arremessador profissional.

Minha cópia me foi enviada pela editora, mas é o tipo de livro que eu compraria sem hesitar. Recomendo fortemente para você que lê o 42. e não volta para casa com confusão mental. E, se você é fã do XKCD, nem sei porquê está lendo isto.

Ah, e para quem estiver lendo isto a tempo e precisar saber até sexta-feira:

Sweet.

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[1] Intacto, no caso. Não ok para comer.

[2] Porém, preciso parabenizar o tradutor que teve a ideia de traduzir “flyover state” para “estado janelinha”. A melhor manobra tradução que vi desde que “blaster” virou “explosor” nos anos 70.

Resenha – Raízes do Brasil

“A falta de coesão em nossa vida social não representa um fenômeno moderno. E é por isso que erram profundamente aqueles que imaginam na volta à tradição, a certa tradição, a única defesa possível contra nossa desordem.”

Lançado seis anos antes de Formação do Brasil Contemporâneo, este livro é uma das bases para a compreensão do nosso país. De onde veio? O que come? Como sobrevive?

O historiador Sérgio Buarque de Holanda descreve a situação que nos criou; da falta de hierarquia e “frouxidão da estrutura social” até a formação e longevidade das oligarquias que conhecemos muito bem hoje.

Os problemas, que começaram em Portugal mas que hoje já são bem nossos, explicam muito sobre nossa herança social e o motivo por sermos tão diferentes de países com a mesma idade do nosso (Estados Unidos) e até consideravelmente mais jovens (Austrália).

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O volume mostra um pouco como a nossa escravidão (que acompanhou a plantação de cana-de-açúcar que foi escolhida porque tínhamos espaço demais para aproveitar) moldou os rumos das relações entre populações urbanas e rurais séculos depois e detalha as diferenças das mentalidades das maiores potências da época (Portugal e Espanha) e como isso dificultou a formação de uma personalidade brasileira.

[O] aparente triunfo de um princípio jamais significou no Brasil mais do que o triunfo de um personalismo sobre o outro.

É um livro fascinante realmente. Eu pensei em incluir algumas frases excepcionais mas percebi que estava sublinhando o livro inteiro. Qualquer página onde o livro for aberto vai ter uma excelente frase que é tão verdade hoje quanto era oitenta anos atrás.

Começa meio lento por causa da linguagem mas rapidamente você se acostuma com o passo e o mundo se abre ao seu redor. É um livro razoavelmente curto (cento e cinquenta páginas de texto propriamente holandiano) com uma leitura agradável.

“É inegável que em nossa vida política o personalismo pode ser em muitos casos uma força positiva e que ao seu lado os lemas da democracia liberal parecem conceitos puramente ornamentais ou declamatórios, sem raízes fundas na realidade.”

Raízes do Brasil, de Sérgio Buarque de Holanda, relançado pela Companhia das Letras (com Abaporu virado pro lado errado na capa) e a venda em casas do ramo. Recomendo (especialmente para mostrar, ao contrário do que a escola nos ensina, que História pode ser interessante).

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A frase que abre esta resenha e demonstra a ideia nada nova e apropriadamente ultrapassada de que “antigamente era melhor” se torna um tanto quanto comicamente irônica ao longo do livro, salpicado de citações não-traduzidas em francês, espanhol, italiano e, a mais esquisita, uma em latim retirada de um livro em alemão.

É bem estabelecido que “hoje” é sempre a melhor época para se viver, independente de quando esse “hoje” se encontre, mas parece que antigamente o pessoal era mais poliglota.

Resenha – Formação do Brasil Contemporâneo

“Salvo em alguns setores do país, ainda conservam nossas relações sociais, em particular as de classe, um acentuado cunho colonial. (…) Quem percorre o Brasil de hoje fica muitas vezes surpreendido com aspectos que se imagina existirem nos nossos dias unicamente em livros de história.”

Surpreendentemente (ou não), as palavras acima foram publicadas pela primeira vez 72 anos atrás. Caio Prado Jr. descreveu, em 1942, um Brasil que parece recém saído da situação de colônia escravista, onde o trabalho livre ainda é desorganizado, a economia interna ainda é quase inexistente e a sociedade ainda não aprendeu a lidar com a falta de escravos sociais. Isso tudo, tristemente, continua desconfortavelmente atual hoje em dia, quase duzentos anos depois do nosso “grito de independência”.

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Formação do Brasil Contemporâneo foi o livro que mais contribuiu para o autoconhecimento do nosso país, até então dividido em ilhas de informações com intercomunicação inadequada. Ele investiga esmiuçadamente a realidade do país desde que éramos colônia portuguesa até a entitulada formação do Brasil como nação.

A forma como ele expõe os problemas atuais (sim, a maioria continua bem fresca, mostrando como evoluímos muito pouco nos últimos dois séculos) e suas causas no passado nos ajuda a compreender o contexto para o resto do livro e nos dá os fundamentos do que ele pensa ser a melhor forma de resolver nosso ranço colonial, que serviu para nos distanciar do resto do mundo, e que nos desviou para o lado errado da evolução social.

Caio Prado Jr. deixa bem claro que fomos colonizados somente para facilitar os interesses mercantilistas, transformando o país num imenso galpão fornecedor de riquezas para os outros e que isso nos afeta até hoje (1942 para ele, 2014 para nós). Por estarmos na zona tropical, nossa sociedade foi inventada, diferente da tradicional sociedade colonial temperada, parecida o suficiente com a colonizadora a ponto de ser quase uma extensão desta. Aqui fomos diferentes desde o primeiro dia. A ocupação do interior, por exemplo, foi apenas uma necessidade num mundo sedento por monoculturas, tanto agrícolas quanto pecuárias.

Ele fala também sobre as raças no Brasil, reclamando da falta de análise sistemática que “[f]ornece por isso ainda muito poucos elementos para a explicação de fatos históricos gerais, e temos por isso de nos contentar aqui no estudo da composição étnica do Brasil, em tomar as três raças como elementos irredutíveis, considerar cada qual unicamente na sua totalidade“. Especialmente na homogeneização dos escravos, provenientes de várias culturas distintas que foram forçados a conviver sob o peso dos grilhões pelos brancos, geralmente católicos.

Outra parte interessante é quando ele discorre sobre a criação disforme da nossa sociedade, antes baseada no mercantilismo e escravidão, que precisa agora crescer, de alguma forma, num mundo onde existe liberdade social e econômica. Esse monstro que se forma dessa situação cria a nossa sociedade com imensas fendas entre os abastados, que podem ter tudo do bom e do melhor que a Europa pode oferecer, e os desafortunados, impedidos de possuir.

Isso lembra alguma coisa?

Da colonização e povoamento, passando por economia e comércio e findando em (literalmente, sendo a última parte do livro) vida social e política, uma excelente leitura; didática e intrigante. Certamente, este é um dos livros que sempre quis ler mas me faltava oportunidade.

O volume acaba com uma entrevista sobre a importância histórica de Formação do Brasil Contemporâneo com o historiador Fernando Novais, seguida por um posfácio de Bernardo Ricupero.

O livro é muito bom para nos fazer enxergar como nossa sociedade mudou muito pouco nestas últimas oito ou doze décadas e que algumas soluções que poderiam ter sido postas em prática antes ainda têm seu lugar hoje em dia.

Recomendo para aqueles que gostam de aprender de onde vieram e, tudo coninuando da mesma forma, para onde irão. Talvez marxista demais para a maioria dos gostos, mas objetivo em suas descrições.

A bibliografia me deixou um pouco nervoso. É muita coisa interessante e muito pouco tempo para ler (ou até achar) tudo.

E, como bem lembrou minha esposa, Caio Prado Jr., Darcy Ribeiro (O Povo Brasileiro – também na Companhia das Letras) e Gilberto Freyre (Casa Grande & Senzala) são os três autores indispensáveis para aqueles que querem entender melhor do Brasil. Por favor, se você gostar de um, leia-os todos.

Formação do Brasil Contemporâneo, de Caio Prado Jr., relançado pela Companhia das Letras e disponível em livro eletrônico ou arbóreo.

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Resenha atrasadíssima. Mas a culpa não é minha, afinal não posso ser responsabilizado pelas coisas que a procrastinação me força a fazer. Ou não fazer, como seja.

Aguardem mais resenhas de volumes da Companhia das Letras nos próximos meses. Fizemos uma parceria.

2012 no 42. em uma imagem que vale, literalmente, mil palavras

Clique na imagem para explorá-la.

Coletânea compilada

Eu lembro de ter prometido cinco textos para “semana que vem”. Sorte minha não ter especificado quando ela viria.

Mas chegou. E para comemorar, vou jogar um artigo extra no final somente para vocês, minha audiência favorita.

Tentem descobrir onde está o bônus!

Leiam sobre a constatação irrefutável do dia em que me tornei velho: O pouco que sobra é branco;

Em seguida, uma relevante dúvida gramatico-evolutiva: Evolução;

Na sequência, a dificuldade da escolha representada por um quadrado de farinha cozida: Cream cracker;

Continuando, a famosa noite em que duas das maiores bandas de todos os tempos se apresentaram na minha cidade: Beatles e Pink Floyd farão um show juntos em Natal!;

Seguindo em frente, um causo que abre as portas e revela segredos do templo hidráulico masculino: Hipnose telefônica;

Desenvolvendo o assunto, o fim dos tempos está próximo. E todos poderão assistí-lo pela Internet: Mundo devasso;

E, finalmente, movido por um dia particularmente doloroso, este autor de não-ficção cria publica seu primeiro um de seus contos: Politicamente correto.

Eu notei da última vez que o primeiro link foi clicado 23% mais que os outros. Lembrem-se: eu recomendo a leitura de um por dia. Tentar ler todos ao mesmo tempo causa preguiça irremediável.

Divirtam-se.

Coletânea totalmente ótima e completamente cronológica para comemorar a décima nona semana do ano

(Alguém mais pensa em “décima nona” como a avó da trisavó da tatataravó da sua bisavó? Desde que sua mãe tenha pelo menos um neto, obviamente.)

Sabe aquela sensação que dá quando você sabe que seu (sua) interlocutor(a) já está ciente de um certo dado mas mesmo sua certeza sendo absoluta seu instinto de jogador fica enchendo seu saco insistindo que você forneça a informação que você tem certeza que seu (sua) parceiro(a) de conversa já possui porque só ganha quem joga e não custa dizer porque no máximo você vai causar um momento de desconforto muito pequeno em comparação à recompensa que receberá caso seu (sua) ouvinte/leitor(a) não possua aquele particular pedaço de conhecimento em seu repertório apesar de você estar positivamente convicto que ele(a) já sabe e pra quê então causar constrangimento em todas as partes envolvidas quando ficar calado é mais fácil e gasta menos energia mas o que custa simplesmente chegar e dizer como quem não quer nada apesar de isso talvez parece que você está subestimando seu amigo(a)/leitor(a) apesar do detrimento que ele(a) poderia sofrer caso fique sem aquela notícia não é verdade?

Sabe qualé? Apois.

Vocês, pessoas que me leem e que são queridas por mim o bastante a ponto de eu continuar escrevendo aqui com incerta frequência somente para seus olhos que tanto me atraem, já devem saber que eu tenho mais ou menos uma dúzia de blogues dos quais só três realmente valem a pena ser lidos sendo um deles interessante somente para natalenses e demais moradores desta minha querida e perpetuamente morna cidade ensolarada, mas como venho escrevendo há mais de dois anos e meu melhor material é, como não poderia deixar de ser, o mais antigo e nada há de mais chato que ficar clicando em “previous” para ver várias páginas de conversas já lidas para só depois da nongentésima clicada aparecer alguma coisa inédita, resolvi compilar aqui os artigos do blogue pai deste que unilateral e unanimamente escolhi como possivelmente melhores (considerando os elogios de meu pai e minha mãe na conta).

Confusos? Bem-vindos ao meu mundo nas últimas semanas…

São dez textos no total. Cinco hoje e cinco semana que vem (talvez, se eu ainda estiver ocupado demais com a manutenção do meu ego para produzir algo novo), para quem quiser ler um por dia e fingir que eu estou escrevendo.

O primeiro, com quase dois anos já, é sobre meu encontro com o sobrenatural enquanto tentava, ao mesmo tempo, dormir e combater os efeitos da cafeína e de um dia estressante: Sono pesado;

Parte do meu trabalho é ser tapa-buraco. Quando é dentro do cartório eu não me importo muito, mas vez por outra exageram e me levam para fazer trabalhos para os quais não tenho a menor qualificação: Desperdício;

Em seguida, ainda em 2008 mas já em setembro, descrevi uma alucinação tátil que, como todo estado alterado de consciência que se preze, me parecia (e ainda parece) real como esses elfos azuis ao meu lado: Microalucinações;

Em um texto da série Igor Em Busca do Conhecimento, dei rapidamente vazão à minha frustração ao não conseguir uma explicação satisfatória e mudei completamente o escopo da matéria passando a relatar algo ligeiramente, mas não completamente, relacioando ao tópico original: Do suor feminino;

Finalizando por hoje, um texto muito especial para mim, pois foi escrito no dia vinte de novembro de 2008, o dia em que, pela primeira vez, fui comparado a Douglas Adams pelo texto que havia escrito naquele dia e que agora incluo nesta lista: Carros voadores do futuro.

Antes que eu comece outra diatribe (que meu dicionário diz ser sinônimo de “desinteligência”. Estranho…), vou parar por aqui esperando não ter constrangido nem subestimado qualquer um de vocês, pessoas tão agradáveis que nunca conheci pessoalmente e que raramente comentam aqui mas sempre compartilham mesmo que distantemente e em silêncio da minha paranóica bipolaridade esquizofrênica.

Tá bom, parei.

Agradecimentos não só especiais como semi-inesquecíveis, inestimáveis e praticamente inefáveis a Maria Guimarães e seus colegas de redação na revista Pesquisa Fapesp Dinorah, Ricardo, Marcos e, via telefone, a correspondente/revisora Margô, que ficaram até tarde da noite me ajudando com a gramática deste texto (que vocês podem notar está perfeita do meio pro fim, que foi onde começou a conferência).

Minhas previsões para 2010

Eu sofro de apneia do sono tão intensa que tenho episódios até quando estou acordado. Sempre que isso acontece enquanto estou na rua, eu desmaio um pouquinho, ainda em pé, e tenho visões do futuro.
Hoje eu resolvi transcrever minhas previsões alucinatórias movidas a roncos e engasgos separando-as por assuntos.
Sem mais delongas, aqui estão as coisas que eu sei que vão acontecer em 2010 EC:
Mortes
Começando pelo tópico favorito de todos (não se enganem, todo mundo sabe o quão mórbidos vocês são), as pessoas que vão morrer em 2010 são:
Hugh Hefner (em setembro), Stephen Hawking (até maio), Stephen King (no dia seguinte), James Randi (dia 31 de dezembro, 23:56 GMT), Faustão (meu álibi já está sendo preparado, não se preocupem) e um atleta internacionalmente famoso (o único esportista que eu conheço por nome é Pelé, mas como ele só vai morrer em 2013 vou ficar devendo, mas quando a pessoa em questão bater as botas vocês vão lembrar da minha previsão e preencher essa lacuna).
Milhares de pessoas vão matar outras milhares em uma ou mais guerras motivadas por assuntos de suma importância, como qual entidade fictícia deve ser temida com mais força.
Ou ordens. Porque seguir ordens cegamente é a base da democracia.
Um blogueiro famoso (na blogosfera, não na vida real) vai sofrer um acidente grave e correr risco de morte. Após um tempo de recuperação, passará a correr risco de vida.
Eric Drexler vai morrer num bizarro acidente envolvendo gosma cinzenta (enquanto preparava uma massa para empanar e fritar camarões, misturando, displicentemente, farinha com fermento vencida, bicarbonato de sódio e cerveja ao lado de uma auto-clave) e Charles de Windsor vai dizer “não disse?”.
Falando nisso, em 2010, na categoria Tecnologia:
Células-solares e microprocessadores vão ficar mais eficientes, mas não muito. Uns mais, outros menos.
Um novo tipo de malha vai surgir da mescla de duas tecnologias têxteis com a promessa de manter o usuário seco e limpo por mais tempo. Trolls de Internet vão aplaudir a vinda das novas fraldas geriátricas com capacidade extra.
Um inventor no hemisfério norte criará um método para se fazer papel com fuligem e cinzas de cigarro, mas não terá como patentear sua invenção devido à falta de dinheiro causada pelo caríssimo tratamento contra câncer de garganta que já o acomete mas do qual ele ainda é ignorante.
Sua esposa eventualmente irá casar com um especulador da bolsa que achará os planos e os venderá para a Faber Castell, que os perderá num treinamento de evacuação de emergência.
Um cachorro de duas cabeças será clonado. Só não se sabe a partir de que outro bicho.
Já na categoria Ciências:
A Nature vai publicar um artigo (que será capa) controverso que será contestado e desprovado ainda em 2010.
Sobre células-tronco.
A Science vai evitar dar a capa e depois da refutação vai dizer que “já sabia”.
Uma nova espécia de inseto vai ser descoberta e vinte e sete vão desaparecer para sempre, incluindo aquela que acabou de se descoberta.
O mesmo acontecerá com aves, mas não tenho os números aqui comigo.
Venenos mais eficientes serão produzidos para exterminar coelhos, esquilos, toupeiras, cobras, corvos, ratos e outras pragas em plantações, antes que eles tenham chance de entrar nos campos, acabando de uma vez por todas com aquele gosto de sangue que acompanha a colheita de hortaliças vendidas como “orgânicas” da qual vegetarianos têm tanto orgulho pois não estão matando animais para servir de alimento quando comem suas cenouras caríssimas.
O termo “orgânico” vai perder todo e qualquer sentido por simples mal uso.
Uma nova constante física será proposta ainda no primeiro bimestre, mas será refutada até o fim do ano, tendo em vista que “zero” já é um nome razoavelmente bem estabelecido e vastamente conhecido internacionalmente e mudar seu nome para Constante de Keppe somente confundiria as coisas.
Falando em Keppe, entramos na última categoria deste texto, Misticismo:
Alguém vai lembrar de você no dia do seu aniversário e isso fará toda a diferença na vida de outrem.
Uma tia sua vai dizer que estava pensando em Faustão na hora em que ele morreu e que isso nada mais pode significar senão que ela prevê o futuro, o que apenas confirmará meus próprios poderes de clarividência, aqui expostos.
Eu vou continuar recebendo emails de pessoas inocentes que foram enganadas e acreditam que auto-hemoterapia serve para algo mais que causar dor ao furar dois pontos do corpo com apenas uma agulha (e cujo melhor argumento de eficácia que me foi apresentado até agora é a frase “também usam nos EUA“).
E emails de crentes anticiências demonstrando como eu sou ingênuo por não acreditar que meu próprio sangue é a cura para todas as doenças que eu virei a ter, porque eu vou precisar desse tratamento milagroso depois que eles me pegarem, porque além de defender uma terapia inútil essas pessoas também gostam de ameaçar a minha saúde.
Um conhecido seu vai contar uma estória comovente sobre como um sujeito qualquer que ele conhece é sensitivo e, do nada, ligou para uma amiga (cujo pai tinha acabado de morrer, cujo filho ia mal na escola, cuja mãe estava doente, cujo carro havia sido roubado na manhã anterior) exatamente no momento em que ela estava triste e como isso prova o quão sensitivo ele é.
Charlatões sem escrúpulos continuarão se aproveitando de pessoas sem instrução e processando por calúnia qualquer um que ouse apresentá-los como os enganadores que eles são, pois apesar de certas coisas serem claras e aparentes, a lei exige documentos por escrito. Menos quando estes são emails me ameaçando.
Algum imbecil que apareceu na TV dizendo mais ou menos as mesmas coisas que eu disse aqui vai voltar para mostrar como estava certo quanto ao atleta morto.
E esquecer que esteve errado por toda sua vida até então.
Cartomantes e adivinhos continuarão cobrando caríssimo por “leituras” com resultados bastante específicos como “eu vejo um rapaz moreno na sua vida” ou “uma chave tem importância para você“.
E eu continuarei esbravejando de graça enquanto tento dispersar um pouco de conhecimento pelos tubos internéticos.
O que eu queria mesmo que acontecesse era o fim do mundo. Mas acho que vamos ter que sofrer mais um tempinho (pelo menos mais um ano).
Essas são minhas previsões para o ciclo que inicia arbitrariamente daqui a nove dias.
Nove, eu digo!

Resumo OS X

Fim-de-semana.
Eu não escrevo nos fins-de-semana, mas tem gente que vem aqui dar uma lidinha no que eu disse durante a semana.
Para tais indivíduos, eu faço compilações (é nessa hora que vocês se sentem apreciados e ruborizam por eu lhes dar atenção)!
Sem mais delongas (fora essa última frase, esta aqui e a próxima), vamos aos links.
Começando pelo começo, a antologia completa desse arrumado:
Primeira tentativa – ressaca, lápis, terremoto e fotos;
Segundo round – música, polêmica, luz e coincidências;
Terceiro reich – mosquitos, formigas, sabão e atração;
Quarto movimento – nomes, vidência, jogatina e alucinações;
Quinto colocado – sonar, álcool, relógios e trens.
Agora, os “novos”:
O peso (e as medidas) das coisas;
Decapodes ajudando a produzir o próprio habitat (fez sentido na minha cabeça…);
Divulgação nem sempre é uma coisa boa (ou pelo menos nem sempre é bem feita);
Como fazer uma professora de primário tremer (sem precisar sacudir mecanicamente);
Água suja, desmatamento, colonização, idiotas e seus filmes (é sobre o meio-ambiente não, podem ler sem abuso);
Da umidade da legislação (e da aferição de medidores);
E por enquanto é isso aí mesmo…
Posso escrever muito não e já me alcancei.
Acho que outro apanhado destes só ano que vem.

Resumo XP

Outro sábado, outro apanhado de artigos meus para quem passa por aqui pelas manhãs dos fins-de-semana pois tem mais o que fazer da vida durante o expediente.
Quem ainda não viu, tem mais um aqui, outro atrás deste link, mais um nesse canto e o último antes deste último pode ser encontrado no primeiro “último”.
Cliquem nas palavras sublinhadas e divirtam-se.
Minha produção foi drasticamente reduzida por vários motivos, mas mesmo assim eu ainda escrevi bastante.
Por exemplo: descrevi minha mulher ideal (e acabei achando!);
publiquei um trabalho (escrito por mim) que talvez comprometa a carreira de uma aspirante a médica (caso o professor dela esteja por aí verificando fontes);
expliquei como funciona um ultrassom enquanto me preparava para ter um feito em mim (não estou grávido, ainda bem);
aproveitei uma entrada num blogue dum amigo meu para me retratar de mentiras que espalhei sobre mamíferos peçonhentos (e cometi um erro matemático que ninguém notou mas ainda está lá para quem quiser apontar);
tirei a graça de alguns adágios quasifamosos (apesar de sempre achar que todos eles jamais foram engraçados);
expus meu próprio roubo de dois artigos excelentes sobre legislação de remédios e alimentos;
falei um pouquinho sobre álcool e joguei umas charadas no meio (para desviar a atenção do assunto real: densidade);
compartilhei com meus leitores a melhor maneira de acertar seus Medidores de Passado;
dei algumas razões práticas para a diminuição da minha pegada carbônica (e um mapa para a minha casa, para os que estão prestando atenção);
também inclui instruções de como construir ferrovias internacionais sem o uso de energia (nas ferrovias, não nas construções).
Escrevi mais que isso, mas preciso deixar alguma coisa para o próximo fim-de-semana.
Vão clicando aí no Calendário ali em cima, nas Etiquetas lá embaixo, nas Categorias aqui ao lado, para coisas minhas, ou nos links Nacionais e Internacionais para ver coisas de outros.
Quem quiser me conhecer, clique aqui ou no meu nome aqui no lado direito (abaixo de Autor).
E comentem. Preciso saber se tem alguém gostando (senão eu choro).
Para os que ainda não sabem, cada linha sublinhada dessas aí em cima é clicável, com uma ligação que leva para outra página, com o artigo indicado.
Não vão embora, eu sei fazer uma massagem Ótima!
Até a próxima!
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Esta obra de Igor Santos é licenciada sob Creative Commons by-nc-sa.

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