Heurística em uma simples lição

A grosso modo, dá-se o nome “heurística” ao processo de busca da verdade por intuição ou experiência.

Simplificando ainda mais: heurística é um “atalho mental” que nós usamos para chegar rapidamente a uma conclusão de maneira que esta esteja o mais perto possível da “verdade”, porém nem sempre com êxito.

Um exemplo interessante, vindo da Universidade da Pensilvânia, nos diz que temos uma tendência a estimar o peso das pessoas de acordo com suas larguras, independente da altura dos indivíduos. Via de regra, o mais gordo é o mais pesado (esse é o atalho mental), no entanto, um baixinho gordinho pode pesar bem menos que um gigante esbelto, apesar disso (em acordo com a nossa experiência) ser mais raro.

Mas esse mesmo erro de conceito (e uma certa incapacidade de adicionar muitas coisas ao mesmo tempo) nos faz achar que várias pequenas porções de um alimento fornecem menos calorias que uma só porção grande, mesmo quando o pedaço maior é, de fato, menor que a soma dos pedaços menores (em outras palavras, achamos que um bife de 300g tem mais calorias que um bife de 500g cortado em vinte pedacinhos porque somos ruins de conta), o que nos faz comer, sem culpa, um pacote de 200g inteiro de Fandangos Eco enquanto torcemos nosso nariz dietético para uma batata assada de 150g.

Heurística nos faz chegar a conclusões que estão mais ou menos certas no menor tempo possível. Evolutivamente isso faz sentido, já que não é tão vantajoso ficar muito tempo ponderando se aquilo é mesmo um tigre dente-de-sabre.

Dessa maneira, podemos ver as fotos a seguir e dar valores diferentes ao que é, basicamente, a mesma coisa. Notem:

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bebe fofinho com chapéu de pele

A reação comum à foto acima é: “Ooommmm, que fofinho, o bebezinho com um chapéu de pele”.

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garota fofinha com chapéu de furão

Temos aqui uma reação parecida, mas o conjunto já não é tão fofo assim porque o bicho ainda está vivo e, potencialmente, pode machucar a garotinha. Existe uma reserva maior, caracterizada por um “om” menor e menos efusivo e por pausas de tensão entre as frases: “Oomm, que linda… fazendo o furão de chapéu…”

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sujeito bizarro com chapéu de pele

Aqui, novamente, exatamente a mesma coisa, porém agora se trata de um adulto. Já sem expressões de fofura, lemos a foto como: “Hum…” e evitamos contato visual enquanto atravessamos para o outro lado da rua.

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velhote bizarro com chapéu de raposa

Mesmíssima situação, mas agora evitamos contato visual com a raposa morta e temos um: “Credo, que velho macabro!”

A próxima foto pode ser bastante perturbadora para alguns. Por favor, exerçam discrição ao contemplá-la.

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Esta obra de Igor Santos é licenciada sob Creative Commons by-nc-sa.

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