“Onde eu vou usar isso na minha vida?”

Durante minha vida acadêmica eu testemunhei em várias oportunidades alguns dos meus colegas reclamando das informações que recebiam dos professores, acusados de ensinar muita coisa desnecessária.

Preciso dizer aqui que concordo com tal observação. A escola tradicionalmente nos empurra informações que são completamente inúteis no mundo real e que em nada nos ajuda no nosso cotidiano (ou “na vida real”, como eu chamo o período de tempo que ocorre fora da Academia).

Por exemplo: quantos entre vocês sabem usar estatística? Arriscaria dizer que menos de 50% sabe usar porcentagem e menos de metade é familiar com o uso de frações.

Quanto mais eu estudava logaritmo, menos e menos eu aprendia. E também nunca precisei de matrizes para colocar um teto sobre a minha cabeça.

Quem precisou aprender sobre degradação de proteína nas aulas de Biologia ou sobre ligações iônicas nas de Química para colocar comida na mesa?

Para quê perder tempo aprendendo Física se toda a nossa informação hoje em dia vem pela Internet e TV (geralmente a cabo ou via satélite)?

Antigamente ninguém estudava História e em nenhuma parte do mundo as civilizações deixavam de existir por não saberem Geografia.

Filosofia e Literatura são duas coisas inúteis também, pois como já dizia Voltaire, “o valor dos grandes homens mede-se pela importância dos seus serviços prestados à humanidade“.

Ninguém nunca precisou estudar um segundo idioma para pedir uma long neck e uma pizza ao garçom, ou um croissant com cocktail de champagne no piano bar, nem para comprar tickets num site de Internet para um show de rock em turnê do CD de top hits, ou assumir que uma madame de batom e blush usa também spray de cabelo e gosta de buquê de tulipas e se veste como drag queen de prêt-à-porter. Nem para constatar que o layout de um ateliê de fashion design num shopping é igual a um camelô laissez-faire on-line que se acha chic por ser pink e não ter toilette. Por exemplo.

Ai, que chato...

Ai, que chato…

Eu estudei até quebrar a perna do óculos e até hoje nunca usei uma catacrese ou hipérbole em minha na vida. A escola acabou e jamais usei uma metonímia. Elipse, então…

Tirei muita nota ruim e horas da minha vida e, pá!, não aprendi o que é zeugma, onomatopeia, assíndeto, eufonia.

Alguém além dos alargados alambrados acadêmicos aprendeu a lidar com aliteração?

Eu, pessoalmente, olhei com meus próprios olhos para o livro até ele ficar com medo e não sei o significado de pleonasmo, perissologia, batologia ou prosopopeia.

A escola tentou me ensinar o que é tautologia porque a escola serve para ensinar.

Sabe-se lá o que significa ênclise! Tê-lo-ia aprendido se não me tivesse sido apresentado ao mesmo tempo em que mesóclise e próclise.

Não é excelente como a escola, excelente instituição de formação, nos fez aprender o que é diasirmo?

E de todas as figuras de linguagem, pelo menos uma delas eu domino plenamente. A rima!

Símbolos e termos musicais – uma simplificação didática

Dia desses minha mãe me ligou perguntando o que exatamente significava a expressão carreira solo, quando em referência a um músico e, como me é pouco característico, eu entendi rapidamente o motivo da dúvida. Vamos lá (respirem fundo agora).

Solo, em português, significa: “Porção de superfície terrestre; Revestimento sobre o qual se anda; Parte superficial da terra que se pode cultivar ou onde podem crescer plantas; Terreno”.

Já em italiano, a lingua franca da música (de onde obtemos a própria expressão “lingua franca”), solo é a palavra que designa “sozinho”. Logo, em música, “carreira solo” não diz respeito a um deslocamento em velocidade sobre uma superfície mas a uma escolha profissional solitária, em contraponto a uma “carreira coletiva”. Ou seja, o sujeito tocava/cantava numa banda, saiu e passou a se apresentar sob seu próprio nome.

Então, torna-se completamente entendível que surjam dúvidas caso não se esteja familiarizado com as raízes latinas dos termos musicais.

É bom, no entanto, notar que apesar da maior parte dos termos usados em música formal serem derivados do italiano, há exceções quando em português, que é em espanhol, e quando em inglês, que é em francês. Como é o caso do símbolo acima; clave e clef, respectivamente.

Outro bom exemplo é a notação que chamamos de “semínima”, uma aglutinação do italiano semiminima, ou “metade de uma mínima” (que, por ter metade, já não é mais tão mínima), que em inglês tem duas versões: quarter note, ou “quarto de nota”, designando a metade de uma metade de uma nota que chamamos de semibreve, ou metade de uma breve, que é a nota mais longa possível (fazendo de “quarter note” o quarto de uma nota que não é a maior), e; crotchet, derivado do francês crochet (de onde tiramos “crochê”, artesanato têxtil semelhante à renda), que utiliza o termo noire (preta) para a mesma nota, enquanto reserva croche para metade daquela.

A nossa mínima (duas vezes uma semínima, metade de uma semibreve e um quarto de uma breve), é conhecida em francês por blanche, ou “branca”. Então, uma branca equivale a duas pretas. No entanto, a pausa de uma branca é uma semipausa (demi-pause), um termo descritivo denotando metade de uma pausa de ronde, ou “redonda”. A pausa da preta, por outro lado, é denominada soupir, ou “suspiro”. Existe ainda o “meio suspiro” (demi-soupir), que é a pausa do croche, de onde deriva o nosso “colcheia”, enquanto a mesma nota em italiano é chamada de croma, ou “tremida”, devido, talvez, à possibilidade de uso em mudanças rápidas e curtas, que emulam um tipo de vibração. O que não deve ser confundido com tremolo, que designa vibração de alternância de amplitude e não cromática.

círculos das quintas – o SI da escala cromática

Aliás, a palavra “cromática”, como em “escala cromática”, apesar de ser tão derivada do Latim quanto croma, não diz respeito a cores, mas ao sistema temperado, que não deriva de tempero no sentido de condimento, mas de temperamento, no sentido de harmonia, pois a escala cromática organiza e divide as notas em conjuntos harmônicos chamados oitavas, que não devem ser confundidas com as semínimas, que correspondem a oitavos das breves, nem com as eighth notes (literalmente, “oitavos de nota”), que são as nossas colcheias e as cromas dos italianos. É interessante também ressaltar que o “harmônico” dos conjuntos acima descritos é diferente do “harmônico” das ondas que formam as notas em si, sendo este definido como “sub-frequências do sinal compostas por múltiplos inteiros da fundamental”.

O caso mais confuso, todavia, é o da nossa breve, que, como já aludido, é a nota que menos pode ser descrita como sendo breve.

Na língua original (para todos os fins e efeitos, italiano é a base da língua musical original), ela é conhecida por breve porque era, em tempos medievais, realmente a mais breve das notas, sendo precedida pela longa (duas breves) e pela maxima (ou duplex longa, equivalente a duas longas). Atualmente, por outro lado, as maiores foram extintas das notações musicais deixando-as com tal designação completamente equivocada. Mas isso só é válido em português e italiano (e no russo, que mantém a grafia antiga, Бревис).

duas semínimas

Em espanhol, ela se chama cuadrada, para se diferenciar de sua metade (nossa semibreve) chamada redonda. Ambos, como a maioria das notações em espanhol, derivados do francês, onde a palavra carreé, ademais, é também um sinônimo de “praça”.

Em inglês, a nota de maior valor nominal é a whole note, ou “nota inteira” que é, na verdade, metade da maior nota possível, que passou a ser chamada double whole note, ou “dobro da nota inteira”.

Concluindo: em notação musical geral, deve-se usar um substantivo em italiano.
A não ser quando uma língua como português usa um termo em espanhol ou em inglês é usado o mesmo que em francês.
Ou então quando se usa um adjetivo denotando a cor da nota. Menos quando se fala em escala cromática. Ou quando em italiano, onde croma é sinônimo de vibração, de onde vem o português “colcheia”, que já deriva de francês mas que é diferente da vibração tremolo.
É também aceitável utilizar referências ao formato ou subdivisão aritmética das notas, dependendo do idioma, menos no caso de “oitava”, que não é nem a metade de 1/4 nem o formato do dígito 8, mas uma subdivisão cíclica do sistema temperado, mas nunca condimentado, apenas harmônico, mas não matematicamente, apenas agradavelmente.

Dá para notar o motivo da dúvida, não é?

Fuja! Ou morra… de amor (!?)

Digamos que um salafrário casal sadô-masô amarrou você a uma cadeira, com uma brutalidade particularmente carinhosa, e concluiu que você se daria a um excelente recheio de dor e prazer.

Enquanto você é sanduichado pelo par, que se abraça ao seu redor, asperamente afaga sua privacidade e mordisca seu brio, eles divisam uma situação que lhes causaria tão agradável sofrimento em que você escaparia de suas grosseiras carícias (e uma provável cova rasa encimada por sais de potassa).

Como obviamente eles vendaram você visando amplificar o prazer de todos os envolvidos (o deles, ao aumentar o seu nível de estresse; e o seu, impedindo que você repare nos brinquedinhos ao seu redor), a ideia revolve ao redor de jogos que podem ser resolvidos às cegas.

Já que ambos contam com doutorados, sendo um em psicologia cognitiva experimental e outro em macroeconomia social, eles conhecem intimamente o valor dos incentivos. Para que você não se desanime durante sua tarefa inicial, para cada tentativa que resultar em falha, uma sexy eletrocussão lhe atravessará o peito, partindo de seus mamilos (o que eles esperam que aumente sua avidez em continuar tentando até o máximo que suas terminações nervosas possam suportar), devidamente conectados com garras-jacaré.

Calma, não é esse tipo de tortura. Para tudo há limites.

A primeira parte do suplício recreativo, eles contam: “No Sybian à sua frente há quarenta fotografias dos resultados das nossas aventuras com parceiros com menor integridade intersticial do que esperamos que você tenha. Dez delas estão viradas com as chocantes imagens para cima, enquanto as outras trinta estão ao contrário, escondendo os horrores excitantes que retratam. Para que evite a ausência de elétrãos livres em suas papilas mamárias, ao desamarrarmos suas mãos e ainda com os olhos obscurecidos pela mais fina seda, você não deve obter sucesso em separar as fotos em duas pilhas com exatamente o mesmo número delas virada para cima.”

Após desfiar essa cadeia labiríntica de negativas (e alguns choques experimentais), você percebe que, para o seu bem (suponho, afinal nunca posso ter certeza das preferências dos meus leitores), você terá que separar as fotografias de modo que tenha dois montinhos com precisamente o mesmo número de imagens à mostra, e terá que fazer isso sem ver qualquer uma delas.

Vale salientar neste ponto que, a menos que você seja O Demolidor, elas também são indistinguíveis por tato. Sua inteligência, e não seus sentidos, deverão ser usados.

Caso consiga vencer a primeira provação, e retirando qualquer dúvida sobre a preferência por negativas desnecessárias, eles prosseguem: “agora, para não sofrer mais, você precisará mentir se quiser ter suas unhas separadas das falanges por uma finíssima cunha metálica, ou dizer a verdade para que sua genitália ganhe uma decoração inédita.”
Aqui, apesar da sua pulsação descontrolada e as temíveis conclusões que sua imaginação insiste em mostrar vividamente, existe uma forma de evitar onicoptose adquirida ou genitosquise involuntária.

Eu chamo o meu de "um cidadão, um voto".

Conseguindo transpor aquele temeroso obstáculo, vem a última e mais arriscada etapa desta amorosa tortura e que é responsável pela maioria das fotos que você, infelizmente, precisou tocar e que agora contam com as suas impressões digitais.

Mas não se preocupe com isso no momento, você precisa se concentrar.

FOCO!

Um revólver aparece em cena. Este comporta até seis balas mas o Casal 20 (eles representam o 2 e o 0 é você), num simbolismo macabro do amor(daçado) eterno que os une, usa apenas duas balas e, continuando a abstrusidade da metáfora pouco apropriada, as colocam em câmaras adjacentes do tambor, como nas covas cilíndricas em que o inseparável casal doentio espera ser inumado.

A seguir, eles giram o tambor e, antes que o movimento cesse por completo, a arma é travada e o gatilho é acionado, com a boca do cano experientemente apontada para a sua têmpora esquerda.

Nada acontece. A câmara estava vazia e a agulha acertou apenas ar.

E eis que aqui finalmente chegamos no fim da linha.

A proposta derradeira é esta: eles podem simplesmente puxar o gatilho novamente ou repetir a rotação do tambor e, só então, tentar mais um tiro na sua cabeça. Se você não virar o quadragésimo primeiro retrato da coleção, você pode traumatizadamente e sem ressentimentos ir embora.

O que você escolhe? É melhor tentar a próxima câmara do revólver ou restaurar a condição aleatória inicial?

Dia do Mol

É incrivelmente difícil escrever sobre o mol. Até para mim, que não tenho muito compromisso com coisas fazendo sentido.

No entanto, Kentaro (responsável pela administração da nossa página inicial) compartilhou um dado interessante na nossa lista interna (da qual você também pode participar, se inscrevendo aqui): um mol (6,02… x 10²³) é um número bem semelhante ao fatorial de vinte e quatro (6,20… x 10²³), o que imediatamente chamou a minha atenção, já que 24 é o resultado do fatorial de 4, que por sua vez é o número de letras no meu primeiro nome[1].

I G O R = 4 letras

4! = 24

24! ~ mol

Ou seja, eu estou a duas exclamações (e uma deserção paterna) de representar a quantidade de átomos em cento e noventa e quatro gramas de trimetilxantina.

24 é o número atômico do cromo, muito admirado por quem gosta de coisas brilhantes (excetuando-se o navegador, que é uma porqueira sem tamanho).

O Chrome é uma televisão. O máximo que você pode fazer é assistir ao que ele mostra.

(Isso e “24” é “42” escrito ao contrário.)

O nome completo do número “mol” é “seiscentos e dois sextilhões e uns quebrados”.

Dizer que um sextilhão equivale a duas vezes e meia um bilhão não é dizer muito (como aquelas comparações de telejornais que insistem em usar a distância daqui para a Lua como se nós conhecêssemos intimamente a medida). Alternativamente, recomendo meu texto antigo sobre números grandes, 1.000.000.000 (foi um dos meus primeiros textos publicados quando eu ainda não sabia que teria público. Sejam gentis).

Eu disse que era um assunto difícil, não foi?

[1] É esse o tipo de informação que eu guardo na minha cabeça.

666, o mais besta dos números

Aqui há sabedoria. Aquele que tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de homem. Seu número é seiscentos e sessenta e seis.

Por algum motivo que totalmente escapa ao meu conhecimento, o famoso “meia, meia, meia” causa desde calafrios em alguns até constipação em algumas (sendo o bloqueio ventral mais comum nas de inclinação feminina) pelo simples fato de aparecer na passagem citada acima. Na minha “sabedoria”, tendo eu “entendimento”, calculo que o “número da besta” é o mesmo que o “número de homem”. Eliminando “número” dos dois lados da equação, concluo matematicamente que besta = homem, i.e., homem é bicho besta.

Por que então a hexacosioihexecontahexafobia? Se o seiscentos e sessenta e seis representa o homem, a boa e velha misantropia resolveria para os religiosos. Oh, wait…

Contudo não é só de maldições pueris e delírios místicos da idade do ferro que vive o número 666.

O número que tanto assombra os bestas[1] tem várias propriedades matemáticas bem interessantes.

Ou, no mínimo, mais interessantes que a conspiração capenga do código de barras.
pi barcode

Por exemplo; seiscentos e sessenta e seis é o resultado da soma dos quadrados dos sete primeiros números primos: 2² + 3² + 5² + 7² + 11² + 13² + 17² = 666.

Outra boa; somando cada 6 tanto individualmente quanto elevado ao cubo, temos novamente o número citado: 6 + 6 + 6 + 6³ + 6³ + 6³ = 666.

Já sentiu calafrios? Ainda não? E se eu disser que existe uma soma dos algarismos de 1 a 9, em seqüência, que dá 666?

1 + 2 + 3 + 4 + 567 + 89 = 666!

E se eu disser que existe ainda outra soma serial?

123 + 456 + 78 + 9 = 666!!

Do 9 ao 1 também funciona: 9 + 87 + 6 + 543 + 21 = 666!!!

A soma dos trinta e seis primeiros números naturais também: 1 + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + 7 + 8 + 9 + 10 + 11 + 12 + 13 + 14 + 15 + 16 + 17 + 18 + 19 + 20 + 21 + 22 + 23 + 24 + 25 + 26 + 27 + 28 + 29 + 30 + 31 + 32 + 33 + 34 + 35 + 36 = 666!!!!

Oooooooh! /o\

Falando em seqüência, o número besta em algarismos romanos é DCLXVI, uma sucessão perfeita de todos os números romanos (exceto o M, de “mágica”) do maior para o menor!
dados 666

E não é só isso!

Adivinhe quanto dá a soma das 144 (que pode também ser expresso como (6+6)·(6+6)) primeiras casas decimais de pi.

ISSO MESMO, VOCÊ ADIVINHOU! 1 + 4 + 1 + 5 + 9 + 2 + 6 + 5 + 3 + 5 + 8 + 9 + 7 + 9 + 3 + 2 + 3 + 8 + 4 + 6 + 2 + 6 + 4 + 3 + 3 + 8 + 3 + 2 + 7 + 9 + 5 + 0 + 2 + 8 + 8 + 4 + 1 + 9 + 7 + 1 + 6 + 9 + 3 + 9 + 9 + 3 + 7 + 5 + 1 + 0 + 5 + 8 + 2 + 0 + 9 + 7 + 4 + 9 + 4 + 4 + 5 + 9 + 2 + 3 + 0 + 7 + 8 + 1 + 6 + 4 + 0 + 6 + 2 + 8 + 6 + 2 + 0 + 8 + 9 + 9 + 8 + 6 + 2 + 8 + 0 + 3 + 4 + 8 + 2 + 5 + 3 + 4 + 2 + 1 + 1 + 7 + 0 + 6 + 7 + 9 + 8 + 2 + 1 + 4 + 8 + 0 + 8 + 6 + 5 + 1 + 3 + 2 + 8 + 2 + 3 + 0 + 6 + 6 + 4 + 7 + 0 + 9 + 3 + 8 + 4 + 4 + 6 + 0 + 9 + 5 + 5 + 0 + 5 + 8 + 2 + 2 + 3 + 1 + 7 + 2 + 5 + 3 + 5 + 9 = 666.

E 144 é 12²!

Não que isso tenha relevância alguma neste contexto, mas é sempre bom saber o quadrado de alguns números de cor.

355 dividido por 113 é 3,141592 e mais uns quebrados. Pi também é igual a 3,141592 e uns quebrados. Agora, usando a propriedade esculhambativa da soma de números de três algarismos, temos:

553 (o inverso do dividendo) + 113 = 666, e;

311 (o inverso do divisor) + 355 = 666.

Tênue, eu sei. Mas volta a melhorar, prometo.
polidactilia hardcore

A soma de todos os dígitos da quadragésima sétima potência de seiscentos e sessenta e seis dá, acredite ou não, seiscentos e sessenta e seis!

666^47 = 5049969684420796753173148798405564772941516295265408188
117632668936540446616033068653028889892718859670297563286219594
665904733945856
.

5 + 0 + 4 + 9 + 9 + 6 + 9 + 6 + 8 + 4 + 4 + 2 + 0 + 7 + 9 + 6 + 7 + 5 + 3 + 1 + 7 + 3 + 1 + 4 + 8 + 7 + 9 + 8 + 4 + 0 + 5 + 5 + 6 + 4 + 7 + 7 + 2 + 9 + 4 + 1 + 5 + 1 + 6 + 2 + 9 + 5 + 2 + 6 + 5 + 4 + 0 + 8 + 1 + 8 + 8 + 1 + 1 + 7 + 6 + 3 + 2 + 6 + 6 + 8 + 9 + 3 + 6 + 5 + 4 + 0 + 4 + 4 + 6 + 6 + 1 + 6 + 0 + 3 + 3 + 0 + 6 + 8 + 6 + 5 + 3 + 0 + 2 + 8 + 8 + 8 + 9 + 8 + 9 + 2 + 7 + 1 + 8 + 8 + 5 + 9 + 6 + 7 + 0 + 2 + 9 + 7 + 5 + 6 + 3 + 2 + 8 + 6 + 2 + 1 + 9 + 5 + 9 + 4 + 6 + 6 + 5 + 9 + 0 + 4 + 7 + 3 + 3 + 9 + 4 + 5 + 8 + 5 + 6 = 666.

E por quê 47? Porque é um número primo!

Exatamente a mesma coisa ocorre com 666 elevado a 51: 666^51 = 9935407575913859403342635113412959807238586374694310089
971206913134607132829675825302345582149184809607489728389006376
34215694097683599029436416
.

9 + 9 + 3 + 5 + 4 + 0 + 7 + 5 + 7 + 5 + 9 + 1 + 3 + 8 + 5 + 9 + 4 + 0 + 3 + 3 + 4 + 2 + 6 + 3 + 5 + 1 + 1 + 3 + 4 + 1 + 2 + 9 + 5 + 9 + 8 + 0 + 7 + 2 + 3 + 8 + 5 + 8 + 6 + 3 + 7 + 4 + 6 + 9 + 4 + 3 + 1 + 0 + 0 + 8 + 9 + 9 + 7 + 1 + 2 + 0 + 6 + 9 + 1 + 3 + 1 + 3 + 4 + 6 + 0 + 7 + 1 + 3 + 2 + 8 + 2 + 9 + 6 + 7 + 5 + 8 + 2 + 5 + 3 + 0 + 2 + 3 + 4 + 5 + 5 + 8 + 2 + 1 + 4 + 9 + 1 + 8 + 4 + 8 + 0 + 9 + 6 + 0 + 7 + 4 + 8 + 9 + 7 + 2 + 8 + 3 + 8 + 9 + 0 + 0 + 6 + 3 + 7 + 6 + 3 + 4 + 2 + 1 + 5 + 6 + 9 + 4 + 0 + 9 + 7 + 6 + 8 + 3 + 5 + 9 + 9 + 0 + 2 + 9 + 4 + 3 + 6 + 4 + 1 + 6 = 666.

E por quê 51? Porque não é um número primo! Viu como o 666 está pouco se importando com as suas regras? \,,/

Eu poderia dizer que 4+7 multiplicado por 5+1 dá 66, no entanto, apesar de matematicamente correto e visualmente agradável, não faria muito sentido.

Alternativamente, direi que a soma do cubo dos dígitos em seu quadrado mais os do seu cubo dá 666.

666² = 443556; 4³ + 4³ + 3³ + 5³ + 5³ + 6³ = 621.

666³ = 295408296; 2 + 9 + 5 + 4 + 0 + 8 + 2 + 9 + 6 = 45.

621 + 45 = 666

Confuso, porém correto.

A fatoração de 666 em números primos é expressa como 2 · 3 · 3 · 37, e 6 + 6 + 6 = 2 + 3 + 3 + 3 + 7.

A sexta potência de seiscentos e sessenta e seis tem seis números seis.

666 em base 10 é 666.

O primo mais próximo de 666 é 661 que, subtraído daquele, dá 5, outro número primo.

666 + 666 + 666 = 1998, um ano doze anos atrás, contando do ano passado.

666 é número par.

Tá, eu paro. É melhor eu admitir que não sei mais nenhuma curiosidade interessante.

Finalizando esta aventura numérica de proporções bíblicas (desculpem, mas alguns clichês precisam ser explorados vez por outra), sabe outro número também associado ao Anticristo e a tudo-que-num-presta?

(Prepare-se para a explosão mental.)

À besta foi dada uma boca para falar palavras arrogantes e blasfemas, e lhe foi dada autoridade para agir durante quarenta e dois meses.

No capítulo 11 do nosso mais amado texto pré-científico movido a chá de cogumelo, uma rapaziada esperta composta por duas oliveiras e dois candelabros (versículo 4) que fazem bico de porteiro com poder para fechar o céu (versículo 6) mostram o quão descolados são ao vestir somente pano de saco (versículo 3) enquanto profetizam durante mil duzentos e sessenta dias (o número de dias em 42 meses).

Se considerarmos 1260 como capítulo 12, versículo 6, temos outra menção do número: “A mulher fugiu para o deserto, para um lugar que lhe havia sido preparado por Deus, para que ali a sustentassem durante mil duzentos e sessenta dias.

Ainda, usando magia influenciada pela delirante mitologia hebraica forjada sob o calor excessivo de um deserto inclemente que não perdoa os cérebros mais moles, temos: 1260 => 12; 6; 0 => 6+6; 6. (Zero não conta. É como Jesus quereria.)

42 · 30 (3 sendo metade de 6 e tomando emprestado o zero da conta acima) = 1260.

Ou seja, 42 = 666. CQD

Manipular números é legal, né não?

Bônus!

[D]iziam “Então diga: ‘Chibolete’ “. Se ele dissesse: “Sibolete”, sem conseguir pronunciar corretamente a palavra, prendiam-no e matavam-no no lugar de passagem do Jordão. Quarenta e dois mil efraimitas foram mortos naquela ocasião.

A moral aqui é: pelo amor de deus, aprenda a enunciar!
YHWH

[1] Certa vez, uma conta numa lanchonete deu R$15,15 que, depois dos 10% do serviço totalizou R$16,66. Quando apontei para a “aparição” do 666 (que, caso contrário, passaria despercebido), a pessoa (supostamente esclarecida) que estava comigo fez questão de pagar vinte reais e deixar o troco, justificando com um “ai, eu não gosto dessas coisas”. Nem meus protestos de “mas três reais e trinta e cinco compram outro suco!” foram suficientes para dissipar aquela inane superstição. Para vocês verem; falta de pensamento crítico também faz perder dinheiro. Tsc, tsc, tsc…

Rapidinha: 2011, um primor de número

2011, além de ser um número primo em si, pode também ser o resultado da soma de onze (outro primo) números primos consecutivos: 157 + 163 + 167 + 173 + 179 + 181 + 191 + 193 + 197 + 199 + 211.

Ao mesmo tempo, é também o resultado da soma de outros três (idem primo) primos consecutivos: 661 + 673 + 677.

E antes que perguntem (espero que tenha dado tempo), o próximo ano com essa propriedade (primo, expresso como soma de primos) será 2027, resultado da soma de vinte e cinco primos.

25 não é primo, mas a soma de seus dígitos, 2+5, bem como a soma dos dígitos do ano, 2+0+2+7, são.

Mas 2011 é mais legal.

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