Moedas falsas de 1 Real e 50 centavos? Ou só um país vira-lata?

Na imagem abaixo, ache a moeda falsa!

Notem a terceira moeda.

Notem a terceira moeda.

Uma mensagem de alerta acerca de moedas falsas de 1 real e cinquenta centavos vem circulando desde 2002 num tipo de spam não necessariamente por email. Achar posts, imagens, tuítes, vídeos e compartilhamento de Facebook que afirmem isso não é difícil. O difícil é confirmar a veracidade das informações antes de sair por aí espalhando o que pode ser mentira.

(Né, Internet? Estou olhando para você.)

Às vezes até alguém com espírito mais empreendedor tira uma ruma de moeda fedida do bolso para uma demonstração ao vivo. Ninguém tem nada a ganhar com isso, assim como ninguém tem nada a ganhar inventando que carro quente produz benzeno. [1]

As alegações são, via de regra, as seguintes: as moedas falsas são mais leves, não brilham como as verdadeiras, não são atraídas por ímãs, os detalhes são grosseiros, a falsa é “mais oval”, o tamanho dos detalhes “são um pouco maior, pouca coisa, mas são!” e etc. Cada um tem sua teoria.

O que não significa que não estejam todos certos, visto que não existiria só um falsário fazendo moedas sempre no mesmo padrão. O problema aqui é, como muitos outros problemas na vida, ignorância dos fatos.

Mas, antes disso, outro teste rápido. Qual dessas duas joaninhas é uma aranha?

Uma dessas é uma joaninha. Foto de Kathy Keatley Garvey

Uma dessas é uma joaninha. Foto de Kathy Keatley Garvey

Se você procurar diferenças você vai achá-las. Não necessariamente porque elas existam, mas porque você está se concentrando tanto em anomalias que vai acabar achando alguma. Ou achando que achou. Isso se dá porque você está comparando apenas duas moedas e considerando que uma é necessariamente verdadeira e a outra é necessariamente falsa. Logo, qualquer risco, qualquer deformação, qualquer desgaste será interpretado como prova de diferença entre as duas, uma sendo legítima e deixando a outra como cópia barata.

“Ei, bonitinho, você me chamou de ingnorante e vai ficar por isso mesmo?”

Hum. Tá, não é todo mundo que visita a página do Banco Central quando está com tempo livre, então vou deixar aqui um link com as características relevantes.

Mais que o "jeitinho brasileiro", o vira-latismo é uma mania nacional.

Mais que o “jeitinho brasileiro”, o vira-latismo é uma mania nacional.

As moedas são diferentes e legítimas. Mas isso você não notou até alguém ter dito que uma é falsa. Então, você até passa a achar a moeda mais leve apesar de uma diferença de oitenta e quatro centésimo de um grama. Mas, sei lá, vai que você realmente é capaz de detectar uma diferença de 12% no peso entre duas moedas e é uma daquelas pessoas extraordinárias que é (como a maioria da população) acima da média. [2]

É como comparar as duas joaninhas da imagem acima (pois é, ambas são joaninhas). Se você supõe previamente que uma delas é falsa, você vai concluir que uma delas não é uma joaninha. Não porque ela realmente seja uma aranha (a da foto abaixo, ao contrário da primeira, é sim uma aranha disfarçada) ou outra espécie de inseto, mas porque você chegou a essa conclusão antes de obter dados suficiente para qualquer conclusão, positiva ou negativa.

JoaninhAranha.

JoaninhAranha.

Isso é comum em apologistas de pseudociências como auto-hemoterapia, homeopatia, florais de Bach, shiatsu, ortomolecular e demais charlatanices. Eles já começam partindo do pressuposto de que X faz mal, onde X é geralmente algo que funciona, tipo medicina ou farmacologia, mas eles não entendem como (criando um medo irracional que os faz querer atacar e xingar de “vendido” qualquer um que afirme o contrário). Os que são um pouquinho mais dispostos da cabeça (e não pegam toda informação acerca de sua religião prática exclusivamente através de um blog escrito todo em maiúsculas e negrito) até se dão ao trabalho de ler um artigo ou outro, mas já tendo certeza de que, digamos, exercício e dieta balanceada não funcionam, pois o que funciona é só sua religião prática e só pode ter uma coisa no mundo que funciona e tem que ser a sua religião prática. No artigo tem algo como “mas certas pessoas têm problema no joelho” ou “exceto naqueles com alergia a amendoim ou nozes” e, se congratulando, dizem para si mesmos “ARRÁ! EU SABIA! TODA A MEDICINA OCIDENTAL ESTÁ ERRADA!”.

No caso da joaninha ela precisa ter cor vermelho-suvinil, ter bolotas pretas por toda parte e uma cabeça de Rorschach. No caso da pseudociência ela precisa não ter nenhum efeito colateral, nenhum efeito direto detectável por qualquer instrumento que não minha própria fé e precisa ser algo que não me assuste. No caso das moedas, elas precisam “ser da cor certa, ter o formato certo e as propriedades certas”. E quem decide o que é certo é a moeda que eu “sei” que é verdadeira. Como a outra não se enquadra nas categorias arbitrárias pré-dados, ela tem que ser falsa.

E quais os dados que faltam? No caso das pseudociências, todos. No caso das moedas, isso aqui:

A partir de junho de 2002, o Banco Central coloca em circulação moedas de 50 centavos e de 1 real com pequenas modificações em suas características físicas.

Um aumento significativo no preço dos materiais utilizados na fabricação das moedas levou o Banco Central a estudar alternativas para garantir a continuidade na sua produção. A solução encontrada foi a substituição dos metais utilizados: o cuproníquel e a alpaca foram trocados, respectivamente, pelo aço inoxidável e pelo aço revestido de bronze.

Na prática, as modificações na moeda de R$0,50 – de disco prateado – e na de R$1,00 – de núcleo prateado e anel dourado – são pouco significativas. Além de apresentarem pequenas alterações de tonalidade e brilho, as novas moedas ficaram ligeiramente mais leves. Já os desenhos de ambas não sofreram nenhuma modificação.

E, saca só!, nem cuproníquel e nem alpaca (liga de cobre, níquel e zinco) são ferromagnéticos e, como tal, não são atraídos por ímãs. São também ligas mais maleáveis que aço, ficando mais propensas a riscos e pequenas deformações. E, talvez o fator que mais influencia a dicotomia falso-verdadeiro, são ligas consideravelmente mais foscas. Depois disso, qualquer estrela mais gordinha ou qualquer olheira na República ou pé-de-galinha no Barão de Rio Branco é prova de falsidade.

Só que não.

O Brasil é um país vagabundo e vira-lata, que acha que é primeiro mundo e cunha moedas de cuproníquel/alpaca mas não tem sequer condições de recolher moedas que já circulam a vinte anos no modelo errado e deixa de usar cuproníquel/alpaca depois de apenas três anos porque eles são caros demais e o custo não é compensado pelo valor irrisório da face. [3]

Mas o Brasil é um país rico! E auto-hemoterapia cura câncer! E shiatsu tem comprovação científica! E homeopatia não é só água e açúcar! E o PT é diferente do PSDB!

Ah, e nossas moedas de “cobre” e “bronze” são apenas aço-inox pintado. Cobre (matéria-prima do bronze, do cuproníquel e da alpaca) é caro. Que o digam aqueles que ganham a vida minerando cobre nos postes públicos enquanto passam displicentemente a oportunidade de recolher capôs de carros.

O risco de espalhar esse tipo de boato (sem sequer pensar em procurar por confirmação robusta) pode parecer baixo, ou até nulo, já que você provavelmente tem mais de uma moeda no bolso – talvez até algumas notas. Mas e se alguém sem muitos meios vai comprar R$1,50 de pão e o padeiro nega, alegando que o cliente está tentando repassar dinheiro falso? O mínimo que pode acontecer é o sujeito passar fome enquanto, literalmente, joga dinheiro fora e, no pior caso, pode ir preso injustamente porque você (sim, você, espalhador de boatos) saiu por aí dizendo inconsequentemente que moeda fosca é falsa, o que, no fim das contas, só serviu para jogar um pobre coitado e faminto na cadeia.

———

[1] Fora notoriedade, claro. E a sensação de “sou um verdadeiro Sherlock desvendando esse caso!” que acomete boa parte da população que nunca leu uma só linha de Sir Doyle e não sabe o trabalho que o detetive tem antes de sair por aí acusando alguém de roubar um peru. Poirot – este sim desvenda mistérios sem se levantar da cadeira.

[2] Não, você não é. Especialmente considerando que o modelo mais recente é que é o mais leve.

[3] E quem vai perder tempo falsificando moedas de Real? Sério. Quem?

2013 no 42. em números (em palavras {em imagens})

Em 2013 eu consegui escrever de forma vocabularicamente consistente e diversa (excetuando-se “ser” e “ainda”, dos quais ainda não conseguir ser livre), como mostra a nuvem de palavras abaixo.

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Não tão consistente assim foram as buscas dos leitores que findaram aqui. Me parece que, além dos que procuram formas alternativas para se drogar, consegui um bom público desmistificando spams e videntes.

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E agora, um poeminha pros paraquedistas.
Por favor, não achem que drogas ou catarro são vitamina mas saibam que Tupak é um charlatão que vai drogar seu intelecto e fazer você engolir besteiras. A Avon não vai chapar a ladra Tara, outra charlatã, nem vai fazer você ficar chapado, pois muito mal pode causar o alpiste, mas nada em comparação ao aborto que é o vidente que insiste em cuspir na cara da realidade, como uma diabetes em forma de batom (batons) que não contem nem camarão e nem muito menos chumbo. Essa foi a lição de 2013.

Miriam Rita Moro Mine, a Presidenta da República e vinte e dois segundos no Google

Penso que você acha a vida tão problemática porque acredita que existem as pessoas boas e as pessoas más. Você está, é claro, errado. Existem, somente e sempre, as pessoas más; sendo que algumas delas estão em lados opostos.

– Lord Havelock Vetinari

Política não é meu filão. Como eu não sou programador, a ideia de um mundo binário me escapa e eu tento me afastar um pouco dos que só enxergam o “eu” e o “eles” e isso inclui futebol, religião, cara-ou-coroa, esquizofrênicos bipolares e, especialmente, política.

Esclareça-se: meu uso da palavra “política” neste texto diz respeito ao entendimento popular, ou a “definição do torcedor”, como só eu chamo. No Brasil (e aqui uso a palavra “Brasil” para designar aqueles que estão perto de mim com a boca constantemente mexendo para evitar que o cérebro comece a funcionar), a palavra “política” significa “PT vs. PSDB, e eu estou de um lado e odeio qualquer um que se declare apoiar o outro”. Comportamento típico de torcedor, daí minha definição.

Quanto à definição de “política” como “princípios que visam guiar decisões para alcançar resultados racionais”, sou 100% partidário. Mas eu possuo um dicionário em casa então posso estar um pouco desconectado da realidade.

Arranjem um quarto, vocês dois!

Arranjem um quarto, vocês dois!

Eu, como já deixei claro em algumas ocasiões (de batons com chumbo ao letal caso do camarão com vitamina C, passando pelo alarde dos “espelhos falsos”), não sou imune a spams pseudocientíficos mas, agora, parecem estar expandindo a área de mensagens indesejadas na minha caixa de entrada. Passei recentemente a receber emails com críticas ao governo (ou, melhor dizendo, emails dizendo que o PT é feio e bobo). Um deles discorre sobre a (não-) polêmica do uso (não-) inadequado da palavra “presidenta” pela corrente (Girino maldito!) atual ocupante da cadeira principal de Presidência da República Federativa do Brasil.

Contendo inúmeras mudanças de tamanho e cores de letra e toda sorte de ênfases inapropriadas, o texto, aparentemente escrito por Miriam Rita Moro Mine (mais sobre ela daqui a pouco), nos conta como a “presidenta” já foi estudanta quando adolescenta e representanta de ‘etc’, ETC, ~etc~, etc, e minha paciência é muito pouca para textos nojentamente escritos e peço perdão por ter feito vocês provarem um pouco da orgia gráfica que é aquilo que me mandaram.

O original é bem pior, acredite.

Imagem representativa do estado dos meus olhos e da minha saúde mental após ler o email da “presidenta”.

Uma belíssima aula de português.

Foi elaborado para acabar de vez com toda e qualquer dúvida se tem presidente ou presidenta.

Será que está certo?

Acho interessante para acabar com a polêmica de “Presidente ou Presidenta”

A melhor forma de acabar com a “polêmica” citada é admitir que ela nunca existiu e quem escreveu isso é só muito afetado e precisa cuspir em alguém para se sentir bem.
Uma coisa que vou dizer logo agora, estragando a surpresa vindoura: obviamente quem escreveu o trecho transcrito acima não foi a mesma pessoa que elaborou a “belíssima aula de português”, considerando a falta de ligação entre frases sem sujeito. Só faltou um “#comôfas” ali depois da interrogação.

Isso e a incapacidade de saber que o gênero de “aula” é feminino e que um substantivo mulher nunca poderia ser “elaborado”. O resto da frase eu não consegui entender, então não vou comentar.

A imbecilidade toupeirice tapadez suposta “aula de português” começa da seguinte maneira:

A presidenta foi estudanta?

Existe a palavra: PRESIDENTA?

Que tal colocarmos um “BASTA” no assunto?

É. Que tal?

Segundo o Loogan/Houaiss – Enciclopédia e Dicionário (ano de 1998 – ISBN 85-86185-01-9), na página 1299 temos o verbete:

PRESIDENTA s.f. Mulher que exerce função de presidente.

Ou seja, essa definição existe numa cópia física (a única que tem perto de mim no momento em que escrevo isto) desde que a ré, Mônica Dilma, era apenas uma estudante de doutorado em economia (durante uma pausa que fez em sua carreira política entre 1995 e 1999).

Segundo o FLiP (Ferramentas para a Língua Portuguesa), que abriga o dicionário on-line Priberam (vejam aqui o verbete “presidenta”):

A palavra presidenta pertence à língua portuguesa.

Podemos fazer esta afirmação, por um lado, porque a palavra tem indesmentivelmente curso na língua (o que é possível aferir através da pesquisa em corpora e em motores de busca) e, por outro lado, porque está registada em todos os dicionários e vocabulários contemporâneos consultados, nomeadamente nas principais obras de referência da lexicografia portuguesa e brasileira, como o Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves (1966) ou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, da Academia Brasileira de Letras (5.ª edição, 2009). Não sabemos ao certo desde quando é que este registo lexicográfico é feito, mas a palavra constava já do Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo (1913) ou do Vocabulário Ortográfico e Remissivo da Língua Portuguesa de Gonçalves Viana (1914).

Desde 1913, hein?

Pronto. Basta dado.

E bem dado.

Se tivesse que chutar, não diria que Dilma está a elogiar a gravata de Fernandinho.

Se tivesse que chutar, não diria que Dilma está a elogiar a gravata de Fernandinho.

Mas calma, o que é isso aqui?

Meu espirito deu um salto para traz, como se descobrisse uma serpente deante do si. Encarei o Lobo Neves, fixamente, imperiosamente, a ver se lhe apanhava algum pensamento occulto… Nem sombra disso; o olhar vinha direito e franco, a placidez do rosto era natural, não violenta, uma’placidez salpicada de alegria. Respirei, e não tive animo de olhar para Virgilia; senti por cima da pagina o olhar delia, que me pedia também a mesma cousa, e disse que sim, que iria. Na verdade, um presidente, uma presidenta, um secretario, era resolver as cousas de um modo administrativo.

Uai!? Quem terá sido o analfabeto comunista safado e moderno que escreveu tamanha besteira?

Ora, meus caros, ele não é analfabeto, apenas de outra época. Mais especificamente 1880, durante o Império do Brasil. Mais especificamente ainda, Machado de Assis, no capítulo 80 do seu livro Memórias Póstumas de Brás Cubas (ou, no português original do século retrasado, “Memorias Posthumas de Braz Cubas”).

Então agora já chega, né? O verbete tem pelo menos 133 anos.

Mas nãããããããããããão, o spammeiro não quer saber de basta, para satisfazer sua doença mental ele quer agredir a figura pública que representa o outro time, objeto do seu ódio.

Baixinha, dentuça, gorducha (menos na época do câncer), sempre de vermelho, andando com um amigo que fala errado e outro que é bem sujo.

A mensagem indesejada continua, incluindo agora um nome e um título: Miriam Rita Moro Mine – Universidade Federal do Paraná.

Excelente! Um ponto objetivo para a nossa análise.

Antes de qualquer outra coisa, vejo no Currículo Lattes que Miriam (que é doutora e passará a ser denominada doravante Dra. Mine) é realmente da Universidade Federal do Paraná.

Em seguida, alguns poucos segundos no Google me devolvem um post chamado Esclarecimento, de um sub-blog do Blog do Noblat (tudo bem, não chamaria essa fonte de “confiável”, mas…), onde a autora diz ter recebido um (sic) “desmentido formal” da doutora, que diz:

Prezada Sra Maria Helena

Nunca escrevi absolutamente nada sobre a existência ou não da palavra “presidenta”. Meu nome está sendo usado indevidamente como autora de um texto que circula na internet e na imprensa.

Sou professora da Universidade Federal do Paraná – UFPR, Departamento de Hidráulica e Saneamento, graduada em “Engenharia Civil “ e com pós-graduação em cursos de “Engenharia“ (Mestrado e Doutorado) e professora de cursos de “Engenharia” na UFPR (ver meu Curriculum Lattes – www.cnpq.br – plataforma lattes)

Eu jamais escreveria um texto que não fosse da minha área de atuação.

Miriam Rita Moro Mine

Miriam Rita Moro Mine

Universidade Federal do Paraná

Departamento de Hidráulica e Saneamento

Caixa Postal 19011

81531-990 Curitiba – PR

Como Maria Helena (a autora do blog citado) diz que havia publicado o spam “coberto de elogios”, acho que não haveria de se retratar tão facilmente por causa de uma mensagem anônima.

Bom, eu realmente não sei. O que sei é que no blog de Juca Kfouri, aparentemente a propósito de nada, encontro um comentário que lê (sic):

Prezados Circula na internet um e-mail sobre a palavra presidenta como se fosse de minha autoria. Nunca escrevi nada sobre este assunto. Sou professora de cursos de Engenharia e não de Gramática da Língua Portuguesa. Miriam Rita Moro Mine

Renan Calheiros está pegando na aliança. O que será que Lula está cochichando?

Renan Calheiros está pegando na aliança. O que será que Lula está cochichando?

Novamente, como não posso confirmar a identidade da comentarista, não posso afirmar que ela não escreveu o texto que virou spam.

O que posso confirmar é que existem versões mais antigas que não contam com a assinatura dela (cuja primeira referência é justamente em outro post do blog de Maria Helena, em 14 de outubro de 2010).

Por exemplo: em 16 de junho de 2010, no blog webartigos, foi publicado o texto Espelho, espelho meu, existe redação mais bela do que eu? que inclui uma versão do spam afirmando explicitamente que “no e-mail não há identificação do autor”.

E, em primeiro de novembro de 2010, um comentarista do blog Palavras e origens – Considerações Etimológicas cola o texto referido e é prontamente respondido pelo autor do blog com a mensagem: “Prezado, esse texto que você envia (sem autoria) apareceu pela primeira vez no site Levante-se Brasil, cujos organizadores mantêm essa comunidade no Orkut — http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=73197065.”

Eu juro que tentei entrar na tal comunidade (desde agosto do ano passado, de fato, quando primeiro pesquisei a respeito) mas não consegui. Mais um beco sem saída.

Por outro lado, mais uma confirmação de que o texto não é de autoria da Dra. Mine (digo “confirmação” porque quem sai por aí colando esse tipo de besteira não tem capacidade intelectual suficiente para editar informações – que o digam os comentaristas de um texto meu).

O líquido na taça está numa posição esquisita. Estariam os dois deitados?

O líquido na taça está numa posição esquisita. Estariam os dois deitados?

Continuar minha barragem (ver 4) a partir daqui seria bater em quem está no chão.

Mas como eu só luto sujo, deixo o golpe final para o senhor Juscelino Kubitchesk

LEI Nº 2.749, DE 2 DE ABRIL DE 1956

Dá norma ao gênero dos nomes designativos das funções públicas.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º Será invariàvelmente observada a seguinte norma no emprêgo oficial de nome designativo de cargo público:

“O gênero gramatical dêsse nome, em seu natural acolhimento ao sexo do funcionário a quem se refira, tem que obedecer aos tradicionais preceitos pertinentes ao assunto e consagrados na lexeologia do idioma. Devem portanto, acompanhá-lo neste particular, se forem genèricamente variáveis, assumindo, conforme o caso, eleição masculina ou feminina, quaisquer adjetivos ou expressões pronominais sintàticamente relacionadas com o dito nome”.

E, desta página, concluo da situação que: NÃO CONSTA REVOGAÇÃO EXPRESSA.

É presidenta. E quem disse foi um homem, o que significa que está certo e deve ser obedecido.

Agora morram todos de hemorroida explosiva.

Finalizando e esclarecendo: eu acho que o mundo só vai ser um lugar bom quando Lula morrer enforcado nas tripas de FHC (ou equivalentes). Mas eu odeio extremistas e acho que todos eles devem morrer da forma mais brutal possível, principalmente os violentos. [1]

Uma frase ótima que achei durante minha pesquisa e vou, daqui em diante, passar como minha (mantendo a tradição dos spams): Não misture vernáculo com ideologia.

2 x 3 = 6. Se esse não foi o sinal da besta, eu não sei o que é.

2 x 3 = 6. Se esse não foi o sinal da besta, eu não sei o que é.

São todos iguais, pessoal. Parem de se enganar achando que existe “o outro lado”.

Concluo com uma frase do próprio spam:

Por favor, pelo amor à língua portuguesa, repasse essa informação..

Essa frase lembra alguma outra?

Texto original do spam para fins de pescar paraquedistas e misturar analogias (sem a bizarra edição gráfica pois sou bonzinho):

A presidenta foi estudanta?Uma belíssima aula de português.
Foi elaborado para acabar de vez com toda e qualquer dúvida se tem presidente ou presidenta.
Será que está certo?
Acho interessante para acabar com a polêmica de “Presidente ou Presidenta”
A presidenta foi estudanta?
Existe a palavra: PRESIDENTA?
Que tal colocarmos um “BASTA” no assunto?
Miriam Rita Moro Mine – Universidade Federal do Paraná.
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante… Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionarem à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.
Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”, independentemente do sexo que tenha.
Diz-se: capela ardente, e não capela “ardenta”; se diz estudante, e não “estudanta”; se diz adolescente, e não “adolescenta”; se diz paciente, e não “pacienta”.
Um bom exemplo do erro grosseiro seria:
“A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta.
Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta”.
Por favor, pelo amor à língua portuguesa, repasse essa informação..

P.S. Mas eu achei o texto massa. Queria eu tê-lo escrito, pois é bem meu filão. Só jamais o faria pelas falhas gramaticais aberrantes.

[1] Para os mais lentos de raciocínio, isso foi uma piada do tipo autorreferente de propósito autoderrotado.

Porque spams de chumbo em batons nunca morrerão

O texto a seguir não é meu, mas uma tradução autorizada de “Why Lead in Lipstick Stories Will Never Go Away“, de Perry Romanowsk do blog Chemists Corner que incluo aqui como complemento para o meu desmistificador texto Batons com chumbo, de 2008.

Essa conversa sobre o estudo em batons feita pelo Daily Mail que mostrou que 55% dos batons contêm traços de chumbo me leva a concluir que esse problema jamais irá embora.

O problema?

Não, não é o chumbo em batons. Isso não é um problema. Não existe nenhum estudo com credibilidade que demonstre que o nível de chumbo em batons seja algo além de seguro.

O problema é a crença de que não existem níveis seguros para chumbo ou mercúrio ou “toxinas” que podem ser tolerados em cosméticos.

Infelizmente, isso é um problema com o qual químicos de cosméticos precisarão lidar pelo resto dos dias. Algumas pessoas nunca entenderão a noção, colocada por Paracelso:[1]

Todas as substâncias são venenosas; não existe uma só que não seja veneno. A dose correta é o que diferencia os venenos” Paracelso (1493-1541)

Por que?

Eu tenho pensado muito sobre isso por ser um assunto tão frustrante para os cientistas. Aqui estão cinco razões pelas quais eu acho que este problema nunca vai desaparecer.

 

1. Estórias de medo são mais convincentes que estórias de segurança.

Isto é uma coisa óbvia em jornalismo. As pessoas estão mais interessadas em notícias que as assustam do que naquelas que são tranquilizadoras. Sensacionalismo vende. Assim, estórias de cosméticos tóxicos sempre superarão outras declarando a segurança dos mesmos. E já que os cosméticos são, de longe, mais seguros do que a maioria dos outros produtos de consumo, os meios de comunicação terão que reinventar estórias sobre chumbo no batom. Simplesmente não há muito mais que isso.

 

2. As pessoas são analfabetas científicas.

Essas estórias de medo são convincentes porque as pessoas, em geral, são analfabetas científicas [não sabem necessariamente como a Ciência funciona nem se interessam por fatos científicos]. Elas também preferem respostas simples a respostas complexas; “chumbo = ruim” é uma coisa muito mais fácil para o público compreender do que “certos níveis de chumbo são ruins porém outros níveis são perfeitamente seguros”. A mercantilização do medo é eficaz porque quem propaga essas notícias o faz para um público que não é entende o bastante de ciências para julgar a validade da estória.

Note a cor. Não é um batom.

Note a cor. Não é um batom.

Você sabia que para determinar o nível de chumbo num batom você tem que usar ácido fluorídrico para separar o chumbo? O ácido estomacal não é forte o suficiente para separar os componentes de um batom que tenha sido ingerido, dessa forma, o chumbo nunca nem vai entrar em seu sistema!

 

3. As pessoas são incapazes de avaliar adequadamente o risco.

Outro imenso problema é que as pessoas não são boas em avaliar riscos. Eles se preocupam com chumbo em batom ou BPA em garrafas de plástico que têm níveis de risco na casa do 1 em milhões, mas nem pensam duas vezes em entrar num carro que tem um 1 em 100 chances de matá-los. Aqui está uma lista das coisas que matam as pessoas. Cosméticos não são uma delas.

 

4. A mensagem beneficia alguns vendedores.

Uma das razões pelas quais essas estórias vão continuar circulando é que alguns comerciantes usam o medo para se destacar de seus concorrentes.[2 – veja anúncio da Mary Kay mais abaixo] Quando você lê alegações como “sem parabeno” ou “livre de sulfato” em um recipiente, há a afirmação implícita de que essas coisas são perigosas ou ruins [ou, no caso deste açúcar, de que seus concorrentes estão usando enxofre na composição]. Estas não são mentiras diretas, mas implicitamente propagam mitos que ajudam empresas a se beneficiarem deles.

 

5. Efeito Dunning-Kruger.

Finalmente, há o “efeito Dunning-Kruger“. Esta é a noção de que alguém não qualificado em um assunto tem mais confiança na sua opinião sobre aquele assunto do que alguém que realmente sabe alguma coisa sobre aquilo. Então, você tem livros escritos por agentes de relações públicas e modelos de passarela expondo a toxicidade e perigos de cosméticos. Por que é que as pessoas que passaram suas carreiras a pesquisar e testar produtos cosméticos não estão escrevendo livros assustadores sobre cosméticos? Por que será que justamente as pessoas que provavelmente mais conhecem a verdade sobre se os cosméticos são perigosos não estão escrevendo esses livros?

Dunning Kruger explica.

Esse não tem chumbo. Notou a diferença?

Esse não tem chumbo. Notou a diferença?

 

Formuladores cosméticos

Então, o que isso significa para cosméticos e químicos de cosméticos?

Em alguns aspectos estórias assim são positivas para os químicos de cosméticos. Sempre que um ingrediente cai sob a mira de uma ONG (organização não-governamental) fiscalizadora, os fabricantes de cosméticos se movimentam e colocam seus cientistas para trabalhar, desenvolvendo versões de fórmulas que não contêm o ingrediente visado. Este trabalho de formulação defensiva pode manter as pessoas com um trabalho remunerado durante anos.

No entanto, isso significa que você não vai conseguir criar qualquer inovação real ou desenvolver produtos com novos benefícios. Você simplesmente gasta seus dias reformulando produtos que funcionam perfeitamente bem usando ingredientes alternativos, geralmente de baixa qualidade. (Se não fossem de qualidade baixa, estariam sendo usados desde o começo).

Mas, infelizmente, o mundo é assim. Até que melhore-se a educação científica em nosso país e em todo o mundo, as pessoas ainda vão achar “Chumbo no Batom” convincente.

— Notas do tradutor —

[1] Essa passagem (e o link associado) diz respeito ao fato de que, na dose correta, qualquer substância se torna perigosa. Os mais perigosos são aqueles cujas doses prejudiciais são menores (ácido sulfúrico, soda cáustica, cianureto, metanol), mas até água e ar podem se tornar venenos quando em doses grandes o suficiente.

[2] Isto abaixo é um cartaz que supostamente a empresa Mary Kay está dispersando pelo Facebook (citando parágrafos inteiros do meu texto sem os devidos créditos corretos), se aproveitando da situação para virar o jogo a seu favor (clique para ver a imagem do tamanho correto):
 
Mary Kay não tem batom com chumbo. Nenhuma outra marca também.

Agradecimentos especiais a Pedro, por ter chamado minha atenção para o original.

 

Alpiste cura diabetes!!! Só que não!!!!

Recebi de uma leitora preocupada uma apresentação de Power Point que alega que alpiste cura diabetes, pressão alta, artrite, gota, feiura, etc, etc.

Oi, Igor,

Estive a ver no seu site e Você sabe alguma coisa sobre esta história da alpista fazer bem aos diabetes? Estive a ver no seu site e não encontrei nada!

Abraços,

Patrícia Salgado

Minha regra geral é: se veio num arquivo .pps, provavelmente não é verdade. E tal possibilidade diminui progressivamente com a quantidade de cores e exclamações adicionadas.

Considerando que o primeiro quadro da apresentação lê “¡¡¡¡¡¡¡ALPISTE!!!!!!!!”, eu já eliminaria qualquer chance de credibilidade do texto. Mas vamos analisar de toda forma, eu me divirto com isso.

(Peço desculpas antecipadas por incluir ipsis literis o texto nojentamente escrito.)

Recentemente cientistas investigadores da Universidade Nacional Autônoma do México analisaram o grande poder alimentício do alpiste, devido aos grandes benefícios que acarreta às aves,

Óquêi. Para você, qual a primeira coisa que chama atenção aqui?

Para mim é a presença da palavra “aves”, que torna qualquer comparação com mamíferos, com uma diferença evolutiva de pelo menos 300 milhões de anos, totalmente irrelevante.

A segunda coisa é a presença do nome de uma universidade. Uma alegação testável!

Mexendo um pouco na página da dita cuja – unam.mx -, achei o seguinte:

Alpiste

Phalaris canariensis L.

Gramineae

(…)

Comentarios.

Planta introducida de la cual no se detectaron antecedentes de uso medicinal, ni estudios químicos o farmacológicos que corroboren su efectividad.

Ou, em bom português: “Planta introduzida (não-nativa) na qual não se detectou antecedentes de uso medicinal, nem estudos químicos ou farmacológicos que corroborem sua eficácia.”

Se você não é familiar com o “trombone triste”, clique neste link e ouça (são cinco segundos só).

Pois é. Na página da universidade citada logo no começo do spam é facilmente encontrado que não só não existem registros de uso medicinal tradicional como também não existem estudos que apoiem tal uso que não era feito. Que lindo.

Mas, mais sobre isso daqui a pouco. Continuando.

E depois de muitas experiências baseadas em método científico descobriram que o alpiste possui uma proteína incrívelmente poderosa, a qual tem seus aminoácidos estáveis o que induz a uma maior eficiência alimentícia no organismo.

Que proteína? Cadê o nome? Falou até em método científico mas não deu o nome da proteína?

Isoleucina, leucina, triptofano, lisina, metionina, fenilalanina, treonina e valina. Esses são os oito aminoácidos essenciais para a nossa vida. Não existe um mais eficiente que outro nem eles formam proteínas mais poderosas que outras. Por mais que palavrinhas safadas como (sic) “incrívelmente” estejam presentes no texto (como eu costumo dizer, quem acentua advérbios de modo não tem o mínimo de visão do futuro).

A parte que eu mais gosto do trecho acima é “maior eficiência alimentícia”. Visto que “alimentícia” significa “que serve para alimentar“, pode-se concluir que o autor do spam acha que nosso corpo é um restaurante. Que gracinha.

O alpiste é uma planta gramínea da família das poáceas, herbácea. É originária do Mediterrâneo, mas cultivada comercialmente em várias partes do mundo para usar a semente na alimentação de pássaros domésticos.

E daí? Como veremos mais adiante, alpiste seria uma panaceia (a cura de todos os males, agora sem acento!) e essas últimas informações acima de nada ajudam, nem como evidências nem como situador – pois se você não sabe o que é alpiste, saber de onde vem e a qual família pertence não vai ser de grande ajuda.

Palavrinhas safadas, novamente. Em nada ajudam e só servem para criar um ar de ^sabedoria^, incluindo no texto informações completamente inúteis porém com ar científico, chegado até a usar o termo “método científico” mais acima.

“Tirando leite do pau”, uma imagem irrelevante para o texto, em homenagem.

O alpiste é uma das sementes mais poderosas da Terra;

É o He-Man do mundo vegetal.

sua capacidade de recarga enzimática é imensa e seu conteúdo proteico é ainda maior. Um copo de leite enzimático de alpiste Tem mais proteína que dois ou três kilos de carne mas com aminoácidos estáveis, isto é, que viajam de uma maneira segura e indestrutível até o nosso organismo.

Bem, vamos ver a alegação acerca da proteína. Segundo uma medição neste link (em PDF) da PUC do Rio Grande do Sul, 100 gramas de “carne bovina magra, assada” contêm 30,4g de proteína total.

De acordo com a tabela nuticional (em PDF) da Comissão de Desenvolvimento de Alpiste de Saskatchewan (pois é, também me surpreendi), cem gramas de alpiste contam com 21,67g de proteína.

Usando uma recente descoberta da Universidade de Desde Sempre chamada “regra de três”, concluo que dois ou três quilos de carne equivaleriam a um copo de alpiste, desde que esse copo comportasse, respectivamente, pelo menos 2,8 e 4,2 quilos de alpiste puro, sem água. É MUITO ALPISTE!!!

Eu não sei o que o autor considera “recarga enzimática”, mas qualquer enzima que o alpiste contenha vai ser demolido com força pelo nosso ácido estomacal (mas sobre ácidos lá embaixo). Quanto ao trecho “aminoácidos estáveis, isto é, que viajam de uma maneira segura e indestrutível até o nosso organismo” eu só consigo pensar que ele está a cantar as virtudes da casca do alpiste, que não deixa o grão se desintegrar. Mas aquele “isto é” ali me deixa um pouco desconfortável, visto que aquela não é a definição de “aminoácido estável”.

Veja bem, os aminoácidos são naturalmente estáveis, sendo os ácidos alifáticos os mais estáveis de todos, incluindo dois (glicina e alanina) que produzimos naturalmente, sem a necessidade de comermos ração de passarinho.

Mais palavrinhas safadas.

As enzimas que o alpiste proporciona têm um imenso poder para desinflamar nossos órgãos, especialmente o fígado, os rins e o pâncreas, o que torna o alpiste um fabuloso regenerador pancreático, isto é, acaba com a diabete em poucas semanas,

Você entendeu o que essa frase aí quis dizer? Vou traduzir usando analogias automotivas para deixar mais claro: “a cor da gasolina tem um imenso poder para limpar os filtros do condicionador de ar, especialmente os que resfriam o para-brisas e o desembaçador do vidro traseiro, o que torna a cor marrom um fabuloso regenerador aéreo, ou seja, seus dentes vão ficar mais branco em uma semana”.

Ficou mais claro agora? O autor deu um pequeno salto de “viram que alpiste é bom para pássaros” usando o tradicional “eu não sei ler tabelas nutricionais” e chegou milagrosamente em “só não ganhei ainda o Nobel de Medicina porque sou muito modesto”.

Fora que “regenerador pancreático” me soa muito parecido com “capacitor de fluxo”. Mas aí é só implicância minha, porque eu só gosto de coisas que fazem sentido.

Ai, ai… Tem muito mais ainda.

elimina também a cirrose ao aumentar o controle de hepatócitos do fígado e de passagem, claro, o desinflama,

Sabe o que elimina cirrose? Transplante. Cirrose é, literalmente, uma cicatriz no fígado. O tecido do órgão é substituído por uma cicatriz, da mesma forma que acontece no queixo de menino que não sabe brincar. Se você já levou pontos alguma vez, sabe que essa marca jamais vai ser eliminada pelo aumento do controle do num-sei-o-que, seja lá o que isso signifique.

E inflamação no fígado não é cirrose, é hepatite. Sujeito aí faltou à primeira aula de fisiopatologia.

recarrega os rins de enzimas, favorecendo uma saudável diurese que elimina o excesso de líquidos no corpo,

Minha resposta:

“O crime é uma doença… tipo cirrose ou hepatite (não sei a diferença). Minhas balas de alpiste são a cura (quando eu recarrego os rins, que são as pistolas).”

por isso o alpiste é um lutador incansável contra a hipertensão…

Hein!? Como foi que chegou aí? Acho que a minha cópia veio com algumas páginas coladas.

é uma maravilha, por conter a enzima lipasa que elimina rapidamente a gordura do organismo, seja nas veias, nas artérias, ou simplesmente dos depósitos de gordura, por isto é um importante remédio contra a obesidade

Não, não contém.

Próxima!

e gera grandes e potentes resultados como promotor de corte e tonicidade muscular.

Mesmo que tivesse, não geraria. Como não tem, não gera dobrado.

E eu que não quero um negócio promovendo “corte muscular” em mim. Já me bastam as facas daqui de casa.

Indicado para hipercolesterinemia e prevenção da arteriosclerose;

Indicado por quem? Pelo pps? Porque pela Medicina não é.

diurético: útil em situações nas quais se requer um aumento da diurese, tais como infecções genito-urinárias (cistite),

Cistite é uma inflamação na bexiga (é também uma inflamação da bexiga, oxe). Não sei como é no autor, mas meus genitais ficam um pouco mais para fora.

E agora, com vocês, uma lista de doenças!

hiperazotemia (abundância de sustâncias nitrogenadas no sangue), hiperuricemia, gota, hipertensão arterial, edemas, sobrepeso acompanhado de retenção de líquidos, gastrite e ulcus (úlcera, sobretudo úlcera do estômago).

TA DA! [muitas palmas]

O que mais gosto da lista, além do fato da aparente falta de necessidade em listar coisas aleatórias e desconexas, é o uso da palavra ulcus, latim para úlcera.

É demulcente (emoliente, relaxa e abranda as partes inflamadas).

Mas é para cabelos secos ou oleosos?

Nas Canárias além de aperitivo é considerado um bom remédio para os males da urina, pedras, rins e bexiga, e refrescante para os calores.

Você não odeia quando sua urina adoece? E quantas vezes nós não saímos no meio da noite em busca de uma farmácia aberta para comprarmos remédios para pedras? Eu não gosto de ver pedras sofrerem, sempre achei de mal gosto o começo de Super-Homem IV, que mostra Lex Luthor quebrando pedras a marretadas.

Pelo menos é “refrescante para os calores”. Todos eles.

Também é utilizado externamente para eczemas.

Essa parte é interessante (não só pela imagem que acompanha, que pode facilmente ser um recorte de uma imagem pornográfica de uma desbarrigada sensualizando) porque fala de uso externo e, em seguida, ensina o modo de consumo – via oral.

Como consumi-lo: apenas deixar de molho cinco colheres de alpiste à noite e pela manhã eliminar a água em que ficou de molho, por as cinco colheres de alpiste embebido no liquidificador, enchê-lo com água pura e bater,

ENCHER O LIQUIDIFICADOR? Que receita fabulosa! Quanta atenção aos detalhes!

Naquela mesma página da universidade mexicana, onde tem dizendo que nunca se encontrou prova de eficácia, em um link que citei lá em cima, encontrei isso aqui:

Etnobotánica y antropología.

La presión alta, en el Distrito Federal, se trata entre otras muchas formas como sigue: se prepara un cocimiento con los frutos, se cuela y se toma como agua de tiempo sin endulzar, solamente por una semana.

Traduzindo: a forma tradicional de consumir alpiste é cozendo-o, coando-o e consumindo-o somente por uma semana. Para tratar pressão alta.

Uai!? E tem que tomar depois de cozinhar? Não era só deixar de molho? E cadê a diabetes? Cadê? Cadê diabetes?

E o que o autor do spam quer? Matar todos nós de super dosagem? Porque no único lugar onde ele cita o tempo do ^tratamento^ ele fala em “semanas”.

Bah. Tem mais.

o resultado será um leite bem espumoso de suave sabor que é basicamente uma injeção a favor da saúde máxima e da forma desejável do corpo, toma-se um copo grande em jejum e outro bem antes de dormir.

Quando eu escrevi esse outro texto, minha intenção era fazer uma paródia justamente de spams desse nível; textos escritos por alguém que mal sabe separar parágrafos, sem revisão e sem senso de ridículo (ou de responsabilidade, mas eu ainda prefiro aplicar a Navalha de Hanlon).

Uma injeção a favor da saúde máxima e da forma desejável do corpo. É tudo o que eu quero agora.

É claro que se você quiser tomá-la nas refeições ajuda muitíssimo, no entanto, nunca deve faltar em jejum pela manhã e antes de dormir.

Se ajuda muitíssimo, por que a recomendação inicial já não é “se entupa desse caldo amargo e seboso o dia inteiro” desde o começo? QUEM VOCÊ ESTÁ TENTANDO MATAR, SEU SPAMMEIRO SEM CORAÇÃO??

Nunca acrescente nem fruta nem açúcar, isto está proibido

Pausa para citar uma frase do único filósofo sério e único profeta real, Aleister Crowley: “fazes o que queres, pois tudo é da Lei”.

Continuando:

Nunca acrescente nem fruta nem açúcar, isto está proibido pois o açúcar refinado é um veneno que mata as enzimas e tudo que é bom dos alimentos, já que é muito ácido e nada vivo sobrevive na acidez do açúcar refinado.

Amigão, enzimas não são vivas, frutas não contêm açúcar refinado nem este é veneno, nem ácido.

A frase é tão filhadaputa que é até difícil contar quantas coisas estão erradas. Por exemplo, se frutas tivessem um veneno que mata “tudo que é bom dos alimentos”, por que então seria uma das coisas mais recomendadas por médicos e nutricionistas?

E dizer que açúcar refinado, que é 100% sucrose, não pode é o mesmo que dizer que sucrose não pode, não é?

Volte ali na tabela da associação saskatchewense e procure (terceira tabela do lado esquerdo) por “sucrose”. Já adianto: é quase 70% do total de açúcares no alpiste.

Quanto à acidez, é sabido que esta é medida pela quantidade de H+ ou OH- que uma solução apresenta.

Aquela palavra novamente: “solução”. Açúcar, até onde eu lembre, não é uma solução, portanto, não pode ser ácido (ou básico, ou qualquer outra coisa – é como tentar medir a temperatura de um som).

Até em soluções a glucose praticamente não doa nenhum íon (numa solução a 10%, menos de uma em cem mil moléculas perde um H) e, devido a isso, não altera o pH de coisa nenhuma.

De quando em vez, eu preparo um refrigerante de gengibre (que eu chamo “gengibrerante”) aqui em casa e um dos ingredientes principais é açúcar. Outro que não pode faltar é fermento biológico, cujos organismos são os responsáveis por peidar gás carbônico na minha bebida, numa prova viva de que açúcar não mata. Ou será que só mata o que não é vivo?

Falando em ácidos, o do estômago é bem forte, beirando o pH 1 (quanto menor o pH, mais ácida a solução). O “ácido” inexistente do açúcar “mata” as coisas boas do alpiste mas o real, inexorável e intransponível ácido clorídrico não?

Eu achei também em alguns lugares (não muito confiáveis, mas é sempre bom usar fogo contra fogo) que alpiste contém ácidos salicílico e oxálico. Mas não, esses ácidos são do bem, só o que mata é o ácido imaginário do açúcar.

Consumir leite de alpiste é uma injeção ou vacina bem forte contra a diabete e qualquer enfermidade gerada por níveis ácidos do corpo,

Esse sujeito (ou sujeita, para ser justo – algumas mulheres conseguem ser burras assim também) iguala “injeção” a “vacina”. Daí você tira o nível intelectual da pessoa. Confunde um método mecânico de inserção de material com remédio.

Outra coisa: diabetes não é “gerada por níveis ácidos do corpo”. Uma coisa que cure um precisaria de muito malabarismo fisiológico e farmacoquímico para curar outro.

portanto, é necessário consumir pelo menos dois ou três copos de leite de alpiste diários para assegurar uma figura delgada e um corpo bem sadio, que, claro, conduza a uma mente sã.

Quando for usar a locução “pelo menos”, tenha um valor mínimo bem definido. E se o mínimo forem três copos, diga logo no começo que são três e não “um em jejum e outro antes de dormir”, porque isso contabiliza dois. E se beber alpiste conduz a uma mente sã, acho que o autor está se abstendo do leitinho.

E você notou que tudo isso, toda essa enrolada e invenção, depois de tantas imagens, tantas cores, tantos remetentes bloqueados e tantas falsas promessas, eis que surge a intenção real do autor? Ele odeia gordos e acha que ser magro e ter a “figura delgada” é a única forma aceitável para um ser humano e a única maneira de ter “um corpo bem sadio” (não sabia que ser sadio vinha em graduações).

O nome disso é GORDISMO. Sabe quem mais odiava gordos? Hitler.

Mas que figura delgada! Você deve se entupir de alpiste, não é? Hitler ama você.

Mas ainda me pergunto, será que esse suco do alpiste também cura o câncer de esôfago que sua casca pode causar? SERÁ?

Não, não cura. Assim como também não cura diabetes nem cirrose nem nada alegado no spam. Deixe o alpiste para os passarinhos e vamos comemorar num churrasco.

Finalizo esta análise com o recado final do próprio spammeiro: Compartilhe.

P.S. Não resisti, precisava colocar esse gif.

Balas de alpiste recarregando seu mijo!

Outros spams destruídos:

Como reconhecer um spam;

Spam dos batons com chumbo;

Spam do camarão e da vitamina C;

Spam dos absorvente internos que causam câncer;

Spam do benzeno em condicionadores de ar de automóveis;

Spam da Doença de Chagas em feijão;

Spam sazonal da gripe suína;

A falsa cura do câncer desmentida mais rapidamente que eu já vi.

UTILIDADE PÚBLICA – Cuidado com os ESPELHOS, ops, SPAMS!

Gabriel mandou essa belezura para mim (eu já conhecia mas nunca tinha tido saco de escrever a respeito) e resolvi repassar aqui porque é realmente um assunto muito importante: a irresponsabilida de quem perpetua spams.

Por respeito aos meus leitores, a mensagem foi reproduzida aqui sem cores e com uniformidade de fontes.

Meus comentários estão intercalados ao spam. Acho que não será difícil reconhecer qual é qual.

VOCÊ SABE SE O ESPELHO EM LOCAL PÚBLICO EM QUE VOCÊ ESTÁ SE VENDO É O VERDADEIRO?

Se você está “se vendo”, provavelmente você está olhando para um espelho que, se fosse falso, não refleteria e, portanto, não seria chamado “espelho” mas “parede”.

ESPELHO DE 2 DIREÇÕES: COMO DETECTAR?

#comôfas?

INFORMAÇÃO POLICIAL

Mesmo que seja verdade, o que provavelmente não é o caso, seria uma informação policial de outro país, visto que o email é uma tradução.

Quando forem curtir um hotel, lojas de departamentos, pousada ou mesmo banheiro público, prestem atenção nos espelhos.

Especialmente se você for desengonçado, estiver carregando artigos pesados e pontudos e tiver a pele frágil. Eu me cortei num pedaço de espelho quebrado um dia desses e não foi nada divertido.

Vocês podem estar sendo observadas, por isso não custa nada fazer o teste abaixo.

O famoso “mas não custa nada”. Esses spammeiros sempre deixam de fora a dignidade, que nos é muito cara.

Serviço de Utilidade Pública em Prol da Integridade Feminina:

Todo Em Inicias Maiúsculas De Modo A Parecer Algo Oficial.

Não é para assustar, mas para alertar.

Igual ^alertar^ “FOGO! FOGO!” num cinema.

Quando as mulheres vão à toaletes, banheiros, quartos de hotel, vestiários de mudar de roupa, academias, etc., quantas podem estar certas de que o espelho, aparentemente comum, pendurado na parede é um espelho de verdade ou um espelho de duas direções? (daqueles em que você vê sua imagem refletida, mas alguém pode te ver do outro lado do vidro como os da Casa dos Artistas, A Fazenda e Big Brother).

Tirando o mal uso da crase (a prostituta da gramática), o idiota “vestiários de mudar roupa” (diferente daqueles vestiários onde já entramos nus) e a menção aos espetáculos televisivos da escória humana, eu posso responder à pergunta usando elementos dela mesma. Se o espelho está “pendurado na parede”, ele é um espelho comum.

Espelhos de observação não são pendurados, da mesma forma que janelas não são penduradas, mas instaladas dentro da parede. E uma forma de se pensar em tais espelhos é que eles são janelas refletivas (aliás, durante uma noite particularmente preta, acenda as luzes da sua casa e olhe pelo vidro de uma janela fechada e se surpreenda ao ver sua própria cara assustada, olhando de volta). O ambiente que estiver mais iluminado vai aparecer mais, independente de qual lado você esteja.

Tem havido muitos casos de pessoas instalando espelhos de duas direções em locais freqüentados por mulheres, para filmar, fotografar ou simplesmente ficar olhando.

A boa e velha informação vaga. Esse “tem havido” é do mesmo time de “dizem que comer capim faz crescer a orelha, vide os burros”. Como assim “tem havido”? Dá para ser mais impreciso que isso?

É muito difícil identificar positivamente o tipo de espelho apenas olhando para ele.

Ou, como se trata de espelhos, olhando para você mesmo.

Então, como podemos determinar com boa dose de precisão que tipo de espelho é o que estamos vendo?

Encostando o rosto no vidro e colocando as mãos acima dos seus olhos para cobrir o reflexo da luz, mais ou menos assim:

A cara de abestalhamento é opcional

Porque o vidro espelhado continua sendo um vidro translúcido (lembre-se do exemplo da janela) e, do jeito que a luz funciona, parte da iluminação do seu lado necessariamente vaza para o outro, mais escuro. Usando a técnica da imagem acima é possível “desmascarar essa quadrilha”, se é que existe uma.

É MUITO SIMPLES:

Concordo. Até já disse como fazer.

Faça apenas este teste: Toque na superfície refletida com a ponta da unha.

É. Faça apenas o teste sugerido e saia como entrou: totalmente ignorante quanto ao modelo do espelho.

Se existir um ESPAÇO entre a sua unha e a imagem refletida, o espelho é GENUÍNO.

"Ninguém vai colocar dedo nenhum em mim, sai dessa!"

E, se não existir reflexo, o espelho é falso. Você está encostando sua unha num muro.

O espaço é equivalente à espessura do espelho, pois a parte que reflete é a parte do FUNDO do vidro, não a parte da frente.

Isso nos espelhos cuja superfície refletiva fica atrás, e não na frente do vidro, que são a maioria. Mesmo porque o que reflete é uma fina camada metálica facilmente desgastável por pontas de unhas daqueles que são dementes o suficiente a ponto de acreditar inquestionavelmente em informações recebidas via email colorido. Um espelho bom e resistente com camada refletiva anterior é bastante caro e as lojas de departamento que esse pessoal frequenta jamais gastaria dinheiro com isso.

Entretanto, se a unha TOCA DIRETAMENTE na imagem, NÃO havendo um espaço CUIDADO COM ELE (…)

CUIDADO!!! SEU DEDO TOCOU DIRETAMENTE UMA IMAGEM!!! CORRAM!!!

(…) POIS É UM ESPELHO DE DUAS DIREÇÕES.

OU UMA BANDEJA DE PRATA!!!!

Ou qualquer outra superfície refletiva. Incluindo um espelho perfeitamente normal e extremamente caro. Não o quebre.

A parte reflexiva é a parte da frente, não a do fundo do vidro.

"Minha parte reflexiva certamente não é o fundo. Sai dessa."

Então, lembre-se a cada vez que você vir um espelho, faça o “TESTE DA UNHA”, tem que haver um espaço!

Teste da Unha® – para os obsessivos compulsivos entre nós.

Aproveite para chamar a polícia, pois trata-se de crime previsto em lei.

Que lei, exatamente? O melhor que eu achei foi o artigo 227 do Código Penal, que diz: “Induzir alguém a satisfazer a lascívia de outrem”. Mas brechar não é induzir, então como fica?

Novamente, essa mensagem foi traduzida. Talvez voyeurismo seja crime no país de origem do mito, mas não o é (pelo menos explicitamente) no Brasil.

Acreditar em estorinhas e espalhar spams é sinal de uma mente pouco crítica e é exatamente disto que menos precisamos.

Vamos aprender a pensar e deixar de preguiça. Cinco segundos no Google (considerando que você está lendo emails, ou seja, com acesso instantâneo ao resto da Internet) mostraria como isso aí é falso e, ao contrário do que promete, só serve para espalhar o pânico. Imagine a quantidade de chamadas inúteis que a polícia receberia em virtude de um ridículo “teste da unha” feito por pessoas ingênuas, inexperientes e já crédulas nessa besteira de que estão sendo observadas. Além de burrice isso seria uma irresponsabilidade (fora que chamar a polícia para motivos fúteis ou falsos é crime sim, de acordo com o artigo 340)

Novamente, vou usar um lembrete do próprio spam e que se adequa aqui:

Mulheres, ensinem isto para suas amigas!
Homens, ensinem isto para suas esposas, filhas, namoradas, amigas.

(Fora que ainda nos deixa com a sexista mensagem “Os homens que se danem! Neste mundo só se brecha mulher!”. Que absurdo.)

Mais spams destruídos:

Como reconhecer um spam;

Motivos para não incluí-los em meus textos;

Spam da Doença de Chagas em feijão;

Spam sazonal da gripe suína;

Spam dos batons com chumbo;

Spam do camarão e da vitamina C;

A falsa cura do câncer desmentida mais rapidamente que eu já vi;

Spam dos absorvente internos que causam câncer.

Parem o mundo que eu quero vomitar! Nele, preferencialmente.

Eu desisto.

Foi complicado no começo mas agora parece bastante simples. É impossível competir com ignorância gerada por desinformação gerada por pânico gerada por ignorância, todas de mãos dadas numa cadeia infinita de estupidez quadrática.

“Pérolas aos porcos” não é uma analogia apropriada. Os porcos podem até fazer alguma coisa com elas, nem que seja fuçá-las para o lado de modo que não se misturem com sua comida.

A sensação que eu tenho é de jogar pérolas embaixo da máquina de lavar roupa onde permanecerão para sempre num limbo inalcançável.

Quantos de vocês leram o que Carlos escreveu e passaram a mensagem adiante?

Agora, quantas das pessoas que receberam a mensagem fizeram o mesmo?

Porque eu mandei para todo mundo que costuma trocar email comigo e tenho certeza de que meu esforço morreu neles.

Levei até esculhambação por usar dados e evidências em meus esforços e por ter “mudado de opinião”, indo de “defensor de que a doença não era lá essas coisas todas” para “defensor da vacinação”. Porque essas duas afirmações são mutuamente excludentes, né?

Logo em seguida, no entanto, recebo já de terceira ou quarta mão um email com tantas cores e mudanças tão bruscas de tipo e tamanho de fontes que foi difícil ler até o fim sem ficar com dor de cabeça.

Esse email ridículo é tão mal escrito e cheio de erros que fica difícil corrigí-lo da mesma forma que é difícil contar todos os grãos de arroz num saco. É possível, mas é uma tarefa tão monstruosa que se torna previamente opressiva.

Um dos pontos levantados na mensagem é que mercúrio é tóxico e vacina tem mercúrio.

Botulismo também é tóxico e nem por isso milhões de pessoas ao redor do mundo deixam de injetá-lo frequentemente no rosto. Basta vir sob a alcunha de “Botox”.

Ferro é atraído por campos magnéticos e temos ferro no sangue. Por que operadores de eletroímãs não têm seu sangue esguichado de seus corpos durante a realização de seus serviços?

Porque substâncias existem em formas variadas na natureza. Ferro pode ser férrico ou ferroso. Um ajuda a transportar oxigênio para o cérebro de algumas pessoas enquanto o outro serve para fazer agulhas que são atraídas pelo campo magnético terrestre.

O mercúrio da vacina não o mesmo mercúrio dos termômetros de outrora, mas uma forma orgânica do negócio.

Tão segura para consumo humano que era usado em mertiolate. Disso ninguém lembra, né?

O email continua dizendo que a vacinação é uma forma do governo matar milhares de pessoas para tomar o controle.

Porque o governo já não tem o controle, né?

E menos pessoas é bem melhor para o governo, né?

Diz lá também que a doença foi criada em laboratório e que “a gripe “apareceu” no México” (sic).

Porque esta é a primeira vez que temos H1N1 no mundo, né?

Eu poderia fazer uma análise detalhada, ponto a ponto, do spam que recebi, mas eu não me importo mais.

Não sou mais adolescente, já percebi que não vou conseguir mudar o mundo.

Se estiver sendo injusto com alguém, peço desculpas.

Mas minha experiência justifica minhas palavras. O botão de foward rapidamente se torna difícil de apertar nesses casos…

Próxima vez eu coloco cores mais variadas e pontuação e gramática incorretas.

No começo da semana eu recebi um outro email de um rapaz que, se o ditado “clareza na escrita denota clareza de pensamento” for válido, é bem inteligente e capaz. Infelizmente ele está muito mal (possivelmente tendo sido erroneamente diagnosticado com uma doença fictícia) e a sensação de impotência pode ter feito com ele acreditasse em algo que não acreditaria em condições normais.

Ele me disse que pratica auto-hemoterapia e citou em favor da técnica alguns argumentos quebradiços dos crentes mais inflamados como “a Indústria Farmacêutica impede que a eficácia do tratamento seja testada” ou “é mais barato comprar agulha que comprar remédio”.

Mas eu digo mais nada. Se funcionar para ele, viva! Se não, o destino do sujeito não é da minha conta mesmo, então por que eu me importaria?

Não cabe a mim julgar (como me foi posto claramente em uma discussão recente) pois eu realmente sei muito pouco das coisas, mas, vendo daqui, o mundo não merece ser salvo.

E, se não fosse esse o caso, não seria salvo por mim de todo jeito. Então meu argumento morre logo na premissa.

Agora, eu vou ficar ali, estudando maneiras inovadoras de fazer coisas antiquadas, como usar o YouTube para assistir a vídeos filmados de uma TV ligada a um vídeo cassete reproduzindo uma fita produzida pela Editora Bloch em 1976.

Até.

P.S. Muito provavelmente este artigo está recheado de informações imprecisas e erros gramaticais, mas não se importem em corrigir. Eu não me importo mais.

Camarões, arsênio e vitamina C, uma estória (falsa) de amor

“Finalmente traduziram esse!” foi a minha primeira reação quando recebi de Atila a versão em português de um spam que Ítalo me mandou três meses atrás (com uma versão circulando pelo menos desde 2001) e que alerta os comedores de camarão dos perigos da vitamina C associada à uma dieta de artrópodes (para mais sobre o parentesco dos camarões, visite o uôleo).
Começando do início, uma taiwanesa começa, aparentemente sem motivo, a sangrar profusamente pelos ouvidos, nariz, boca e olhos (como todas essas partes podem ser consideradas como orifícios, é de se supor que ela também estivesse secretamente sangrando por outros buracos, mas o email não diz).
Uma autópsia preliminar diz “envenenamento por arsênico”.
Sério?
Eu sempre achei que intoxicação por (semi)metais pesados envolvesse cefaléia, tontura, náusea, vômito, salivação, fasciculação muscular, parestesias, paresia e paralisias reversíveis, visão turva, desorientação, distúrbios neuro-psicológicos, dificuldade respiratória e coma, podendo evoluir para óbito.
Não sabia que a pessoa podia desatar a sangrar feito a mulesta.

Bom, o próximo parágrafo afirma que a polícia “iniciou uma profunda e extensa investigação”.
Duas linhas mais tarde, no entanto, temos que “em menos de meia hora, o mistério foi elucidado”.
Outra coisa que eu ignorava: “profunda e extensa” é sinônimo de “rápida e mal feita”.
Interessante.

(Só achei uma pena que o trecho que lê o professor disse: ” O óbito não se deu por suicídio nem por assassinato, a vítima morreu acidentalmente por ignorância ! “ não foi precedido por “elementar, meu caro Watson.“)

Em seguida, num brilhante protesto contra a submissão à norma culta e numa demonstração de desapego total a qualquer resquício de gramática, o autor escreve: “Todos ficaram intrigados, por quê morte acidental? O arsênico ataca os militares americanos que transportam mudas de arroz H Gao.
Depois que recobrei a consciência, uma busca por “arroz H Gao” produziu apenas páginas apontando para o email falso, enquanto somente “H Gao” produz inúmeras páginas de publicações do (nano)engenheiro mecânico de (nano)materiais Huajian Gao.Legal. Me lembrou um exercício de pontuação da quinta série que pedia para dar sentido à frase “Maria só toma banho quando sua mãe traz a toalha diz ela”.

Continuando, temos que “A vítima tomava Vitamina C todos os dias, que por si só não é nenhum problema” (aham) e “O problema é que ela comeu uma quantidade grande de camarão no jantar. Comer camarão não foi o problema (…)
Utilizando-se lógica simbólica, podemos notar que:
comer camarão = problema; e, comer camarão <> problema, o que resulta em comer camarão = +/- comer camarão.
Logo, temos que: raiz quadrada de (comer camarão)² = 1.
Ou seja, se o camarão fosse uma dízima periódica e o ato de comer fosse uma equação de segundo grau, Schrödinger não teria problemas e seu gato ainda estaria vivo, a não ser que estivesse morto.

E vocês sabem que essa explicação faz tanto sentido quanto o trecho analisado.

Finalmente, uma passagem passível de ser testada: “Pesquisadores da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, descobriram através de experiências, que alimentos, como camarão “casca mole” contem alta concentração de compostos de 5-potassio-arsenico.
Como eu prestei vestibular há pouco tempo, não tenho a menor chance de saber se existe mesmo um 5-potássio arsênico, mas sei que na University of Chicago nunca se ouviu falar disso. Pelo menos não por escrito.

Depois disso, uma reação magiquímica é dada (grifos meus): “ao ingerir a Vitamina C, o inicialmente não-tóxico 5-potassio-arsenico (As2 O5) se converte no tóxico 3-potassio-arsênico, também conhecido como trióxido de arsênio (As2 O3)“.
Mais uma vez, o vestibular sugou toda a minha capacidade de balancear reações químicas, mas eu sei que o símbolo do potássio é K e sei também que ele não aparece em lugar algum na reação acima.
Mas não se preocupem, o oxigênio veio cobrir a falta do colega monoletrado.
Então, o que deveria (eu acho) ser As2K5 e As2K3 vira As2O5 e As2O3.

Aquele nome mais uma vez: magiquímica.

Na verdade o finalzinho do parágrafo “é também conhecido como trióxido de arsênio (As2 O3), que é popularmente conhecido como arsênico“.
“Arsênico” é popularmente conhecido como “arsênico”.
No máximo “arsénio”, caso se subscreva ao sistema luso de entonação.
“Arsênio” é outro sinônimo. “Trióxido de arsênio” não.

Continuando: “O venenoso arsênico faz parte do magma
AAAAAAAAH!!!!! CORRAM!!!!!!!!

Não, sério, continuando: “O venenoso arsênico faz parte do magma e causa paralisia nos pequenos vasos sangüíneos, “mercapto Jimei” ??
Preciso parar aqui porque eu já li mil vezes e não consigo entender a frase.
Isso foi uma pergunta? Os vasos sanguíneos se chamam “mercapto Jimei”? Mercapto não é um semideus grego?
Como o começo da mensagem faz menção indireta a um pesquisador chinês, creio que “Jimei” aí se refira à Universidade de Jimei, na China. Mas não é certeza, pode ser outro pesquisador com o sobrenome Jimei ou com o nome completo Ji Mei.
Não sei, estou muito confuso…
Sabem qual o maior motivo da minha confusão? Lógico que não, eu ainda não disse (e nem mesmo sei se entendo), mas digo agora: logo após o trecho acima o autor descreve as consequências de envenenamento por arsênio usando exatamente os mesmos sintomas de escorbuto grave, causado por falta de vitamina C, que no spam é a responsável pela mazela.

E agora? Se não tomar a ácido ascórbico eu vou sangrar pela boca até morrer, mas se tomar eu também vou sofrer de hemorragia bucal mortal. O que fazer com esse ardil 22?
Ah, lembrei que eu não como camarão!
Ufa! Estou a salvo.

Mas, se vocês comem aquele bicho e querem seguir a seguinte dica do finalzinho do email: “Dessa forma, como medida de precaução, NÃO coma camarão quando ingerir Vitamina C“, eu recomendo que vocês fiquem longe e evitem comer melão, mamão, manga, goiaba, ervilha, morango, pimentão, laranja, acerola, tangerina, limão, kiwi, espinafre, banana, maçã, tomate, brócolis, goiaba, ervilha, batata, Fanta, couve, aspargos, repolho, pera, amoras e suas variações, pepino, cravos, pimentas de vários tipos, uva, ameixa, abacate, orégano, milho, alguns tipos de peixe, carne de foca e a salsinha que vem sobre o arroz quando você pede um prato de camarão aos quatro queijos.
Isso e alho, um dos alimentos mais ricos em ácido ascórbico.
Quantas pessoas vocês conhecem que comeram camarão ao alho e óleo e sobreviveram?

Pois é.
Mais uma vez, faço minhas as palavras finais do texto: “Depois de ler isto, por favor, não seja egoísta. Encaminhe este texto a tantos quanto puder.”

Outros spams destruídos:
Alpiste não cura diabetes nem nenhuma outra coisa;
Como reconhecer um spam;
Motivos para não incluí-los em meus textos;
Spam da Doença de Chagas em feijão;
Spam sazonal da gripe suína;
Spam dos batons com chumbo;
A falsa cura do câncer desmentida mais rapidamente que eu já vi;
Spam dos absorvente internos que causam câncer;
Spam do benzeno em condicionadores de ar de automóveis.

Abram os vidros e deixem o spam sair

Mais um dia, mais um spam, mais um artigo combatendo essa praga.
O de hoje é um sobre carros e benzeno que pede a todos os motoristas para não ligarem o condicionador de ar assim que entraram em seus carros pois blá blá blá.
(Mais uma vez, é parte da minha política não incluir o texto para não confundir, senão daqui a seis meses tem uma ruma de gente pensando “é verdade sim, eu vi num blogue de ciência!” e isso é uma das últimas coisas que eu quero.)
Quem já recebeu o dito cujo pode conferir, quem não ainda recebeu espere um pouco. Ele vai chegar.
Vamos lá.
A primeira coisa que eu gosto de checar nesse tipo de mensagem é a consistência interna: entre o primeiro e o último parágrafo há alguma contradição?
Logo no começo temos uma lista de problemas que o produto causa. No final, temos outra lista.
Para mim, isso tem cheiro de empolgação do autor, como Chaves quando se empolga e fica chutando o ar, dizendo “zás, zás, e isso, e mais aquilo, e mais aquilo outro e, e, e…”.
Quem estava escrevendo não se satisfez com apenas seis doenças, aí antes de acabar o texto incluiu mais três ou quatro.
E sim, existe uma contradição pequena, mas que está lá.
O email afirma que o produto “causará leucemia”. Não é “pode causar”, é “vai causar, se ligue!“.
E ainda na mesma linha diz que “pode causar câncer”, assim, bem despreocupado. “É, pode ser que cause, mas não sei, não tenho certeza. É mais um ‘talvez’ que um ‘é batata!'”
Primeiro diz que vai (leucemia é um tipo de câncer), depois diz que talvez.
E a conjugação verbal? cáspite, deplorável!
Meu segundo problema (depois da gramática) é a miríade de doenças distintas e não-relacionadas que podem decorrer da exposição à substância protagonista.
Esse tem até “envenena os ossos”. Ou seja, não tente fazer caldo com benzeno por perto.
Agora, as informações testáveis: níveis seguros e exposição, sensações olfativas e relação com doenças.
O primeiro eu não achei confirmação ou negação, então vou ignorar. Até porque 76% das pessoas inventam estatísticas para confirmar seus argumentos, o que torna todos os números do email inúteis para mim.
O segundo é fácil. O autor assemelha “cheiro de carro novo” a toxicidade.
Segundo um estudo coreano, quanto mais velho o carro, mais benzeno ele produz.
Ciência 1, spam 0.
O mesmo estudo concluiu que a exposição aumentava durante o inverno, quando não se usa ar-condicionado em carros.
2 x 0
A principal fonte de benzeno é externa, vindo diretamente da gasolina, e não interna, proveniente de painéis e dutos de ventilação, como sugere o email.
3 x 0
Terceiramente, leucemia foi associado sim a benzeno. Que não é liberado pelo painel do carro, então não se preocupem por isso.
Outro ponto que eu checo sempre é a origem. Esses emails são geralmente traduções, então procurar em outras línguas sempre revela alguma coisa.
Por exemplo: é afirmado no texto que o nível aceitável dentro do carro é de “0,05 gr por cm2” (sic).
Um email em inglês de maio deste ano (o mais antigo que consegui rastrear, fazendo desse o spam mais novo do pedaço) fala em 50mg por pé quadrado, que daria 0,05 miligramas por centímetro quadrado, mil vezes menos.
Tem mais um pouco de matemágica incluída que difere medonhamente da versão em inglês, mas como eu disse, esses números não fazem sentido para mim.
Eu tenho quase certeza de que o original não foi escrito no Brasil por causa desse dado bastante explícito: “Se estacionado em área externa, sob o Sol, a uma temperatura superior a 16ºC”.
Exatamente em qual lugar do país existe uma área externa sob o sol onde o interior de um veículo não atingiria os dezesseis graus em cinco minutos?
Nossas contas sempre são pelo menos acima de vinte graus.
Isso é seguido por um conselho que pelo meu ponto de vista é pouco prático: “Recomenda-se que abra os vidrose porta para sair o ar quente interior antes que entre no carro.”
Desconsiderando a estrutura textual que me dá náuseas sempre que leio, quanto tempo esse “ar quente” demora para se dissipar?
Morando numa cidade muito quente e ensolarada como é Natal, posso dizer que esse tempo vai além dos limites da paciência da maioria das pessoas que eu conheço.
Eu concordo que os vidros devem permanecer abertos um tempinho, mas com o carro em movimento. E não para aerar o benzeno-mortal-envenenador-de-ossos, mas para tirar o calor-mortal-criador-de-círculos-sudoríferas-sob-os-braços de dentro do veículo.
Por fim, fica a dica: manter os vidros abertos enquanto o carro está andando aumenta a circulação do ar dentro do veículo, dissipando calor mais rapidamente e economizando combustível que seria gasto para condicionar o ar forçosamente.
Via ClauChow, minha atravessadora de emails sem sentido.

Mais spams destruídos:
Alpiste não cura diabetes nem nenhuma outra coisa;
Como reconhecer um spam;
Motivos para não incluí-los em meus textos;
Spam da Doença de Chagas em feijão;
Spam sazonal da gripe suína;
Spam dos batons com chumbo;
Spam do camarão e da vitamina C;
A falsa cura do câncer desmentida mais rapidamente que eu já vi;
Spam dos absorvente internos que causam câncer.

Gripe suína, MSN e spam

E não acabam as maneiras inovadoras de espalhamento de pânico e terror.
A mais nova (recebi sexta-feira passada) é um email que aparentemente é uma conversa de MSN, colada e repassada para “o bem da humanidade”.
Alguém que, aparenta ser médico, conversa com uma amiga que gentilmente pede permissão (esse pedaço de informação inútil e autosserviente pseudo-humilde está também incluído na mensagem) para enviar o conteúdo do diálogo para avisar todo o mundo que a gripe suína vai comer o seu fígado.
O melhor de tudo é que eu recebi esse spam por engano.
Existe uma geóloga arquiteta (valeu Sara) que trabalha na UFRN com um outro Igor Santos e que acha que o email dele é igual ao meu.
Eu já avisei várias vezes mas ela parece não se importar e continua mandando.
Dessa vez, mandou essa mensagem para mil outras pessoas (expondo todos os endereços para potenciais spammeiros de plantão) e eu pude responder diretamente, via email, para todos.
E a resposta está, neste momento, virando artigo de blogue.
Eis:

Cecilia, você conhece esse “deco” ou essa “Lilis”?
Porque isso tem cara de ser email falso.
Por exemplo, semana passada o México registrou mais de mil casos novos da gripe (http://indexet.investimentosenoticias.com.br/arquivo/2009/08/04/165/VIRUS-A-H1N1-Mexico-tem-mais-de-1-mil-novos-casos-da-doenca.html) e nesse texto tem dizendo que eles acabaram por lá tomando medidas drásticas e que o vírus tem níveis, o que não é verdade e qualquer médico saberia disso.
Outra, aí diz que a única solução é diagnosticar antes do vírus atingir o pulmão. Um médico jamais diria isso porque não faz sentido. O vírus está no sangue e, levando o coração 1 minuto para bombear todo o sangue do corpo uma vez, sessenta segundo após a infecção o vírus já estaria por todo o corpo.
O médico citado é um cirurgião cardiovascular (segundo o Google, para “Marcelo Tizzot Miguel”, visto que “marclo” não existe) e dificilmente seria o primeiro a diagnosticar um caso de gripe.
E em qual segunda-feira Curitiba vai ser posta em Estado de Calamidade Pública? Porque antes deveria passar pelo estágio de Estado de Emergência, segundo avaliação da Defesa Civil (http://www.defesacivil.gov.br/situacao/index.asp).
E numa busca rápida eu achei cópias desse email de três semanas atrás. Novamente, qual segunda-feira?
A UNIMED já desmentiu essa parte em seu site (http://www.unimed.com.br/pct/index.jsp?cd_canal=49146&cd_secao=49125&cd_materia=289426) e, de acordo com o jornal GP1 (http://www.gp1.com.br/noticias/gripe-comum-matou-17-por-dia-em-sp-em-2008-91900.asp): “A gripe comum foi responsável por 17 mortes por dia em São Paulo no ano passado. Ao todo, 6.324 pessoas morreram na cidade em 2008 devido a males provocados pela gripe, como pneumonias, bronquites e outras doenças pulmonares.”
Mais de seis mil pessoas mortas em São Paulo e mais de setenta mil mortas no país só ano passado por causa da gripe comum e nem Estado de Emergência foi necessário
Até o dia de hoje, no mundo todo, a gripe suína matou mil quatrocentas e sessenta e duas pessoas (http://news.xinhuanet.com/english/2009-08/14/content_11882170.htm), quatro vezes menos pessoas que só na cidade de São Paulo de gripe comum ano passado.
Já se passaram quase seis meses, então extrapolando, deverão morrer, no mundo todo de complicações da gripe suína, metade da pessoas que morreram de gripe comum em uma só cidade brasileira.
Emails que espalham o pânico fazem mais mal que bem, pois dão a sensação de impotência, deixando as pessoas catatônicas e as impedindo de agir, pois “tudo já está perdido e sem remédio”.

Mais sobre o caso, leia no blogue do Atila.

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