Homeopatia é feita de nada e NÃO funciona contra dengue
Em Natal, a prefeita Micarla de Sousa (eleita pelo PV) sancionou a Lei nº 6.252, de 25 de maio de 2011 (link em PDF) que diz:
A PREFEITA DO MUNICÍPIO DE NATAL,Faço saber que a Câmara Municipal aprovou e eu sanciono a seguinte Lei:
Art. 1º – Autoriza o Poder Executivo a realizar estudos e pesquisas no sentido de adotar medicação homeopática, no combate e prevenção de dengue em Natal.
I – A medicação a que se refere o artigo 1º poderá ser ministrada nos bairros que apresentem os maiores índices de infestação da doença ou nas áreas onde a equipe técnica da Secretaria Municipal de Saúde definir como prioritárias ou de risco iminente para proliferação de casos;
II – A aplicação do medicamento será executada pelas unidades de saúde, na dosagem prescrita por profissional competente;
III – A Secretaria de Saúde do Município de Natal, através de uma equipe multidisciplinar, fará o acompanhamento e monitoramento, com as notificações necessárias, dos usuários atendidos pela medicação a que se refere o artigo 1ª desta Lei.
Art. 2º – Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Um grande problema não é o texto acima, mas a maneira como a coisa foi levada à frente. Esses “estudos e pesquisas” não ocorreram. Especialista não foram consultados e, especialmente, o Conselho Regional de Medicina não foi ouvido.
Entrando em vigor, essa lei certamente beneficiaria, e muito, algumas pessoas, tendo em vista que homeopatia é feita de nada.
O pior, no entanto, é o fato de existirem pessoas em cargos altos (como prefeita e vereadores) que não só acreditam nessa macumba disfarçada de medicina que é a homeopatia como não têm o mínimo interesse na saúde da população (se tivessem, teriam consultado infectologistas ou teriam procurado o CRM, o que não ocorreu).
Jeancarlo Cavalcante, presidente do Conselho, falando ao jornal Tribuna do Norte disse que, tanto a sanção quanto a aplicação dessa lei são “uma temeridade”. Mas ele disse isso porque é o presidente.
Como eu não devo contas políticas a ninguém, posso dizer com mais letras: dar homeopatia a pessoas doentes ou tentar usar homeopatia para prevenir doenças potencialmente fatais é uma irresponsabilidade e demonstra, mais uma vez, o descaso do poder administrativo da minha cidade para com a população, cujo interesse deveria ser prioridade.
Por mais que esse “passe de mágica” (como disse ao mesmo jornal o presidente da Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia, Hênio Lacerda) estivesse sendo aceito por ingenuidade de Micarla de Sousa, seria dever da primeira servidora pública da cidade procurar pessoas que, ao contrário dela, realmente soubessem do que se trata medicina, doenças, tratamento, etc. Confiar na própria suposta inteligência é, demonstrativamente, um erro para pessoas assim, em cargos tão importantes.
Em entrevista ao Novo Jornal, Munir Massud, Professor da UFRN e especialista em Bioética Médica, aponta que homeopatia “não serve para nada. Na Medicina, o que não é científico não é ético”. E, para o Conselho Nacional de Saúde, antes de ser usado em humanos, um medicamento precisa ser fundamentado com experimentações prévias, cientificamente. Coisa que a homeopatia falhou em fazer 100% das vezes que tentou.
Em vista disso, a Secretaria Municipal de Saúde informou ao Novo Jornal que: “em razão da polêmica levantada pela lei, irá solicitar um parecer técnico à Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia”.
Sim, vocês já devem ter notado. A Secretaria de Saúde só irá se informar a respeito com especialistas no assunto porque o CRM e a própria Sociedade de Infectologia foram atrás.
Então, ao invés de combater o mosquito (não há uma propaganda de prevenção, um só folheto pregado em poste, nada), a prefeita achou por bem beneficiar financeiramente os feiticeiros medievais que venderiam água a preço de remédio. Porque, já que a população não gosta dela, porque ela haveria de gostar da população, não é?
Já que ela nem se trata aqui, por que então cuidar do sistema de saúde do município?
Recapitulando: matérias circularam pela Tribuna, Novo Jornal (já citados), Diário de Natal e nominuto.com após uma coletiva de imprensa organizada pelo Conselho Regional de Medicina e pela Sociedade Riograndense do Norte de Infectologia, pois nenhum dos dois órgãos foram consultados antes da prefeita passar uma lei dando água e açúcar para a população como forma de combater a dengue.
Mas eu vou esperar até Micarla divulgar o resultados dos estudos e testes que realizou, segundo prevê a lei que ela promulgou semana passada.
Enquanto isso, pessoas de fora, estejam avisadas: não venham a Natal em hipótese alguma. Gastem seu dinheiro turistando na Paraíba ou no Ceará. Aqui vocês podem morrer de Dengue a qualquer minuto.
Não há mais salvação para nós, natalenses, mas estamos resignados quanto à falta de estrutura da prefeitura para combater um mosquito.
Como consolação, fiquem com Amanda Gurgel, uma das poucas coisas boas que aconteceram na minha cidade nos últimos anos.
E que venha a Copa!
Medicina cura. Homeopatia mata. #ten23
Bob Marley, músico, nascido em 1945, diagnosticado com câncer metástico em 1980.
Preferiu se tratar com homeopatia.

Morreu oito meses depois.
José Alencar, empresário e político, nascido em 1931, diagnosticado com câncer abdominal em 1998.
Preferiu se tratar com Medicina.

Completará 80 anos em outubro.
Homeopatia e rastafarianismo mataram Bob Marley.
Cirurgias e quimioterapia salvaram José Alencar. Várias vezes.
Então, antes de vir me dizer “eu sei que homeopatia funciona porque eu e minha família usamos”, pense em Bob, mon.
Homeopatia não funciona.
E isso não é só meu ponto de vista. É a realidade.
Desafio #ten23 – overdose homeopática: vídeo-diário
Ontem, às 10:23h, eu ingeri 200 pílulas de arsênico homeopático numa diluição de 30CH, o que, segundo os homeopatas, deveria ter me matado em poucos minutos.
Mas isso eles disseram antes do ato, quando ainda estavam na fase das ameaças veladas e tentando criar medo. Depois, quando eles perceberam que os participantes sabiam da nulidade de efeitos negativos e iriam em frente de todo jeito, eles mudaram de ideia e disseram que temos que dar mais dinheiro para a indústria homeopática tomando as preparações por muitos e muitos anos para termos sucesso no nosso suicídio.
De superdosagem de vida, aparentamente.
Fica cada dia mais claro que homeopatia, além de matar, também emburrifica.
Eu e Jairo, do Um deus em minha Garagem, tomamos a suposta medicação enquanto o processo era filmado. O vídeo pode ser visto neste link.
Em seguida, ainda no shopping, iniciei um vídeo-diário para registrar qualquer efeito colateral causado pela extraordinariamente imensa quantidade de nada que eu tomei. Abaixo vocês podem acompanhar minha saga, em nove vídeos (mas calma, nenhum tem mais de cinquenta segundos).
Desafio #ten23 – overdose homeopática. Ou, ‘o dia em que eu não morri’
Atenção: todas as aspas usadas neste texto são irônicas.
Estou neste momento preparando um diário dos “efeitos colaterais” da “overdose” homeopática que tomei hoje, dia 5 de fevereiro de 2011, e que deverá ser postado amanhã (eu não “morrendo” daqui pra lá, obviamente) com direito a fotos e vídeos.
No entanto, agora, assistam ao momento em que “me matei” homeopaticamente:
Se você não sabe do que estou falando, leia isto.
—
Atualização: assistam ao meu vídeo-diário com as provações sofridas por mim ao longo das vinte e quatro horas subsequentes à overdose clicando no seguinte link: Desafio #ten23 – overdose homeopática: vídeo-diário
Vejam o acontecido por um outro ângulo, através da câmera de Jairo, meu colega de “overdose”:
E leiam seu texto sobre o ocorrido em Um deus em minha Garagem.




