Até onde você bebe a sua cerveja?

Ontem um amigo querido perguntou, não diretamente a mim, por que algumas pessoas não jogam suas cervejas quentes fora e pedem outra mais gelada. Essa é uma pergunta complexa que de ontem pra hoje me rendeu muitos pensamentos. Lembrei na hora de um livro cosi cosi que eu li chamado “31 canções”, onde o autor se lembra com orgulho da primeira vez que ele se libertou e saiu de um show (que estava sendo ruim) pela metade, para ir no pub jogar sinuca e tomar cerveja (uma diversão no mínimo secundária já que o show era do Led Zeppelin). Lembrei de outro livro, este sim espetacular, chamado “O Zen e a arte da manutenção de motocicletas”, onde o autor separa as pessoas em dois tipos, aquelas que fazem questão de conhecer o funcionamento de suas motocicletas e realizarem elas mesmas a manutenção, e um outro tipo, que faz questão de não entender nada e que toda manutenção seja feita por um especialista (o mecânico).

Fiquei pensando se o mundo seria dividido entre as pessoas que tomam sua cerveja até o último gole (não importando se ela esquentou, por que nada pode ser desperdiçado) e outras que se recusam a tomar cerveja quente (não importando o desperdício ou o motivo do aquecimento, já que o prazer da cerveja gelada é insubstituível)?

Provavelmente sim. (Agora eu fiquei até curioso: E você, troca sua cerveja quente ou toma ela até o final?)

Assim como poderíamos fazer muitas outras classificações. O curioso, e inquietante, é que nunca conseguiríamos criar categorias sem que houvesse interseções. Somos iguais, mas somos todos diferentes. Isso me lembrou um pequeno fragmento de um filme (Kinsey – vamos falar sobre sexo) cujo personagem biólogo e estudioso de vespas (antes de mudar pra um assunto muito mais interessante, o sexo entre humanos) fala: “Depois de estudar milhares delas (vespas) sob o microscópio, ainda não consegui encontrar uma que seja idêntica à outra. Na verdade, são tão distintas, que as crias de uma geração se parecem com os pais tanto quanto uma ovelha se pareceria com uma cabra. Alguns de nós podem ficar felizes com esse fato. Considerem as implicações, se cada ser vivo é diferente de todos os outros seres vivos, então a diversidade se torna o fato irredutível da vida. Só as variações são reais, e para vê-las, simplesmente temos de abrir os olhos.

Vejam como a biologia é psicanalítica… primeiro, podemos ser incorentes por que todo mundo é! E agora, podemos ser diferentes, por que TODOS os seres vivos são! A classificação e a separação, duas etapas praticamente inerentes a todo processo de estudo e aprendizagem, servem apenas para… propósitos de estudo e aprendizagem. Para mais nada! Por que, somos todos diferentes! É um fato. Nem mesmo os clones são iguais (você não sabia?! Em breve republicarei um texto explicando isso)!

A compreensão de que TODOS os organismos da natureza são diferentes deveria ser acalentadora: Você pode ser igual a todo mundo fazendo o máximo para não ser absolutamente igual a ninguém! E podemos ir mais alem: não deixe ninguém te dizer o que você deve fazer. E já que eu hoje (hoje?) estou cheio de citações, me lembro de uma do Woody Allen: “Se alguém quiser te dizer como você deve fazer alguma coisa, ouça com atenção, concorde na hora, agradeça e depois, ignore completamente e faça do jeito que você quiser”.

Então, se você toma sua cerveja até o final, ou se você pede logo outra, o importante é que vocês possam beber juntos na mesma mesa de bar!

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