Por que algumas mulheres (homens) só atraem homens (mulheres) malucos(as)?

Vai dizer que essa não é uma pergunta interessante? Aposto que o novo contador instalado no Blog vai disparar! Mais uma vez, não é uma pergunta pra Biólogo, mas como eu disse anteriormente, isso não importa, desde que tenha ciência por trás e que eu possa tentar falar a respeito. Não espere a solução dos seus problemas por que esse não é um site de auto-ajuda.
Cientificamente, os homens fazem parte do grupo que chamamos de estrategistas ‘r’. O ‘r’ é minúsculo mesmo e representa o valor do coeficiente de crescimento exponencial de uma população que nunca chega ao equilíbrio. Mulheres são estrategistas K, maiúsculo, e representa o valor da constante de equilíbrio de uma população quando alcança a estabilidade, em uma outra equação. Essas duas estratégias estão relacionadas com utilização de energia. Não existe estratégia certa ou errada. Existem duas formas de alcançar o sucesso reprodutivo (e evolutivo) em longo prazo. Ambas são perfeitamente viáveis (o que é mais importante que serem ‘certas’ ou ‘erradas’). Isso se não tivessem de conviver juntas!
Evolutivamente, as fêmeas acharam por bem manterem seus ovos próximos a elas, já que o custo” energético de um ovo é extremamente alto para um predador qualquer se valer dele. Acabaram por manterem seus ovos ‘dentro delas. Isso trouxe uma vantagem seríssima para as fêmeas: seus filhotes são sempre seus! Ela nunca corre o risco de cuidar de um ovo que não seja seu! O que é importantíssimo, já que o custo de manter o ovo dentro do próprio corpo e depois ainda amamentar, no caso dos mamíferos, é muito elevado.
Todo esse ‘investimento energético na gestação, fez com que as fêmeas desenvolvessem mecanismos muito seletivos para a escolha do macho. Pra gerar um filho, não poderia ser qualquer um. Tinha de ser o mais forte e com sistema imune mais eficiente. Um macho que pudesse providenciar comida e abrigo para ela e o filhote. Bom, achar um macho assim, nem era difícil, o problema era convencer ele a topar essa proposta. Basicamente a proposta é: “Me dê casa, comida e roupa lavada, por que eu juro que o filho é teu!”. Mas muitas vezes… o filho não era.

Durante um mesmo período fértil, quando o macho dava uma escapada pra buscar comida, se aparecesse outro macho, mais viril, mais forte, mais bonito ou mais resistente a doenças, a fêmea não pensava duas vezes, e dava pra ele também (de acordo com alguns cientistas, a partir desse momento começa uma ‘guerra’ entre os espermatozóides dos dois machos, dentro das trompas da fêmea. Se você quiser saber mais pode ler o livro Sperm Wars: The Science of Sex de Robin Baker).
A questão é tão séria que define promiscuidade. Apesar de muitas fêmeas humanas terem diversos parceiros ao longo da vida, elas não são promiscuas, sendo o termo reservado apenas para aquelas que tem diferentes parceiros durante o mesmo ciclo ovulatório. Ou seja: aquelas que não podem garantir quem é o pai!
Os machos para não precisarem correr o risco de acreditar em suas fêmeas, desenvolveram uma outra estratégia. Como eles efetivamente nunca teriam certeza que seus filhotes eram seus, eles resolveram investir pouca energia neles, ou melhor, em cada um deles. Produziram muitos espermatozóides, mas muitos mesmos, células pequenas, simples e que não gastassem muita energia. E jogaram com a sorte: poderia ser que uma fêmea, duas, vai lá, três se ele fosse muito ferrado, poderiam encontrar um macho mais interessante depois de terem sido fecundadas por ele. Mas mais que isso… seria difícil. Como as mulheres sabem, não tem tanto homem interessante dando sopa por ai. Bom, os machos também sabiam disso (alias, melhor que as mulheres, por isso fazem um doce de vez em quando) e por isso, resolveram espalhar seus espermatozóides pelo maior número de fêmeas possível. Só assim, estatisticamente, seus genes seriam passados adiante. De uma forma, ou de outra. E como ainda por cima eles não tem interesse em investir energia na prole que não tem certeza de ser sua, precisam fecundar um número ainda maior de fêmeas, para aumentarem suas chances de terem uma descendência.
Parece machista? Terrível? Olhe a sua volta: peixes, aves, cães e gatos… todos fazem assim, só nós queremos ser diferentes.
Agora entra o argumento óbvio: Ahh… mas nós não somos cães e gatos! Nós somos inteligentes! Mesmo os seres humanos, viveram como animais no último 1 milhão de anos. Apenas nós últimos 4-5 mil anos, começamos a nos civilizar(?). Acreditem em mim, isso não é tempo suficiente pra seleção natural agir e mudar nossa biologia.
A natureza criou as mulheres exigentes e os homens descompromissados. As fêmeas exigem qualidade e prometem fidelidade, mas… traem! Os homens… bem, os homens só traem mesmo!
Não somos malucos, mas temos regras sociais que ditam uma coisa e hormônios que exigem outra. Uma equação difícil de resolver. Somos a primeira espécie que tenta apaziguar uma guerra evolutiva entre os sexos que dura milhões de anos. E estamos pagando o preço.
Mas isso não serve de desculpa para ninguém. Temos mesmo a inteligência e a cultura, e devemos fazer uso delas. Mas se resolvermos fechar os olhos para as questões biológicas (e abrirmos muito eles para os contos de fadas), corremos o risco, simplesmente de morrer tentando. Ou pior ainda, de não trepar!

PS: Pra quem estiver mais curioso sobre os aspectos científicos do sexo e dos relacionamentos, não deixe de ler o impagável “Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor” de Allan e Bárbara Pease. E pra quem estiver muito interessado mesmo nas questões biológicas mais intrigantes (Por que as mulheres mestruam? Por que os homens não amamentam?) podem tentar ler (por que é meio chato, apesar de super interessante) “Why sex is fun?” de Jared Diamond.

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Discussão - 10 comentários

  1. Um bêbado quase anônimo disse:

    Meu Deus, sabedoria acachapante (volto a chorar)…

  2. Eduardo Goldenberg disse:

    Seu bêbado-de-merda! Tá pensando que PODE se fazer passar pelo Szegeri? Qualé, camarada!?Mauro, quem é?Tu sabe?

  3. Lu Guerreira disse:

    Adorei confrade. beijos

  4. Maria Paula disse:

    Meu Deus! Que rapidez na resposta! Beijos!

  5. Cris disse:

    Como você bem sabe, do alto da minha função de fêmea pós 4-5 mil anos de civilidade, esse tema muito me interessa. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas realmente, mas realmente (além de preferir que alguns homens estivessem nus), tem um ponto em que eu e o Begon andamos divergindo de você, ou quase. As estratégias r e K “definem dois tipos contrastantes de espécie e podem ser úteis na descrição de diferenças gerais entre os táxons”. Somos homens e mulhers da mesma espécie ou os últimos 4-5 mil anos se prestaram a mudar isso também, e eu nem me dei conta ainda? Retomando a sua questão, há tantos indivíduos machos e fêmas da nossa espécie que não se acham atraindo malucas ou malucos, que alguma particularidade deve haver regendo aqueles que, como eu e você, tipicamente achamos que sim. Não seria mais sensato nos darmos conta de que somos da mesma espécie, valorizarmos as diferenças (que, diga-se de passagem, são necessidade absolutamente imperativa para a reprodução), tomarmos cuidado com as interpretacões estritamente biológicas (porque elas podem ser perigosas), seguirmos no delicioso jogo da sedução, e pararmos de pensar que mulheres são de Vênus e homens são de Marte? Afinal, de fato não estamos todos aqui? Ou alguém já encontrou a gostosona de “A Experiência” em algum lugar? Ah esqueci, se encontrou, deve ter morrido depois da trepada literalmente sideral, e não tá aqui pra ler o maravilhoso blog do Mauro, não é isso? Minha proposta é: menos racionalidade, mais beijo na boca, mais espírito de Scherazade nas mulheres e mil e uma noites de sedução! E Maurinho, meu amado, não é porque você está, como sempre lindamente, falando de biologia que não está sendo racional, racional, racional… Mas pra não perder o embalo, se você achar que somente o ambiente dos K-estrategistas é competitivo e que somente o ambiente dos r-estrategistas é instável, pode acabar se enquadrando numa das características mais complicads desse último grupo de organismos: a semilparidade. Deus livre as mulheres do que seria esse mal evolutivo irreparável!!!!! Beijo da sua maior fã.

  6. Mauro Rebelo disse:

    Cris, podemos estender essa prosa, mas no buteco, que é o lugar apropriado. Acredito que haja competição entre os r estrategistas, o que na verdade só acentua o oportunismo deles, assim como o equilibrio dos K estrategistas é dinâmico e flutuante. Mas a gente sabe que as estratégias r e K não definem mais os taxons e que uma mesma espécie pode ter estratégias r quanto a uma característica (tipo alimentação) e estratégia K quanto a outra (reprodução). Sem contar que podem ter estratégias diferentes ao longo do seu desenvolvimento (r na juventude, K na maturidade). Talvez falte romance pra compreender as loucuras de homens e mulheres, mas talvez falte um pouco de respeito aos nossos instintos animais… o que no fundo pode ser a mesma coisa!

  7. Cris disse:

    É isso… Na verdade, estamos falando a mesma coisa. Depois a gente conversa mais, no buteco, com mais gente e, de preferência, sem guerra dos sexos. E viva as diferenças!

  8. naete reis disse:

    Interessante porem nao me convenci.Existem milhares de outros exemplos de animais em diversos ambientes que nao possuem essa estrategia reprodutiva. Machos que so tem uma femea, femea que possui varios machos. Logo seus exemplos nao podem servir e regra geral pois nao sao conclusivos. E se realmente fosse como voce esta dizendo, nao haveria tanta barreiras de microorganismos (aids e as centenas de outras doencas sexualmente transmissiveis)fazendo homens e mulheres com muitos pareceiros sexuais ficassem doentes ou ate morrendo. E ha casos de mulheres que se relacionam com muitos homens. Nao podemos pensar q a biologia eh isso. A humanidade que destroi seu planeta a cada dia e cada vez mais produz malucos entrando em escolas matando seus semelhantes nao pode estar usando o instinto,… porque dizer que a humanidade usa o instinto na hora de sair com varios???enfim isso pra mim nao passa de machismo.

  9. Nae disse:

    Interessante porem nao me convenci.Existem milhares de outros exemplos de animais em diversos ambientes que nao possuem essa estrategia reprodutiva. Machos que so tem uma femea, femea que possui varios machos. Logo seus exemplos nao podem servir e regra geral pois nao sao conclusivos. E se realmente fosse como voce esta dizendo, nao haveria tanta barreiras de microorganismos (aids e as centenas de outras doencas sexualmente transmissiveis)fazendo homens e mulheres com muitos pareceiros sexuais ficassem doentes ou ate morrendo. E ha casos de mulheres que se relacionam com muitos homens. Nao podemos pensar q a biologia eh isso. A humanidade que destroi seu planeta a cada dia e cada vez mais produz malucos entrando em escolas matando seus semelhantes nao pode estar usando o instinto,… porque dizer que a humanidade usa o instinto na hora de sair com varios???enfim isso pra mim nao passa de machismo.

  10. Mauro Rebelo disse:

    Naete,O objetivo é exatamente esse, ser interessante sem ter que convencer. Isso não é uma religião ;-)Mas para acalorar a discussão, estou ansioso pra escutar exemplos de fêmeas e machos que não se comportam assim. Apesar de eu poder ilustrar vários deles, sempre existe algum interesse ilícito por trás do companherismo. Eu não sou um grande fã da sociobiologia e muito menos do determinismo biológico, por isso, também discordo da sua colocação quanto aos microorganismos das doenças sexualmente transmissíveis. Não é uma questão de comportamento “certo” ou “errado” mas, como já havia dito, de estratégias de vida que são mais ou menos eficientes em longo prazo. Procure se informar sobre a politicagem por trás da descoberta do vírus da AIDS (que foi roubada pelo então chefe do NIH de um pesquisador Francês e que nunca conseguiu se estabelecer, sem sombra de dúvida, que o HIV é o único agente causador da AIDS). O estílo de vida não pode ser separado dos genes ou dos agentes causadores. Um abraço,

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