Razão e sensibilidade

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Não costumo a publicar citações, mas essa do Dobzhansky continua atual e tem tudo a ver com a causa dos blogueiros de ciência, o combate ao avanço da pseudociências e a exclusão científica.
“Nos gostaríamos de acreditar que se conseguíssemos adequar com segurança dados em relação a qualquer problema científico, então qualquer pessoa com uma inteligência normal, que se da ao trabalho de tomar conhecimento desses dados, deveria necessariamente chegar a mesma conclusão sobre o problema em questão. Nos gostamos de falar de conclusões demonstradas, estabelecidas, provadas e aprovadas. Parece, no entanto, que nenhuma evidencia cientifica é forte o suficiente para forçar a aceitação de uma conclusão que é emocionalmente não aprazível”
Se não aprendermos a tocar o emocional das pessoas com a ciência, nos servirá de muito pouco a razão.
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Discussão - 7 comentários

  1. Sibele disse:

    Olá, Mauro! Por força da profissão, preciso contestar sua afirmação de que não costuma publicar citações. Por quê? Porque o blog é entendido como um meio mais informal de divulgação científica? E isso desobriga à indicação de fontes dos assuntos aqui comentados?
    Entendo como equivocada essa atitude de muitos blogueiros de ciência, posto que vcs fazem um trabalho maravilhoso de divulgação e poderiam ir além, apontando fontes como indução à curiosidade do leitor com interesse em se aprofundar nos assuntos abordados.
    E por falar nisso… cadê a referência desta ótima citação do Dobzhansky? 😉

  2. Mauro Rebelo disse:

    Sibele, acho que você me entendeu mal. Quando disse que não gosto de publicar citações, quis dizer que não gosto de publicar apenas os que os outros disseram, e não que não acho importante dar crédito a quem de fato ele pertence. Você já reparou quantas páginas na internet simplesmente copiam o conteúdo de outros lugares (ainda que dando o crédito corretamente)? Então procuro não publicar citações de outras pessoas: o que elas disseram e ponto, a não ser como nesse caso, pode ser o ponto de partida ou de chegada de um assunto.
    Aqui nesse blog os créditos por informação são super respeitados. Se você passear pelo blog verá que todos os textos que tratam de artigos publicados não só trazem as referências como muitas vezes dou até o link para um artigo. Um abraço,

  3. Sibele disse:

    Mas cadê a referência dessa citação do Dobzhansky?
    Hummm, acho que vc ficou bravo! 😛

  4. Mauro Rebelo disse:

    Oi, não fiquei bravo não. Com esse parágrafo ele concluiu a resenha do livro Evolution, Creation and Science de F. L. Marsh publicada na revista The American Naturalist, Vol. 79, No. 780 (Jan. – Feb., 1945), pp. 73-75. Se quiser eu te mando o texto por e-mail.

  5. Sibele disse:

    Mauro, muito obrigada! E incrível, o texto é de 1945!
    Eu gostaria, sim, e muito, de ler a íntegra do texto. Ficarei muito grata se vc enviá-lo por e-mail!

  6. Priscila MOnteiro disse:

    Quero por email também!!! rs

  7. Sibele disse:

    Oi, Mauro!
    Novamente, muito obrigada pelo envio do texto!
    Então, aqui está meu comentário, e é só minha opinião:
    Imagino que em 1945, quando Dobzhansky escreveu esta resenha, imperava o mais austero formalismo racional nas Ciências, numa caracterização comumente fria, objetiva, calculista e distante. Muito dessa imagem persiste nos dias de hoje, por força do modus faciendi científico, formatado e estabelecido em longos anos de avanço da Ciência e arraigado em corações e mentes de seus dignatários.
    Dobzhansky foi um visionário, então. E por que hoje, mais de 60 anos depois dessa visão, ela continua sendo atual? Não avançamos o bastante? Creio que o peso da tradição desse modus faciendi científico atua bem como um grilhão a impedir ou pelo menos atrasar o abandono dessa imagem em diferentes esferas e audiências.
    Aos poucos, as correntes desse grilhão estão sendo rompidas, em aproximações lentas, graduais e seguras junto ao público, inclusive envolvendo esforços de membros da própria comunidade científica (a exemplo de Stephen Jay Gould) e neste caminhar, os próprios resultados da Ciência estão mostrando sua valia, ou o que são essas novas tecnologias digitais (os blogs), convertidos em eficientes meios de comunicação que aproximam, como nunca antes, o cientista de audiências diversas? Cabe agora maximizar o uso da ferramenta (uma entre outras ações, claro está) pois ela apenas propiciou uma maior proximidade. Resta, porém, tornar esta proximidade real e verdadeira. Só assim, a meu ver, mesmo catedráticos com PhD oriundos dos confins do Nebraska, como Marsh, terão que suar mais a camisa para fazer valer sua “ciência”.

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