Quem foi que disse?
Fiquei tão impressionado com a velocidade que meus leitores esclareceram a questão da autoria da frase “Me perdoe está longa carta, é que não tive tempo para escrever uma curta” (veja aqui) que e resolvi propor um no enigma: A Obesidade Mental!
O texto a seguir é um trecho do livro “Obesidade Metal” de Andrew Oitke:
“O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades: Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem teto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto.”
O texto chegou até mim em um daqueles e-mails repassado por 587 pessoas. Mas a mensagem era importantíssima e eu comecei a usar a citação em aulas e palestras. Como eu não gosto de citar livros que eu não li (ainda que eu cite Homero sem ter lido a Ilíada e a Odisséia) achei por bem comprar o livro e lê-lo. Certamente haveria mais coisa interessante. Entrei no Submarino e… nada. Saráiva, FNAC, Cultura… nada. Recorri então a Amazon e… nada. Título em Português, título em espalnho, título em inglês… nada. Busca pelo nome do autor… nada também. Comecei a desconfiar que havia alguma coisa de errado. Se você digitar o título do livro e o nome do autor, aparecem muitas, muitas páginas, mas todas com o mesmo trecho do livro (uma variação mais extensa do excerto acima). Mesmo que em outro idioma, o trecho é o mesmo.
Entrei no site de Harvard, de onde teoricamente o autor é afiliado e… nada.
Finalmente conclui: o livro não existe e o autor não existe.
Alguns sites já comentam que o livro não existe, mas ninguém consegue identificar a fonte da história. Tem algum nome pra esse tipo de conto do vigário? Uma pena, eu gostaria de ouvir o que esse cara tem a dizer.





"Fazer ciência é legal!"

Discussão - 11 comentários
Fiquei curioso com a sua postagem/dúvida/indagação, Mauro, e fiz uma rápida pesquisa no google.
Bem, nesse blog, a pessoa diz que leu o livro e deixou um link para download, que não é de nenhuma editora, e, portanto, não sei se o livro foi publicado.
observação: não baixei o tal livro e não sei se o link disponiblizado no blog da Luma é seguro…
enfim, boa sorte na sua empreitada pelo “livro perdido”
putz, esqueci de colocar o endereço do blog, desculpe
segue agora:
http://luzdeluma.blogspot.com/2010/12/mental-obesity.html
Bom dia Mauro,
acho que os teus últimos textos tem muito a ver com um trabalho publicado na Science em Julho do Ano passado.
Google Effects on Memory: Cognitive Consequences of Having Information at Our Fingertips
http://www.sciencemag.org/content/333/6043/776
Adiciono que usar mais de um buscador, como por exemplo o bing, tem ajudado a resolver alguns problemas. Ainda mais com toda essa “mania” do google filtrar a pesquisa de acordo com o teu perfil, caso use Chrome e esteja logado.
Olha aqui, voce nao é o primeiro a tentar devesdar o misterio !
http://oficinadesociologia.blogspot.com/2010/07/obesidade-mental-de-andrew-oitke.html
Olha só… Nem a Library of Congress tem qualquer entrada referente ao suposto livro, nem ao suposto autor.
Está parecendo um “Morelli” tão citado pelos argentinos…
Oi Mauro, td bem? : )
Por aqui mt trabalho, pouco tempo pra internet.
Só em feriado mesmo. : )
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Com relação à postagem, não conhecia esse texto, fui lê-lo, claro.
Muito interessante, mas vou pontuar umas passagens que a meu ver ocultam um viés religioso perigoso:
- a crítica a telenovelas que, segundo o autor, ‘estimulam o homossexualismo e a desagregação da família’ (como se algum hetero fosse se tornar gay só porque viu na tv);
- o ponto em que ele apresenta como problema o ‘abandono da religião’ e não a crise moral em si; diferente do que defenderia o Dawkins
- quando ele coloca como um conhecimento fundamental e essencial de todo ser humano saber a ‘função da Capela Sistina’ (tá, foi um exemplo, mas por que ele escolheu justamente um icone católico?).
- quando o texto menciona que ‘o conhecimento atualmente é feito de banalidades’ – ele está escolhendo ignorar o conhecimento científico e acadêmico (mais especializado justamente pelo aumento dos campos de conhecimento), para focar a crítica na banalidade da informação que chega a todas as pessoas, mas que não é essencialmente conhecimento.
Claro que concordo com várias outras passagens, mas é um texto a ser lido com cuidado.
Lembra um pouco um filósofo bastante conhecido da atualidade que apesar do profundo conhecimento sobre o assunto e a grande capacidade de análise e exposição, concentra a defesa do seu ponto de vista com base no aspecto religioso.
E acho que o Slavoj Žižek acharia ainda mais detalhes nas entrelinhas, por exemplo: por que ele escolheu o Saddam e o Mandella para comparar? Com certeza não é porque Saddam tem 2 Ds e Mandella tem 2 Ls, rs…
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Agora especulando… será que as citações do livro, no texto do prof. João César das Neves, não foram escritas justamente por ele???
E será que ele não estava levantando a lebre sem dar as caras para ver qual seria a repercussão?
Algo de podre no reino da Dinamarca… (ah… essa eu sei que é do Shakespeare, eu vi o filme! ops… filme é só uma pizza da sensatez!)
Putz, pior é que eu adoro pizza, rsrsrs…
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Enfim… o texto é uma crítica pertinente e importante, mas o modo como ela se fez também é criticável.
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Abç procê.
; )
C.
Achei o comentário abaixo, no blog, na sequência:
” joão boaventura said…
O artigo é de facto do catedrático da Universidade Católica de Lisboa, e foi publicado no Diário de Notícias, em 22.03.2004.
O autor é muito contestado no meio mediático e social, pelo que escreve, e encontrou na efabulação de uma referência fictícia estrangeira, um virtual catedrático americano, uma forma de dar maior credibilidade ao que escreve contra os que o atacam.
Nos meios mais restritos terá revelado os ficcionados autor e trabalho.
O Andrew Oitke terá sido o seu pseudónimo.”
http://oficinadesociologia.blogspot.com/2010/07/obesidade-mental-de-andrew-oitke.html
Uau! Até a minha irmã por aqui! Beijo Dri!
Pessoal, já tinha acessado quase todos esses sites, inclusive as indicações que teria sido o autor português também. Mas ninguém (nem o site que o Fernando indicou) parece ter acesso ao manuscrito.
realmente, minha pesquisa não foi tão profunda e aparentemente trata-se de mais um caso de “falsidade ideológica” – como diversos e-mails repassados com textos de algum autor conhecido (coitado do Veríssimo), mas que na verdade não é dele (e talvez de “ninguém”).
No campo das artes há o caso de Darko Maver (http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/por_uma_poetica_da_farsa), que foi um “artista inventado” e até convidado para a Bienal de Veneza – sem que eles soubessem que era “pegadinha”!
o comentário da Chloe é bem pertinente e me alinho a ela
a internet tem gerado uma “obesidade de conteúdo” carente em fontes protéicas
enfim…
saudações
Entendo seus argumentos Chloe. Sinceramente, eles me passaram desapercebidos, mas agora que você disse, pode ser. Acho que precisaríamos de mais evidências… precisaríamos ler o livro que não existe