Porque é importante para um cientista ir a uma festa literária?

Para mim, a principal atividade do cientista é estudar.

Produzir dados no laboratório (ou no campo) é uma das coisas que o cientista faz, mas transformar esses dados em informação e conhecimento é (ou deveria ser) a sua principal atividade. E para isso o domínio da linguagem escrita, da habilidade de se comunicar por escrito, de ler de maneira critica desvendando um texto e de criticar o próprio texto são fundamentais.

Por isso, vir para Paraty ouvir Roberto da Matta dizer que “quanto mais velhos fixamos, mais temos opiniões sobre tudo” ouvir Stephen Greenblatt dizer que Shakespeare “rescrevia incansavelmente seus textos”, ouvir James Shapiro falar sobre como “os autores tinha pavor de serem ‘rescritos’ por Shakespeare“, ver a empatia infinita de Gabeira, ou como uma boa idéia (“E se Renè Descartes tivesse vindo ao Brasil com Maurício de Nassau?”) ser destruída por Cao Guimarães no chatíssimo filme Ex-isto; é tão importante.

Nos ajuda a criar valores e parâmetros que são importantes para o nosso senso crítico na atividade de ler e escrever, que é uma atividade fundamental e complexa para o cientista. E que não se aprende e não se desenvolve a não ser pela prática.

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Discussão - 6 comentários

  1. Mauro Rebelo disse:

    “eu era um péssimo aluno, eu ia pra escola nas margens do Tietê e eu não chegava na escola porque ficava brincando com a meninada. Mas eu sempre fui muito obstinado: um dia (quando eu abri o pasquim e vi desenhos do Ziraldo e do Millor Fernandes) eu decidi que seria cartunista e Tum, tum, tum eu me tornei cartunista”. Angeli na FLIP

  2. Mauro Rebelo disse:

    Todas as cidades possuem ruínas. No Brasil podemos ter largas avenidas e carros alemães. Mas os condutores desses veículos tem empregados, subornam policiais e furam fila. São as ruínas ‘sócio-históricas’ das cidades. Roberto da Matta na FLIP

  3. Mauro Rebelo disse:

    “Shakespeare provavelmente trabalhou em cima das idéias, e até mesmo do texto, de outras pessoas. Mas ninguém queria ter seu texto trabalhado por Shakespeare. Ficava tão melhor, que ao invés de uma homenagem, se tornava uma afronta”. James Shapiro na FLIP.

  4. Mauro Rebelo disse:

    “Quando você recebe uma carta e o conteúdo te atinge de forma muito poderosa, o impulso primário é querer saber o máximo possível sobre essa pessoa. Shakespeare atinge assim a todos nós. E por isso queremos saber sobre ele”. Stephen Greenblatt na FLIP

    (Ahhhh… Isso é só nosso instinto pela fofoca. O que o outro faria em uma determinada situação, assim posso me antecipar e levar vantagem.
    A biologia evolutiva explica explica!)

  5. Mauro Rebelo disse:

    “A imaginação não é a aproximação do absurdo. A imaginação, na literatura, é disciplinadora.” Francisco Dantas na FLIP

  6. Rafael disse:

    Cientista tem essa vantagem, a critica e auto-critica acompanham-nos todos os dias. Ler literatura ajuda bastante a ter outros olhares sobre os problemas e solucoes do mundo.

    Valeu pelo post

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