As melhores universidades do mundo!

Turma de 89/1 (Com alguns agregados) no Interbio de 1990 na Universidade Federal de São Carlos.

“O Brasil tem, hoje, as melhores universidades do mundo!”

Eu, Ricardo Prado e Alex Pinheiro ficamos um pouco atônitos com a declaração de Domenico De Masi. Tivemos o prazer de almoçar com o ilustre sociólogo italiano na sua mais recente passagem pelo Rio de Janeiro. Eu já tive o privilégio de assistir uma das suas disputadíssimas (e caríssimas) palestras e já li diversos dos seus livros, o que me fazia pensar que conhecia bem sua opinião sobre as coisas. Mas a declaração das universidades brasileiras me pegou desprevinido: Como as nossas sucateadas instituições de ensino poderiam ser as melhores do mundo? Eu não tenho ‘complexo de vira-lata’ – aquele sentimento de que tudo que vem de ‘fora’ (leia-se EUA e Europa) é melhor – não, mas vivo a realidade da universidade diariamente e não tinha como concordar com isso.

“É claro, vocês brasileiros não vêem isso por que olham para os ‘rankings’. Nos rankings, Stanford, Harvard, Berkeley… são as melhores. Mas são as ‘Stanfords, Harvards, Berkeleys’ que FAZEM os rankings. E é claro que de acordo com os critérios ‘deles’, eles serão os melhores.”

Fazia todo o sentido.

“A universidade brasileira tem alegria, tem sensualidade, tem beleza. Essas as características mais importantes para o sucesso na sociedade pós-industrial. Para ter criatividade e para inovar.” E completou:

“Se o número de relações sexuais que ocorrem em um dia fosse o critério para determinar a melhor universidade, a UFRJ seria a número 1 do mundo!”

Todos rimos. Lembrei do Butão e do FIB, o índice de ‘Felicidade Interna Bruta’. Domenico disse que passa pelo menos 4 dias por ano no pequeno país encravado nas cordilheiras do Himalaia e que chamou atenção do mundo ao trocar o parâmetro de avaliação da qualidade de vida da sua população do PIB para o FIB.

“O Butão é um lugar maravilhoso. Até mesmo as empresas agora adotam critérios de bem-estar para avaliar a sua produtividade.”

Eu já tinha pensado sobre o Butão e o FIB, mas não seriamente. Eu gosto da idéia de se rebelar contra os critérios estabelecidos pelas classes (ou países) dominantes para avaliar qualidade, mas tinha parado por ai. Por outro lado, eu já escrevi aqui como me parece impossível para um povo sem problemas sociais, como os Noruegueses, fazerem inovação. Mas não tinha conectado as duas idéias.

“Mas o Butão é muito pequeno. Só o Brasil está em posição de mudar o mundo: é grande, é rico em recursos naturais, é uma democracia, é politeista e não tem conflitos nem internos, nem com seus vizinhos. Que outro país no mundo tem isso?”

Lembrei da minha turma da faculdade. Fomos a todos os Interbios (a olimpíada das universidades de Biologia), ENEBs e EREBs (encontros nacionais e regionais de estudantes de biologia), congressos, seminários, reuniões. Organizamos competições de Voley de praia na Barra, mostra de talentos, campeonato de truco. Passamos Festas Juninas, Carnavais do Rio e de Salvador, Natal e Ano Novo juntos. A beleza (como vocês podem ver), a diversão e a sensualidade (medida por enormes quantidades de beijos na boca e relações sexuais que se estabeleceram) foram sempre as forças motivadoras de todos esses eventos. E TODAS as pessoas nessa foto, uma amostra diversificada e representativa da turma 89/1, estão hoje entre os profissionais mais criativos e bem sucedidos que eu conheço.

É, pensando bem, Domenico está certo: Eu estudei na melhor universidade do mundo!

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Discussão - 9 comentários

  1. Ana Arnt disse:

    Eu também!!!

    =)

    Amei o texto!

  2. Estou certo de que estudaste na melhor universidade do mundo! 🙂 Agora, quanto a todos nos termos sido os melhores universitários do mundo isto vai depender do indicador. Se for o FIB certamente ganhamos outra vez!

  3. Luis Brudna disse:

    Vc fez um ranking e colocou as preferidas em primeiro lugar. Não é só “Stanford, Harvard, Berkeley” que jogam confetes na própria cabeça.

  4. Munique disse:

    Infelizmente na minha graduação em Física-UFRJ o FIB era bem baixo. Não teve trote, e nem formatura eu tive – só marquei um “x” num papel em “colação de grau” e entreguei no protocolo. As pessoas mal se cumprimentavam nos corredores, e o pessoal mais aberto a amizades geralmente era o grupo dos que não estudavam, então não mantive tanto contato. Até hoje quando encontro colegas, o comentário é o mesmo sobre a frieza do lugar. E quer saber? Acho que aprendi pouco lá. Depois de sair da Física, fui fazer especialização e mestrado em Geologia, e são de lá grandes amizades que venho mantendo até hoje. E, apesar de achar que aprendemos mais em uma graduação do que na pós-graduação, aprendi mais de Geologia do que de Física.

  5. Munique disse:

    Bar do Grêmio? Onde é isso? Nos meus anos na Física não tinha nem centro acadêmico direito; quando eu tava quase saindo é que fizeram uma eleição para ter representantes.

  6. Caros,

    Caros,
    Permitam-me ser um pouco mais cético.

    Discordo do Domênico e da maioria aqui, não no todo, mas em parte. Creio que ele e a maioria aqui deve concordar que a nobreza no Brasil está no povo.
    As nossas universidades, são derivadas de nossas elites, “elites marginais”, segundo Raymundo Faoro, que vem da aristocracia, aqui prevalece o privilégio e o status quo, e não as leis (Milton Santos).
    A sociedade brasileira, estamos ainda na adolescência, e a universidade é derivada dela, ou será que existe uma ilha nas universidades?
    Existe ilhas de excelência nas universidades sim, mas no geral é uma ilhas da fantasia, a realidade entre a nossa sociedade e a realidade das universidades não é só de hiato, e sim de abismos. Bem diferente por exemplo, entre as Universidades e a sociedade dos EUA e da Europa.
    Estamos assistindo a quebra do mito da razão e da fé do modelo eurocêntrico de mundo dos últimos séculos, dai nossa importância no cenário, mas insisto, como Eduardo Viveiros de Castro, Laymert Garcia dos Santos, José Miguel Wisnik, entre outros, a nossa nobreza está no povo, e quem da as cartas ainda é casa grande, a pedantocracia do academissismo, derivada do estamento aristocracia desde o império.
    Há esperança no futuro, na construção de um novo futuro que inclua a nobreza do povo, não necessariamente no nosso tempo de vida (tempo breve).
    Ele jogou uma isca e mordemos de forma muito fácil.
    Sds,

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