Onde estão os alunos? Para onde vão os alunos?

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Assim estava a minha sala de aula ontem, mais de 30 minutos depois do horário do início dos trabalhos.

Me senti como Dan Ariely no video abaixo (não precisa assistir o video todo – propaganda do curso dele no coursera – que é sensacional, diga-se de passagem – so o início já ilustra o meu ponto). A diferença é que… no meu caso… eles nem online estavam. O semestre vai terminar e ainda tenho alunos reclamando que não conseguiram se inscrever no site da disciplina. Se fosse o facebook…

Essa foto não é uma exceção… ao longo de todo o semestre, já há alguns anos, os alunos em sala de aula vão diminuindo. Eu já falei sobre o porquê em diversos textos no blog (veja “De muitos para muitos”).

Mas estou dessa vez não fiquei só irritado. Fiquei preocupado mesmo. Tinha acabado de voltar do evento ‘Educação Científica – Um desafio para a sociedade’, onde assisti uma palestra incrível de Jonathan Osborne, professor da Universidade de Stanford, que mostrou dados alarmantes sobre a diferença entre ‘o que’ e ‘como’ os alunos querem aprender, e ‘o que’ e ‘como’ os professores estão ensinando.

Mas é sinistro! NADA é capaz de mobilizar esses jovens. Tá bom… nada é exagero… Não temos recursos espetaculares (só tenho internet na sala de aula se levar meu cabo de rede e se for no subsolo… nem pensar), mas o problema vai além disso. Depois de anos e anos e anos de ensino equivocado (tudo bem, a gente não sabia o quanto equivocado era o ensino, mas já tem alguns anos que sabemos), agora temos uma geração que, mesmo se dermos as oportunidades, novas formas de ensino… eles não conseguem abandonar a indiferença com relação a formação deles.

Algo do tipo “já que eu não vou aprender nada mesmo… então não vou nem tentar mais”. 

Ouvi dizer que há uns anos, jovens americanos estavam com essa atitude com relação a AIDS. “Há, se todo mundo diz que um dia a gente vai ter mesmo, então um dia a mais ou a menos não vai fazer diferença e vou transar agora sem camisinha”. É por isso que eu não gosto de abordagens alarmistas para combater desinformação e descompromisso: você arrisca criar indiferença.

Os alunos aceitaram o pacto pela mediocridade que reina na universidade, na educação brasileira, hoje. Professores completamente desmotivados ‘acham’ que ensinam enquanto os estudantes desmotivados e indiferentes fingem que aprendem. Uma catástrofe que marcará o nosso país por gerações!

Vejam esse vídeo (agora sim, até o final, juro que vale a pena), que é muito bem chamado de ‘Ignorância Plural’. Os alunos ouvem por vários minutos, sem saber, um texto produzido pelo computador para soar corretamente mas NÃO fazer SENTIDO ALGUM. E ninguém, ninguém se manifesta.

 

Não me contive, dei um esporro.

“O transito…”, “O bandejão cheio…”, “minha mãe tá doente…” todos tinham uma justificativa. Mas quando for o dia da entrevista para entrar na pós-graduação, ou para seleção de uma vaga de emprego, nenhuma dessas explicações servirá de explicação.

Enquanto explicava que a principal diferença entre nós e os outros animais é que conseguíamos pensar não apenas em recompensas imediatas, com os cães que farejam qualquer coisa por um biscoito e os golfinhos que fazem piruetas por sardinhas, mas conseguíamos ludibriar, com muita abstração, os nossos instintos primários de recompensas imediatas (jogar videogame, ficar no telefone brincando no FB, bater papo) com o valor das recompensas a longo prazo (ser incluído sócio-economicamente na sociedade).

Mas parece que a única coisa que eles aprenderam foi o conselho de David Dobel, personagem de Woody Allen no Filme ‘Anything Else’: “Ao longo da sua vida Falk, não faltarão pessoas pra te dizer como viver. Elas terão todas as respostas, o que você deve fazer, o que você não deve fazer. Não discuta com elas. Diga ‘Sim, brilhante, brilhante idéia”, e, em seguida, faça o que você quiser.”

E eles não querem fazer nada!

Sim, as aulas podem ser melhores, os cursos podem ser melhores. Mas como ouvi a psicóloga Rosely Sayão falar: sem disciplina, foco e trabalho, não há aprendizagem!

É triste, mas estes já estão perdidos. Como é que vamos salvar a próxima geração?

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Discussão - 43 comentários

  1. Felipe disse:

    O jeito é subir o sarrafo na hora da avaliação? Não funciona por bem (métodos alternativos, professor dedicado), funcione por mal? Sem nota ninguém cola grau.

    • Mauro Rebelo disse:

      Não acho Felipe. A avaliação só estimula o princípio da capacidade de recordar e não da aprendizagem. E não é capaz de vencer o despreparo.

    • Jones de Andrade disse:

      Mauro, discordo em parte. Sem dúvida, não é capaz de vencer o despreparo… mas como tu resolve isso?

      Por outro lado, recordar e pensar são diferentes, concordo, mas discordo firmemente que não há como testar o segundo na avaliação. É mais difícil, dá mais trabalho, mas dá pra fazer sim.

      No status atual, se recorda por tão pouco tempo que às vezes eu me surpreendo que eles ainda lembre a ordem das letras do alfabeto! Afinal, qualquer coisa a primeira desculpa é “faz tempo que a gente viu isso”, seja esse “tempo” o “ano passado”, o “semestre passado” ou mesmo “a aula passada”, não importa o quão fundamental seja.

      Felipe: num país de verdade, e que tivesse comprometimento com qualidade, isso poderia ser feito. Aqui, eles reclamam na ouvidoria e tu é ameaçado com sindicância por gestores sem medo de dizer quando tu questiona a qualidade dos alunos que vão sair “tu acha que eu vou me descabelar por causa disso?”.

      Concordo, tá perdida. Como fazemos pra salvar a próxima?

  2. Pedro disse:

    Interessante, o vídeo principalmente.

    Eu não sou educador, tenho 23 anos e acabei de sair da faculdade, e eu posso levantar uma hipótese para isso e como resolver, infelizmente acho que ninguém vai ler (gostaria de saber se estou certo ou errado :P)

    Bem, o que vejo hoje é a geração Y, Z com desejos principalmente focados na diversão, o método de aprendizado deles (nossos?) é cada vez mais distante dos baby boomers.

    O que eu quero dizer é que hoje, se fosse possível ter jogos (pode ser de computador mesmo) que ensinassem, ao invés de nosso método atual de revolução-industrial onde todos são iguais, sentados em cadeiras, ouvindo e escrevendo, seria muito mais eficiente, pelos valores atuais das gerações.

    Por exemplo, eu, aprendi MUITO de história e geografia jogando Age of Empires, aprendi demais inglês jogando RPG’s eletrônicos, exercitei minha habilidade de falar em público, imaginação e capacidade de improvisar jogando RPG’s de mesa.

    O que eu quero dizer é que agora, cada vez os indivíduos se sentem (e sabem que são) mais diferentes dos outros, e eu acho que deveríamos ter jogos e conhecimento disponiveis para as pessoas irem atrás de seus gostos, como muita gente aprende lendo Wikipedia.

    Creio que ‘todo o método de ensino’ está errado, ao preparar os estudantes para serem todos iguais e trabalharem em fábricas todos iguais, com mesma roupa, mesmos horários.

    Os jogos deveriam ser divertidos e com um background que ensine (não um jogo ‘quiz’, porque é chato também!)

    Acho que deve haver incentivo para cada pessoa aprender o que gosta enquanto se diverte, ao invés de tentar moldar as pessoas para a forma de ensino arcaica.

    óbvio, isso é só a opinião de alguém quase-adolescente, que só tenta observar o seu comportamento e o das pessoas próximas =)

    • Mauro Rebelo disse:

      É por aí Pedro. Mas o problema é que você não pode aprender apenas o que quer e tem interesse. Vai ter que aprender o que não quer e é importante (porque senão, muitas vezes, não terá a base para aprender o que quer e te interessa). E para isso, sempre será necessário disciplina, foco e trabalho.

  3. Gabriela Souza disse:

    Se a sala está vazia é porque tem algo de errado com o professor, pois não é possível que em uma turma inteira não haja pelo menos um aluno interessado. Mas, é mais fácil criar um blog e colocar a culpa nos alunos do que simplesmente parar para ouvi-los.

    • Mauro Rebelo disse:

      Gabriela, criar um blog é fácil, mantê-lo por 10 anos requer também disciplina, foco e trabalho. Se você tem o que dizer, crie um blog e você vai descobrir se as pessoas vão se interessar em ler. Abraço,

    • vanessa disse:

      Professor pode ser falta de interesse dos alunos? sim. No entanto eles também podem estar desmotivados com a sua disciplina. Nessas horas olhar o lado dos alunos tbm é válido mas vc tbm pode olhar o seu lado e pensar o que pode estar ocasionando isso neles. Nesse momento a autocritica tbm é bem vinda. Acho dificil em uma turma nao ter ao menos um que tenha interesse em cursar uma graduação de qualidade. Isso faz vc crescer como professor. Abraços.

    • Mauro Rebelo disse:

      Alunos queridos, de ontem, hoje e amanhã. As críticas são bem vindas. No mínimo fico feliz de ve-los, finalmente, manifestando suas insatisfações. Meu laboratório fica na sala G2-050 e todos são bem-vindos, a qualquer momento, para esclarecer qualquer dúvida sobre conteúdo ou metodologia. A auto-crítica, tenham certeza, é constante (inúmeras vezes publicadas aqui mesmo, onde continuam acessíveis). E justamente porque ela é constante, que não vou me justificar ou explicar com vocês. Existe uma inevitável discrepância no nível de acesso a informações importantes para tomada de decisões sobre as aulas, além de um possível conflito de interesses nas nossas posições; que dificulta uma leitura isenta de qualquer argumento. No entanto, acho que vocês estão se desviando do foco. Minha imagem como professor, a qual me é muito cara e eu prezo muitíssimo, não é o que está em jogo aqui. O que está em jogo aqui é a formação que vocês terão com a idéia de que o conteúdo pode se resumir ao que o professor ensina em sala de aula. E a idéia de que a motivação dos alunos seja responsabilidade exclusiva do professor. Eu tenho clara noção do enorme desafio que eu, ou qualquer outro professor, tem para se manter motivado frente ao um sistema educacional desmotivante. E também da minha responsabilidade para com vocês e com esses sistema. Mas os maiores, mais severos e urgentes desafios, quem tem pela frente, são vocês. E por isso a aplicação de vocês tem que ser maior que a do professor. E independente da aplicação dele também. O papel do professor, gostem vocês ou não, mudou, porque com as novas tecnologias, ele, professor, não tem mais a faca e o queijo do processo de ensino na mão. Existem um monte de oportunidades de aprender por ai e o papel do professor está muito mais em ajudá-los a escolher o que estudar do que efetivamente transmitir o conteúdo. A faca e o queijo estão na mão de vocês. E, para mim, a questão é justamente o que vocês vão escolher fazer com isso.

  4. Mariana disse:

    Quem nunca teve aula com ele pode até acreditar nesse texto. Mas quem ja teve sabe que esse discurso não condiz com a prática do professor.
    De mais atenção as disciplinas da graduação e a seus alunos que a audiência de suas aulas vão ser maiores.

  5. Mariana disse:

    Tive aula com vc já tem alguns anos, mad lembro bem que pouco vi sua presença em sala. Mas conhcia bem seus alunos de pós dando aula no seu lugar. Infelizmente isso é normal na universidade. Os professores são muito ocupados para perder tempo dando aula para a graduação.

  6. Rafael Oliveira disse:

    A atenção aos alunos envolve um bom funcionamento do site também. Não adianta o sistema ser “revolucionário” se toda vez em que os alunos sobem lista de exercícios no site eles tem que refaze-los, pois o mesmo não funciona. A nota final também merece um melhor cálculo e uma maior atenção – período passado alguns alunos que nem iam as aulas tiveram notas maiores que a minha, que fui em todas as aulas e fiz todos os exercícios. A impressão que tenho é que a nota é sorteada entre 9.1 e 9.9 pra todo mundo.

  7. Camilla disse:

    Mauro, fui sua aluna em 2006 e tive dificuldade para entender os comentários acima porque lá em 2006 eu adorava suas aulas, sem dúvidas para mim a melhor parte da disciplina de biofísica que fiz.
    Sei que sou aluna à moda antiga (apesar de não ser tão velha assim) e realmente prefiro os métodos tradicionais de ensino, aulas no lugar de jogos, mas sei também que muitos alunos não aprendem da mesma maneira que eu, não por falta de vontade.
    Estava conversando com uma atual aluna sua e ela me falou das mesmas coisas que li aqui nos comentários, da sua ausência nas aulas, alunos de pós-graduação ministrando as aulas, dificuldades na utilização do site e também no entendimento do conteúdo. E não pense que ela é desinteressada, pelo contrario, é uma aluna muito boa e muito disciplinada. Sabe o que ouvi dela? Que era melhor estudar sozinha do que estar em uma aula que ela não aprendia nada.
    Como aluna de pós-graduação entendo que sim é essencial que seus alunos deem aulas para a graduação, isso faz toda a diferença na nossa formação, mas sugiro humildemente um bom papo com a sua turma, e não só para falar, mas para ouvir também.
    Sei que estou me metendo aqui e não tenho nada a ver com isso, mas me entristeceu muito ver uma imagem tão ruim de um professor que eu admirava tanto!!!
    um abraço!!!

  8. João Carlos disse:

    Mauro, o pior é que eu observo o mesmo tipo de apatia na turma de meu neto (9º ano do Fundamental).
    A garotada faz questão de não se interessar…

  9. Claudia Chow disse:

    Mauro, o q aconteceu nessa sala de aula é o futuro! Não me espanta nenhum pouco isso e sinceramente nao coloco a culpa nos alunos, por melhor q seja a sua aula…
    Essa é uma preocupaçao q tenho tido nos ultimos anos, como queremos manter alunos nascidos no seculo 21 com metodos de ensino do seculo 18? É pedir demais pra eles… O pensamento de que sem disciplina, foco e trabalho, não há aprendizagem nao significa q ele tem q acontecer com vc falando e os alunos ouvindo. Simples assim.
    Acho q esse acontecimento é um ótimo momento de reflexão e fazer uma reviravolta na sua disciplina, mesmo q vc a tenha feito ano passado… Esta claro de q nao funcionou e vc vai ter q continuar tentando. É facil colocar a culpa nos alunos, mas eu nao tiro a responsabilidade do professor…

    • Mauro Rebelo disse:

      Sem dúvida Cláudia. A minha aula não é a aula que eu gostaria e que eu sei que eu poderia dar. Eu sei o que precisaria fazer pelo menos para abordar o problema (da discrepância SecXVIII x SecXXI), mas nossa margem de manobra é muito, muito limitada. Mas ainda que a escola permaneça a mesma, as oportunidades de aprendizagem se multiplicaram no dia-a-dia das pessoas. Minha demanda por foco, disciplina e trabalho não é para o momento da sala de aula: É principalmente para todos os outros momentos, quando a competição com o entretenimento sempre ganha. Sim, temos que começar a misturar entretenimento e ensino, mas isso será sempre, e apenas, o ponto de partida para o ensino e a aprendizagem. Solucionar problemas dá trabalho, requer empenho. E por isso, não adianta também colocar a culpa de volta no professor. Esse ciclo vicioso tem que ser quebrado pelo aluno.

  10. Rodrigo disse:

    Se ha falta de interesse de um aluno ou dois, pode até ser que não seja problema do professor, mas quando uma turma inteiraa prefere não ir a aula é pq tem algo errado provavelmente na forma que essa aula está sendo levada. Essa conversa de que os alunos não querem nada da vida é papo de professor despreparado, e pelo que eu me lembro das suas aulas vc nao é. Eu cursei essa disciplina com o senhor, e na minha epoca eu achava super legal a forma que voce fazia, porém o tempo passa e a forma que você nos atingia não pode ser a mesma forma para sempre. Acho que cabe ao professor não só se atualizar quanto ao conteúdo, mas tbm como a forma que ele será trabalhado e como será avaliado. Espero que esse problema se solucione pq eu sei que você possui uma enorme capacidade e tem muito a acrescentar a esses jovens em formação. Experimente ouvi-los e ver o que pode estar causando esses problemas. Um abraço

  11. Thanuci disse:

    Mauro, vejo muitos comentários e de certa forma até seu post culpando os alunos pelo que está acontecendo na educação brasileira. Mas o sistema educacional (currículo e metodologias) estão pautados numa realidade que (in)felizmente não condiz com a aquela vivida pelos alunos que temos recebido atualmente.
    Na UNICAMP muitos alunos também não vão à aula, e não é por falta de disciplina e de foco, é pelo fato das aulas não acrescentarem nada a mais do que eles poderiam encontrar no livro estudando por si próprios. As aulas tem as mesmas palavras do livro, com as imagens do livro. Eu já ouvi isso inúmeras vezes e eu não discordo.
    O que acontece nas universidades brasileiras é que por trás daquele professor ali na frente, existe um pesquisador que ganha muito mais investindo na sua área de pesquisa, a qual traz papers, prestígio, e mais financiamentos para pesquisa, do que investindo na aula em inovações (tecnólogicas ou não) para manter seus alunos interessados. Afinal, o que ele ganha com isso?
    Se os professores querem classes lotadas, tem que manter os alunos interessados de alguma maneira, tem que trazer um diferencial. Ninguém é focado e disciplinado naquilo que não é interessante de alguma maneira. Por que ali na sala, atualmente, existe uma competição: entre o professor arcaico, que acha que está ensinando para uma classe dos anos 80 e todo o resto do mundo que oferece inúmeras possibilidades de aprendizado, das quais certamente os alunos encontrarão uma que se encaixe no seu modelo de interesse.
    Como todas as profissões, a de professor precisa ser revista e isso não é novidade pra ninguém. Na minha opinião, o erro está no professor achar que os alunos é que devem se enquadrar no seu modo de ensinar, que ele é a fonte inesgotável de conhecimento que flui unidirecionalmente para os alunos, ignorantes e incapazes de aprender sozinhos.
    Agora, sinceramente, não vejo perspectiva de mudança deste quadro.
    Existe uma cúpula de cristal onde estão os professores e alguns degraus abaixo onde estão os alunos e claro, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

  12. Pedro disse:

    Eu tenho TDAH. É muito difícil pra mim me concentrar em alguém falando e acompanhar um discurso complicado. Eu não teria interrompido esse professor. Quase sempre as palestras soam exatamente assim pra mim.

  13. Camila Oliveira disse:

    Finalmente os alunos estão dando o troco! Espero que vc tenha ainda muitas salas de aula como estas para que vc aprenda que aluno não é idiota como vc pensa e para que vc aprenda que é preciso muito mais do que ser um show man pouco talentoso para dar aula numa universidade como a UFRJ. Tive aula com vc e posso dizer sem medo de errar: vc foi O PIOR prof que passou por mim na graduação. O único que não me acrescentou nada além do fato de eu não querer ser nunca como vc nem conhecer outro como vc.

  14. Eloá disse:

    Creio que qualquer professor, antes de julgar que os alunos não estão em sala pq são desinteressados, deveria se perguntar o que ele esta fazendo de errado. Acho impossível numa sala de no minimo 20 alunos todos serem desinteressados, creio que você deve pensar se a sua maneira de dar aula, se comprometer com a turma e dar “oportunidades” esta realmente motivando os alunos do jeito que vc acha que esta.
    Sinceramente, fui sua aluna e não tenho nada de bom para falar, nem sobre suas aulas e mto menos sobre seu site que não funciona!
    Ps: falar que não gosta de ser alarmista, e ser alarmista é uma contradição enorme!

  15. Sergio Andrade disse:

    É como você disse, “quando for o dia da entrevista para entrar na pós-graduação, ou para seleção de uma vaga de emprego, nenhuma dessas explicações servirá de explicação.” Mas dificilmente alguém vai faltar uma entrevista dessas, porque o que fazemos a cada dia reflete nossas prioridades.
    Geralmente duas coisas levam alguém a assitir aulas: 1- ser obrigatório – ou seja, ele precisa da presença, da nota, ou de ambas pra se formar; 2- ser interessante, gerar um conhecimento que atraia o aluno, que ele veja como útil, etc
    Infelizmente a maioria dos cursos investe muito em tornar tudo obrigatório. São as presenças, a carga horária, os pré-requisitos. Muitos professores se acomodam com esse sistema, pois eles tem um público cativo para o seu produto, independente da qualidade. Mas se o aluno só valoriza a disciplina porque ela é obrigatória, ele vai escapar na primeira oportunidade.
    Lembro de uma professora que eu tive que dava um trabalho obrigatório onde o aluno tinha que fazer uma síntese de várias páginas sobre um grupo de organismos. E deixava explícito que deveria ser manuscrito, e não digitado, para evitar cópias. Ora, da forma como o trabalho foi proposto ele só era importante pra mim para conseguir a nota. Copiei as 8 páginas de um trabalho de um amigo que já tinha feito a matéria. Provavelmente nem a professora corrigiu, não lembro que nota eu ganhei, mas passei. Quase 10 anos se passaram e nunca senti falta de ter aprendido esse conteúdo, que foi imposto dessa forma.
    Por outro lado, já assisti disciplinas o semestre inteiro, sem faltar nenhuma aula, fazendo várias anotações em cada aula, lendo os textos obrigatórios, os extras, participando ativamente, e sem sequer estar inscrito na matéria. Eu estava ali pois tinha grande interesse no conteúdo e as aulas eram muito bem dadas. E o que eu aprendi ali, além de me trazer muita satisfação, foi bastante útil na minha carreira.
    Infelizmente essa não foi a regra ao longo da minha graduação. Pelos meu cálculos, cerca de 1/3 ou pouco mais das disciplinas tinham grande qualidade e geravam interesse. O restante eu – e boa parte da turma – so assistia porque era obrigatório.
    O sistema precisa mudar. Gostaria muito que tirassem a obrigatoriedade de todas as disciplinas por 1 ano. Aí sim, sem a “clientela cativa”, veríamos quais docentes estão entregando um produto de qualidade.

  16. Marco Pellegrini disse:

    Caro Mauro, como seu ex-aluno a pouco tempo atrás me sinto no direito e na obrigação de comentar esse seu interessante post. Primeiramente preciso dizer que o senhor foi o pior professor com o qual já tive (ou era para ter tido) aula em toda a minha formação acadêmica. No período em que fiz a sua disciplina vi a sua pessoa apenas 4 vezes, enquanto vi e tive aulas com seus inúmeros alunos de pós-graduação diversas vezes. Eu, pelo contrário, faltei apenas uma das suas aulas por motivo de doença. Na aula anterior a minha falta, deveríamos ter feito uma de suas (péssimas e mal elaboradas) provas, mas ao invés disso ficamos mais de uma hora esperando a sua chegada (a situação postada nos comentários acima não foi a da minha turma e sim de uma turma posterior). Devido a esses e inúmeros outros problemas que ocorreram durante todo o semestre (não vou perder o meu tempo relatando tudo, pois não caberia nos comentários e sei que você não leria, assim como não lê os exercícios que respondemos no seu site disfuncional) eu abri um processo na seção de ensino contra você. Mas fiquei realmente impressionado de saber do descaso com que tratou o processo e as pessoas que lhe foram entregar o papel em mãos (a Diretora Adjunta de Ensino do IB e o Diretor do IB). Com isso, peço que reavalie se o problema é realmente dos alunos e da nossa geração ou se o problema não está apenas na sua pessoa, da sua imensurável soberba ou no seu descaso com os alunos e o ensino. Por que, como disse minha amiga acima: “você merece uma sala vazia!”.

  17. Leandro disse:

    Prof. Mauro, você foi um dos professores mais relapsos que tive durante a graduação. Conto nos dedos os alunos que não reclamaram da sua aula, do seu modelo de prova e da sua ausência excessiva durante o período. Não duvido que o interesse dos alunos tem diminuído ao longo do tempo, mas acho curioso você postar isso enquanto lembro de outras disciplinas com professores melhores e mais dedicados com suas salas lotadas. No seu caso acho muito mais provável que a sua atuação como professor de graduação seja a culpada por você encontrar uma sala vazia.

  18. André B. disse:

    Também sou professor e apesar de nunca ter tido uma sala vazia como a do Mauro, tenho notado um desinteresse muito grande por parte dos alunos nos últimos anos.

    Mauro, ouça seus alunos. Tem vários aqui que falaram mau das suas aulas e que você coloca alunos de pós-graduação para dar aulas. Isso é inaceitável. Estar JUNTO com os alunos de pós é uma coisa. Usa-los como professores substitutos é muito diferente…

    MAS (é uma grande ‘mas’ mesmo) os alunos tem sim grande parte da culpa. Me considero um bom professor, e sou constantemente bem avaliado pelos alunos nas avaliações institucionais (que são anônimas, diga-se de passagem). Já tentei usar práticas alternativas, com os alunos fazendo blogs ao invés de trabalhos formais, faço saídas de campo, aprendi a usar o Prezi, disponibilizo artigos no ambiente online da disciplina e tudo o mais. Mas o que eu vejo? Alunos copiando ao invés de criar. Não leem os artigos que disponibilizo. Chegam tarde e saem cedo.

    Um dos comentários aqui disse que aprendeu muito com jogos e RPGs. Eu também joguei muito RPG e video game, e a única coisa que realmente ganhei foi melhorar meu inglês. Sinto lhe informar que o que está nesses jogos não é verdade, não tem (necessariamente) precisão histórica. É ficção.

    Eu aprendi lendo livros na biblioteca, sem Facebook, sem Wazzup me distraindo a cada 2 minutos.

    Conhecimento não vem sem esforço. No pain, no gain. Tem que ter disciplina para formar a base, depois sim pode-se escolher o que aprender.

    Sabemos que estamos na era da mediocridade quando a maior parte das pessoas preferem fazer fofoca on-line (Facebook é fofoca eletrônica) do que conversar com as pessoas ao seu lado. Quando um país para para assistir o capítulo final de uma novela sobre pessoas imorais. Quando pedagogos incompetentes dizem que temos de buscar novos modos de ensinar, sem testar se esses modos funcionam.

    Mas eu vou dormir, pois amanhã tenho de dar aula às 08:00h e eu sempre chego no horário, com ou sem alunos…

    • Mauro Rebelo disse:

      Um blog é um lugar de opinião.

      E tenho que dizer que estou surpreso, e satisfeito, ainda que não feliz, de ter tido tantas outras.
      É ótimo ter ferramentas que permitam as pessoas expressarem suas opiniões livremente. Mesmo com toda a contundência, mesmo com uma contundência feroz.

      Mas é importante que o argumento da opinião não seja SÓ a contundência, para que não sejamos levianos.

      Nunca alunos de pós-graduação deram mais do que 30% das aulas, limite estabelecido pelo regimento, em nenhum curso que eu coordenei. Nunca os alunos de pós entraram em sala de aula pela primeira vez sem supervisão presencial do coordenador ou de outro professor. Em diferentes anos, contamos com a presença de jovens professores recém contratados, que, talvez pela juventude, tenham sido confundidos com alunos de Pós-graduação. Em alguns semestres, esses professores foram responsáveis por até 50% das aulas.
      A carga horária da disciplina não foi estendida, como de costume, para que o número de aulas do diurno se equiparasse ao do noturno, sempre muito menor, minimizando a diferença entre as duas turmas.

      Para os alunos que se sentiram tão prejudicados durante o processo de ajuste e implementação desse novo modelo, o qual foi discutido e aprovado em sala de aula, fica o meu sincero pedido de desculpas.

      Está claro que as novas tecnologias podem gerar mais atrito do que satisfação. E que o atrito pode destruir tudo: do planejamento do curso a imagem do professor. Está claro também que o peso do atrito, se for inevitável, não pode repousar todo no aluno, ainda que ele seja a parte mais interessada.

      Hoje, após a aula, por solicitação dos alunos, tivemos um debate inédito para discutir as razões da evasão discente, altíssima em praticamente todos os curso da UFRJ.

      As mudanças não são uma opção: são inevitáveis. Mas vezes demoram mais do que todos nós gostaríamos.

    • Rodrigo disse:

      Olá André,
      concordo em parte com o seu comentário. Concordo que os alunos estão menos interessados nas aulas nos dias de hoje e realmente isso está se tornando um problema. Agora os motivos para isso é que estão um pouco deturpados em seu comentário. Da forma que você falou a geração atual seria menos interessada do que a anterior porque estão mais interessadas em facebook e no capitulo final da novela. Concordo que o facebook realmente é uma ferramenta de fofoca, porém pode e é, em muitas das vezes, utilizado como uma ferramenta de discussão e de aprendizagem graças a criação de grupos para se discutir determinada disciplina do qual já participei em diversas matérias que fui inscrito. No próprio Whatsapp (esse é o nome do aplicativo) também participo de grupos no qual os próprios professores estão presentes disponibilizando materiais que são de grande ajuda. No caso da novela, parece que você esqueceu que o País parou na década de 80 para ver quem matou “Odete Roitman”. Os tempos são outros sim e a sociedade está bem diferente, porém não é por culpa da novela ou do facebook. A grande verdade é que hoje o acesso a informação é muito maior, e uma aula hoje em dia deve ser preparada pensando nisso. Se você for ensinar um conteúdo simplesmente reproduzindo o que se encontra nos livros e na internet, os alunos não irão se interessar. Se você mandar os alunos lerem artigos que não sejam claros e bem escritos, de uma maneira que instigue-os a pensar (não sei quais artigos você disponibiliza para seus alunos mas estou levando em conta a maioria dos artigos que os professores já me obrigaram a ler durante a minha graduação e que pouco ou nada me acrescentaram) eles irão buscar essa mesma informação em lugares mais simples. Concordo que é necessário esforço e disciplina para uma boa formação, mas discordo que esse seja o atual problema. Acho que a educação nesse país parou no tempo e querem colocar a culpa nos alunos. Vejo alunos extremamente esforçados que deixam de ir a aulas simplesmente porque, para eles, tudo aquilo que o professor for mostrar em sala, ele consegue em um power point na internet. O papel do professor hoje em dia não é mais o de transmitir a informação. É de provocar os alunos, de mostrar para eles a importância do que estão aprendendo. De mais do que tudo dar apoio e os motivarem a, cada vez mais, investirem em sua formação. Vejo no seu comentário que você faz isso em parte, tentando se modernizar cada vez mais com os novos recursos, como Prezi e a criação de blogs, mas ainda se prende ,pelo visto, a certas visões um tanto quanto preconceituosas a respeito. Por exemplo, jogos de computador ensinam muito mais do que inglês. Ensinam sobre politica, história, lógica, e diversos outros assuntos. Eu ,por exemplo, já trabalhei com alunos de sexto ano do fundamental a temática de diversidade de ecossistemas com um jogo chamado minecraft (caso você queira pesquisar mais a respeito) e deu super certo. Um abraço e espero não ter soado rude ou algo do tipo.

  19. Taís disse:

    (Re)Aprenda a dar aula, os alunos estarão lá, independente de presença.

  20. Carolina disse:

    Então, li o seu texto e acho que você deveria repensar e MUITO as coisas. Principalmente o que diz respeito ao modo como conduz a avaliação das notas dos alunos. Fui uma das alunas que mal aparecia nas aulas, respondi à alguns questionários, fiz o vídeo de final de curso e minha nota foi maior do que a nota de alunos que eram frequentadores assíduos da sua aula.
    O seu tão famoso site, ao invés de nos ajudar, só trouxe mais dor de cabeça. As questões eram apagadas, as respostas sumiam…
    Então professor, nesse caso não creio que o problema seja dos alunos, desestimulados. Ao meu ver o problema é com o senhor.
    Ótimo ver que o senhor só responde os comentários daqueles que lhes são solidários…

  21. Paula disse:

    Achei lamentável a postura, Professor.
    Tentar métodos diferentes de avaliação e estudo é sempre válido e sujeito a falhas, no entanto, nao sao apenas falha nos “novos metodos” que estamos presenciando.
    Não cobre dos alunos taredas que nao é possivel cumprir por nao funcionamento do site.
    Não cobre dos alunos atitudes que voce nao cumpre, como presença e pontualidade.
    E acima de tudo, nao se cobra interesse dos alunos.. interesse nao é obrigação, é consequência.

  22. André Souza disse:

    Não sei se é aplicável, pois não sou educador…Mas dado que uma crítica relevante ao ensino atual é sua visão pós-revolução industrial, por que não adaptá-las a um paradigma mais atual, como torná-lo orientado a projetos?
    Por que, em vez de tratar as aulas, matérias, cursos, como simples operações (ou seja, esforço contínuo e repetitivo, cotidiano) com o intuito de produzir um aluno ou profissional com uma base de conhecimento para um mercado (ou seja, uma “peça”), passar a tratá-las como projetos (esforço temporário para um fim exclusivo)?
    (Ou seja, estou sugerindo aplicar o PMBOK ou outra metodologia de projeto a cada turma , período, tratando cada uma como produto único, e não apenas mais uma… )

    De início, já teria uma mudança: ao identificar os “stakeholders” (interessados, no caso alunos, professores, universidade, mercado,etc) e suas motivações (o que os alunos querem aprender, o que os professores querem ensinar, etc) a cada nova turma, definindo um escopo já permitiria a criação de conteúdo “sob medida” ao perfil dos alunos a cada semestre, e permitiria avaliações mais abrangentes ao longo do tempo, em vez de ficar restrita às 2 provas por semestre, como ocorre em muitas universidades…

  23. Uma possível solução: http://www.nytimes.com/2013/11/21/education/frequent-tests-can-enhance-college-learning-study-finds.html?_r=0
    ——————-

    Eu acho que os professores deveriam criar uma Rede Nacional de Pesquisa em Educação. A maioria dos trabalhos sobre metodologia de ensino, aprendizagem e avaliação são muito restritos – especialmente no tamanho amostral. Uma rede suficientemente ampla permitiria que os professores seguissem um protocolo para testar as diferentes proposições de modo a criar um teste robusto e ver o que funciona e em que quais circunstâncias.

    []s,

    Roberto Takata

  24. Felipe disse:

    Mauro, “quando você aponta o dedo para alguém, lembre-se que tem 3 apontados para você” aplica-se perfeitamente nesta sua publicação. Eu também fui seu aluno e discordo, em grande parte, da sua opinião.

    Talvez seja difícil de se auto-avaliar e, mais ainda, de reconhecer que o problema é causa própria. Mas, depois de uma penca de comentários de alunos, você tem que reconhecer que o desinteresse dos alunos deve-se sobretudo a aulas mal elaboradas e à falta de interesse do próprio professor com a disciplina.

    E não adianta vir com mi-mi-mi e argumentar que os alunos vieram apenas protestar de birra no blog do professor. Por favor! Tenha um pouco mais de maturidade e humildade. Ponha-se no lugar, como “coordenador” da disciplina, e reconheça que as suas aulas são extremamente mal dadas.

    Biofísica é uma matéria cheia de potencial para ser *muito* interessante: nela é possível passar por tópicos que abrangem todas as áreas da biologia. Na parte da genética, é possível falar de temas relativos à biologia celular e a biotecnologia, por exemplo. Na parte de botânica, biologia marinha e zoologia, é possível ir para áreas de fisiologia e metabolismo. E na parte de ecologia pode-se falar da ocorrência de metais pesados em diversos organismos e suas relações diretas com o meio em que estão. Enfim, esses são apenas alguns exemplos que podem ser utilizados como forma de introduzir uma matéria fundamental na biologia atual.

    Isso, sinceramente, não ocorre nas suas aulas… Pelo contrário, as suas aulas não possuem (de forma MAIS que evidente) nenhum planejamento prévio (sinto muito, mas é isso que parece). Além disso, são aulas sem qualquer gancho e sincronicidade umas com as outras – o que torna a matéria, para o aluno, chata, sem sentido e desinteressante.

    Enfim, antes de criticar o alunado, olhe para si mesmo… Uma sala vazia, NA MAIORIA DOS CASOS, não é sinônimo de falta de interesse dos alunos, mas sim sinônimo de uma aula que NÃO desperta interesse e curiosidade no aluno.

    E outra: você dá cada resposta cômica (e inacreditável), sem adição nenhuma ao debate e aos comentários publicados aqui… Enfim, isso serve também como revelação à postura tosca e infantil de um coordenador de uma disciplina. (CONFIRME O QUE EU DISSE OLHANDO A RESPOSTA DADA POR ELE AO COMENTÁRIO DA GABRIELA SOUZA).

    Está na hora de rever a postura de um professor que falta um monte de aulas (inclusive em dia de prova da disciplina!), que não não tem planejamento e que não tem humildade de reconhecer que o problema é dele.

  25. Rafael Oliveira disse:

    Já a mim, nem resposta foi dada, Felipe. De qualquer forma professor, quando o senhor diz:
    “A auto-crítica, tenham certeza, é constante (inúmeras vezes publicadas aqui mesmo, onde continuam acessíveis). E justamente porque ela é constante, que não vou me justificar ou explicar com vocês.”
    Como assim? Só a sua auto-crítica é válida(por ser constante) e por questão disso você não precisa se explicar? Acho que faltou humildade nesse ponto. Só por ler isso eu desanimei de contra-argumentar qualquer outro tipo de opinião sua em relação ao que os alunos escreveram, mas volto a dizer aqui que você precisa sim se explicar, pois você – assim como outros professores – ganham pra isso. É o mínimo que podem fazer.
    Como o Felipe disse, essa disciplina tem tudo pra que seja perfeita, pois junta todos os conteúdos que vemos ao longo da faculdade….ou seja, é MUITO importante! Sou a favor dessas novas tecnologias aliadas ao ensino, DESDE QUE a aula seja NO MÍNIMO um pouco conteudista. Alias, se pararmos pra pensar, talvez as mesmas nem sejam necessárias quando se tem professores comprometidos com a disciplina ainda que de forma tradicional na graduação. Nesse sentido, faço questão de citar alguns nomes: Cristiano Coutinho (Embriologia Geral, ICB), Dulce Mantuano (Fisiologia Vegetal, IB), Michelle Klautau (Zoo I, IB), Paulo Paiva (Zoo II, IB) , Claudia Russo e Carlos Guerra (Evolução, IB), dentre tantos outros nomes! Todos esses professores sempre tiveram suas aulas cheias e nunca inventaram nada de revolucionário. Eles venceram o tempo apenas com o conhecimento. Acho que seria legal o senhor conversar com eles pra saber o que se passa.
    Professor que não dá aula não tem em hipótese ALGUMA o respeito dos alunos. Professor que não prepara aula e somente “discute” o conteúdo acaba não tendo trabalho nenhum com a disciplina, e os alunos percebem isso.
    Fica a sugestão: alie todas essas modernidades a forma tradicional de ensino e obterás sucesso.
    “Sem disciplina, foco e trabalho,não há aprendizagem!”

  26. victor disse:

    Caro professor, creio que há um abismo entre nosso sistema de ensino e o conhecimento. Para entender melhor é de extrema importância o vídeo abaixo.
    http://www.youtube.com/watch?v=2UW8eeFxcMA

    É fundamental para qualquer educador.

    Viviane Mosé, vai falar sobre o conhecimento baseado na abstração, isso ocorre desde o ensino fundamental, e é o que transforma nossos jovens em seres cada vez mais idiotizados.

  27. […] ler a postagem do Professor Mauro Rebelo no blog “Você que é biólogo”, intitulada “Onde estão os alunos? Para onde vão os alunos?”, e os 36 comentários ali postados, fiquei a pensar e a pensar no meu métier: o de […]

  28. Emilio Lanna disse:

    Mauro, não consegui ler todas os comentários depois do texto. Cheguei aqui a partir da postagem do Berlinck no blog dele. Não conhecia o seu. Achava que isso só acontecia comigo! Salas vazias, alunos desinteressados. Ou somos todos professores medíocres, que não ouvem os alunos, que não estão dispostos a conversar e tentar melhorar os cursos, ou tem alguma coisa errada com eles. Não sou professor da UFRJ, mas sim da UFBA. E posso te dizer que aqui em Salvador as reclamações são constantes por parte dos professores (E por parte dos alunos também). Acho que se criou um hiato muito grande entre as duas classes! Como nos reaproximar é a dúvida que persiste e que estamos tentando resolver. Sem a participação dos dois lados – resoluções unilaterais – não conseguiremos resolver isso!

  29. Livia R. Mantuano disse:

    Acho que pelo menos o Mauro tenta. Tem muito professor acomodado na UFRJ, que chega lá na frente vomita uma centena de conteúdos que ninguém consegue absorver e depois temos que correr pros livros e gravar para fazer a prova. Acho que isso também é extremamente desmotivante, uma vez que você sabe que estar na sala de aula não vai lhe garantir nada e que depois vai ter que gastar o dobro do tempo estudando sozinho, porque simplesmente a aula não serviu de base alguma. Achei que algumas idéias são até boas, só devem ser problematizadas e estruturadas melhor antes do semestre começar. Deve se levar em consideração que o ciclo básico é um momento corrido e passar muitas tarefas extraclasses tende ao fracasso. Na minha época nós tínhamos que responder semanalmente 2 a 3 perguntas do site sobre conteúdos que não tínhamos tido acesso prévio, e logo demandavam estudo e várias horas de dedicação. Tínhamos que preencher uma espécie de wikipédia, e ainda tínhamos o trabalho final que embora eu tenha achado muito legal demandava um imenso esforço. Fora as horas em sala de aula.
    Além do mais seja qual for os métodos que serão utilizados durante o semestre é de extrema importância que eles sejam bem delimitados e esclarecidos no início do mesmo, e de preferência discutidos com os alunos. Lembro que no meu período cada hora era uma coisa diferente, e isso prejudicou e desestimulou muita gente.
    Apesar das críticas Mauro, com as quais em certa parte eu concordo, acho válido o fato de você estar sempre pensando essas questões e achei sua postagem condizente com a realidade no sistema educacional como um todo, embora não seja só culpa dos alunos.
    Acho que o que falta é você descer um pouco do pedestal e se aproximar dos seus alunos, ouvi-los, sem pré-julgamentos e tentar traçar uma relação melhor com os mesmos.
    Mas é só meu ponto de vista.
    Abs

  30. A ausência de estudos sobre a análise do perfil docente pode contribuir para a elevação da taxa de evasão nas universidades brasileiras. A consequência é notada na dificuldade de contextualização dos conteúdos programáticos pelos professores, o que desencadeia a evasão do aluno desde o componente curricular até o curso. Este trabalho apresenta de forma breve um processo para análise do perfil docente. Uma abordagem top-down que permite avaliar a aderência da escolha do professor ao componente curricular desde a sua contratação até as competências desejadas e correspondidas diante de uma avaliação discente.

    Vejam aqui e me digam se a proposta de solução é viável-> http://jaguaracisilva.blogspot.com.br/2013/08/analise-do-perfil-docente_3.html

    Sds

  31. Patricia Gomes disse:

    Gostaria de reviver a discussão, pois a acho extremamente importante!

    É muito fácil pra quem “mantém um blog há 10 anos” sentar na frente do computador e culpar os outros pelos seus erros. Recuso-me a acreditar – e é realmente quase impossível – que numa turma de (em torno de) 50 alunos não há UM que se interesse pelas suas aulas. Sim, biofísica teria tudo pra ser uma matéria sensacional, mas se NINGUÉM se interessa, é porque há algo de errado com você, não acha?. Sinceramente, não te deixa deprimido ver vários comentários ruins de ex-alunos seus? Dizendo, inclusive, que você foi o pior professor que eles já tiveram? Me desculpe, mas eu ficaria muito mal e começaria a buscar novas maneiras de dar aula.
    Eu já fiz a matéria com você e digo o mesmo que todo mundo: foi a pior aula que eu já tive! O site não funciona. A aula não funciona. NADA funciona! O que você faz é compartilhar curiosidades. Somente.
    Sim, eu sou uma das alunas que mal aparecia nas aulas e, por esse motivo, não tomo uma atitude mais drástica quanto a isso (como abrir um processo, por exemplo). Mas minha atitude foi consequência de tentativas frustadas de assistir a uma “aula” onde não se tinha nenhum planejamento.
    E se você acha que “essa geração já está perdida” como disse no seu texto, então pare de dar aula!! Afinal, pra que insistir em gente sem futuro, não é mesmo? Te garanto que você vai fazer muita gente feliz com isso…e como foi dito antes: atualmente, você merece uma sala vazia!

  32. Maximus Gambiarra disse:

    Eu que leio aqui esse blog, posso me considerar aluno do Mauro também, visto que aprendi e aprendo muita coisa. Minha frequência não é perfeita, devo confessar.

    Quando estava na universidade, a situação era bem diferente: eu era um rebelde. Ia às aulas mesmo quando os alunos boicotavam o professor. Quando todos aqueles alunos criticavam-no porque era um antiquado e dava aulas chatas, eu via o valor que tem um profissional com anos de experiência e tentava aproveitar o máximo.

    Acho assustadoras essas suposições de que o professor “precisa” deixar a aula interessante. Em minha visão, o professor precisa ensinar coisas, e não entreter. Não há porque competir com Facebook e afins. São os alunos que devem abrir mão de suas diversões por alguns momentos do dia. Hoje em dia não pode mais haver esforço?

    As boas aulas podem ser também difíceis e sempre será mais fácil ficar em casa do que ir para a aula. Por isso que a ausência de alunos não é um indicador válido para a avaliação dos professores. Quando acontecia na minha turma, era apenas um indicador de falta de empenho dos alunos.

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