De muitos para muitos – A Educação do ponto de vista do Cientista
Um sucesso para uns, uma tristeza para outros. Agora todo mundo pode ver a polêmica (será?) palestra apresentada no Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ durante o evento ‘O futuro da Educação’.
O conteúdo está na integra e as edições são apenas para tirar os “hum…; é…; ahm…”
Você também pode ver a apresentação no Prezi, e ver os textos citados no aqui no blog, ou organizados em um mural virtual no Pinterest. Em breve, as apresentações de Ana Carolina Letichevski e Ricardo Schneider.
Assi-métrica

Aconteceu de novo… me fazem uma pergunta e eu só tenho a resposta perfeita… 24h depois. Dessa vez ainda foi pior, porque eu já estava esperando a pergunta: “E que tipo de avaliação você vai usar pra mostrar que o seu método é melhor que o dos outros?”
Esperava, até, que fossem me ajudar a responder, mas… as vezes espero demais também.
Quem viu minha palestra deve ter visto que toda a minha motivação para adaptar um novo método de ensino é justamente a descrença em qualquer um dos tipos de avaliação que estão sendo aplicados atualmente para avaliar a aprendizagem. Funcionam, mas muito pouco. Então… por favor, não me peçam para avaliar justamente com as ferramentas que eu quero refutar.
Isso significa que o método não pode ser avaliado? Não… eu sou um cientista e um método que não pode ser negado, para mim não tem valor. Então significa o que? Richard Feynman dizia que “toda idéia inovadora, deve respeitar princípios básicos” O método que estou propondo deve ser avaliado, a priori, pelo quanto respeita princípios básicos. e eu não considero a prova, o ENEM, nem o PISA ou o que for, como princípio básico. Pra mim, princípio básico, é o que a neurociência e a psicologia evolutiva vem mostrando ao longo da última década sobre como funciona o nosso cérebro e sobre como aprendemos.
Quando se trata de avaliação educacional, eu bebi da melhor fonte: a Dra. Diva Lucia Costa, psicólogoa e professora da faculdade de educação da UFRJ. Tive o prazer de trabalhar com ela em 2008 com oficinas para doecentes da universidade Aberta do Brasil porque, desde lá, nos preocupávamos com a pergunta: como avaliar o aprendizado com EAD?
Diva escreveu um capítulo (Avaliação da aprendizagem) do livro sobre EAD que estamos para lançar. As pessoas tendem a pensar nos métodos de avaliação atuais como uma coisa ‘absoluta’, ‘inquestionáve’, ‘intocável’. Não é, não são. Veja alguns trechos do capítulo (e leia-o todo depois) de Diva que ilustram isso:
“Até o início do século XIX, a relação direta professor-aluno, em colégios episcopais ou escolas onde se aprendia a ler e contar, com um professor e pequenos grupos de alunos com idades e níveis de conhecimento diversos, permitia um acompanhamento mais próximo sobre o rendimento escolar. Naquele contexto, o que se esperava dos alunos era a reprodução dos modelos apresentados, seja na formação religiosa, seja na aquisição da leitura e da escrita. Havia padrões bem definidos, e aos alunos restava repetí-los, demonstrando ao mestre que haviam aprendido. A avaliação da aprendizagem também apresentava um caráter moral, ou seja, considerava-se que o grau atribuído ao aluno indicava a presença ou a falta de qualidades morais como esforço, dedicação, responsabilidade. Indicava também a existência de capacidades, de potencial para aprender, para progredir, para alcançar os padrões sociais mais elevados – ou não. [...] E, ainda por cima, freqüentemente sujeitava os alunos menos ajustados às expectativas a castigos físicos.”
Imagina o choque que esses docentes devem ter sofrido quando disseram para eles que tinhamos que fazer avaliações padronizadas da aprendizagem e que o julgamento de valores morais pela compreensão de conteúdo, assim como porrada, não estão de acordo com a ética docente?
“Com o advento da educação como um direito, ecoando as discussões trazidas pela Revolução Francesa, no século XIX começa uma mudança radical, com o aumento de matrículas. O currículo organizado em séries, os alunos distribuídos em turmas e o saber disciplinarizado introduzem novas condições de funcionamento que vão se somar à massificação das matrículas. Na primeira metade do século XIX são registrados os primeiros exames escritos, ampliando expressivamente a amostra de conhecimentos avaliados, e cobrindo o conjunto de conhecimentos ensinados. As experiências de avaliação de grandes conjuntos de alunos começaram a se desenvolver no final do século XIX em função das críticas aos resultados obtidos por escolas.”
Ah… veja que a grande motivação era a competição entre as escolas, não os benefícios para os alunos. As avaliações se baseavam em pressupostos, nem sempre científicos e nem sempre confiáveis. Como até hoje.
“George Fisher propôs um padrão de exames para ortografia, matemática, navegação, conhecimento de escrituras, gramática e composição, Francês, História Geral, Desenho, Ciência Prática, a partir do qual qualquer aluno poderia ser classificado. [...] Francis Galton, biólogo e primo de Darwin, demonstrara que crianças, jovens e adultos apresentavam diferenças intelectuais, emocionais, físicas e de padrões de sociabilidade, influenciando significativamente a avaliação [...] O psicólogo James Catell associava rapidez de respostas à inteligência humana e também influenciou a avaliação da aprendizagem escolar na virada do Século XX, contribuindo para que se fixasse a idéia de que a inteligência se relacionava diretamente à capacidade do aluno em responder rapidamente às questões. Em 1895, Rice também tentou identificar o alcance do que os professores trabalharam com seus alunos sobre ortografia e formulou uma lista de palavras, que foi aplicada a cerca de 16 mil alunos, tendo obtido grande variedade de resultados. A pesquisa de Rice, sobre os instrumentos possíveis e mais adequados à verifi cação do conhecimento adquirido, foi um dos precursores da avaliação escolar que vai acontecer no século XX.”
Um pressuposto, vocês sabem… leva a outro. E vão criando-se castelos no ar.
“Influenciada pelo paradigma da medição que orientava as ciências exatas e naturais, pesquisadores e gestores dos sistemas educacionais iniciam a produção de testes padronizados, aplicáveis a toda a população de estudantes de um grau de ensino ou série – já naquela época, portanto, instituiu-se o que hoje chamamos de sistemas nacionais de avaliação como o SAEB, a Prova Brasil, o ENEM, o ENADE. Os princípios da medição consideram que aquilo que está sendo medido constitui “algo” em si, obedece a leis próprias de funcionamento, que possui propriedades como ser repetível, ou variar de intensidade/quantidade, e que portanto é passível de ser apreendido quantitativamente. Saber uma certa quantidade de algo, nessa perspectiva, equivaleria a conhecer, e de certa forma manter sob controle a manifestação desse “algo” por parte dos interessados. Assim é que o conhecimento escolar assume o estatuto de objeto a ser medido, e traz ainda para o interior das escolas o conceito Curva Normal de Distribuição. A idéia de que o desempenho escolar obedecia às regras de distribuição normal fez com que se acreditasse que, em cada turma, cerca de 25% dos alunos tendiam a ser “fracos”, com rendimento abaixo da média; cerca de 50% obteriam resultados próximos, em torno de um valor que passa a se chamar “média”, e que passa a ser a norma para aquela população de estudantes, e cerca de 25% teriam desempenho acima da média, os “melhores alunos”. Assim, a obtenção de parâmetros de avaliação com a fixação de valores médios em uma escala numérica, a média, instituíram um modo de pensar eminentemente quantitativo para a avaliação da aprendizagem escolar. O conhecimento escolar é tratado como um objeto quantificável, do qual se poderia obter, através de provas e testes, quantidades de conhecimento dos conteúdos escolares, decorrendo daí a idéia de que alunos saberiam muito ou pouco de uma determinada disciplina. Os advérbios de quantidade associados aos resultados traduzem o principal sentido atribuído aos resultados das avaliações.”
Se você concorda com isso… muito bem, não temos mais o que conversar. Discordamos tanto que estamos em universos diferentes. “I rest my case”. Eu desisto. Mas só de argumentar. Como disse Selton Mello na entrega do prêmio ‘Faz a diferença’ esse ano:
“Eu não sei se vou continuar fazendo a diferença, mas vou continuar fazendo”
Capacete do Magneto
Ontem dei uma palestra sobre o método de ensino que estou empregando na disciplina de Biofísica para Biologia na UFRJ, que eu carinhasamente chamo de ‘de muitos para muitos‘, a convite dos professores Stevens Rehen e Marília Zaluar no Instituto de Ciências Biomédicas, também da UFRJ. O nome do evento era “O Futuro da Educação”.
O evento foi de altíssimo nível! Curto, objetivo, preciso. Mas temo que tenha sido inócuo. As pessoas na universidade, docentes principalmente mas também muitos alunos, não estão preparados para mudanças. NENHUMA mudança! E ao que parece não estarão preparados nunca!
“Eles estão usando o capacete do Magneto para que nenhuma onda cerebral externa entre” disse outro professor. O mais engraçado é que esses, aqueles, professores nem vão entender a piada. Aposto que não conhecem o Magneto.
O pior é que nenhuma crítica relevante apareceu. Tenho certeza que o método que descrevi aqui no blog em mais de 10 posts tem falhas e fraquezas, e um momento desses é importante para que professores experientes te ajudem a encontrá-las. Mas não. Ao que parece, se limitaram a encontrar um ou outro erro nos vídeos que os alunos fizeram, além, é claro, de criticar o uso do Funk como instrumento de linguagem. O preconceito deixou manchas no carpete do auditório. Não, eu não gosto de funk. Aliás, detesto. Especialmente o Lek, lek, lek whatever. Mas dai a negar o funk como movimento cultural legítimo… vocês não vão me ver fazendo isso.
como é que se avaliava antes das provas? Como as provas foram criadas com a educação em massa. porque hoje se sabe que não funcionam e porque uma nova forma de avaliar não pode ser avaliada com a métrica antiga e sim com princípios fundamentais que são justamente como a neurociência está mostrando que se aprende e como se deve ensinar.
Criticaram o que eu já sabia que iam criticar: como avaliar o modelo. Na verdade essa é a minha dúvida. A deles foi Como avaliar a aprendizagem do aluno.
Porra… será que não me ouviram falar por 30 minutos? Esse modelo foi criado JUSTAMENTE porque o modelo vigente de avaliação de aprendizagem dos alunos, qualquer que ele seja, NÃO FUNCIONA!
Sei, esse post está parecendo choro de botafoguense… Ia falar sobre o método de avaliação, mas vou parar por aqui.
Conteúdo e Critério
Sé pra dizer a verdade, tenho que confessar: não tinha mais tesão na sala de aula!
É triste, não é?! Eu andava fazendo de tudo pra não chegar a essa conclusão. Me enganava mesmo. “Ir dar aula é como ir pra academia. Eu vou triste mas volto feliz”… Tudo mentira. Eu ia relutante e voltava frustrado.
E acho que a reciproca era verdadeira. Sim, conseguíamos ter alguns momentos breves de pleno ensino e aprendizagem. Até de conexão, mas nada que justificasse a tortura mútua de 2h na sala, quase sempre vazia e quente (mesmo, por causa do ar-condicionado quebrado).
Alguma coisa tinha que mudar. Eu sei que muita gente acredita que tem que ser assim mesmo, que o problema é o salário do professor, que os alunos tem que se conscientizar da importância do ensino… mas eu não poderia passar os próximos 30 anos desse jeito.
Então comecei a pesquisar… Cristine Barreto e o CEDERJ, Sonia Rodrigues e o Autoria, Marlene Benchimol, Salma Khan e a sua Khan academy, Sugata Mitra e o computador no buraco da parede, Kenetth Robinson (obrigado TED!), Domenico de Masi (presencialmente ou a distância) e a fantasia x concretude… todos eles, uns com conhecimento, outros com ideias e outros ainda com exemplos, contribuiram com o que vou mostrar agora. Mas o estopim para essa explosão veio de dentro. Uma implosão! Beck (Pavel Popoff) e o video do Piruvato. Os alunos estavam anos luz a nossa frente.
Então comecei a experimentar. E agora, depois de 3-4 anos, acho que chegamos a um modelo de ensino que pode trazer de novo a alegria para mim e para meus alunos. Mas, vocês sabem como é, resistência por todos os lados. Professores acham que fazem tudo direito e que os alunos que tem que mudar. Os alunos querem que o professor faça tudo e que eles aprendam por osmose, então também não querem mudanças… claro, salvo as excessões. Resistência, resistência e resistência. Estou até fazendo um curso a distância sobre ‘Como lidar com a irracionalidade alheia’ (é sério – veja abaixo – e o curso é espetacular!)
A Preview to “A Beginner’s Guide to Irrational Behavior” from Advanced Hindsight on Vimeo.
Então eu sabia que só mostrar exemplos do que está acontecendo pelo mundo, só alertar sobre o Tsunami que está vindo por ai com os MOOCs, e que vai arrastar todo mundo que insiste em nadar contra essa corrente. E vejam que não estou falando de ir ‘contra a corrente’ para defender a ética ou a cultura. Estou falando de algo que, como disse Thomas Friedman “tem potencial para tirar uma grade quantidade de pessoas da pobreza, pois pode lhes proporcionar uma educação acessível para que elas consigam obter um emprego ou subir de patamar no emprego que já têm. Nada tem mais potencial para atiçar mais de um bilhão de cérebros para que eles solucionem os maiores problemas do mundo.” Mas, mesmo assim, ia ter que usar argumentos fortes para, se não convencer, amenizar as críticas dos opositores.
Então comecei a fazer isso nesse post, ele ficou grande e depois enorme, e agora virou um conjunto de posts que estão postados a seguir, ou organizados no meu Pinterest.
As máquinas de corrigir provas
Vocês todos devem ter visto o caso dos alunos que publicaram receita de pizza na redação do ENEM e ganharam nota máxima. O MEC ficou na maior ‘saia justa’ e demitiram um monte de professores. Disseram também que a partir agora tem que ter doutorado para corrigir redação (um absurdo!) e as redações com nota máxima serão revisadas ainda mais uma vez.
Bom, eu tenho que confessar que fizemos algo parecido ao que esses estudantes fizeram uma vez na faculdade: “…porque as razões de fósforo e nitrogênio no lago ‘e se o professor ler esse trabalho vai ganhar uma caixa de cerveja‘ não responderam de maneira esperada…”.
Ele nunca veio cobrar o prêmio e tiramos 7 no trabalho. Se eu tivesse que apostar, apostaria que nesse caso específico da receita de pizza, os professores que corrigiram a redação na verdade não corrigiram nada.
Mas… e nos outros casos onde o professor realmente corrigiu a redação e há uma grande discrepância entre o que (a qualidade do que) o aluno escreveu e a nota, ou boa ou ruim, que ele tirou? Será que colocar mais de um corretor ou repetir a correção resolve a questão da discrepância entre notas?
O caso foi bem retratato por Leonard Modlinow em seu livro ‘O andar do bêbado’. Depois que uma professora de inglês deu 9,3 para um trabalho que ele, um escritor profissional, tinha feito no lugar do filho, ele se questionou sobre os erros de medição dos professores ao corrigir trabalhos:
“Se aceitarmos que é possível de alguma forma definir a qualidade de um trabalho, devemos ainda assim reconhecer que a nota não é uma descrição do seu grau de qualidade, mas sim uma medição dessa qualidade, e uma das mais importantes maneiras pelas quais a aleatoriedade nos afeta é por meio de sua influência nas medições. Neste caso, o aparelho de medição era a professora e a avaliação de qualquer profiossional, como qualquer medição, está sujeita a variações e erros aleatórios.”
Ele conta o caso em que dois amigos do filho apresentaram trabalhos idênticos para a professora e ela, além de não ter notado, deu nota 9,0 para um e 7,9 para outro. Como é que pode?! Sim… pode.
Outros estudos mostram que o ambiente que nos rodeia no momento de uma avaliação, influencia nessa avaliação.
“se uma professora dá notas numa escada de 0,0 a 10,0; essas minimas distinções entra as notas devem realmente significar alguma coisa. Mas se 10 editores puderam considerar que o manuscrito do primeiro Harry potter nao merecia ser publicado, como é possível que a professor conseguisse distinguir os trabalhos com tranta precisão, dando nota 9,2 a um e 9,3 a outro?”
E na verdade, quando um grupo de pesquisadores da universidade de Clarion distribuiu 120 monografias para serem avaliadas, independentemente, pasmem, por 80 professores; os conceitos resultantes, numa escala de A a F, por vezes apresentaram variações de 2 ou mais graus! Em média, a diferença foi de quase 1 grau. Treinar os professores em critérios de avaliação mais objetivos também não funciona! Um grupo de doutores em retórica e comunicação da universidade de Iowa foi treinado em 10 parâmetros de correção para dar notas de 1 a 4 em redações. O resultado foi que as notas de dois avaliadorespara uma mesma redação concordavam em apenas 50% dos casos. A lista de estudo desses tipo é enorme e todos chegam as mesmas conclusões.
Será que é assim que queremos corrigir os trabalhos de nossos alunos? Decidir se sabem ou não? Se aprenderam ou não? Se for pra corrigir assim, prefiro ensiná-los a fazer videos. Garanto que vão aprender melhor a contar histórias, se comunicar por escrito, responder questões de prova e perguntas em entrevistas de emprego.
Corrigir redações é um problema e uma preocupação em todo o mundo, já que os testes padronizados são uma importante ferramenta para a educação em massa, mas a capacidade de correção dos professores não é tão maciça assim. E por isso, todos os anos a fundação William and Flora Hewlett (sim, o ‘H’ da ‘HP’) lançam um concurso programas de computador para correção automatizada de redações (Automated Student Assessment Prize em inglês ou ASAP, o que é um jogo de palavras com a expressão ‘As soon as possible‘ que significa ‘o mais rápido possível’, que é exatamente quando queremos os resultados dos testes – qualquer teste).
No ano passado foi a primeira vez que o programa vencedor realmente chegou próximo aos resultados das correções por professores. ”Este concurso me deu a oportunidade de pensar criativamente sobre como podemos usar a tecnologia para avaliar de maneira fácil, rápida e barata, qual a pontuação que um professor daria a uma redação corrigida a mão”, disse o vencedor do concurso, Jason Tigg, um físico de partículas inglês que tinha virado corretor de bolsas de apostas em esportes. “Eu adorei trabalhar em um problema real que tem o potencial de revolucionar a forma como a educação é oferecida.”
Para os organizadores do concurso, a finalidade não é substituir os professores, mas para dar ferramentas para que possam passar mais trabalhos escritos nas salas de aula. Hoje, os alunos (nos EUA) escrevem uma média de três redações por semestre. Com até 40 alunos em cada classe, as redações levam tempo demais para serem corrigidas. Atualmente, o ASAP está sendo aplicado apenas em testes padronizados, como o ENEM e ENEAD deles, mas a idéia é levar essa tecnologia para sala de aula, para que os alunos pratiquem mais redações por ano, com feedback rápido e acurado sobre a sua escrita, antes de chegarem no momento do teste.
A prática que leva a perfeição
É praticando (e não sublinhando) que a gente aprende.
A primeira razão para trocar a prova bimestral por quizzes é simples: o quizz funciona, a prova, não. A prova tenta medir, com grande ineficiência e injustiça, o que você aprendeu estudando de outras maneiras. O quizz é a melhor forma de você estudar (leia-se é a melhor forma de aprender)!
“Você se lembra daquilo que você pensa a respeito” Essa frase é o título e o argumento central do texto do psicólogo Daniel T. Willingham sobre o assunto. Eu sei… você adora estudar lendo e marcando o que mais gostou no texto, ou aquela definição que parece perfeita para aquele conceito. E te parece o método perfeito para estudar. Mas… se você leu o texto de Willingham… viu que na verdade não funciona da maneira intuitva. A melhor forma de aprender, é praticando! Testando os seus conhecimentos com pequenos testes, os quizzes, a medida que você estuda.
Essa primeira razão e também é o primeiro grande desafio: convencer as pessoas que a intuição delas (‘o marcador de texto ajuda’) esta errada. O segundo desafio é convencer o professor a abrir mão da prova como instrumento de pressão e cobrança. A terceira é convencer que questões de múltipla escolha são uma ótima forma de testar a aprendizagem do conteúdo (claro que elas tem que ser bem feitas, sem pegadinhas, sem textos quilométricos que tiram o foco do que importa, sem opções negativas).
A questão aqui é usar os quizzes de múltipla escolha também como instrumento de aprendizagem e não apenas para avaliar a aprendizagem. Assistindo ao conteúdo, você pode querer testar seu conhecimento. E é aqui que entra a exposição do conteúdo em vídeo, e não ao vivo, para o aluno poder parar e praticar quando quiser. Mas vou deixar isso pra outro texto.
O professor do século XXI
Em entrevista a revista ISTOÉ de Junho de 2007 (n. 1964: ) o senador Cristovam Buarque disse:
“O professor do meu tempo, vai desaparecer. Ele não ficará mais sozinho. Três pessoas irão elaborar a aula: aquele que chamamos de professor, alguém que enteda de programação para colocar no computador o que o educador quer ensinar, e um terceiro, da área de telecomunicações, para espalhar isso no mundo.”
Com alguma intimidade com computadores, os outros dois são até despensáveis, já que vários programas ajudam não só o professor, mas qualquer um, a colocar o que quiser no computador e depois espalhar na internet. Ainda assim, ele está correto: o papel do professor nunca mais será o mesmo:
“O menino que navegou a noite na internet chega na aula, de manhã, sabendo de coisas que o professor desconhece [e ai, por medo, proibimos computadores e celulares na sala de aula]. O ator principal não é mais o professor. São o professor, o aluno e a mídia. Ele não é mais dono do saber nem da informação.”
E continua
“Ele tem de estar ciente que não sabe a ‘última’ coisa. O que ele aprendeu na universidade valeu até aquele dia e dai tem de aprender de novo. E tem que entender que o aluno pode estar fazendo coisas que ele não domina.”
Acredito que os professores são capazes de dar muitas razões para justificar a presença deles em sala de aula com o aluno. Mas, do ponto de vista do aluno, poucas dessas razões se sustentam. Ao contrário. Vejam o comentário dessa aluna em uma rede social:
“Eu hoje me dei conta que os cursos online estão me deixando mal acostumada. Porque eu não preciso atravessar meia cidade para estar em uma sala de aula as 8 da manhã, para esperar no corredor abafado, em pé, por 40 minutos, um professor atrasado. E que ainda se permite ficar falando superficialidades para passar o tempo.”
Um bom aluno, hoje, é assim. O blá-blá-blá não convence mais ele. Afinal, o Coursera está ai, e ele pode ter uma aula melhor do que a sua, online, com um professor de Stanford. Mas ainda temos muitos outros alunos, não tão bons, que vão ficar na sua sala de aula mesmo com o seu blá-blá-blá. Mas vão dormir, vão chegar atrasados, vão sair antes. Mas o mais importante é: não vão aprender nada!
“O professor que ‘prefere’ não usar um computador, é como um médico que ‘prefere’ não usar uma tomografia computadorizada” Disse ainda Buarque. Você aceitaria que um médico fizesse um diagnóstico do seu filho sem usar a melhor tecnologia disponível para isso? Então porque aceitar que uma probabilidade menor de melhor formar um aluno?
Salma Khan, que está revolucionando o ensino com seus vídeos educativos super simples disse:
“Meu vídeotape tem duas vantagens sob mim ao vivo: A primeira é que os alunos podem parar e voltar quantas vezes quiserem. Podem assistir novamente quantas vezes quiserem. Podem assistir no momento que querem/precisam. E a segunda, é que não são interrompidos [oprimidos?] figura do professor perguntando ‘Entenderam? Preciso explicar de novo?’”
Para mim, o professor não está pronto para abrir mão do poder que tem em sala de aula e muito menos para dar (parte desse poder) mais autonomia ao aluno. E depois ninguém sabe porque nossos alunos de pós-graduação e recém contratados nas empresas são incapazes de tomar uma unica decisão.
Vejam bem, esse texto não é um choramingo. Não é dor de cotovelo. Eu sou um excelente professor. Sou comunicativo, consigo estabelecer vinculo com os alunos, tenho um bom tom de voz e algum carísma, sei do que estou falando… Feliz de quem tiver aula comigo. Ou com um dos muitos outros professores excelentes que existem por ai. Mas… e os outros? Que outros?! Primeiro os outros alunos que estão na universidade mas tem que ter aula com um professor ruim; e depois os outros 86% dos jovens brasileiros entre 19 e 24 anos que estão fora do ensino universitário no Brasil.
Um professor competente sempre poderá fazer a diferença, mas cada vez mais para um número menor de alunos. E vamos fazer o que? Vamos esperar que construam novas universidades para mudarmos esse quadro (que não mudou nos últimos 20 anos em que eu estou na universidade) e perder mais uma (varias) geração(ões) até isso acontecer? Ou vamos fazer alguma coisa agora?
Vamos fazer vídeos que ensinem os alunos o conteúdo base para que eles possam dicernir depois o que encontrarem no Google (e artigos científicos porcarias que estão por ai), vamos colocar nossos cursos em plataformas online que possam permitir teste por quizzes em massa, vamos deixar os alunos criarem seus próprios videos e exercícios para exercitar suas habilidades comunicativas, ajudarem a treinar a si próprios e seus colegas (minimizando a hierarquia em sala de aula)?
Bom, eu vou.
Aprendendo critério com os próprios erros
O grande orador romano Horacio Flacco dizia que “um escritor tinha que trabalhar 10h por dia: 2h escrevendo e 8h reescrevendo.”

Tenho muitas outras citações de muitos outros escritores famosos que sugerem a mesma coisa:
“Escrever é sobretudo corrigir e reescrever” (Antônio Lobo Antunes, Portugal)
“Eu uso a metáfora da escultura para explicar a necessidade de mover e remover e destruir partes da pedra para exibir a forma. Você realmente escreve por subtração. E meu trabalho não é tanto escrever, mas sim apagar. Eu costumo a dizer que qualquer um pode escrever. É fácil escrever. A arte está no apagar e não no escrever. E algumas vezes eu acho que apago mais do que escrevo.” (Amoz Oz, Israel)
Bom, você deve estar se perguntando, e daí?
Me permita usar uma outra citação tentar explicar.
No livro ‘O Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas’ de de Robert Pirsig, o personagem principal, um professor de redação, debate com seus alunos a dificuldade que tem em escrever.
“As escolas nos ensinam a imitar. Se a gente não imita o que o professor quer, ganha nota baixa. Na faculdade o processo é mais sofisticado; é necessário imitar o professor de modo a convencê-lo de que não se está fazendo imitação, mas sim assimilando a essência dos conhecimentos transmitidos e aplicando-os na elaboração de pensamentos individuais. Assim, ganha-se o conceito ‘A’. A originalidade, por outro lado, pode garantir qualquer nota, desde A até F. [...] Espera-se que [os alunos] leiam artigos ou contos, que se debatam como o escritor fez determinadas ‘coisinhas’ para obter certos ‘efeitozinhos’, e, depois, que os alunos escrevam um artigo ou conto parecido, para ver se conseguem fazer aquelas mesmas ‘coisinhas’.”
Só que não funcionava.
“Grafia, pontuação, gramática… É impossível lembrar essas bobagens todas e ao mesmo tempo concentrar-se no tema sobre o qual se está tentando escrever.”
O professor teve então um momento de epifânia
“A regra [que os escritores famosos usam para escrever] era descoberta no texto depois do texto pronto. Era uma regra post hoc. Todos os escritores que os alunos eram estimulados a imitar escreviam sem a ajuda de ‘regras’, colocando no papel o que lhes parecesse correto; depois é que voltavam para ver se aquilo ainda lhes parecia bom, e corrigiam o que não agradava.”
Essa passagem é fundamental não só na vida de um escritor, mas na vida de qualquer pessoa! O que faz a diferença não e apenas saber a regra. É, principalmente, saber aplicar a regra. E para ser criativo, você não precisa criar com a regra, precisa saber aplicar a regra a sua criação. Precisa saber avaliar, ratificar e retificar. Corrigir, melhorar e evoluir. Basicamente, ser criativo dá um trabalhão!
Não foi a primeira vez que eu tinha ouvido isso. A Sonia Rodrigues defende a mesma ideia quando diz que ”ninguém escreve com o dicionário aberto, senão não escreve”.
Olhem esse depoimento do escrito americano David Sedaris, dado na FLIP de 2008: “O primeiro rascunho de um romance é sempre excitante. Mas depois… vira… matemática. Ah, acabo de descobrir que usei a mesma palavra, duas vezes na mesma frase… e ai vem… como faço pra não usar essa palavra duas vezes… e não parecer um amador… e pegar o ritmo das frases… então eu me divirto no primeiro rascunho, e ai tenho uma vida miserável durante o 2o, 3o, 4o, 5o, 6o… e lá pelo 7o… começo a me divertir de novo.” .
Tá, então a aplicação da regra, a posteriori é importante, porque ele pode aplicar a regra e aplicar e aplicar até… até que se dê por satisfeito. Até que o texto esteja de acordo com o seu padrão de qualidade. O que ele só poderá fazer se tiver estabelecido um critério. Se tiver, criado um.
Uma vez perguntei na FLIP a um grupo de jovens autores como eles sabiam que um texto estava bom: “não tem critéiro, eu lei, e corrijo, leio e corrijo, leio e corrijo até achar que está bom”. Bem, ele pode não saber enunciar o critério, mas que ele existe, isso existe! E é um pouco isso que o nosso método tenta incutir nos nossos alunos: critério.
Abre parênteses: Já escrevi um texto sobre a importância, até, de esperar um tempo entre escrever e reescrever. Mas é importante que esteja escrito! Não dá pra avaliar mentalmente o que você quer escrever, pra escrever já da maneira correta. Quem escreve assim… bem, não escreve. “Não posso avaliar o que está na sua cabeça. Só posso avaliar o que você colocou no papel” eu digo pros meus alunos. Nem eu, nem eles próprios. Fecha parênteses.
Conforme ele tenta mais e mais vezes, vai descobrindo qual é o limite que define a qualidade e a quantidade de esforço para alcançá-la. E nesse momento, o professor fez o que Luli Radfaher diz que é o trabalho do professor em um mundo saturado de informação: Ensinou (deixou seus alunos aprenderem) a desenvolver critério!
Tá, mas do que exatamente eu estou falando? O que é que os alunos vão escrever e reescrever? É um ensaio? Um estudo dirigido? Uma resposta de prova? Não… seria praticamente impossível obrigar um aluno a escrever várias vezes uma coisa que servisse apenas para eles próprios (uma resposta de qualquer coisa). Por isso, eles tem que ‘preparar a prova’! Bom, não exatamente uma prova, mas exercícios de multipla escolha, que testem o conhecimento de conceitos e relações entre conceitos.
Os exercícios são criados com auxílio do formulário da plataforma que controla o curso, o MOODLE, e tem que seguir algumas premissas básicas: todos os enunciados tem que explicitar um conceito claramente e as opções tem que testar relações com esses conceitos. E todas as opções, mesmo as corretas, tem que apresentar um gabarito assertivo, que explique a opção. É uma maneira excelente de ensinar, mas é uma maneira melhor ainda de aprender!
Parece difícil?! Trabalhoso, talvez. Como se faz isso? Garanto que não é de primeira. Pro exercício ficar bacana, você tem que escolher bem as palavras, tem que estudar os conceitos, etc. Se você vai ‘responder’ uma pergunta, pode acertar no chute. Mas se tem que preparar uma… não tem como chutar. Você VAI TER QUE aprender!
Recortes de “Uma palavra depois da outra – o processo da escrita”
“Quando eu dou aula, e dou aula frequentemente, digo aos meus alunos: - ‘Vocês tem que escrever todos os dias e escrever pelo menos duas horas por dia.’ Eu espero que eles nunca me perguntem, porque eu não consigo fazer isso. Eu entro em comas e passo meses sem escrever, e depois eu explodo e escrevo por 10h, 12h por dia. Mas isso não muda nada, se vocês quiserem ser escritores, tem que escrever todos os dias, 2h por dia” Dennis Lahane, EUA (2007).
“Eu devo dizer que, na parte que me toca, e quanto a estrutura propriamente dita, eu vou deixando que as coisas aconteçam. E quando digo isso, não faço nenhum apelo a espontaneidade. Quando digo que não faço estruturação prévia, não quer dizer que ela não seja feita. Ela é feita a um nível subliminar, mas que já implicou muito esforço. É como se da realidade que é captada envolta, das vivências, captadas também, minhas e dos outros, é como se houvesse uma decantação e tudo isso fosse parar a um laboratório oculto, interior, onde passa por retortas e crisóis, até ser transfigurado e refeito, aparecer de novo, eventualmente, em certa madrugada, já elaborado, essa elaboração não é por intervenção divina, tem a ver com muitas leituras e talvez, isto pode ser uma peculiaridade do escritor com algum poder de captação, ou roubo, de palavras, de textos, de imagens.” Mario de Carvalho, Portugal (2006).
“Na maior parte das vezes, a inspiração chega quando você acaba de trabalhar. e então pensa, ‘ah… tenho aqui ainda está coisa… mas não vale a pena escrever agora… eu vou me lembrar amanhã…’ e ai você esqueceu. Como aquelas vezes em a gente está naquele estado crepuscular, entre o dormir e o acordar está meio dormindo. que de repente tem a sensação que compreendeu o mundo e compreendeu o segredo da vida e do mundo. Mas tem consciência que está dormindo e que quer acordar. e a medida que vai caminhando para a superfície vai perdendo tudo e quando chega cá acima, já não tem nada e então, o que eu pensava era, como é que eu posso conseguir um estado parecido com esse, de maneira as coisas fluírem mais facilmente e então percebi que através do cansaço acontecia isso. As 2h-3h primeiras horas são perdidas, porque os seus mecanismos lógicos e a sua polícia política interior ainda estão funcionando.” Antônio Lobo Antunes, Portugal (2009).
“Eu lanço as minhas mãos na maquina, com a ambição que elas escrevam sozinhas. Eu procuro estar ausente dali. De preferência tomo dois whisks, ou não tomo, mas tento estar ausente dali, tentando me aproximar da escrita inconsciente. Depois eu pego aquele material e tento relacionar com tudo aquilo que eu sei.” Domingos de Oliveira, Brasil (2009).
“O primeiro rascunho de um romance é sempre excitante. Mas depois… vira… matemática. Ah, acabo de descobrir que usei a mesma palavra, duas vezes na mesma frase… e ai vem… como faço pra não usar essa palavra duas vezes… e não parecer um amador… e pegar o ritmo das frases… então eu me divirto no primeiro rascunho, e ai tenho uma vida miserável durante o 2o, 3o, 4o, 5o, 6o… e lá pelo 7o… começo a me divertir de novo.” David Sedaris, EUA (2008).
“Você se lembra aquele poema que Cabral fez sobre Graciliano Ramos, aquela primeira quadra, eu acho que todo aspirante a escritor deveria ler, deveria ter essa quadra bem em frente. Que é mais ou menos assim. Escrevo somente com o que escrevo, com as mesmas 20 palavras, que giram ao redor do sol, que as limpam do que não é faca. Então você tem que começar a aprender a tirar tudo que não é gordura. porque há palavras que existem para não serem usadas. Advérbios, advérbios de modo… horríveis, né?! adjetivos. O Cortaz já dizia: os adjetivos, essas putas! E tentar escrever cada vez mais no osso e tirar tudo aquilo que não é faca, como diz o Cabral”. Antônio Lobo Antunes, Portugal (2009).
“Nem todos são capazes de escrever. De contar uma história. Alguns são capazes de fazer isso oralmente e uns outros poucos por escrito.” James Salter, EUA (2009).
“O meu trabalho como poeta é sempre uma descoberta. Eu, naturalmente, adquiri alguma habilidade, pela fato de muito escrever” Ferreira Goulart, Brasil (2006)
“Todos são capazes de contar uma história. E se você pedir a qualquer pessoa em uma sala que se levante e conte uma história da sua vida, ele provavelmente fará você arrepiar seus cabelos! Contar histórias é uma função humana natural, assim como o desejo de falar é uma função humana natural. É claro que que toma tempo organizar todas as palavras na página na ordem correta e todas essas coisas. E é claro que você tem que fazer isso. Mas pra que exagerar a dificuldade em fazer isso?! É uma função natural e espontânea, como falar, cantar, comer.” Hanfi Kureishi, Inglaterra (2003).
“É muito bom chegar num momento em que a gente conhece o ofício da gente. que a gente sabe o que a gente faz. É chegar na prancheta e não ter medo do tema, do que te encomendaram.” Angeli, Brasil (2004).
O Mapa da Mina
Eu descobri o CMAPs quase por acaso. Nesse mundo saturado de informação, a gente tem que dar um pouco de sorte de estar no lugar certo, na hora certa, quando alguém fala alguma coisa nova e interessante que você ainda não sabe.
No meu caso isso foi uma reunião no MEC sobre O MOODLE, há muitos anos, quando uma professora da Federal de Santa Catarina, Roseli Zen, falou dos mapas conceituais e do CMAP. Além de tudo, Rose é uma simpatia.
Um tempo depois, coordenando um curso de formação de professores a distância, foi a vez de entrar em contato com outra rosa, Rosita Edler, psicóloga que sabe tudo de educação e me ensinou tanta coisa. Ela e suas meninas escreveram um capítulo espetacular (Como eles aprendem, como podemos ensinar) no livro que lançaremos (algum dia) sobre EAD, falando de mapas conceituais.
A beleza dos mapas é, como quase sempre, sua simplicidade. Conceitos são organizados hierarquicamente e interconectados por ações e relações. Simples, não é? O problema está em identificar corretamente o que é um conceito, para poder identificar quais conceitos você quer utilizar e depois quais são as relações entre eles. É ai que nós, professores experientes, descobrimos que, na verdade, fazemos uma aula centrada em nós, em como nós aprendemos, e não no contéudo e na melhor forma de passar ele para os alunos.
Tem muita, muita, muita literatura sobre mapas conceituais. Mas eu ainda não encontrei um conjunto tão bom quanto o disponível no site do Institute for Human and Machine Cognition que tem um artigo espetacular sobre o que são mapas conceituais e um software também incrível para criá-los. É esse o kit básico que todo aluno que quer trabalhar comigo em atividades didáticas deve acessar e ler.
Mapas conceituais são uma tremenda ferramenta para dar mais consistência a qualquer disciplina que você queira ensinar. E como tudo, para que fique bom, precisa de energia. Dá trabalho. Mas o tesouro nunca tá na superfície, tem que escavar. Só é mais fácil com o mapa.

















