O beco sem saída

987142_96492352

O resultado do concurso para professor adjunto na minha instituição na semana passada deixou clara para mim uma coisa: o meu enorme desalinho com rumo que a universidade está tomando. Ou que tomou. Ou que sempre teve, não sei mais. De qualquer forma, fico me perguntando como não percebi isso antes. Não creio que tenha sido um estudante idealista pra ficar cego contra algumas obviedades, e muito menos um adulto idealista: como é que me escapou então?

Meu problema não foi, ou não tem sido, com os candidatos. Meu problema é com as bancas, que insistem em perpetuar um sistema que ultrapassado, que claramente não funciona mais, ainda que todo mundo faça o maior esforço pra fazer de conta que sim.

Mas eu não quero insistir, nesse texto, no ponto do concurso; quero insistir no desalinho. As vezes, muitas vezes, fico me perguntando se é possível que apenas eu veja que tudo está errado, que nossos professores estão desmotivados e despreparados; que nossos alunos estão além disso, desatentos; que nossas pesquisas não tem impacto…

Você não concorda comigo? Eu aprendi cedo na minha vida acadêmica que a única coisa, talvez capaz de convencer pessoas inteligentes a mudar de opinião, são argumentos técnicos. Afinal, como diz o canastrão  da série de televisão CSI – Miami, Horatio Caine: – “Pessoas mentem, evidências não”.

E nesse caso as evidências são sólidas, consistentes e aterrorizantes

– Alunos entram na universidade sem conhecimentos fundamentais de diversas disciplinas

– Na região norte do país, menos de 1% dos professores do ensino fundamental tem graduação. Qualquer graduação, em qualquer área.

– Apenas 14% dos jovens brasileiros entre 19 e 24 anos estão na universidade (menos que a Bolívia e muito, muito menos que Argentina e Venezuela)

– índices de evasão em cursos da UFRJ variam entre 50 e 90%

– A produção científica no país cresceu mas ela não tem impacto

– Os alunos do CsF voltam para casa por falta de proficiência em inglês

– Professores com doutorado ocupam 2 faixas da pista + o acostamento + as duas faixas da contramão na hora do rush na saída do campus do Fundão.

– 85% dos CEOs no Brasil dizem que sua maior preocupação para o crescimento é a disponibilidade de recursos humanos de qualidade.

Poderia continuar com mais argumentos.

Enquanto pesquisas e mais pesquisas em neurociência e psicologia evolutiva mostram, consistentemente, que as metodologias de ensino tradicionais são ineficientes e impossíveis de serem aplicadas em escala; eu gostaria de entender porque professores pesquisadores se recusam a aplicar em sala de aula as verdades científicas que outros cientistas produzem. Deve ter a ver com o que Dan Pink fala na excelente palestra TED sobre porque nos recusamos a aplicar verdades cientificamente comprovadas na gestão de recursos humanos nas empresas,

Na verdade, não preciso de Dan Pink, eu sei a resposta: porque vai dar trabalho, porque quem era o melhor professor antes não será mais o melhor professor, porque vai custar caro, porque não queremos aceitar que estacamos fazendo errado em primeiro lugar.

Enquanto isso, nossos alunos continuam passando em branco pela universidade, chegando despreparados no mercado de trabalho e achando que fizemos a nossa parte porque ganhamos uma avaliação positiva depois de uma aula (ou um curso) ou porque um ou dois alunos deram uma resposta excelente em uma prova.

Será que ninguém vê que assim não vamos conseguir educar os milhões de jovens que precisamos para começar, apenas começar a retirar o atraso do Brasil nesse setor? Será que ninguém vê que esse bonde  caminha em
 um beco sem saída? Não, ninguém vê.

609721_18447200

Um isopor explosivo (ou como enviar amostras com gelo seco pela transportadora)

Subst perigosas diversas 9

Saio do ostracismo involuntário para tratar de um assunto pouco interessante mas, para você que é pesquisador, de qualquer nível, muito importante: como enviar amostras biológicas preservadas em gelo seco, de um lugar para outro do Brasil, por uma transportadora aérea.

O pior é que nem é difícil. É trabalhoso, mas difícil… difícil não é. Difícil é física quântica, é biologia molecular. Mas quando a gente não sabe… a dor de cabeça e o trabalho podem estragar o seu dia. Como estragou o meu ontem, tendo que ir 3 (três) vezes ao setor de cargas da TAM para conseguir ter minha amostra (1 tubo de 500 µL contendo 10 µL de DNA sintético) enviada do Rio para São Paulo. O problema é que não existem instruções claras sobre como empacotar o seu material, preparar a embalagem e os documentos necessários EM NENHUM LUGAR! O que me levou a escrever esse guia.

Quando você vai pela primeira vez ao aeroporto, você descobre que existe um ‘check-list’, que eles usam para verificar se o seu pacote está pronto para viagem. Ajudaria bastante ter essa check-list na mão, não é? Então veja a  figura 1. Nela você descobre as etiquetas que precisam estar (e as que não podem estar também) coladas no lado externo do pacote. Veja principalmente a parte do ‘marcado e etiquetado’:HP0025

Use uma embalagem decente. Uma boa caixa de isopor, com paredes sólidas. Ela também não deve estar quebrada ou rachada, obviamente. Não abuse no gelo seco. Você pode usar até 200kg em uma embalagem, mas para amostras biológicas de laboratório em geral precisamos de bem pouco. Mas de uma forma ou de outra, você precisa do PESO LÍQUIDO DE GELO SECO que está sendo embarcado. Ele precisará constar na etiqueta da embalagem (abaixo), no formulário de despacho e na declaração de segurança.

As etiquetas são: Gelo Seco (ou Dry Ice) junto com o código da ONU UN1845 (não esqueça de anotar o peso de gelo seco na embalagem)

DRY ICE UN 1845

E a outra é etiqueta da IATA para identificação de ‘substâncias perigosas diversas’ que ilustra o início desse texto.

Sim, o gelo seco, que é dióxido de carbono na forma sólida, é uma substância perigosa. Mas como, se o ar está cheio de dióxido de carbono e nós expiramos ele a todo momento?

Bom, o porque ele é perigoso não importa muito, já que existe uma norma que diz que tem que ser assim e se não cumprir isso não levam a sua carga, mas se você é que nem eu que não se contenta com esses argumentos, eu vejo duas razões claras: a primeira é que ele é sólido a temperaturas inferiores a -50oC, o que pode gerar sérias queimaduras na pele. A segunda é que a temperatura ambiente, ele é um gás. Com isso, a sublimação do sólido pode gerar muito gás, aumentar a pressão dentro do recipiente e… explodir. É muito pouco provável que isso aconteça, mas… é possível. E é por isso que um ponto importante, não dito em nenhum lugar até você chegar no aeroporto, é que sua embalagem NÃO PODE ESTAR HERMETICAMENTE FECHADA! É preciso ter algum ponto de escape para o gás. Não vede todas as tampa do isopor com fita adesiva!

Muito bem. Falta ainda descobrir o que são as tais ‘etiquetas irrelevantes’ no check-list. Eu sou cientista e não gosto de nada impreciso. Por exemplo: o endereço do destinatário é irrelevante? Ele consta no documento chamado ‘conhecimento aéreo’ que acompanha a carga, por isso, em teoria, é irrelevante; mas na prática, não é. Então, OUTRAS DUAS ETIQUETAS que você precisa ter na sua embalagem, são o ENDEREÇO DO REMETENTE E DO DESTINATÁRIO.

Não terminamos ainda. O material biológico precisa ser acompanhado de uma declaração de periculosidade. Se a sua amostra, como as nossas sempre são, não apresentam qualquer perigo a saúde, você precisa de uma DECLARAÇÃO DE SEGURANÇA em papel timbrado, assinada por um profissional de saúde (médico, biólogo, veterinário…). O texto pode ser algo como:

DECLARAÇÃO DE SEGURANÇA

A quem interessar possa,

O material contido nessa amostra é composto por DNA sintético , NÃO apresentado qualquer PERIGO para a saúde humana, animal ou ambiental.  É NÃO TÓXICO e NÃO INFECCIOSO

Atenciosamente, (assinatura do profissional de saúde com seu número no registro profissional)

Abre parênteses: Se a sua amostra de material biológico for perigosa, você precisará de uma declaração  assinada por um profissional de saúde (médico, biólogo, veterinário, dentista, etc.), atestando que o material está enquadrado na UN 3373 e garantindo que a ‘Instrução de Embalagem 650 (embalo triplo, com etiqueta UN3373 afixada do lado de fora) foi cumprida. Fecha Parênteses.

Mas essa NÃO É A ÚNICA declaração! Outra, que não está listada em nenhum lugar que eu tenha encontrado, e nem na tal check-list, e que me fez ter de voltar mais uma vez ao aeroporto, é UMA OUTRA DECLARAÇÃO DE PERICULOSIDADE dizendo que sua embalagem contém Dióxido de Carbono sólido, gelo seco ou dry ice (e quanto contém).

DECLARAÇÃO DE SEGURANÇA

 A quem interessar possa,

 A embalagem em anexo contem até 2kg de dióxido de carbono sólido (gelo seco – dry ice).

 Atenciosamente,  Atenciosamente, (assinatura do profissional de saúde com seu número no registro profissional).

 Quase tudo pronto, agora você só precisa preencher a minuta de despacho. Aqui embaixo tem um exemplo, com os campos que você terá de preencher marcados. É importante ter o CPF/CNPJ do destinatário, sabendo que esse número vincula quem poderá receber a carga.

HP0024

Finalmente, lembre-se que como carga com gelo seco é considerada perigosa, a TAM pelo menos, não entrega no endereço do destinatário, sendo que alguém terá de ir no aeroporto fazer a retirada. Se o seu destinatário for uma pessoa jurídica, o responsável pela coleta terá de levar MAIS UMA DECLARAÇÃO, EM PAPEL TIMBRADO DA EMPRESA, AUTORIZANDO a retirada da carga XXX (identificada pelo número do conhecimento aéreo) por… (Nome e RG do portador da declaração).

Como eu disse, é muito papel, é chato, mas não é difícil. Pelo menos agora que alguém se dispôs a explicar tudo direitinho.

A prática que leva a perfeição

Marcador de texto

É praticando (e não sublinhando) que a gente aprende.

A primeira razão para trocar a prova bimestral por quizzes é simples: o quizz funciona, a prova, não. A prova tenta medir, com grande ineficiência e injustiça, o que você aprendeu estudando de outras maneiras. O quizz é a melhor forma de você estudar (leia-se é a melhor forma de aprender)!

 “Você se lembra daquilo que você pensa a respeito” Essa frase é o título e o argumento central do texto do psicólogo Daniel T. Willingham sobre o assunto. Eu sei… você adora estudar lendo e marcando o que mais gostou no texto, ou aquela definição que parece perfeita para aquele conceito. E te parece o método perfeito para estudar. Mas… se você leu o texto de Willingham… viu que na verdade não funciona da maneira intuitva. A melhor forma de aprender, é praticando! Testando os seus conhecimentos com pequenos testes, os quizzes, a medida que você estuda.

Essa primeira razão e também é o primeiro grande desafio: convencer as pessoas que a intuição delas (‘o marcador de texto ajuda’) esta errada. O segundo desafio é convencer o professor a abrir mão da prova como instrumento de pressão e cobrança. A terceira é convencer que questões de múltipla escolha são uma ótima forma de testar a aprendizagem do conteúdo (claro que elas tem que ser bem feitas, sem pegadinhas, sem textos quilométricos que tiram o foco do que importa, sem opções negativas).

A questão aqui é usar os quizzes de múltipla escolha também como instrumento de aprendizagem e não apenas para avaliar a aprendizagem. Assistindo ao conteúdo, você pode querer testar seu conhecimento. E é aqui que entra a exposição do conteúdo em vídeo, e não ao vivo, para o aluno poder parar e praticar quando quiser. Mas vou deixar isso pra outro texto.

O ‘Mainframe’ da vida

As vesículas dobradas estão presentes em células de todos os tamanhos e idades. Os grânulos são principalmente compostos de proteínas antimicrobianas, que são despejadas na hemolinfa durante um desafio, e depois para evitar uma nova invasão, do mesmo jeito que anticorpos depois de uma infecção.

As vesículas dobradas estão presentes em células de todos os tamanhos e idades. Os grânulos são principalmente compostos de proteínas antimicrobianas, que são despejadas na hemolinfa durante um desafio, e depois para evitar uma nova invasão, do mesmo jeito que anticorpos depois de uma infecção.

Raramente escrevo aqui sobre o meu trabalho. Poderia mentir, dizer que é modéstia ou alguma coisa assim, mas não é. Acho que o que eu faço no laboratório, pelo menos até hoje, não dava uma boa história. Acho que isso nem é verdade, mas sabe como é: casa de ferreiro, espeto de pau.

Mas essa semana publicamos um artigo… lindo! Mas lindo mesmo! Do jeito que dá orgulho de ser cientista. Fizemos tudo direito: o desenho experimental foi correto, os dados foram bem coletados, fizemos a análise correta e uma discussão inovadora.

Tão inovadora que… o revisor disse que ela era especulativa demais. Mas até nisso esse artigo funcionou: o revisor, que muitas vezes pode ser um idiota (veja aqui essa satira incrível de Hitler reclamando do terceiro revisor – se você não é cientista, talvez não se divirta tanto), foi sensacional: nos apontou na direção correta e, depois de bater a cabeça por um mês (as vezes na parede, as vezes nos pulsos uns dos outros) fizemos um artigo muito, muito bom.

“o parágrafo final é perfeito”. Gente… tenho só 40 anos e já vivi o suficiente para ouvir um revisor dizer isso!

Mas sobre o que é esse artigo que estou falando tanto, que me fez ir até o meu currículo Lattes e apagar uma estrela antiga para poder dizer que ‘esse’ é um dos meus 5 artigos mais importantes?

Eu poderia dizer, corretamente, que é sobre o sistema imune de ostras. Mas ai você poderia dizer, mas e eu com o sistema imune de ostras? Elas são uma delícia com sal e limão, e isso é que importa!

Bom, eu tenho que concordar que elas são uma delícia. Mas isso não desmerece o sistema imune delas. Os bivalves são um dos grupos animais com maior número de espécies. Ocupam todos os mares, rios e lagos. Alguns, como o mexilhão dourado, são pestes, invasores extremamente vorazes e eficientes. Isso, vivendo em um ambiente hostil: concentração de bactérias e vírus na água chega a 10ˆ6 e 10ˆ9 por mililitro!

E como elas conseguem ser tão eficientes, em ambientes tão diferentes quanto hostís? Uma das respostas é: com um bom sistema imune!

E quando eu falo em sistema imune você já pensa logo em anticorpos, linfócitos, imunoglobulinas… mas não, esses animais são muito anteriores ao sistema imune adaptativo dos mamíferos. Eles só possuem sistema imune inato. E que se resume a, e essa foi uma das nossas descobertas, um tipo de célula apenas! Só que essas bichinhas são sinistras! Fagocitam bactérias, metralham elas com espécies reativas de oxigênio e, pra garantir que elas não apareceram mais, disparam peptídeos anti-microbianos dos seus grânulos na hemolinfa do bicho. Se você for biólogo e entender de imuno, posso dizer em um linguajar mais técnico: desgranulam igual macrófagos!

E isso é que é o bacana. Apesar de não terem o sistema imune adaptativo que nós temos, nós temos o sistema imune inato que elas tem. Verdade, nós produzimos apenas um poucos tipos de defensinas, enquanto elas produzem um monte. É é justamente o estudo dessas proteínas de defesa que tem mostrado, por um lado, o que pode ser a origem do sistema imune adaptativo, e de outro, toda uma estratégia para combater as bactérias resistentes a antibióticos.

E você que pensou que elas serviam apenas para petiscos…

Nosso laboratório estuda isso: as relações entre os genes dos organismos e o seu ambiente, e como isso pode nos ajudar a resolver problemas ambientais e de saúde humana. Ou, como disse lindamente a professora Claudia Lage quando leu o texto: “Adoro esses estudos que mostram o ‘mainframe’ da vida”.

Eu também!

Rebelo, M., Figueiredo, E., Mariante, R., Nóbrega, A., de Barros, C., & Allodi, S. (2013). New Insights from the Oyster Crassostrea rhizophorae on Bivalve Circulating Hemocytes PLoS ONE, 8 (2) DOI: 10.1371/journal.pone.0057384

Mariposas Cabeludas

Já contei aqui a razão do nome do blog. Outro dia chegou para mim uma pergunta de Brasília, da minha querida amiga Dani Wandscheer, nesse mesmo formato: “Acionando meu cientista favorito… Vc já viu isso?”

Você quer uma?

Quando vemos um bicho desses, mal dá pra acreditar que é real. Foto de disponível em http://www.flickr.com/photos/artour_a/4207478815

O site falava sobre a foto desse belíssimo exemplar de mariposa. O problema é que ela é tão bonita e tão diferente que eu, mesmo sabendo que as coisas mais bonitas e diferentes são feitas pela natureza, desconfiei. Mariposa Poodle? Fala sério! Na verdade acho que todo mundo desconfiou, porque a propria Dani escreveu tentando conseguir a confirmação de um amigo biólogo (ah se todos os meus amigos buscassem confirmação científica das coisas que ouvem falar por ai…).

Li o artigo no site. A foto teria sido tirada por Arthur Anker, da Universidade Federal do Ceará, em 2009, na Venezuela. Bom, se uma reportagem diz ‘quem’, ‘quando’ e ‘onde’, além de bom jornalismo, é uma indicação de veracidade. Afinal, dá pra gente verificar as informações. E foi o que eu disse pra Dani que faria, e que fiz.

Fui olhar o curriculo Lattes (1) do cara. Hum… não existia, isso não era bom. Mas ele tinha Research gate e ai ficou fácil verificar as informações. Ele na verdade é americano e está lotado agora no Labomar, um instituto de pesquisa do CNPq ligado a Universidade Federal do Ceará. Na verdade ele tem dezenas de artigos sobre camarões e outros crustáceos decápodos, o que de muitas maneiras comprova o valor do cara como zoólogo.

Mas o que um especialista em camarões estaria fazendo fotografando mariposas em uma floresta da Venezuela? Nada mais natural! Tem gosto pra tudo, não tem? Eu gosto de tirar fotos de animais em outras situações, como esse belíssimo Pargo assado no sal grosso escondido no forno do Satyricon que eu comi no primeiro dia do ano.

Pargo no sal grosso

Mas o atestado final de veracidade da foto veio de outro amigo, o biólogo, zoólogo, especialista em comportamento animal, e também scienceblogueiro Eduardo Bessa, enquanto comiamos as incríveis empadas de crustáceos decápodos (Camarão com Catupiry) do Belmonte. Quando contei a estória ele logo confirmou:

“É, existem muitas dessas mariposas cabeludas mesmo. É por causa do hábito alimentar. Como elas se alimentam de pólen, os pelos ajudam a capturar o alimento.” 

Nada como um pouco de racional científico para aumentar a credibilidade de um evento.

Um feliz ano novo pra todo mundo!

(1) Os pesquisadores brasileiros tem os seus curriculos em uma plataforma online do CNPq. Diga-se de passagem, um avanço com relação a qualquer outro país do mundo

Cerveja, Piruvato e novidades na sala de aula

Dia 17 de março foi dia de São Patrício (St. Patrick). Eu não saberia disso se não estivesse fora do Brasil, porque aqui não se comemora tanto o dia do padroeiro da Irlanda. E porque se comemoraria? Bom, porque a festa do padroeiro da Irlanda acabou virando a festa da Cerveja, o produto mais associado aos irlandeses, e os brasileiros também adoram cerveja. Mas acho que o carnaval e a Oktoberfest (a nossa é a segunda maior do mundo e a segunda maior festa brasileira – não religiosa – depois do carnaval) já cumprem esse papel.

E o que isso tem a ver com biologia além do fato dos biólogos adorarem cerveja? A cerveja é um ótimo assunto para ensino e divulgação científica. Um dos meus primeiros textos foi sobre o consumo do álcool e mais recentemente escrevi sobre a toxicologia do álcool e o interesse que esse assunto desperta nos alunos. E chamou a minha atenção o vídeo feito por um biólogo sobre a biologia da cerveja:

Não é um barato?! Para fazer esse vídeo eu tenho certeza que ele aprendeu muito mais do que se estudasse para qualquer prova. Também tenho certeza que muitos alunos, ou apenas beberrões curiosos, aprenderam (e aprendem) mais com ele do que com qualquer livro didático. E contribui para isso o fato de ser um vídeo e de estar no youtube, onde as pessoas podem acessar de qualquer lugar e quantas vezes quiserem.

Fiquei me perguntado porque não temos alunos assim: criativos, divertidos, dedicados, interessados e inovadores? Ops! Mas peraê… nós temos sim!!!

O video abaixo sobre a via glicolítica foi feito por alunos da UFRJ e é um sucesso na internet:

Ainda que algumas pessoas possam questionar o bom gosto dos produtores, o ‘Piruvato’ é sensacional! Esse vídeo, essa música, deveriam ganhar prêmios! Eu queria dar um premio pra esses caras.

Ops, mas peraê de novo. Eu conheço esses caras! Eu conheço essa sala de aula! São os meus alunos, é a minha sala de aula. Esses rapazes e moças passaram pela minha disciplina sem nenhum brilho, sem nenhuma iniciativa. Provavelmente sem presença também. Por que será que esse interesse não se manifesta no dia-a-dia da sala de aula?

Porque, vamos combinar, a aula é muito chata! A escola é chata e a universidade é chata também. Não é (quase sempre) culpa de ninguém, é o fato da escola não ter acompanhado as mudanças tecnológicas da sociedade nos últimos 100 anos, como diz Seymour Papert.

“Alguns setores da atividade humana, como a medicina, os transportes e as comunicações, foram transformados drasticamente, a ponto de não reconhecermos, durante o século XX. Comparadas com essas mega mudanças, as práticas da escola permaneceram virtualmente estáticas. Isso se deve a aprendizagem não ser suscetível a mudanças? ou a tecnologia apropriada ainda não ter aparecido?”

Por melhor professor que eu seja – e eu sei que sou – não tem como a minha aula, nos moldes em que se espera que eu dê aula, possa competir com os estímulos do mundo moderno. Eu sou a favor de fazer um monte de coisas super legais em sala de aula, mas como fazer isso se temos que passar conteúdo para os alunos?

A relação com o conteúdo tem que mudar. Tem, pelo menos, que mudar o ‘momento’ de passar o conteúdo. Não pode ser mais a sala de aula. A aula tem que ser pra discutir as respostas dos alunos com eles. REspostas que eles encontraram no youtube, no google, no facebook. Que conversaram entre si, que perguntaram pra alguém ou ouviram falar no jornal, na TV, pixado em um muro. Que ouviram no video engraçado do ‘Piruvato entra e sai’.

Fora umas pouquíssimas iniciativas isoladas, como a escola do Oi Futuro da qual a Samara Werner fala aqui, o professor é obrigado, ou só sabe, ou só tem instrumentos, para dar uma aula chata. É obrigado a cobrar dos alunos uma performance chata e tem de se contentar com um resultado medíocre. Todos restam decepcionados. Mas será que tem de ser assim?

Ahh… eu vou mudar isso. Vou mudar isso a partir de agora. A partir de hoje.

Para que precisamos de biomarcadores?

malcheiroso_180344_2143.jpg

“Quando o dano está feito, até um tolo pode percebê-lo.”

Não canso de repetir essa frase de Homero. Especialmente para mim mesmo.
Ela me faz lembrar uma outra frase, mas essa eu não sei quem disse: “Se nosso cérebro fosse simples a ponto de podermos compreendê-lo, jamais conseguiríamos compreendê-lo”
Que por sua vez me leva a palestra do Richard Dawkins no TED “Queerer than we can suppose. The strangeness of Science” ou “Mais esquisito do que nós podemos supor. A estranheza da ciência”, que vocês não podem perder.
Ele, por sua vez, estava citando J.B.S. Haldane, que uma vez disse “The universe is not only queerer than we suppose but queerer than we can suppose.” (“O universo não é apenas mais esquisito do que supomos, é mais esquisíto do que podemos supor”)
Eita, já escrevi 4 citações a até agora não disse ao que vim. Espero que não tenham se cansado e ido embora.
Veja, os ecotoxicologistas, mas acredito que também os ecólogos e os toxicologistas, ainda não se convenceram disto. De nada disso! Parece que quanto mais complexo tornarmos o problema, quanto menos pessoas puderem compreendê-lo, quanto mais equipamentos caros precisarmos para avaliar o problema, melhor é o problema.
Não é, ou não deveria ser, assim.
Robert Aumman diz que a compreensão é um fenômeno complexo, mas que usa 3 elementos: relação, abrangência (unidade) e simplicidade. Para compreendermos alguma coisa, precisamos ser capazes de relacioná-la com outras, que nos são familiares. Ela precisa ser aplicável em várias situações, quanto mais situações, melhor será a nossa compreensão. E finalmente, ela precisa ser simples!
Mas nem tudo é, ou pode ser, simples.
A teoria da gravitação universal é simples. Massa, distância e BUM! Você tem a gravidade. Mas esses tais de biomarcadores… gente… que coisa complicada! Eu trabalho com eles, há muitos anos, e são tão poucos os que podemos dizer que realmente entendemos.
Quer dizer, entendemos os mecanismos. A biologia molecular (quando aquelas letrinhas ACGT do DNA viram uma proteína) e entendemos a bioquímica (quando todas aquelas proteínas fazem alguma tarefa em um ciclo ou processo), mas quando tentamos entender PORQUE ou PARA QUE elas fazem isso ou aquilo… o problema fica complicado demais.
Já tentou entender porque uma garota é capaz de passar horas e horas em uma loja de sapatos? Ou um cara horas e horas discutindo sobre carros? É a mesma complicação: não dá pra entender!
Por favor, não me entendam mal, eu sei que DNAs e proteínas não fazem nada com razão ou propósito. Usei os termos mais no sentido de ‘causa’ e ‘consequencia’. Porém, mesmo essas coisas complicadas, que talvez jamais consigamos entender ou prever, acabam levando a coisa que podemos observar mais facilmente: um sintoma de doença, um cheiro ruim de esgoto no rio.
Não precisa de pós-doutorado. É tão fácil que até um tolo percebe. E é isso que a palestra do Dawkins fala. Nosso cérebro foi desenhado (no sentido de evoluiu) para compreender fenômenos do mundo visível, audível e palpável. E para tomar decisões levando em consideração muitas variáveis, medindo a importância de cada uma delas em diferentes contextos, algumas vezes de forma inconsciente, e em outras, levando em conta parâmetros emocionais (não-racionais). As coisas continuam sendo complicadas, mas em algumas escalas, ordens de grandeza, nosso cérebro está equipado para compreendê-las.
Acho que a escala dos biomarcadores de poluição não é uma delas. Se você coloca peixes em um rio contaminado com esgoto e depois de meses de análises, milhares de reais, horas de trabalho, análises químicas e estatísticas, tudo consegue concluir é que aquele rio estava contaminado com esgoto, então existe algum problema ai.
A questão é: se os biomarcadores só forem tão bons quanto nossos olhos e narizes, porém muito mais caros e trabalhosos, então fiquemos com os olhos e narizes!
Começo a acreditar que não poderemos, nunca, nem mesmo com os ‘omics’, explicar os complexos mecanismos através dos quais os efeito de mudanças climáticas, os antigos contaminantes que ainda estão presentes (como DDTs, PCBs e HPAs), os novos contaminantes como as nanopartículas e os fármacos, associados a variantes genéticas entre espécies e indivíduos, estágios do desenvolvimento, idade, gênero, doenças e acrescidos da presença de parasitos e influência de variações ambientais; prever o que vai levar um organismo a desenvolver um tumor e outro não, após uma exposição no ambiente.
Acho que como ecotoxicologistas, estamos fadados a sermos os tolos que explicam depois, com um nível de detalhamento sem precedentes na história, o dano logo depois dele acontecer.

Inovação Não

bandeira_noruega_1026732_25044633.jpg

“O que o traz aqui essa noite?”

Foi a pergunta que mais ouvi ontem no jantar de recepção da comitiva do Ministério da Indústria e comércio da Noruega no Copabana Palace.
Fui de terno, porque o traje era ‘business attire’ – que eu só conhecia como ‘esporte completo’, mas também porque tinha esperança que o jantar fosse no Cipriani, o chiquerérrimo restaurante do hotel que eu nunca consegui ir (mas o ministério não está podendo tanto assim e só contratou um buffet para as quase 400 pessoas que estavam lá. Mesmo assim, o bacalhau era norueguês e estava uma delícia). Mas apesar de toda a beca, os gringos olhavam com um quê de espanto (porque noruegueses sóbrios não conseguem demonstrar uma emoção inteira, apenas um esboço dela) para aquele cabeludo queimado de praia no meio de todos aqueles empresários loiros e de olhos azuis.
O espanto inteiro aparecia quando eu dizia que era professor da UFRJ. Se até crianças de 8 anos ainda possuem uma imagem estereotipada do cientista como maluco, imagina os CEOs de 60 anos?
Mas felizmente aprendi a lidar com as caras de espanto e com os preconceitos estereotipados e acabava explicando que estava junto com o Instituto Internacional de Pesquisa de Stavanger, ou IRIS, na sigla em inglês. Eles prestam serviços para a indústria de petróleo e gás e querem, assim como toda a indústria do petróleo Norueguesa, expandir para o Brasil. Para o Rio de Janeiro mais especificamente. Para isso precisam envolver universidades locais e… é ai que eu entro.
Mas nem tudo é festa e minha participação não se restringiu ao evento social. Hoje de manhã lá estava eu no auditório do novo prédio da COPPE na UFRJ para o evento “Brazil – Norway R&D and Technology Innovations: Moving forward on bilateral collaboration”. Foi educativo, mas frustrante. Vou explicar porquê.
Eu sei que estou divagando um pouco, mas preciso fazer mais um parênteses (fiquem comigo que tudo vai fazer mais sentido mais pra frente).
Nos primeiros anos da faculdade de biologia, estavam na moda a criação de animais exóticos, como rãs e camarões da malásia. Eu achei que essa era uma boa oportunidade para ganhar a vida como biólogo, talvez até virasse fazendeiro. Mas logo logo descobri que as chances de negócio eram muito superestimadas e que quem ganhava dinheiro realmente com rã e camarão era quem dava curso e vendia livro e apostila sobre ‘como ganhar dinheiro com rã e camarão’.
Bom, essa é um pouco a minha percepção quando vejo alguém falar de inovação. Seminários organizados com pompa e circunstância, experts no assunto, envolvimento de diferentes agências governamentais, muitos ‘CEOs’, mas inovação mesmo…. muito pouca, ou nenhuma. Só ganha dinheiro quem vende livros sobre inovação.
Durante a manhã e a tarde, representantes de 7 universidades (pelo lado brasileiro UFRJ, PUC_Rio, USP e UNICAMP) e 7 empresas apresentaram seus projetos, expertises e áreas de cooperação. Tudo E-X-A-T-A-M-E-N-T-E igual! Em alguns casos, poderiam até ter trocado a apresentação de um pela do outro, porque TODOS tinham as MESMAS PROPOSTAS para o futuro a indústria de óleo e gás.

Em nenhum momento, nem uma vez, foi falada a palavra Biotecnologia. Até entendo que os engenheiros ignorem o tema. Afinal, quando sua única ferramenta é um martelo, você tende a ver todos os problemas como pregos, diz o provérbio. Mas será que nenhum gerente ou diretor de empresa conhece o potencial da biotecnologia para resolver problemas? Eles precisam ler mais o VQEB!
A biotecnologia é cara e demorada, é verdade, mas dá resultados impressionantes. Pergunte a quem toma insulina humana produzida por camundongos.
A indústria do petróleo, estou confirmando, gosta mesmo é de trabalhar na sua ‘zona de conforto’. Afinal, para que se preocupar? É como se ouve por ai: “o melhor negócio do mundo é uma empresa de petróleo bem administrada. O segundo melhor, é uma empresa de petróleo mal administrada”.
Mesmo esse biólogo aqui adora dirigir o seu carro e não regula o consumo de gasolina. O Petróleo será explorado, processado e vendido, até se esgotar, com ou sem inovação.
Dá próxima vez, bebo mais no jantar e durmo até mais tarde.

A natureza humana

Plaza Major, 2a feira a noite, chovendo

Na semana passada estava jantando com uma amiga em Madrid (‘Muito chique!!!’ diria a Petra Gil) e conversando sobre a inevitabilidade das falhas de caráter humano. Uma em particular, enquanto quantidades cavalares de Pata Negra e Tempranillo eram consumidas.
Penso constantemente sobre isso. A idéia de que o homem é ‘bom’ por natureza e que a ‘moral’ pode ser imposta aos nossos instintos de sobrevivência sem um alto custo me faz arrepiar. Ou melhor, me faz rir. A natureza humana não é boa. E ainda que essa seja talvez a nossa melhor característica, aquela que nos faz tão divertidos, tem tanta gente que não acha isso bom.
Falhamos, todos. E falharemos, ainda. E quanto mais assumirmos compromissos de ano novo que agridam fortemente os nossos instintos, em pro do politicamente correto ou moralmente adequado, mais falharemos.
Abre parênteses: As manifestações de solidariedade para com as vítimas da maior catástrofe natural que o país já enfrentou não me comovem. Quase me preocupam! Talvez sejam elas as falhas de caráter. Algo como a exceção para justificar a regra, que é o fato que vou para o trabalho todos os dias, pelas linhas amarelas e vermelha no Rio de Janeiro, olhando o mar de favelas que se estende até a onde a vista alcança. As casas em áreas de risco podem ser observadas de qualquer ponto do Rio de Janeiro. De alguns, até mesmo por diferentes ângulos. Mas ninguém (inclusive eu) faz nada até que o mundo venha abaixo. O que mais me preocupa é que daqui a pouco vão dizer que é culpa do ‘aquecimento global’, das ‘mudanças climáticas’, e continuar pensando em alguma outra coisa que não podemos medir com precisão, para justificar não fazer nada quanto aos parâmetros super precisos que podemos medir todos os dias: 5 milhões de pessoas vivendo em áreas de risco no Brasil com o estímulo, aval ou a conivência das autoridades. Fecha parênteses.
Luto por uma definição mais humana de natureza humana. Que acolha as suas falhas, que seja mais amoral.
Pensei nisso ainda na semana passada, no Rio, quando li o comovente ensaio de Fernanda Torres na Veja Rio de 5 de Janeiro. Começa assim:
“O homem é uma realidade finita, que existe por sua própria conta e risco. O homem irrompe no mundo e depois é que se define, mas no princípio, ele é nada. Ele não será nada até o que fizer de si mesmo: logo, não há natureza humana, porque não há Deus para concebê-la. Esse é o primeiro princípio do existencialismo, tido equivocadamente como uma filosofia negativa, de angústia e do fracasso. Não! É uma teoria que afirma que o homem está lançado e entregue ao determinismo do mundo, que pode tornar possíveis ou impossíveis as suas iniciativas. Essa contingência é a liberdade na relação do homem com o mundo. O acaso é quem tem a última palavra.”
O começo não é dela. É a abertura da peça “Viver sem tempos mortos” de Fernanda Montenegro, onde ela vive Simone de Beauvoir. O texto da Fernanda é comovente, como eu disse, mas um pouco ambíguo, sem deixar claro a sua opção pela crença no Deus do acaso.
Talvez quisesse, fico imaginando, apesar de saber que tentar decifrar a ‘intenção do autor’ de um texto é o caminho mais rápido para a incompreensão do mesmo. Olhei de novo a abertura da peça. É isso, a Fernanda Torres está certa. “Não há razão ou porquê. Não existe lógica ou justiça suprema nos julgando. Deve-se aceitar que é assim e pronto”. É Sartre quem está errado!
Eu também não sou, nem grande fã, nem grande conhecedor de filosofia. Meus leitores sabem que sou um guerreiro, mas também um escravo, da ciência. Tento controlar minha ânsia por desconstruir Sartre, mas não consigo. É que para negar Deus, ele nega a existência de uma natureza humana, que teria sido moldada por Ele, mas que na verdade é inequívoca, apesar de ter sido moldada por bilhões de anos de seleção natural.
Um cirurgião que abre um paciente não precisa procurar todas as vezes aonde está o fígado, porque o fígado está no mesmo lugar em todos os pacientes. Assim começa o ‘Rainha Vermelha’, um dos grandes livros que já li na vida, e que fala justamente da existência de uma natureza humana como base para as nossas grandes, importantes e fundamentais diferenças.
Negar essa natureza humana, herdada em parte dos nossos parentes primatas (gorilas, bonomos, chimpanzés) mas também dos coelhos, serpentes, peixes, fungos e bactérias; em prol de uma filosofia onde o homem é capaz de fazer de si o que puder, é negar a teoria da evolução.
Não resisto ao impulso egocêntrico de reescrever Sartre. Ainda que reescreva só (só?!) Fernanda Montenegro:
“O homem é uma realidade finita, que existe por sua própria conta e risco. O homem irrompe no mundo e depois é que se define, se o acaso contribuir, ou pelo menos não atrapalhar. Mas no princípio, ele é apenas homem. E o que fizer de si mesmo poderá ou não permanecer. Há uma natureza humana que não foi concebida por Deus, mas sim pela seleção natural (e a deriva gênica também). Esse não é exatamente o primeiro princípio do existencialismo, tido equivocadamente como uma filosofia negativa, de angústia e do fracasso. Talvez porque afirma que o homem está lançado e entregue ao determinismo do mundo, quando a teoria do Caos já provou que não há tal coisa como o determinismo, e o mais provável é que a autora quisesse sugerir com essa frase que o homem está lançado a sua própria sorte, sem a a ajuda do mundo, o que pode tornar possíveis ou impossíveis as suas iniciativas. Essa contingência é a liberdade na relação do homem com o mundo. O acaso é quem tem a última palavra.”
E para não parar por ai, reescrevo a própria Fernanda Torres ao citar Jorge Mautner: “A maior prova de que o acaso existe, é que ele acontece.”

ISMEE’s diary. Saturday, October the 30th. Last day.

ISMEE_BLOG_DAY8.jpg

The last day started with a mix of sadness and joy. Everything had worked out, but it was in the end. Dr. Francesco Dondero started at 10 am speaking on biomarkers, metallothionein and the new field of the “Systems’ Biology”, that promises to integrate all the information produced by the “omics” techniques. Everyone was tired, but they all stayed until the end. As Dr. Antonio Pacheco was still in Arraial, we asked him to substitute one of the absent guests after the lunch, talking about “Multivariate analysis”. At 15:30 pm we started the closing lecture with Dr. John Stegeman talking on “How to trust its data”. Stegeman told stories about how a young scientist overcomes the fear of the impact and the repercussion of new discoveries and learns to differentiate what it is important from what is interesting. All that mixed with an incredible biochemistry lesson. In the end, he spoke on a topic that we should have discussed more: how to publish your data. He gave important tips on how to deal with editors and referees so to favor your odds for publishing the article. And how a high quality English is a fundamental tool in science.
We distributed evaluation forms for the students and then the course certificates. Then we left for the closing party: a fish barbecue in a kiosk at the Forno Beach. After his first caipirinha, Stegeman hugged me and before he could say anything I said “Yes, mission accomplished”! See you next year

Contadores Sitemeter

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM