De muitos para muitos

Na semana passada fizemos a mostra dos PACCE – Projetos Artísticos Científicos Culturais Educacionais dos alunos de Biofísica da UFRJ.

Um show de criatividade! Videos divertidíssimo, que atendiam a todos os critérios exigidos pelo professor: Eram originais (sem utilizar material de copyright), eram – uns mais outros menos – divertidos, eram digitais e ensinavam algum aspecto de biofísica.

Eu faria 5 destaques:
1 – Biosaga – O jogo da metástase – uma célula mutante caminha pelo corpo humano tentando disseminar o câncer, enquanto é combatida pelo sistema imune. Se quiser desenvolver a metástase, você tem que saber bioquímica e biofísica para obter energia e vencer os linfócitos e macrófagos. É simplesmente espetacular!

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2 – O telejornal – misturando realidade e fantasia, esses alunos criaram notícias que ajudam a entender o papel e a função de macromoléculas. Genial é pouco!

Vá direto para a ‘Rebelião na matriz mitocondrial (3′ 09″ – Espetácular!!!) e Trânsito no tilacóide (4′ 03″ – Espetácular!!!) Um Lelec lec lec pra terminar porque ninguém é de ferro (5’ 20″)!

3 – O Bonde da Biofísica com o Funk da contração muscular. Sem palavras… o despolarização não vai sair da sua cabeça.

Vá direto para o clip (1’18”). Despolarizaaaaaando… Despolarizaaaaaando… Imperdível!

4 – O samba de Newton. elegante, bem cantado, bem tocado e divertido. Uma graça

 

5 – o Metano e o aquecimento global. Surreal e divertidíssimo. A paródia do aquecimento global vai conquistar você. Fique até o final para ver o Harlem Shake da vaquinha.

 

Esses e os outros vídeos estão funpage da disciplina no Facebook.

O sucesso dos projetos me mostram duas coisas: primeiro que eles funcionam como modelo de engajamento, motivação e trabalho colaborativo. Segundo que é possível um ensino que seja mais produtivo e aproxime o erudito do popular, a universidade da sociedade. E que comece a apresentar para os nossos alunos, novos modelos de ensino, e para nossos professores também.

Na universidade, ainda estamos presos ao velho modelo do ‘pouco para muitos’. Antigamente, lá nos gregos, o ensino era de poucos para poucos. Os professores e tutores eram poucos e transmitiam oralmente seus ensinamentos para, no máximo, 3, 4 pupilos. Depois vieram as universidades, o quadro negro, e ampliamos a nossa capacidade de comunicação em uma ordem de grandeza: o ensino passou a ser então de poucos para muitos (ainda que, vamos lá, nem tantos assim, uns 40-50). A EAD e a internet nos possibilitaram aumentar em algumas ordens de grandeza esses valores, de 30-40 para 400, 4.000, 4.000.000. É isso que fazem hoje o Coursera com seus MOOCs (Massive Online Open Courses), o KHAN accademy (com vídeos também em português) e o Almanaque da Rede no Brasil.

Mas ainda assim é ensino de poucos para muitos, de um professor para muitos alunos. Os nossos PACCE são a verdadeira revolução porque estão fazendo ensino de muitos para muitos! Eu explico melhor.

Todo mundo tem alguma coisa a ensinar. Ou um novo modo de ensinar alguma coisa. E que é mais fácil pra alguém em especial aprender.

Todo professor sabe disso. Os melhores, mais ainda: é impossível uma aula, por melhor que seja, agradar a todo mundo. Isso porque, como todo mundo sabe, a aprendizagem é um processo individual e como a opinião, cada um tem o seu. Os bons professores, além de carisma e conteúdo, tem um repertório de modos de explicar a mesma coisa para quem não entendeu (ou de acordo com a turma que se encontra na sua frente). Mas por melhor qu ele seja, seu repertório não é infinito. Assim como não é infinito o tempo de aula. Então… o professor, sozinho, nunca vai poder dar o salto quantitativo necessário para incluir a massa de pessoas em busca de educação.

Mas com o PACCE aumentamos não só o alcance das aulas: aumentamos as oportunidades de aprendizagem! Assim, um aluno pode aprender com um vídeo meu, uma coisa; e com um vídeo de um aluno meu, outra (que possivelmente não aprendeu com o meu vídeo, por melhor que ele fosse).

Temos que disponibilizar mais conteúdo e fazer esse conteúdo chegar a mais pessoas. É um desafio gigante! Mas infelizmente não é suficiente. Isso por que algumas coisas são, simplesmente, difíceis demais para aprender só com uma explicação, ou de um só jeito. Momentos de aprendizagem, essa é a inclusão! Ops, a solução.

As melhores universidades do mundo!

Turma de 89/1 (Com alguns agregados) no Interbio de 1990 na Universidade Federal de São Carlos.

“O Brasil tem, hoje, as melhores universidades do mundo!”

Eu, Ricardo Prado e Alex Pinheiro ficamos um pouco atônitos com a declaração de Domenico De Masi. Tivemos o prazer de almoçar com o ilustre sociólogo italiano na sua mais recente passagem pelo Rio de Janeiro. Eu já tive o privilégio de assistir uma das suas disputadíssimas (e caríssimas) palestras e já li diversos dos seus livros, o que me fazia pensar que conhecia bem sua opinião sobre as coisas. Mas a declaração das universidades brasileiras me pegou desprevinido: Como as nossas sucateadas instituições de ensino poderiam ser as melhores do mundo? Eu não tenho ‘complexo de vira-lata’ – aquele sentimento de que tudo que vem de ‘fora’ (leia-se EUA e Europa) é melhor – não, mas vivo a realidade da universidade diariamente e não tinha como concordar com isso.

“É claro, vocês brasileiros não vêem isso por que olham para os ‘rankings’. Nos rankings, Stanford, Harvard, Berkeley… são as melhores. Mas são as ‘Stanfords, Harvards, Berkeleys’ que FAZEM os rankings. E é claro que de acordo com os critérios ‘deles’, eles serão os melhores.”

Fazia todo o sentido.

“A universidade brasileira tem alegria, tem sensualidade, tem beleza. Essas as características mais importantes para o sucesso na sociedade pós-industrial. Para ter criatividade e para inovar.” E completou:

“Se o número de relações sexuais que ocorrem em um dia fosse o critério para determinar a melhor universidade, a UFRJ seria a número 1 do mundo!”

Todos rimos. Lembrei do Butão e do FIB, o índice de ‘Felicidade Interna Bruta’. Domenico disse que passa pelo menos 4 dias por ano no pequeno país encravado nas cordilheiras do Himalaia e que chamou atenção do mundo ao trocar o parâmetro de avaliação da qualidade de vida da sua população do PIB para o FIB.

“O Butão é um lugar maravilhoso. Até mesmo as empresas agora adotam critérios de bem-estar para avaliar a sua produtividade.”

Eu já tinha pensado sobre o Butão e o FIB, mas não seriamente. Eu gosto da idéia de se rebelar contra os critérios estabelecidos pelas classes (ou países) dominantes para avaliar qualidade, mas tinha parado por ai. Por outro lado, eu já escrevi aqui como me parece impossível para um povo sem problemas sociais, como os Noruegueses, fazerem inovação. Mas não tinha conectado as duas idéias.

“Mas o Butão é muito pequeno. Só o Brasil está em posição de mudar o mundo: é grande, é rico em recursos naturais, é uma democracia, é politeista e não tem conflitos nem internos, nem com seus vizinhos. Que outro país no mundo tem isso?”

Lembrei da minha turma da faculdade. Fomos a todos os Interbios (a olimpíada das universidades de Biologia), ENEBs e EREBs (encontros nacionais e regionais de estudantes de biologia), congressos, seminários, reuniões. Organizamos competições de Voley de praia na Barra, mostra de talentos, campeonato de truco. Passamos Festas Juninas, Carnavais do Rio e de Salvador, Natal e Ano Novo juntos. A beleza (como vocês podem ver), a diversão e a sensualidade (medida por enormes quantidades de beijos na boca e relações sexuais que se estabeleceram) foram sempre as forças motivadoras de todos esses eventos. E TODAS as pessoas nessa foto, uma amostra diversificada e representativa da turma 89/1, estão hoje entre os profissionais mais criativos e bem sucedidos que eu conheço.

É, pensando bem, Domenico está certo: Eu estudei na melhor universidade do mundo!

A beleza nas letras

ResearchBlogging.org

 

 

 

“O Australopithecus sp. usava ferramentas, o H. habilis usava utensílios, o H. erectus começou a falar e construir; o H. sapiens, podia raciocinar de forma complexa. Acredita-se que há 100.000 anos, o Homo sapiens saiu da África para dominar o mundo, começando pela europa. No registro fóssil, encontram-se nessa mesma época, pedras que foram trabalhadas excessivamente. Mais que o necessário para que fossem úteis. Foram aprimoradas para ficarem… bonitas! Pela primeira vez o homem desenvolve a capacidade de projetar e confere concretude a fantasia, transformando-a em criatividade. O inicio de uma etapa que levou a organização social e a política.”

O texto de Domenico de Masi mostra como nosso senso de estética é ancestral, anterior mesmo a nossa fala (com a qual se desenvolveu muito da nossa inteligência). No paleolítico, a expectativa de vida era de 15 anos. Dor, esforço, intempéries, pragas, fome e doenças eram o dia-a-dia do homo sapiens. A vida não era fácil e os homens conviviam com a morte dos entes queridos. Nos vivemos 99% do nosso tempo de vida como espécie nesse estilo de vida. A arte e a religião eram as únicas formas de consolo da dura vida terrestre.

A beleza tem um papel preponderante na vida de todos nós. Mais até do que gostaríamos que tivesse. Mais do que nos orgulhamos que tenha. Vivemos em uma época em que apreciar o belo é politicamente incorreto, mas ao mesmo tempo, nunca buscamos tanto o belo, nunca a moda foi tão poderosa e o consumo tão forte. Nosso senso de estética se aprimora a medida que… A medida que o que? É provável que a medida que ficamos mais inteligentes! Quanto mais inteligente você é, e você fica, mais você admira o belo.

Não, a inteligência não substitui a beleza. A inteligência é sexy, mas sem a beleza, ela é capenga. Na verdade, a inteligência quase atrapalha.

Veja, se você é bonito, seus filhos serão bonitos. Se você é inteligente… não há nenhuma garantia que seus filhos serão inteligentes. Simples assim. Poderoso assim. Quase insuportável.

Sempre buscamos identificar a beleza. O ‘mais’ bonito. Tanto que temos ‘instintos’ de beleza: reconhecemos cor, brilho, simetria, tamanho… tudo como sinal de beleza.

Pelo nosso senso de estética, a beleza só pela beleza já seria suficiente, mas podemos usá-la também para coisas úteis. A beleza serve para avaliarmos saúde (ou você já viu alguém doente bonito?) e podemos usar a beleza para… ler! Duvida?! Continue comigo.

Nós começamos a escrever mais ou menos há 5.000 anos e ainda que pareça óbvia a associação entre ler e escrever, ela não é. É provavel que a identificação visual dos símbolos que chamamos de letras seja mais difícil para o cérebro do que a realização dos precisos movimentos manuais que gravam o símbolo em uma superfície (como a pedra ou o papel) com o auxílio de um instrumento (como o formão ou a caneta). A linguagem, nós aprendemos com Noam Chomsky, é bem anterior a tudo isso. Tanto que está gravada no nosso cérebro como um instinto, tendo areas bem reservadas para ela. O sistema visual é mais antigo ainda, análogo e homólogo a muitos outros sistemas visuais na natureza, e também tem áreas reservadas no cérebro. É a combinação desses dois sistemas que nos permite… ler. O sistema verbal transforma as letras em sons pronunciáveis e dá acesso ao conhecimento de palavras similares, para que possamos inferir significado. O sistema visual Identifica as letras de forma eficiente. Mas qual parte do sistema visual?

Uma variação da nossa região de reconhecimento de faces! O VMFA sigla do inglês Visual Word Form Area – ‘área da formação visual das palavras’, é uma região do ‘giro fusiforme esquerdo’, na parte central do sistema visual (o córtex occipto temporal) responsável pelo reconhecimento dos simbolos que compõe as letras e palavras.

Mas veja, porque nós desenvolvemos um sistema de reconhecimento de rostos, cujo principal atributo, um dos na verdade, é a beleza, podemos ler. Porque queremos reconhecer o belo, podemos nos comunicar. Que bonito!


Mas aprendemos a ler não é o único benefício dessa associação. Os benefícios neurológicos vão mais além: “A aquisição da leitura leva a melhor codificação fonológica através da influência das representações ortográficas.” diz a pesquisadora Dehaene. Isso quer dizer que quem lê, fala melhor. E evidências comportamentais mostram que as representações ortográficas da palavra são ativadas pela fala. Aprender a ler aprimora a fala e a fala melhora o reconhecimento dos simbolos da leitura, em um mecanismo de retroalimentação que termina por nos deixar mais espertos. As experiências mostram que vários tipos de efeitos ortográficos no processamento da fala, como o reconhecimento de rimas consistentes*, são afetados pelo letramento. O feedback direto da ortografia na fonologia é provavelmente responsável pelas modificações das respostas cerebrais à linguagem falada no sistema visual.

E ai uma cascata de efeitos acontecem. Basicamente nossa percepção se aprimora com a aprendizagem porque cria modificações nos mapas corticais, como campos de recepção e curvas de frequência mais precisas nos neurônios sensoriais, que se correlacionam positivamente com melhoras no comportamento. Percebemos, vemos melhor o mundo a nossa volta, porque aprendemos a ler.

E para que queremos uma percepção mais aguçada do que para perceber o belo? Vê-lo ainda mais belo?

É provável que haja outras razões, mas as minhas terminam por aqui.

* Céu e Véu forma uma rima consistente. Céu e Mel formam uma rima inconsistente.


Dehaene, S., Pegado, F., Braga, L., Ventura, P., Filho, G., Jobert, A., Dehaene-Lambertz, G., Kolinsky, R., Morais, J., & Cohen, L. (2010). How Learning to Read Changes the Cortical Networks for Vision and Language Science, 330 (6009), 1359-1364 DOI: 10.1126/science.1194140

Fantasia e Concretude

Essa semana voltei aos meus tempos de adolescente e dei uma de tiete, igual aqueles malucos que vão pra fila da Madonna, 3 dias antes do show, pra pegar o primeiro lugar na fila. O show era a palestra do sociólogo italiano Domenico de Masi, em Curitiba.

Quem me apresentou Domenico foi meu amigo Milton Moraes e depois que eu li ‘A emoção e a regra’, minha vida não foi mais a mesma. Comecei a me interessar muitíssimo pelas razões que tornam um grupo criativo e o interesse apenas aumentou com o tempo. Hoje eu já li quase tudo que Domenico de Masi publicou e como eu escrevi aqui, ainda estou no meio de Fantasia e Conretude, um calhamaço de 1000 páginas sobre a criatividade.

Apesar de Domenico vir com regularidade ao Brasil, assistí-lo não é fácil. Como um dos homens que previu a falência do sistema de trabalho industrial no mundo pós-industrial, hoje ele é requisitadíssimo por grandes empresas para falar para executivos de alto nível sobre como eles devem gerir seus recursos humanos. Assistir uma palestra do Domenico de Masi pode custar R$1.500,00!

Mesmo assim, de vez em quando eu entro no seu site (www.domenicodemasi.it) pra dar uma olhada na agenda dele. Quando fiz isso no sábado passado, vi que ele estava no Brasil, mais especificamente no Paraná, e que falaria em Curitiba na 4a e 5a feira. Fiquei agitadíssimo, como fiquei para a palestra do Richard Dawkins anos atrás, como fico toda vez que a Madonna vem ao Brasil. Sem pensar muito, cancelei minhas aulas, comprei uma passagem e fui pra Curitiba, determinado a dar um jeito de assistir meu ídolo. Aos 42 minutos do segundo tempo, consegui a confirmação que poderia assistir a palestra exclusiva para professores da PUC – Paraná e gestores da Volvo do Brasil que ele daria na própria universidade.

No auditório cheio, resolvi dar um gostinho pra quem não estava lá e minha primeira transmissão ao vivo pelo twitter. Sei que pelo menos @alesscar e @srehen seguiram 🙂 Ao contrário do Richard Dawkins, Domenico é uma simpatia, conquistou a platéia, deu uma palestra interessantíssima e no final foi rodeado por uma orda de professores (principalmente professoras) querendo fotos e autógrafos. Eu fiquei com vergonha, achando que era mico, mas fui lá apertar a mão dele e convidá-lo para participar da próxima edição do PRIMO’s next, a escola internacional de pós-graduação que organizamos todos os anos.

Pra quem ainda não acompanha o @vcqebiologo ou não conseguiu seguir a transmissão #domenicodemasipucpr, eu resolvi compilar os twitts, algumas pérolas, aqui no VQEB. Espero que vocês aproveitem.

  • Sou NERD mesmo… Parece que vou ver a Madonna, mas é o Domenico de Masi
  • Será que ele vai falar alguma coisa que não esteja nas 1000 páginas de ‘Fantazia e Concretezza’?
  • Quantas vezes as autoridades vão repetir o título antes do início da palestra?
  • Criatividade é começar! Não tentem produzir o processo completo. Ajustes são feitos no caminho. (Jaime Lerner)
  • De onde viemos, p/ onde vamos e o que temos p/ o Jantar? W Allen Ñ adianta pensar gde problemas se ñ resolvemos os pq
  • A luta entre Tesis e Metis. A luta entre Corbusie e Niemyer. A luta entre a reta e a curva.
  • Qdo Marx escreveu ‘o capital’ 94% dos trabalhadores de Manchester trabalhavam com as mãos
  • A principal característica da sociedade industrial é o colonialismo: quem produz coloniza quem consume
  • 5 fatores de inovação: globalização, difusão da escolaridade, perdi os outros
  • Mesmo quem nasceu em uma sociedade industrial vive hoje já em uma sociedade pós-industrial
  • Hoje apenas 1/3 dos trabalhadores usa as mãos. 1/3 trabalho intelectual repetitivo e 1/3 trabalho intelectual criativo
  • Hoje a palavra ‘trabalho’ se aplica a diferentes atividades. Mas tratamos todos os trabalhadores do mesmo jeito
  • ‘como explicar a minha mulher que qdo olho pela janela estou trabalhando’?
  • Gestores de recursos humanos das empresas não evoluíram da sociedade industrial para a pós industrial
  • as pessoas estão sempre infelizes n trabalho
  • Nos países latinos apenas os homens fazem carreira. As convenções parecem o gay pride
  • vale ainda o princípio do iluminismo onde o que vale é a racionalidade. O que é emotivo é ruim e… Feminino
  • o homem que tanto se dedica ao trabalho… Morre mais cedo!
  • Marília Zaluar e Silvana Allodi iam adorar isso
  • assim como neurônios não crescem: estabelecem novas conexões, como serão as conexões entre os 7bi de cérebros em 2020?
  • não se é velho enquanto não se perde a vontade de seduzir e de ser seduzido. O que nao acontece aos 60 anos
  • a cultura enriquece as coisas de significado. Quando sei que o pêssego veio da China, Japão e Pérsia, ele parece + doce
  • no mundo, aprendemos a produzir cada vez mais com cada vez menos trabalho. Isso é difícil de explicar no Brasil
  • difícil explicar no Brasil: quanto mais riqueza em um pais: menos trabalho
  • o aumento da tecnologia tira o trabalho. Para resolver o problema, temos que diminuir as horas de trabalho
  • em 2020 a tecnologia tornará o adultério impossível! 🙂
  • gdes empresas farmacêuticas estão investindo em drogas ante-ciúmes!!!
  • Enquanto a sociedade industrial pensava em organizar o trabalho, agora temos que organizar o tempo livre
  • Berlusconi, por exemplo, só tinha ‘problemas de tempo livre’
  • o carnaval do Rio é um grande exemplo dessa ‘organização’
  • Produção contemporânea de riqueza, saber e alegria: isso é o ócio criativo – Não a preguiça
  • em 2020 a sociedade será andrógina. Mulheres cada vez mais masculinas. Homens mais masculinos
  • a sociedade pós-industrial depende fortemente da ética e respeito, pq depende de serviços, que dependem de confiança
  • os ‘analógicos’ principalmente os anciões tem medo de tudo que é novo: computadores, redes, gays, tudo que é novo
  • Eraclito: é no repouso que as coisa se acomodam. É importante incorporar a inovação com ‘leveza’
  • se dependesse de mim seria sempre imaturo no relacionado as idéias -Rob Freire. Estar sempre abertos a novas idéias
  • não se pode pedir aos homens, ou a quem não esta no poder, de deixar o poder
  • fazem carreira as mulheres que tem mentalidade andrógina. O desafio das mulheres e mudar a organização das empresas
  • as empresas são lugares de sofrimento. A mulher tem que mudar a organização e até lá é melhor ter homens no poder
  • o poder é tomado com ‘graça’ ou com a revolução
  • os bancos nasceram na Itália, no séc XII, junto ao purgatório, para gerir os recursos do ‘indulto’ pago a igreja
  • o paraíso é um paradoxo: todos querem ir pra lá, mas o mais tarde possível!
  • “não digo a vocês como é o paraíso de Maomé, porque senão todos se converterão ao islamismo”
  • em nenhum ‘paraíso’ se trabalha!
  • O futuro é dos humanistas. Bastam poucos engenheiros pra planejar e poucos operários para produzir, mas…
  • … Precisamos de milhares de humanistas para colocar conteúdo lá dentro. O outros milhões para usa-lo.
  • escola de música de Antônio Abreu na Venezuela. Platão já dizia que o mais importante a ensinar, é a música
  • Bolschoi Brasil em Joinville, escola em foz do iguaçu, músicos do sertão brasileiro. Todos exemplos do futuro da escola
  • governo Berlusconi foi a primeira ditadura mediática do mundo: a violência nãoo é física. A tortura é intelectual
  • na ditadura mediática, o governo faz o que o povo quer, que faz o que a TV sugere, que sugere o que o governo quer
  • a genialidade é feita de grande fantasia e grande concretude. Hoje temos muitos com excesso de um ou outro. Ñ de ambos
  • a bossa nova no Brasil é um grande exemplo de criatividade pós-industrial
  • em foz do Iguaçu, a natureza das cataratas competem com o humanismo da hidrelétrica de Itaipu. Eu já tinha dito!
  • na universidade há sempre a luta entre a inteligência e a imbecilidade. Ambas são infinitas! Ainda que com ‘violência’
  • o maior inimigo do criativo é o burocrata. Os burocratas são sempre seguros pq pensam ao passado
  • os burocratas são sempre amigos de Burocratas. Deus foi criativo! (como deus nao existe…)
  • a única arma contra os burocratas é a ironia: a arma dos gênios e dos criativos

Pra quem ficou com gosto de ‘quero mais’, se tudo der certo, teremos ele novamente no Brasil em Outubro, dessa vez patrocinado pelo VQEB.

Cerveja, Piruvato e novidades na sala de aula

Dia 17 de março foi dia de São Patrício (St. Patrick). Eu não saberia disso se não estivesse fora do Brasil, porque aqui não se comemora tanto o dia do padroeiro da Irlanda. E porque se comemoraria? Bom, porque a festa do padroeiro da Irlanda acabou virando a festa da Cerveja, o produto mais associado aos irlandeses, e os brasileiros também adoram cerveja. Mas acho que o carnaval e a Oktoberfest (a nossa é a segunda maior do mundo e a segunda maior festa brasileira – não religiosa – depois do carnaval) já cumprem esse papel.

E o que isso tem a ver com biologia além do fato dos biólogos adorarem cerveja? A cerveja é um ótimo assunto para ensino e divulgação científica. Um dos meus primeiros textos foi sobre o consumo do álcool e mais recentemente escrevi sobre a toxicologia do álcool e o interesse que esse assunto desperta nos alunos. E chamou a minha atenção o vídeo feito por um biólogo sobre a biologia da cerveja:

Não é um barato?! Para fazer esse vídeo eu tenho certeza que ele aprendeu muito mais do que se estudasse para qualquer prova. Também tenho certeza que muitos alunos, ou apenas beberrões curiosos, aprenderam (e aprendem) mais com ele do que com qualquer livro didático. E contribui para isso o fato de ser um vídeo e de estar no youtube, onde as pessoas podem acessar de qualquer lugar e quantas vezes quiserem.

Fiquei me perguntado porque não temos alunos assim: criativos, divertidos, dedicados, interessados e inovadores? Ops! Mas peraê… nós temos sim!!!

O video abaixo sobre a via glicolítica foi feito por alunos da UFRJ e é um sucesso na internet:

Ainda que algumas pessoas possam questionar o bom gosto dos produtores, o ‘Piruvato’ é sensacional! Esse vídeo, essa música, deveriam ganhar prêmios! Eu queria dar um premio pra esses caras.

Ops, mas peraê de novo. Eu conheço esses caras! Eu conheço essa sala de aula! São os meus alunos, é a minha sala de aula. Esses rapazes e moças passaram pela minha disciplina sem nenhum brilho, sem nenhuma iniciativa. Provavelmente sem presença também. Por que será que esse interesse não se manifesta no dia-a-dia da sala de aula?

Porque, vamos combinar, a aula é muito chata! A escola é chata e a universidade é chata também. Não é (quase sempre) culpa de ninguém, é o fato da escola não ter acompanhado as mudanças tecnológicas da sociedade nos últimos 100 anos, como diz Seymour Papert.

“Alguns setores da atividade humana, como a medicina, os transportes e as comunicações, foram transformados drasticamente, a ponto de não reconhecermos, durante o século XX. Comparadas com essas mega mudanças, as práticas da escola permaneceram virtualmente estáticas. Isso se deve a aprendizagem não ser suscetível a mudanças? ou a tecnologia apropriada ainda não ter aparecido?”

Por melhor professor que eu seja – e eu sei que sou – não tem como a minha aula, nos moldes em que se espera que eu dê aula, possa competir com os estímulos do mundo moderno. Eu sou a favor de fazer um monte de coisas super legais em sala de aula, mas como fazer isso se temos que passar conteúdo para os alunos?

A relação com o conteúdo tem que mudar. Tem, pelo menos, que mudar o ‘momento’ de passar o conteúdo. Não pode ser mais a sala de aula. A aula tem que ser pra discutir as respostas dos alunos com eles. REspostas que eles encontraram no youtube, no google, no facebook. Que conversaram entre si, que perguntaram pra alguém ou ouviram falar no jornal, na TV, pixado em um muro. Que ouviram no video engraçado do ‘Piruvato entra e sai’.

Fora umas pouquíssimas iniciativas isoladas, como a escola do Oi Futuro da qual a Samara Werner fala aqui, o professor é obrigado, ou só sabe, ou só tem instrumentos, para dar uma aula chata. É obrigado a cobrar dos alunos uma performance chata e tem de se contentar com um resultado medíocre. Todos restam decepcionados. Mas será que tem de ser assim?

Ahh… eu vou mudar isso. Vou mudar isso a partir de agora. A partir de hoje.

Passando dos limites


Na semana passada eu fiz uma coisa, para mim, quase impensável: comprei uma revista na gôndola do supermercado, enquanto esperava na fila do caixa. Não, não era uma revista de fofoca. Ai também seria demais! Foi a TRIP. Uma gata na capa (a gaúcha Annelyse Schoenberger) mostrava o mamilo esquerdo e convidava o leitor a abrir as páginas para o tema da reportagem principal: “Limites: Romper? Entender? Estender? Expandir? Como nos relacionamos hoje com os limites do nosso corpo, do planeta, da ética, da mente e da nossa paciência”.
Me ganhou! Coloquei no carrinho e paguei os R$9,90 pra ver qual era.
Eu já falei sobre limites várias vezes. O primeiro limite que eu me vi descobrir muito além do que eu realmente acreditava, foi o da minha paciência. Achava que tinha bem menos do que realmente tenho. E foi só quando ela foi forçada, esticada, amassada e moída que eu descobri o quanto era resistente. Ainda assim, ela também tinha limite, e acabou.
“Você só pode saber realmente o quanto aguenta, depois que não aguenta mais”.
Na época, o que a vida me ensinava eu ensinava pros meus alunos. E coloquei essa frase em um slide sobre homeostase nas minhas aulas de biofísica. Eu não tenho muita certeza, mas parecia que os alunos abriam uns olhões quando viam isso no quadro. “Cara… Pô, tipo assim… é isso messsmo?!?” Mas talvez fossem apenas bocejos (ainda que fechem ao invés de abrir os olhos). Mas isso foi até a semana passada, quando uma aluna me disse: “Eu nunca mais vou esquecer aquela parada (frase) sobre ‘não aguentar mais’ que você disse em sala de aula”. Tinha alguém prestando atenção.
O corpo humano, todos os organismos, cada célula, tem limites. Alguns são óbvios, como a pele, o que dá a extensão e o volume. Alguns outros super bem conhecidos e definidos. Nossa temperatura corporal não pode subir acima de 42 e nem descer abaixo de 35 que o bicho pega. A acidez do sangue, ou o pH, que é o termo correto, esse então fica em 7,4 e praticamente não varia. Já alguns outros limites, como o quanto a gente aguenta de um hormônio, de uma droga ou de determinado medicamentos, são menos conhecidos. E esses, não dá pra gente determinar sem testar. E ver até onde o corpo aguenta. Só que pra isso, tem que se sacrificar. Você pode decidir parar o ‘experimento’ um pouquinho antes de sacrificar o organismo, mas assim, nunca vai ter certeza do limite. Só observando o dano que foi causado podemos saber qual é o limite quando ultrapassado que causa dano.
Abre parênteses: E por isso que nunca poderemos abrir mão dos testes com animais. Pelo menos enquanto quisermos conhecer os mecanismos de toxicidade que ajudam a salvar vidas. Fecha parênteses.
Dizem que imaginação não tem limites. Mas não é verdade, não é mesmo? São em torno de 100 bilhões de neurônios no cérebro. Sua personalidade, suas memórias, emoções, inconsciente, subconsciente, tá tudo dentro desses cem bilhões. As conexões que foram feitas entre eles, e como você associa as coisas que estão lá, determinam se você é criativo ou não. Você pode se espantar com a sua capacidade de criar coisas novas pela associação das coisas que você sabe e conhece. Um tipo de ‘propriedade emergente’. Mas imaginar alguma coisa sem saber ou conhecer nenhuma outra? Isso você não pode.
Nós só conseguimos enxergar porque nossas células visuais identificam regiões de alto contraste nas bordas dos objetos, criando os limites entre uma coisa e outra, que forma as imagens nítidas na nossa retina, que o cérebro interpreta como uma bola de futebol, ou uma xícara de café.
Um surfista que voltou das drogas, uma bióloga que encontrou a salvação pra um distúrbio mental no halterofilismo, um motoboy anão… a idéia dos limites permeavam toda a edição. Mas a melhor reportagem de todas foi a com o sociólogo Roberto DaMatta: “Você sabe com que está falando?”
“Não gostamos de limites. Liberdade total é causa nobre. Herói popular é aquele que vai além dos limites, expande as fronteiras, expande a juventude, expande a riqueza, expande o poder de fazer o que bem entende, sem se submeter a nada e a ninguém Esse heroísmo ingênuo garante a eficiência da maior parte dos apelos publicitários. Por isso, o cartão de crédito mais legal é sem limite. Mas sem limite a vida não existe. Limite de tempo e espaço definem o que é a vida. (…) Gostar dos limites, acolhê-los, entender sua função e significado nos permite crescer para dentro 0 em qualidade, em consistência, profundidade e criatividade”.
Para Roberto, o Brasil é um país onde a realização dos desejos individuais se confronta com a construção da vida em sociedade, criando dilemas que culminam na nossa resistência em obedecer autoridade, até mesmo na hora de parar no sinal vermelho. Por outro lado, a ‘fila’ seria o melhor exemplo de que o Brasil está se tornando um país sério, porque é na fila que os limites operam em sua maior clareza e simplicidade: chegou primeiro, é atendido primeiro. Chegou por último, será atendido por último. Mas será atendido também, porque se temos certeza de uma coisa, é que a fila anda.
Eu não sei se vocês percebem, mas é de uma beleza acachapante!
A primeira vez que vi o Roberto DaMatta falando foi em 2007 na FLIP, sobre como o futebol salvou o brasileiro, porque ensinou ele a importância dos limites. Afinal, nenhum time pode estender a partida até fazer outro gol (bom, a não ser o flamengo na última semana) e isso é o que dá graça ao jogo, transforma as pessoas em torcedores apaixonados e as comemorações de campeonatos em festas apoteóticas. Fui correndo comprar o livro dele de 1979: Carnavais Malandros e Heróis.
Lembrei da palestra de Barry Schwartz no TED, sobre a angústia da escolha. Ele desenvolve um argumento parecido, dizendo que a ânsia pela liberdade de escolha, que nos leva a poder optar por 175 variedades de molho para salada na prateleira do super-mercado, só nos trazem infelicidade:
“Quando você tem mais escolhas, aumentam as suas expectativas. Quanto maior as suas expectatívas, maiores as chances de frustração. Quando saio de uma loja com 47 opções de calças jeans, depois de passar 1h escolhendo, e descubro que a minha calça não era ‘perfeita’, não tenho como evitar a frustração.”

Eu já falei sobre limites, várias vezes, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui. Limite é respeito na teoria e ética na prática. É amor e é vida. É criatividade e inovação. Os limites, quem diria, são libertadores!

Peso na consciência

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“Quem fala o que quer, ouve o que não quer”.
Acredito que essa é uma das grandes verdades do mundo. E hoje que fui vitima de uma trairagem inesperada, ela me parece mais verdadeira ainda.
Conforme vamos crescendo e algumas desilusões se acumulam, criamos a ilusão que podemos controlar se seremos enganados mais uma vez. “Errar uma vez é humano, duas vezes é burrice”. Na verdade errar mais de uma vez é mais humano do que podemos imaginar.
É um fato evolutivo. Isso porque quanto mais eficiente você se torna em prevenir que seja enganado, mais eficientes se tornam os seus enganadores. É uma corrida para permanecer no mesmo lugar. A sinceridade não é, definitivamente, a maior qualidade dos primatas. De nenhuma animal. A desconfiança é muito mais difundida.
O grande biólogo Robert Trivers e o grande linguista Noam Chomsky também concordam. Na verdade, a teoria é deles. Veja essa interessante e inédita conversa entre os dois aqui.
Para eles, a necessidade dos homens, dos humanos, de iludirem outros humanos, seja por alimento, abrigo ou parceiros sexuais, fez com que nós desenvolvêssemos a nossa consciência. E ampliássemos a nossa inteligência.
Mas como assim, a consciência, aquilo que nos torna mais humanos, não deveria nos ajudar a controlar esses instintos animais? A resposta é não.
Em tempos de fartura e abundância, a consciência pode se permitir devaneios filosóficos. Mas em tempos de vacas magras, é cada um por si e… e só.
A consciência se desenvolveu, provavelmente, para nos ajudar a abstrair o que faríamos se nos encontrássemos em determinadas situações. “O que eu faria se não estivesse no lugar dele?”
O objetivo é a prevenção. Se eu souber o que ‘EU’ faria, posso muito bem imaginar o que ‘ELE’ faria, e me prevenir. Tanto com uma ação defensiva quanto ofensiva.
Mas se você não acredita que é esse jogo de trapaças que te faz mais humano, eu não vou discordar. Na verdade os gorilas são tão inteligentes quanto um animal pode ser, mas levam uma vida simples, sem desenvolver nenhuma ferramenta e comendo o que aparece no seu entorno. Onde o gorila aplica o seu ‘grande’ intelecto? Em problemas sociais. Trapaças, alianças, ameaças, blefes. “Um gorila passa grande parte do seu tempo subjulgando, se submetendo, desvendando e influenciando a vida de outros gorilas.
É possível que seja a nossa tecnologia, que segundo muitos autores foi a idéia mais criativa da nossa inovadora mente criativa, que nos diferencie dos outros animais.
Mas um de onde veio a mente criativa que criou a tecnologia? Das necessidade de se dar bem nas contendas sociais. Mas então, se a mente criativa é anterior a tecnologia e nós a compartilhamos com chimpanzés, gorilas e bonobos, porque só a nossa espécie desenvolveu a tecnologia?
A resposta pode estar na nossa aparência. Um humano adulto se parece muito mais com um chimpanzé jovem do que com um chimpanzé adulto. Essa característica de manter a aparência jovem mesmo na idade adulta é chamada néotenia e é uma das características mais marcantes dos humanos.
(O)s (gene)s da neotenia foram uma grande aquisição, e certamente tiveram papel fundamental no desenvolvimento da inteligência humana. Para ter o cérebro do tamanho que têm e continuarem passando pela abertura da bacia, os bebês humanos nascem mais cedo, prematuros mesmo, sendo completamente dependentes dos pais nos primeiros anos de vida. Os genes da neotenia fazem com que o amadurecimento seja mais lento e a conseqüência é que quando somos adultos, acumulamos muita experiência em um cérebro excepcionalmente grande. As contendas sociais não eram mais suficientes para nós. Queríamos mais, e começamos a produzir coisas.
Uma aliança aqui, uma trapaça ali, uma traição acolá. Subjulgar ou se submeter? Instintos tão naturais que até nos espantamos como o quão humanos eles são. Mas ao mesmo tempo que não podemos viver sem eles, eles são nosso maior concorrente a eficiência e a produção. Mas como produzir sem alianças, apostas e blefes? Não dá.
O problema é que nossos ‘gorilas’, humanos especializados em não produzir nada e viver em contendas sociais, estão mais difíceis de identificar. Estão ficando mais espertos e alcançando a simulação da produção. Pense bem, porque produzir se eu posso apenas fazer alianças para levar o crédito pela produção? Passar horas em reuniões sem fim onde nem tudo é dito, em grupos de trabalho onde nada é decidido?
Essa é a verdadeira esperteza. Esse será o novo choque de gerações. E a idade, tem muito pouco a ver com isso.

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