Jesus e a ciência da arte da restauração de Afrescos

“A maior parte das pessoas, quando vê uma representação qualquer pintada em uma parede, chama de ‘Affresco‘. Uma pintura na parede, a óleo, tempera, acrílica ou cera, é somente um mural. ‘Affresco‘ é oooooutra coisa”

 

Minha querida amiga Francesca Radiciotti é restauradora. A visita que fiz ao canteiro de obras de uma igreja na pequena vila de Sermoneta na Lazio em 2010, além de uma tarde agradabilíssima (me dá água na boca só de lembrar do Carpaccio de Buffalla com Azeite de Oliva de primeira prensada) foi uma aula de história da arte.

“A técnica dos afrescos é antiquíssima, nascendo na Itália com os afrescos romanos, e terminando (a não ser por um episódio nostálgico do facismo) no séc XIX. Os afrescos são encontrados quase exclusivamente na Itália (também no oriente médio, mas apenas afrescos bizantinos). Mesmo aqueles encontrados em outros lugares, foram feitos por um italiano ou por um bizantino. A particularidade está na execução de uma técnica genial, responsável pela sua conservação até os dias de hoje: é o único caso onde a cor é aplicada na parede sem o uso de um fixador (protéico, oleoso, acrílico etc..), mas aproveitando a reação química da carbonatação do cimento para fixar, para sempre, o pigmento simplesmente diluído em água”.

Até então, tinha para mim que restauradores eram artistas. E artistas, como sabemos, são a antítese dos cientistas. Será que são mesmo? Ou um artista também é um cientista? Veja a explicação, sempre da Radiciotti, que se segue:

“O processo químico é idêntico àquele da formação dos mármores coloridos, onde o óxido de ferro e vários outros metais de cores variadas são englobados no material carbonato durante a sua formação. Sobre o reboco úmido, formado de areia e cimento (hidróxido de cálcio) e água, são espalhados os pigmentos (mas só aqueles adequados, ou seja, que resistem ao ambiente fortemente alcalino) diluídos em água. Durante de secagem, ou seja, da evaporação do H2O, o hidróxido de cálcio reage com o oxigênio do ar e forma CaCO2, englobando dentre de si o pigmento, fixando ele para sempre sempre. É o único caso onde o pigmento não está aderido a superfície (a parede) por um fixador aderente, mas sim ‘dentro’ da própria superfície (de novo, a parede), formando com ela uma unidade, da mesma forma que uma pedra colorida”

Eu estou lendo o interessantíssimo ‘Proust foi um neurocientista‘, presente da minha amiga neurocientista Silvana Allodi, que fala de como alguns artistas, mesmo sem conhecimento científico, apenas (sic) da natureza humana, anteciparam a ciência e algumas das mais modernas e atuais teorias científicas. Será que a antitese não é verdadeira? Ou será que os artistas, mais que os alquimistas, foram os primeiros químicos, antecipando a ciência que estava por nascer?

“É por isso que o pintor tinha tão pouco tempo para pintar. (…) A pintura tinha que ser feita velozmente (…) ou a obra poderia se tornar apenas pó. É uma técnica que não admite erros e hesitação. O traço deve ser conciso e decidido. Não é possível apagar nada (a não ser colocando todo o reboco a baixo e recomeçando do zero). A grandeza do artista pode ser vista ainda na medida das porções de reboco pintado: quanto maior o afresco, mais rápido foi o artista (o da capela Sistina de Michelangelo é  enorme!) O artista que pintava ‘a fresco’ era o melhor de todos (o mais capaz e o mais bem pago), porque deveria saber quando o reboco estava pronto para ser pintado e quando deveria suspender a pintura: eram inúmeras variáveis com a massa, a espessura do reboco (os romanos  chegavam a fazer 9 camadas de reboco), o microclima do ambiente etc…. Mais que arte, era uma ciência!”

E ela continua “Você pode se perguntar para que tanto trabalho: porque não simplesmente aderir a tinta na superfície? Não era só porque a técnica aumentava em muito a durabilidade das pinturas, mas principalmente porque um reboco pintado dessa maneira, refletia e refratava a luz em uma maneira impressionante. Talvez somente subindo nos balcões próximos ao teto da Capela Sistina para compreender verdadeiramente: Michelangelo trabalhava os afrescos de uma maneira tal que ao final a matéria parecia se desmaterializar e transformar-se em luz pura. E portanto, espírito puro, qualquer coisa de sobrenatural”.

Sobrenatural, para mim, era o talento desses homens. A dificuldade era enorme. Eram montados andaimes e o artista passava muitas e muitas horas deitado próximo ao teto, desenhando e pintando.

Quando chegaram a Sermoneta, os restauradores começaram os testes para fazer a restauração. Pequenas áreas da pintura são tratadas com diferentes substâncias químicas para identificar qual pode ter a melhor resposta (veja a foto abaixo). Foi ai que tiveram uma surpresa: riscos que sugeriam uma figura que não era a figura aparente. Enquanto o desenho mostrava a manga da vestimenta de nossa senhora, mas as incisões sugeriam a presença de uma mão.

Haveria alguém riscado o sagrado afresco? Muito pior.

“Uma das formas de se transportar para a parede o desenho preparado antecipademente, era riscar no reboco fresco as formas que seriam pintadas. Nem sempre foi assim. Essa prática é usada desde o renascimento, mas antes disso, os romanos e os bizantinos desenhavam diretamente as figuras com pincel. Não é preciso que haja riscos para que seja um afresco. Mas se os riscos estão lá… com certeza é um”.

Nesse caso, os riscos eram uma evidência mais marcante da presença de um afresco do que a pintura aparente. Alguém, ainda muito tempo atrás, resolvera pintar um mural em cima do afresco verdadeiro e original. O espírito humano é tão poderoso quando as intempéries mais duras e, com certeza, muito mais rápido. Mas apenas as incisões não bastavam como evidência e era preciso mais para ter certeza de qual era o desenho original.

” É quando entram em cena os cientistas da restauração: os químicos, físicos e biólogos que determinam as causas da degradação da obra de arte. Nesse caso coletamos uma amostra do reboco para análise estratigráfica no microscópio óptico de polarização, de camadas finas e opacas, para determinar a composição mineralógica dos extratos de cores (e descobrir se o que havia sob a pintura era verdadeiramente um afresco) e a posição estratigráfica relativa (para verificar se o que havia sobre era uma pintura a óleo). Outra opção seria fazer uma FTIR (espectrofotogrametria) para analisar a composição dos fixadores orgânicos que mostram que você não está em frente a um afresco, mas simplesmente a frente de um mural”.

As análises mostraram que realmente havia um afresco sob a pintura a óleo e começou então o trabalho artístico de restauração. Minha amiga é uma artista! Aos poucos as mãos de Maria Madalena aos pés de um Jesus crucificado foram aparecendo, como na figura abaixo.

O resultado desse belíssimo trabalho de investigação científica e habilidade artística, vocês viram na imagem que abre esse texto. Lindo, avassalador!

Tudo fica mais bonito quando se sabe a ciência que está por trás.

Terminei de ler… O Manuscrito de Mediavilla

manuscrito_mediavilla.jpgNa verade terminei de ler esse livro no ano passado, mas foi nesse final de semana que o meu grande amigo Milton me presenteou com a cópia que ele próprio tinha me emprestado para ler.
Eu tenho que confessar que tenho um pouco de preconceito contra cientistas sociais. Fui quase fulminado quando disse isso em uma palestra na Fiocruz semanas atrás. Não tenho nada contra eles como pessoas, mas sim contra suas hipóteses serem científicas.
O “Manuscrito de mediavilla” é o segundo romance escrito pelo professor da USP Isaias Pessotti, que é psiquiatra e estuda a história da loucura. E é um dos livros que eu gostaria de escrever. Mais ainda do que o seu primeiro romance, “Aqueles malditos cães do arquelau“, que eu dei de presente para o Edu depois de ler. Atualmente é tão, tão difícil encontrá-los a venda. Ambos são passados na itália, contam aventuras dignas de Dan Brown em ‘O código da Vinci‘, mas com a diferença que os investigadores são todos amigos que, entre uma visita a um sebo de livros do ‘medievole’ no Piemonte e um antigo claustro no Lombardia, eles param para almoçar nos lugares mais interessantes, com o autor descrevendo os menus, pedidos, receitas e vinhos que todos provam. Vejam um exemplo:
“- Posso levar as folhas para casa? Perguntei.
– Basta que você não as aproveite para embrulhar peixes ou mariscos. Tenho que passá-las a outros e Patrízia, por exemplo, não gosta de peixes.
O olhar verde-musgo de Clara se iluminou.
– Por falar em mariscos, porque não vamos almoçar? Penso num lindo
risotto al frutti di mare, na periferia. Em Affori, por exemplo.
Alberto deu-lhe um olhar severo.
– Como você ousa propor tal coisa? Só voltaremos depois de três da tarde! Aliás, um excelente horário, para quem costuma sair daqui depois das sete da noite. Mas não
e parece correto que uma pesquisadora descumpra seu horário de trabalho, por um
risotto. Seria diferente se o fizesse por um belo filé peixe-espada, com molho muito suave de atum, nata batida e alcaparras, ao lado de um Tocay geladinho. Sugiro o jardim do Sette Lune em frente ao parque Litta.”
Ela ainda adiciona, ao final da página 139, que tomaram um delicioso Grumello durante o almoço. Uma delícia!
Mas não foi o mistério, a aventura ou o festival gastronômico que me fizeram escrever esse artigo. Isaias descreve, no personagem de Vittório, o que para mim são as grandes virtudes de um chefe de departamento de uma instituição acadêmica.
Ainda que possa parecer longo, vale a pena ler o texto que transcrevo:
“Outra razão era uma qualidade rara em gente da nossa laia: com toda a sua alta reputação e o sucesso de suas publicações, ela não se envaidecia: era uma discípula de Pietro Vittori, que a tinha orientado desde os anos da graduação até o pós-doutorado. Cada discípulo de Vittori tinha algumas marcas, inconfundíveis: a consciência
de que sempre é preciso saber mais, de que a virtude não está no que se sabe, mas na busca devotada do saber, além de um inflexível senso de justiça.
(…)
Mas éramos muito respeitados pela “qualidade acadêmica” do que fazíamos. Parte
desse respeito era devida a outro motivo. Toda a Universidade sabia que o nosso Departamento jamais apoiaria qualquer iniciativa que não fosse a melhor para “os fins, impessoais, da instituição”, como dizia Vittori. Isso nos alijava das posições de decisão. Por isso, nosso Departamento era o mais respeitado, mas era também o mais pobre.
Isso não doía: tínhamos até uma certa compaixão pelos que lutavam por posições de chefia ou de direção. Quando a busca do poder importa mais que a busca do saber, as universidades morrem. Assim ensinava Vittori.
(…)
Talvez, de todos nós, o mais visado fosse Pietro Vittori, o diretor. Ele proclamava aos quatro ventos que a transmissão do saber, a formação dos estudantes, era a razão maior da Universidade. Dizia que isso era algo extremamente sério e, por isso mesmo, não era assunto para novatos que, após a formatura, não responderiam pelas conseqüências das “revoluções” que propunham. Achava que os alunos precisam distinguir entre o poder que contestam e a autoridade intelectual de seus mestres. Que o direito de contestar a universidade, se adquire cumprindo seu papel nela, o dever social de estudar com seriedade, no caso dos alunos. Mais ainda, dizia que a Universidade não tem poderes a serem disputados: ela tem, isso sim, compromissos e o maior deles, supremo, é com a razão, a racionalidade. Que os cargos universitários são deveres sociais ou institucionais, e não posições de poder. Para ele, a ambição por tais cargos como posições de mando era marca dos que estariam mais felizes fora da universidade. Tanto mais hábeis no jogo do poder, quanto medíocres no saber. Por esse caminho, pode-se concluir que os medíocres não são raros.
(…)
Uma vez, ele explicou a Alberto como entendia a função de diretor do Departamento.
– Um diretor deve ser um chefe. Alguém que assume decisões e que responde pessoalmente por elas. Ele quase soletrou o pessoalmente.
– E os docentes?
– Cada um deles pode tomar as decisões que quiser, desde que responda, pessoalmente, por cada uma delas. Somos todos adultos, responsáveis, não?
– Mas o Conselho é um órgão deliberativo…
– …que pode destituir-me da direção em qualquer momento. Mas sou eu que assino pessoalmente as decisões, assumo pessoalmente o ônus de responder por elas em primeira pessoa. Portanto, é justo que eu tenha o poder de decidir. É cômodo decidir anonimamente em grupo e depois delegar a responsabilidade da execução, agora pessoal, ao diretor.
A conversa era serena e polida. Vittori e Alberto eram amigos, acima de tudo. Por isso Alberto podia ser franco:
– Mas uma decisão democrática deve ser majoritária…
– Nisso você se engana, meu caro: a maioria pode representar a intolerância, até a prepotência. Ou você acha que a má-fé, quando é de muitos, se torna pureza?
– Penso numa decisão discutida…
– Eu jamais impedi que vocês discutam meus projetos. Não decido nada sem discutir com vocês todos. Convençam-me de que eles são errados ou inconvenientes e eu os modifico ou abandono. A discussão deve buscar racionalmente a verdade, como diria Abelardus, e não servir apenas de álibi para a prepotência das maiorias. Ser democrático não é curvar-se ao número de votos. É submeter honestamente as próprias idéias à apreciação dos outros e saber render-se a uma argumentação convincente… Que pode ser a da minoria, ou a de um só, por que não?
Alberto coçou o queixo:
– O que acontece quando a opinião da maioria é a mais acertada? A mais… convincente?
– Então, nem precisa ser majoritária, Alberto. Entre uma minoria que pensa certo e uma maioria que erra, prefiro seguir a minoria.
– Mas como saber o que é pensar certo?
– Seguramente o certo não é, necessariamente, o que uma dada maioria pensa. Poder se decide pelo voto; acerto, não.
– E então?
– O que é certo, no caso do nosso Departamento, ou do Instituto, por exemplo, é o que, num dado momento, é moralmente lícito, traz benefício ao grupo, contribui para os fins, impessoais, da instituição. A quem responde, cabe a decisão. A discussão serve para corrigir as distorções dos critérios pessoais de quem deve decidir. No caso, eu.
– Isso não é meio autoritário?
– Seria, se o poder de decidir não fosse delegado. O Conselho pode retirar essa delegação quando quiser. O poder, sim, pertence ao Conselho, que o delega ou retira, conforme a vontade da maioria.
– Agora vale a maioria? Por quê?
– É óbvio, Alberto. Agora, a questão não é a do acerto ou erro de uma decisão. Agora se trata de atribuir o poder. É uma questão de força. É o exercício da força. A decisão pode até ser errada: acerto não se decide por voto. Maioria é uma expressão de força, Alberto. E a força, raramente acompanha a racionalidade.
– Numa democracia o direito de opinar deve ser irrestrito, disse Alberto, cruzando os braços. Era o jeito dele quando decidia levar uma discussão até o fim.
– Então deixemos que os pacientes do Policlínico ou os presos de San Vittore decidam como deve ser conduzido o hospital ou o presídio. Ou, que os alunos, beneficiários transitórios da Universidade, resolvam como deve ser o ensino, a pesquisa, o estatuto. Eles não responderão pelos efeitos de tais decisões, após a formatura. Alunos,
pacientes e presos são sempre maioria, nessas diferentes instituições, como você sabe, meu caro.
– Eu disse: direito de opinar, professor.
– Pelo gosto de opinar? Ou para decidir?
Não sei como a conversa terminou. Conto isso para mostrar como funcionava o Departamento. E é bom que se diga: Pietro Vittori tinha sido eleito pela quarta vez consecutiva para a Diretoria. Por unanimidade!
Estilos à parte, confiávamos nele. Na sua dedicação “aos fins, impessoais, da instituição”. E no seu rigoroso senso de justiça.”

Lindo, de novo, não é?

Porque é difícil inovar?

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Meu pai diz que na próxima encarnação quer vir biólogo. Isso porque eles viajam bem mais que os engenheiros eletrônicos. Minha tia diz que tem um sobrinho muito inteligente, porque vive viajando.
Eu não posso reclamar, porque minha profissão sempre me permitiu conhecer lugares e pessoas interessantes. Me permitiu, por exemplo, ir assistir ontem a mostra dos modelos reconstruídos (de acordo com os originais) das maquinas inventadas por Leonardo da Vinci, descritos no Código Atlantico, no Palazzo della Cancelleria, em Roma. Não é o máximo?!
A exposição mostra o grande espírito inventivo e inovador de Da Vinci, o que me levou a lembrar da minha experiência com inovação nos últimos meses.
Há um tempo atrás, um professor me disse “É professor Rebelo… os grandes dinheiros para pesquisa, agora estão na FINEP”. Só fui entender o que ele quis dizer agora, dois anos depois. A Financiadora de estudos e projetos é um orgão do governo federal para estimular inovação científica e tecnológica. Enquanto os recursos no CNPq e nas FAPs ficam cada vez mais escaços, na FINEP eles ainda são abundantes (e muitas vezes, mal empregados – seguindo critérios políticos e não técnicos).
Minha percepção é que em pouco tempo, todo cientista que quiser ter acesso a recursos para fazer ciência de ponta (ou seja, recursos abundantes) terá que se envolver com inovação. Teremos todos de ser um pouco Da Vinci.
O problema é que essa mudança não está se dando progressivamente, mas sim de uma hora para outra. Agora nos deparamos com o dever de inovar, sem termos nunca sido preparados para isso.
Na época de Da Vinci inovar era bem mais fácil.
Ele tinha uma idéia e colocava ela no papel. O que já significava que a idéia era dele e estava publicada (ainda que não fosse). Não precisava provar que ela funcionava (como a bicicleta que só anda em linha reta). A patente era automática também.
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Mais que Da Vinci, temos que ser Pasteur. Por que esse sim, fez coisas que funcionavam. Resolveu os problemas da fermentação do vinho (Graças a Deus!) e depois com o que aprendeu sobre microorganismos inventou a vacina. Pasteur era inventivo e inovador porque não acreditava apenas na ciência básica e nem na ciência aplicada. Acreditava que uma movia a outra. A aplicação da ciência movia a descoberta do conhecimento, que depois gerava a aplicação da ciência.
Para ser criativo, e para inovar, Domenico de Masi diz também que é importante ter um grande senso estético. A busca da beleza é inovadora.
Mas além da inventividade, hoje temos de saber e fazer muitas outras coisas. Hoje temos que abrir uma empresa, o que já significa um monte de gastos e uma burocracia enorme. Pesquisa de nome, junta comercial, CNPJ… Se você coloca a palavra produto no objetivo da empresa então paga ICMS, mas se tira, não precisa. E se coloca ‘licenciamento’ no objetivo, ai fica tudo mais fácil, porque você cai em um limbo fiscal e nem estado, nem município, sabem como tributar essa atividade que não é produto nem serviço.
Mas quem é que ensina isso pra gente na faculdade? Ninguém. Nem agora, que quase todas as oportunidades de financiamento de pesquisa passam por inovação, continuam ensinando. Ninguém fala sobre isso na faculdade de Biologia (ou outra faculdade de ciência que eu conheça). Plano de negócio?! Nem pensar.
Mas nisso eu sou um pouco Da Vinci. Vamos colocar no papel e depois a gente da um jeito de fazer funcionar. Depois de superados os entraves burocráticos, Está aberta a Bio Bureau, empresa que se propõe a construir organismos geneticamente modificados para remover poluentes de efluentes industriais. FINEP, ai vamos nós. Da Vinci que se cuide!

Curiosidades da Itália

Fazer ciência não é só ficar trancado no laboratório. Ao desenvolover nossa capacidade crítica de observar a natureza e questionar o que encontramos, também acabamos por examinar essa parte mais peculiar da natureza que são os seres humanos.

Por circunstâncias diversas, vim parar nesse país famoso por suas obras de arte e importância histórica. Uma benção para alguns, mas nem tanto para aqueles cujo objetivo de vida é correr na avenida da praia fechada para o transito de domingo e depois ir para a Roda de Samba do Estephanio’s… Enfim, sou compelido a contar para vocês algumas curiosidades daqui.

Quis o destino, e o fato de um dos pesquisador mais renomado na minha área trabalhar aqui, que eu viesse parar em Alessandria, principal cidade da província de Alessandria, nomeada assim em homenagem ao papa Alessandro não sei das quantas. Please, não tem nada a ver com a histórica Alexandria, que fica no Egito.

Ao se chegar de trem já percebemos a peculiaridade. Mais ou menos 5km antes da cidade entramos em um nevoeiro que me faz sentir em Avalon, am referência a ilha mágica do conto de Marion Zimmer Bradley. Assim como no conto 5 km depois da cidade o nevoeiro desaparece. Nada a ver com magia, apenas uma inversão térmica que retêm vapor d’água e poluentes na camada mais inferior da atmosfera e que os ventos fracos (ou deboli como se diria em italiano) não conseguem dissipar. Quis o destino que esse fenômeno acontecesse com maior intensidade justamente na cidade onde esse Carioca da gema veio parar.

Ao entrar no supermercado algumas coisas chamam atenção. A menor seção de todas é a de desodorantes, acompanhada logo pela de sabonetes, shampoos e pela de refrigerantes. Isso explica de cara por que é insuportável o cheiro de CC no laboratório onde trabalho. Quanto mais perto das 5 da tarde, maior o cheiro de CC. O banho relaxante em banheiras dos romanos e japoneses é milenar, mas o banho como conhecemos hoje tem menos de um século. Foi Paster que sugeriu o banho com água corrente para limpar o corpo dos microorganimos que causavam doenças de grande importância na saúde publica do início do século XX. Claro, quis o destino que fosse um francês a inventar a chuveirada, mas certamente não pra evitar aquele “Cheiro de Corpo” como explicava o comercial dos anos 50 e que se tornou o popular CC. Não é a toa que os Franceses e italianos tem perfumes maravilhosos.

Nunca vi a TV russa ou Afegã, mas quando forem 4 da tarde de sábado e você quiser ver um programa legal, mas não tem NADA na TV brasileira, lembre-se que na Itália a TV sempre parece sábado a tarde e a qualquer momento estará sempre passando um programa pior aqui do que ai. Eles usam e abusam de programas de auditório, com pegadinhas etc. Imaginem 382 variações diferentes do Domingão do Faustão, Show do Bolinha, programa Raul Gil espalhadas em todos os canais e em todos os horários. Não é a toa que eles elegeram o Berlusconi presidente.

Ao contrário do que todo mundo comenta sobre as maravilhas de se viajar de trem pela Europa, não é bem assim. Viajar de trem é caríssimo. Muito mais caro do que viajar de ônibus e muitas vezes do que de avião. O conforto também não é o forte, já que a maior parte dos trens são antigos e lentos, muito lentos. Se você quiser o trem confortável e rápido, prepare seu bolso. Custa em média 5 euros por hora de viagem nos trens convencionais e 10 euros por hora de viagem nos trens Eurostar. Quer um conselho: Pegue um ônibus, como a gente faz no Brasil.

Tá, Tá, Tá, nem tudo é ruim. Aqui a gente não paga remédio. Isso mesmo, aqueles 200 reais por mês básicos que qualquer um de nós gasta na farmácia não seriam gastos aqui. Na maior parte dos casos, você vai ao médico e junto com a receita do medicamento necessário você recebe um ticket que troca na farmácia pelo remédio. Ainda não precisei ir ao médico, mas vai ser muito legal quando eu for e não tiver que pagar nem médico nem remédio e nem plano de saúde.

Todo o café é expresso. Peça um lungo que vem em maior quantidade e não tão forte (como a gente está acostumado). Todo Capuccino é gostoso. Mesmo que tradicionalmente eles não venham com chocolate como a gente esta acostumado no Brasil. É um café com leite e espuminha. Meu primo italiano deu a dica pra simular um expresso. Pegue a primeira água do café que sai do filtro de café, só um pouco, coloque na xícara com um pouco de açúcar bata com a colherzinha até espumar. Depois coloque café a gosto. Não é a mesma coisa, mas como nosso café é mais gostoso, a gente fica na média.

Italianos e italianas são um caso a parte. Na média, a ilusão que temos de um povo caliente é totalmente equivocada. Ninguém puxa papo com ninguém na rua. Ninguém nem olha pra sua cara. Os italianos tratam mal suas mulheres. São super machistas e elas, por sua vez, um tanto submissas (já que continuam com esses caras). Um exemplo exagerado que não pode ser considerado regra é de uma amiga que foi colocada dentro da lixeira, em um bar lotado, pelo namorado, que saiu rindo junto com os amigos. Eles se vestem de forma engraçada. Apesar de ser um dos paises da moda, existe muita liberdade pra se vestir. Coloque qualquer coisa, seja uma calça jeans com olhos pintados enormes, com uma echarpe rosa de pelúcia e óculos amarelos e ninguém vai te achar um ET. Talvez seja por que os preços de tudo são altíssimos, talvez seja porque eles são assim mesmo. Por via das duvidas (e por impossibilidades financeiras) continuarei comprando roupas quando for ao Brasil.

Se você gosta de bundas em geral (tanto faz a que sexo você se refere) esqueça. Italianos não tem bunda, e por isso não malham perna, e conseqüentemente, da cintura pra baixo não tem nada de bonito pra olhar.

A massa. 1o quesito em que os italianos são totalmente imbatíveis. Foi Marco Pólo quem trouxe o macarrão da China, e em Nápoles eles tiveram a grande sacação de colocar o molho feito com tomates vindos da América em cima. Foi uma das descobertas mais geniais de todos os tempos. Mesmo assim, prove o Pesto, o Aglio e Oglio, o Quattro formaggi, o com fungi, ou só com manteiga. São todos sensacionais. Alias, tudo é cozido com óleo de oliva extra-virgem. E quase todo mundo conhece alguém, que conhece alguém que tem uma oliveira em casa e espreme seu próprio óleo. Azeite doméstico é imbatível. Quanto a ao molho de manteiga, cuidado apenas com uma pegadinha da língua italiana em relação ao português. Manteiga em italiano quer dizer Burro em português (mesmo que não seja muito usado). Já Burro em italiano, é a palavra pra Manteiga em português.

Vamos ao segundo ponto em que eles são imbatíveis. Todo sorvete é SE-MA-SA-CI-O-NAL. Alguns são realmente imbatíveis. Prove o sabor Bacio (que quer dizer beijo), uma mistura de chocolate com avelã deliciosa. E você ainda pode fazer uma gracinha pra garçonete pedindo um bacio.

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