ISMEE’s diary. Thrusday, October the 28th. 6th day.

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The day started with Dra. Silvana Allodi, a professor who I admire for many reasons, but whose energy dedicated science, I really envy. She is a histologist of many talents and in a world where students are getting dependent on technology; I wanted somebody who could show how eosin, hematoxilin and the good old optic microscope still could answer many important questions. In the end, she provoked the students showing an unusual article, winner of the Ignobel prize, about penguins pooh, from the same author that later, actually this year, also won the Nobel Prize.
After the interval it was again my turn and I have that to confess I was nervous. It is not easy to speak in English, easy not to speak in English to high level students, is not easy to speak in English with high level professors in the room. Especially when the topic, “Creative writing in science” is not my main research area. But the lecture ((you can check it on the school’s channel at youtube) was a success.
After lunch, Dr. Marcelo Einicker came back to assume students seminars. This time they were more confident and there were so many questions after the presentations, that schedule was extended a lot. Students were exhausted! I transferred the night lecture to the following morning (after dr. Gilberto Amado-Filho cancelled) and they organized, as deserved, another barbecue.
Just between us, seven bottles of cachaça were consumed in many, many caipirinhas.

Diário de um biólogo – Quinta, 28/10/2010 – Sexto dia do ISMEE

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Começamos o dia com a Dra. Silvana Allodi, uma professora que eu admiro por muitas razões, mas cuja energia dedicada a atividade científica, eu invejo mesmo. Ela é uma histologista de muitos talentos e em um mundo onde os alunos estão ficando dependentes da tecnologia, eu queria alguém que pudesse mostrar como eosina, hematoxilina e o velho e bom microscópio óptico ainda podem responder muitas perguntas importantes. E ela ainda provocou os alunos mostrando um artigo inusitado, vencedor do premio Ignóbel, sobre a defecação de pingüins, do mesmo autor que depois, nesse ano, ganhará também o premio Nobel.
Depois do intervalo foi novamente minha vez e tenho que confessar meu nervosismo. Não é fácil falar em inglês, não á fácil falar para alunos de alto nível, não é fácil falar com professores de altíssimo nível na sala. Principalmente quanto o assunto da aula, ‘Escrita criativa em ciência’ não é o meu tema principal de pesquisa. Mas a palestra (veja no canal da escola no Youtube) foi um sucesso.
Depois do almoço o Dr. Marcelo Einicker voltou a assumir os seminários dos alunos. Dessa vez parece que eles estavam mais a vontade e foram tantas perguntas após as apresentações, que o horário foi estendido em muito. Os alunos estavam exaustos. Eu transferi a palestra da noite para a manhã seguinte (no lugar de outra desistência, o dr. Gilberto amado-Filho) e eles organizaram, merecidamente, outro churrasco. Que ninguém nos ouça, foram consumidas mais 7 garrafas de cachaça em muitas, muitas caipirinhas.

O laboratório do Nobel


Para um biólogo, viajar para o exterior é uma necessidade por muitos motivos. Primeiro os gringos tem mais grana que a gente e uma infra-estrutura muito melhor que a nossa. Lá (ou aqui, onde estou agora) você consegue alcançar em 6 meses resultados que não conseguiria no Brasil em 2 anos. Outra razão é ir atrás do conhecimento ONDE ele está sendo produzido ao invés de esperar que ele chegue até você.

O Instituto Oceanográfico de Woods Hole (WHOI) é uma das maiores instituições de pesquisa do mundo. Sabem aquele mini-submarino que vocês vêem explorando as profundezas do oceano no Discovery Channel, o Alvin? É daqui.


Na mesma cidade, que não é maior que um campus universitário, está o ainda maior e ainda mais antigo Marine Biological Laboratory (MBL). Juntos esses dois institutos já hospedaram mais de 50 premios Nobel. Inclusive um dos três ganhadores do prêmio Nobel de química desse ano, o japonês Osamu Shimomura que atualmente é cientista Emérito do MBL, pela descoberta da proteína verde fluorescente GFP (do inglês Green Fluorescent Protein). Vocês já devem ter lido muito na imprensa sobre ela, então eu vou passar a fofoca dos bastidores.

O MBL ganhou o Nobel, mas a patente da GFP está enchendo os cofres do WHOI, do outro lado da ponte (sobre o canal que atravessa Woods Hole). Foi aqui, no mesmo departamento onde estou trabalhando, com o mesmo chefe, que Douglas Prashero, o ‘cientista injustiçado‘ trabalhou e isolou o gene da GFP.


Lendo o artigo do G1 reconheço ali todas angustias de um pesquisador. Não basta a habilidade técnica na bancada. Ele tem de saber escrever um bom projeto para conseguir fundos para pesquisa, tem de saber convencer seu chefe e seus pares da importância do seu trabalho para que a instituição lhe dê infra-estrutura e tem que suportar a pressão de viver com a instabilidade da bolsa pelo tempo que for necessário. Aqui nos EUA existem já vários cursos de ‘gerenciamento de carreira científica’, mas ai no Brasil, só conheço a iniciativa da qual participei, em 2001 e 2006, quando junto com Stevens Rehen realizamos o ‘Dicas de sobrevivência na academia‘: um mini-curso no congresso da FeSBE que alertava os alunos para os ‘não-tão-óbvios’ problemas que eles podem encontrar ao longo da sua carreira.

Prashero não foi o primeiro pesquisador com potencial a se transformar em motorista de Van, e até que esses cursos se tornem uma rotina na pós-graduação, não será o último.

O Ignóbel


Desde 1901 a Fundação Nobel e a Real Academia Sueca de Ciências premiam as grandes realizações nos campos da física, química, fisiologia ou medicina, literatura e paz. O Nobel. O prêmio foi instituído por Alfred Nobel (o bonitão da foto), um sueco nascido em Stockholm em 1833. A família do cara morava em São Petersburgo e quando o negócio de seu pai faliu após a guerra da Crimea (entre os Impérios Russo e Otomano, no Mar Negro) ele ficou rico inventando a nitroglicerina. Mesmo tendo perdido um irmão e mais de um laboratório em explosões no manuseio da, ainda descontrolava, nitroglicerina, ele continuou suas pesquisas e ficou ainda mais rico inventando a dinamite. Mas além de inventor e cientista, Nobel também era autor, interprete e um pacifista. O prmio foi possível quando ele fez seu último testamento em 1895, deixando a maior parte a sua riqueza para a instituição do Nobel, antes de morrer na Itália em 1896. As áreas de premiação refletem os interesses de Nobel em diferentes áreas do saber.

Pra vocês terem uma idéia do calibre dos laureados com o prêmio, o primeiro Nobel em física foi para Wilhelm Conrad Röntgen. O cara descobriu os esranhos raios que tinham a capacidade de atravessarem a matéria e marcar um filme fotográfico do outro lado. Aqueles raios invisíveis que posteriormente foram apelidados de Raios X.

Na semana passada o prêmio foi anunciado e entre os ganhadores estavam Andrew Fire e Craig Mello por terem descoberto o silenciamento de genes através da interferência por RNA de dupla fita. Parece complicado? E é, mas é muito mais simples que fazer um transgênico e muito mais promissor como técnica de tratamento gênico. Mandando uma fita complementar de um RNA mensageiro pra dentro da célula, você pode formar um RNA fita dupla e impedir que ele seja traduzido em proteína. Sem proteína… sem função!

Muito bem, essa introdução toda foi pra falar de um outro prêmio, que ao invés de premiar as descobertas mais interessantes ou impressionantes, premia os trabalhos mais esdrúxulos. Sejam pela inutilidade quanto pela excentricidade dos temas.


O IgNobel foi instituído há 16 anos pela universidade de Harvard e a cada ano tem coisas mais impagáveis. Muitas vezes os laureados não aparecem, mas aqueles que aparecem, levam a coisa na esportiva. Então, apesar da minha tendência a não reproduzir reportagens de jornal, não posso deixar de colocar a lista dos premiados desse ano pra vocês tirarem suas próprias conclusões. Os destaques especiais podem ser acompanhados na foto da matéria.

  • Ornitologia: Ivan R. Schwab (EUA). Explicou por que pica-paus não sentem dor de cabeça
  • Nutrição: Wasmia Al-Houty e Faten Al-Mussalam (Kuwait). Mostraram que besouros “rola-bosta” têm um gosto refinado. Eles escolhem as fezes que vão comer
  • Literatura: Daniel Oppenheimer (EUA), pelo artigo “Conseqüências do amplo uso da erudição vernacular: problemas com o uso de longas palavras sem necessidade”
  • Paz: Howard Staleton (País de Gales). Inventou um dispositivo sonoro repelente de adolescentes.
  • Acústica : Lynn Halpern, Ranolph Blake e James Hillenbrand (EUA). Explicaram por que som de unhas arranhando lousa irrita.
  • Matemática: Nic Svenson e Piers Barne (Austrália). Calcularam quantas fotos são necessárias para que ninguém no grupo saia com olhos fechados.
  • Medicina: Francis M. Fesmire (EUA). Tratou soluços com “massagem digital no reto”.
  • Física: Basile Audoly e Sebastien Neukirch (França). Descobriram por que espaguete seco ao ser dobrado se quebra normalmente em mais de dois pedaços.
  • Química: Antonio Mulet, José Javier Benedito, José Bon e Carmen Rosselló (Espanha). Estudaram a velocidade ultra-sônica em queijo cheddar.
  • Biologia: Bart Knols e Ruurd de Jong (Holanda). Mostraram que a fêmea do mosquito da malária é igualmente atraída por cheiro de queijo limburger e por chulé.

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