Participe de vaquinha para plantar uma floresta

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Muita gente me pergunta: “Como posso ajudar a ONG onde você trabalha”? A-há! De várias maneiras. Agora, mais do que nunca, colaborando com a nossa vaquinha. Nós queremos, com a ajuda dos internautas, plantar 3.334 árvores da Mata Atlântica no Sistema Cantareira. Isso corresponde ao tamanho de três campos de futebol de floresta nativa ou dois hectares. Essa é a primeira vez que fazemos uma vaquinha. E também que o município de Extrema, Minas Gerais, onde serão plantadas as árvores, faz um plantio pago por pessoas. Gente como a gente. Clique aqui e faça sua boa ação do dia. Começando a semana do bem.

O que as árvores têm a ver com a água?

A escassez de água também está atrelada à falta de árvores. Esta relação se dá, principalmente, em locais de florestas tropicais como a Mata Atlântica. Coincidência – na verdade, não – as maiores cidades brasileiras como São Paulo estão localizadas nesse bioma. Assim, elas dependem das florestas para abastecer os seus mananciais e, claro, seus habitantes. Você sabe qual a relação das florestas com a água que sai da torneira?

Segundo um estudo da empresa de geoprocessamento Arcplan em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, 76,5% dos 5.082 km de rios que formam o Sistema Cantareira estão sem cobertura vegetal. Sem mata ciliar não há como proteger os rios. O mínimo esperado para que a água seja preservada é cumprir o Código Florestal.

Se todas as Áreas de Preservação Permanente (APPs) dentro do Sistema Cantareira estivessem conservadas (seja com floresta primária, que ainda está livre da intervenção humana, ou recuperadas por meio do plantio de árvores nativas), a crise hídrica que atingiu o Sudeste teria sido menos crítica. Claro que essa preservação deve estar atrelada a medidas de racionalização do consumo; de educação ambiental; tornar a gestão e distribuição mais eficientes. Apenas culpar São Pedro é pouco.

Mesmo porque a Estação Meteorológica (EM) do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP) desde 1932 mede a precipitação (quantidade de água que cai do céu) na Região Metropolitana de São Paulo. O ano de 2014 foi o 13º período chuvoso (outubro a março) mais seco desde 1932 até o ano – o que acabou afetando o crítico ano de 2015. O ano mais seco (no período chuvoso) desde que começaram as medições foi o de 1941. Essa seca é uma variabilidade natural do clima. Assim, a gestão da água deve prever prevenção a esse tipo de condição climática.

Como o solo nessa situação permanece mais seco, a umidade leva mais tempo para voltar às condições médias, mesmo com um aguaceiro caindo sobre a represa. Por isso, o volume de água das represas demora a subir. Ou seja, as florestas contribuem para regular a vazão das águas, pois seguram o excesso de água das chuvas, liberando essa água aos poucos para os rios, represas e nascentes (mantendo-os sempre com água, no caso da Mata Atlântica).

A vegetação também contribui para a manutenção da qualidade das águas filtrando diversos sedimentos (evitando o assoreamento) e poluentes. As árvores nativas também protegem a biodiversidade. Por fim, um efeito global é absorver carbono e colaborar com a regulação do clima do planeta, diminuindo os efeitos negativos da mudança do clima como os eventos extremos (excesso de seca onde antes não havia este problema, por exemplo).

Venha abraçar árvores conosco. Abrace esta causa!

Nem ONG trabalha de graça!

campuspartyQuerida leitora (o), este blog está um tiquinho quietinho, mas as atividades offline não param! Quinta AGORA, dia 28, mediarei uma mesa redonda na Campus Party São Paulo sobre como engajar as pessoas em causas de instituições sem fins lucrativos! Venha ver e aproveite para me conhecer pessoalmente!

Ao meu lado, estarão os incríveis profissionais: Maria Guimaraes (ou a Renata Oliveira do Prado), da Pesquisa FAPESP; Lucas Carvalho Pereira, da Iniciativa Verde; Ariel Tomaspolski, da Juntos; e, Jessica Rampazo, da SOS Mata Atlântica. Vamos debater e animar as pessoas. Existem instituições sérias que tem como objetivo viver em um mundo melhor. Se essa é sua busca, vem com a gente! Vem! Vem!

Foto: Seu Sebastiãozinho, em São Carlos, dando entrevista para nossa revista Plantando Águas. <3

Quanto suas ações impactam o meio ambiente?

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Você sabia que suas ações emitem direta e/ou indiretamente gases de Efeito Estufa (GEE) que podem piorar o Aquecimento Global?

O Efeito Estufa é essencial para nossa espécie – e todas as outras. Isso porque graças a ele nosso planeta se mantém quentinho possibilitando a nossa sobrevivência. Ele é um fenômeno natural onde os raios infravermelhos enviados pelo Sol ficam retidos na atmosfera da Terra graças a esses gases.

O problema é que algumas ações nossas, do homo sapiens, estão aumentando a quantidade desses gases. O que eleva o Efeito Estufa. Assim, segundo algumas pesquisas, já estão nos fazendo suar mais. E isso se chama: Aquecimento Global.

Embora o Aquecimento Global pareça algo inalcançável, impalpável, nós vamos sofrer cada vez mais na pele as suas consequências. Sei que podemos nos sentir injustiçados, já que ele é resultado de diversas ações humanas realizadas ao longo de anos (nos quais eu nem era nascida).

Mas… Podemos fazer bastante coisa para evitar, literalmente, catástrofes em sua decorrência – e cuidarmos das gerações futuras (é justo deixar um planeta habitável). Uma delas, ainda por cima, é divertida: calcular a sua Pegada de Carbono. Ou seja, o quanto você emitiu, anualmente, de gases capazes de piorar o Aquecimento Global.

Para isso, a Iniciativa Verde renovou a sua tradicional Calculadora de Carbono: http://www.iniciativaverde.org.br/calculadora/index.php com dados atuais. O mais interessante é que ela, automaticamente, converte o seu impacto em número de árvores nativas de Mata Atlântica que precisam ser plantadas para compensar essas emissões.

Eu, por exemplo, preciso plantar cinco árvores (!) para compensar as minhas emissões de 2015. Parece pouco, mas é significativo! Como informação é poder, sabendo o quanto você emite e onde emite mais, pode repensar as suas atitudes para 2016. Deixando ações objetivas para cuidar do meio ambiente na clássica lista de resoluções para o Ano Novo.

E que venha um 2016 mais verde!

Obs.: Na foto acima, plantando ipês no Parque Villa-Lobos (Sampa) com os amigos em evento promovido pela Iniciativa Verde na Virada Sustentável.

Amamentar é psicológico

Fotos Marina-45Amiga (o)! Estou em falta com este blog. Espero que entenda que este ano resolvi me dedicar à maternidade, ao meu trabalho e à minha família. Estou vivendo um momento de me reencontrar. Afinal, maternidade é isso: psicológico.

Falando nisso, a bebê já completou um ano e eu sigo amamentando. Tive a sorte (e a preparação) de amamentar assim que a bebê nasceu sem nenhum empecilho e de continuar amamentando. A bebê saiu da maternidade mais gordinha do que nasceu, ou seja, ao contrário do que é esperado, ela não perdeu peso nos primeiros dias. Nem na primeira semana de vida. E nem durante todos os meses de amamentação exclusiva.

A amamentação seguiu tranquila até eu avacalhar e ter o peito rachado quando ela estava prestes a completar um ano. Como assim avacalhar? Comecei a amamentar deitada, de qualquer jeito, sem me preocupar com a tão falada “pega correta”. O resultado foram dias para meu peito cicatrizar. Após eu voltar a tomar cuidado, ele melhorou. Assim, muitas futuras mamães e até atuais mães me perguntam como consegui a façanha de amamentar – quase – sem problemas. O segredo? Ah, como diz o livro homônimo é… psicológico.

 

Tudo de bom

Bom, os benefícios da amamentação já foram exaustivamente abordados e estudados. Entre eles, para a mãe estão: menor risco de desenvolver câncer de mama e de ovário, menor risco de ter fraturas de quadril por osteoporose, voltar mais rápido ao peso de antes de engravidar, a barriga volta mais rápido ao que era antes de engravidar, o corpo libera endorfina que dá sensação de prazer, a ocitocina liberada (“droga do amor”) tem diversos papéis como de reforçar a ligação entre mãe e filho, entre outros.

E para o bebê? A cada pesquisa descobrem mais benefícios. Ajuda o bebê a se acalmar, a não ter as chamadas “cólicas” (aquele choro que ninguém consegue identificar a causa), fornece anticorpos, ajuda a elaborar o paladar para diversos alimentos (já que o gosto do leite muda de acordo com o que a mãe ingere), pode reduzir a mortalidade infantil em até quase 25%, ajuda a maturar o intestino, é o alimento mais rico em nutrientes que se pode oferecer ao bebê, previne a hipotermia, protege contra infecções gastrointestinais e respiratórias, previne contra o desenvolvimento de alergias, entre um monte de outras coisas.

 

É obrigatório?

Tem mãe que não quer amamentar. E essa é uma escolha. Ela não é menos mãe ou ama menos seu filho por isso. A decisão deve ser respeitada. Tem mãe que não pode amamentar. Algumas doenças como HIV e hepatites acredita-se que podem ser transmitidas via aleitamento materno. Em outros casos, a mãe precisa tomar alguns medicamentos de uso contínuo que também podem ser passados para o leite, contraindicando a amamentação. Também existem casos de mães que fizeram plásticas no seio que danificaram os dutos lactíferos. Em outros raros casos, as mães querem, mas não conseguem amamentar. Lembrando que mães com bico invertido ou plano conseguem amamentar, podem ter mais dificuldade, mas querer pode ser poder.

E qual o segredo do sucesso? Paciência, em primeiro lugar. E pega correta, disputando o páreo. Amamentar requer tempo. Disposição. Quando a gente amamenta, a gente cansa. Sua. Emagrece. Parece que corremos a maratona. Principalmente durante a noite, o ato de amamentar libera melatonina (substância responsável por ajudar a regular nosso relógio biológico sobre dia e noite), o que dá um sono incontrolável. In-con-tro-lá-vel. Deve ser por isso que dizem que a amamentação substitui o sexo. Não substitui, mas dá um sono… Por isso que bebês e mães parecem desmaiados após a amamentação.

 

O segredo

Bom, amamentar requer tempo. Demora. O bebê novinho suga devagar. Às vezes, eles querem ficar no peito, independente da idade, em busca de proteção e aconchego. Outras, choram e esperneiam porque o leite desce devagar. Se ele está nervoso, basta amamentar para que se acalme – as batidas de ambos os corações tendem a se regularem iguais. Quando você amamenta, sinaliza para a criança que ela está segura, que aquele é um lugar seguro.

Sem contar que, como disse acima, amamentar requer energia. Eu ingiro muito mais calorias, acho que quase 800 calorias mais por dia (esse número varia entre mães e filhos) do que antes da gravidez. Na gravidez, creio que basta ingerir no máximo mais 400 calorias por dia. Você parece calma sentada por horas, mas cansa! Dá até calor. Como se estivéssemos, mesmo, nos exercitando na academia. Sem contar que temos que ficar alerta para não dormir enquanto amamentamos. Pode ser perigoso sufocar ou derrubar o bebê. Está caindo de sono? Amamente sentada no chão e com pouca almofada. Ou… peça para alguém ficar ao seu lado te acordando, rs (isso quando a pessoa ao lado não dorme e é você quem tem que acordá-la na madrugada!). Você está dormindo? O ajudante responde: “Não, apenas estou descansando os olhos”. Está bom, rs.

E o que é a tal da lendária “pega correta”? É o jeito que o bebê abocanha. Da maneira correta, não deve doer. No começo, assim que ele nasce, pode incomodar. Mas com o tempo você não sentirá nada – apenas o leite descendo podendo até dar pontada nos seios. O bebê deve abocanhar quase toda a parte debaixo da auréola ficando com uma boca parecida com de peixinho na parte de cima. Veja aqui. Com o maxilar, ele bombeia o leite (dentro da auréola há uma espécie de bombinha que ajuda a puxar o leite).

Parece mágica da natureza. Nosso corpo é incrível e mais ainda como o cérebro age. Você sabia que até mães que adotam podem conseguir amamentar? Colocando o bebê no seio e com os hormônios liberados pelo cérebro, ela pode começar a produzir leite. É impressionante.

 

Dicas

Abaixo seguem minhas dicas (uma compilação de instruções fornecidas por minha obstetra, pela pediatra, pela minha fisioterapeuta e proveniente de infinitas leituras). Prepare-se para a amamentação antes do bebê nascer. Deram certo para mim. De repente, podem te ajudar:

  • A partir da 37ª semana de gestação, tente com sua mão formar um bico no bico do seu seio;
  • Antes do bebê nascer, combine com a obstetra que você quer amamentar logo após parir se esse não for o procedimento do local;
  • Tome ao menos quatro litros de água por dia! Sem água, sem leite;
  • Tenha paciência;
  • Insista sempre;
  • Procure não se estressar;
  • Evite oferecer chupeta, ela pode confundir o bebê prejudicando a pega (e pequisas indicam que bebê que usa chupeta larga o seio mais cedo do que os que não usam);
  • Evite oferecer mamadeiras, elas também podem atrapalhar a pega e fazer o bebê largar antes o seio, já que você produzirá menos leite e o leite da mamadeira sai mais fácil. Se precisar, ofereça leite no copo ou na colher (sim, dá um trabalhão, o segredo é não deixar o bebê se esgoelar de fome);
  • Está sentindo que está com pouco leite? Está estressada? Deixe o bebê sugando no seu peito. O ato ajuda a estimular a volta da produção de leite;
  • Confie no bebê;
  • Use sutiãs adequados (inclusive na hora de dormir) ao tamanho do seu seio (isso também ajuda a manter o peito firme);
  • Conchas de proteção podem ajudar a dessensibilizar o bico do peito;
  • No primeiro dia após o parto e durante dois dias, massageie o seio com movimentos circulares de fora para perto do bico para evitar que empedre e a mastite. Também vale chacoalhá-los, rs;
  • O bico pode ser um lugar exposto a bactérias que causam infecções. Tome banho lavando da cabeça aos pés, cuidado em piscinas;
  • Rachou? Passe lanolina no primeiro dia, use concha e deixe o bico do seio exposto ao ar;
  • Sempre que possível, deixe o bico do seio secando ao ar livre;
  • Impeça que o bebê puxe ou empurre o seio;
  • Evite lavar o peito após amamentar. Lave apenas no banho, normalmente. Evite passar sabonete no bico;
  • Use roupas confortáveis;
  • Sente-se com a coluna ereta;
  • Posicione o bebê na altura do peito com o auxílio de travesseiros ou almofadas enquanto amamenta;
  • Procure sentar como “índia” para melhorar a circulação nas pernas;
  • Evite gritar enquanto amamenta. Imagine alguém gritando no seu ouvido enquanto você se alimenta;
  • Aceite e peça ajuda com os outros afazeres;
  • Se alimente bem, coma alimentos saudáveis;
  • O bebê não está ganhando peso? Saiba que nos primeiros minutos o leite que sai tem mais anticorpos e água, o leite mais gordo (com calorias) vem depois. Portanto, deixe ao menos o bebê 15 minutos seguidos em cada seio;
  • Está cansada da livre demanda? Ofereça um peito por pelo menos meia hora e mexa no pezinho do bebê para que ele não durma enquanto mama. Deixe ele com menos roupa para não dormir. Em seguida, troque a fralda do bebê para que ele acorde mais e coloque um pouco mais de roupa adequada ao clima. Ofereça o outro seio por pelo menos mais 15 minutos. Se ele dormir, aproveite para descansar após colocá-lo por 15 minutos “para arrotar”. Geralmente, neste esquema, os bebês acabam mamando entre duas e três horas de intervalo. Se ganhar peso, parabéns, continue assim.
  • Ofereça o último seio primeiro;
  • Curta cada precioso momento. As crianças mamam por pouco tempo. Passa rápido.

Se você quer muito amamentar e não está conseguindo, procure ajuda. Se você não quer, tudo bem. O importante é ser feliz!

Foto: Poline Lys.

Maternidade: cinco motivos para se sentir muito mamífera

peNunca me senti tão mamífera em minha vida. Lembro-me que, quando era adolescente, fiz um um vídeo engraçadinho com um colega de classe no Zoológico de São Paulo sobre o Reino Animal. No final, nos filmávamos mostrando que éramos parte da natureza, exemplo de uma espécie de mamíferos (pena que a professora ficou com a fita VHS, hunf). Mas esta vida vivida sobre o asfalto, desconectada da terra, pode levar os homo sapiens a se julgarem reis de um reino à parte. Síndrome do Pequeno Príncipe. Até vir a maternidade e, ufa, jogar todo esse concreto no ventilador!

Como eu tenho vivenciado, literalmente na pele, essa emoção, resolvi compartilha os cinco principais motivos que me fazem sentir extremamente mamífera. Se você é pai, seja paciente com a mãe (tenha ela parido ou adotado). Se você tem filhos, pode se identificar. Se você está grávida ou é “tentante”, veja o que te espera! Acima de tudo, saiba que é uma delícia lembrar que somos animais. Como se tivesse me conectando, novamente, com Gaia.

Lembrando que a ciência não é exata, ainda mais quando se trata de maternidade, vamos ao top five:

 

 5. Colinho

O bebê não chora à toa. Cada autor determina uma idade diferente para afirmar que a criança faz a famosa “manha”. Tem pesquisador que diz que é com dois anos, outros com cinco, sete ou mais! “O choro do bebê pode ser pelos principais motivos: fome, sono, calor, frio, cocô, xixi ou aconchego”, disse uma enfermeira carrancuda para nós, pais novos, no último dia em que estávamos na maternidade. Sim, a criança tem necessidade de colinho. No tempo das cavernas, se você deixasse seu bebê no chão, ele poderia morrer por inúmeros motivos. É no colo, principalmente da mãe, que ele se sente seguro. Quando o bebê começa a reconhecer seus cuidadores (a chorar no colo dos “estranhos”, o que é sinal da sua evolução cognitiva), chega até a buscar o olhar da mãe para checar se o colo do outro é seguro. Algumas pesquisas científicas, inclusive, mostram que crianças que ficam no sling (aquela “rede” de levar o bebê junto ao corpo) choram menos. Assim, eu me sinto uma macaca ou uma tamanduá. Sempre carregando minha cria comigo, seja pendurando a roupa no varal, guardando a louça ou comprando algo por aí.

 

4. Antissocial

Em algumas fases da maternidade, as mães se tornam antissociais. Por exemplo, nos primeiros quatro meses de gravidez é comum as futuras mamães não quererem sair de casa ou conversar com amigos (mesmo aquela que adorava passar madrugadas bebendo no boteco). As explicações são inúmeras. No começo da gravidez, a mulher sente muito sono. Além disso, é uma fase delicada: quando mais há aborto espontâneo e quando o que nós ingerimos ou doenças que pegamos podem prejudicar mais o desenvolvimento do embrião (este se torna feto lá pela pela décima semana, quando os principais órgãos estão formados). Após o nascimento, talvez pela exaustão em ter que amamentar a cada três horas e pela adaptação à nova vida com uma vida nova nos braços, as mães também costumam permanecer antissociais. Outra explicação pode ser porque a criança recém-nascida é muito vulnerável. A maioria das doenças que, para adultos sadios não fazem cócegas, em recém-nascidos pode ser fatal. Assim, a sábia natureza faz a mãe ficar quietinha se recuperando com a cria em casa.

 

3. Proximidade

Este é um comportamento que jamais imaginei que teria (o mesmo serve para o antissocial, rs): neura longe do bebê. Simplesmente, é quase insuportável ficar longe do bebezinho, pior ainda se ele só se alimenta mamando no peito. Parece que um pedaço seu está faltando. Um pedaço, aliás, que acabou de existir. É muito, mas muito estranho. Dá medo de acontecer alguma coisa conosco que nos impedirá de chegar a tempo para amamentar o bebê. E o bebê, pode ter certeza, ficará se esgoelando de fome. A vontade é de ficar grudadinha, corpo a corpo, o tempo inteiro com o bebê. Mais um comportamento de proteção da espécie da sábia mãe natureza.

 

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2. Amamentação

Este dispensa muita explicação, concorda? Quer fato mais maravilhoso e animal do que ver sua cria crescendo apenas se amamentando com o leite produzido pelo seu próprio corpo? Eu até suo amamentando. Fico exausta, mesmo permanecendo parada ao amamentar! Bom, tenho várias curiosidades sobre o assunto. Pesquisas recentes mostram que o corpo guarda no culote, tão detestado pelas próprias mulheres na nossa atual sociedade, nutrientes importantíssimos enviados para o bebê via leite materno. Será por isso que homens acham mulheres com culote mais atraentes? Afinal, beleza tem ligação com saúde e preservação da espécie… Outra curiosidade é que o leite materno tem substâncias como melatonina, em maior quantidade durante a noite. Ela é um hormônio que ajuda a regular o sono. Portanto, deixa o bebê com sono para a mamãe ter horas de descanso revigorante. Sobre questão mais física, sabia que o bico do peito tem uma espécie de “dispositivo”? Quando o seio não está muito cheio de leite, deixar o bico para cima e o sutiã bem preso, segurando o peito para cima, evita que o leite vaze. Pode reparar: o bebê coloca o bico para baixo e aperta a auréola como se estivesse bombeando o leite. Por isso, se a mãe está sentindo dor no peito ao amamentar, alguma coisa está errada. Com a famosa “pega” correta, sai mais leite.

 

 1. Gravidez

Outro estado de corpo e de alma livre de explicações. Eu me sentia uma canguru, carregando meu filhotinho dentro da bolsa. Como gosto de ler e mais ainda sobre fatos científicos… Imagine o tanto que pesquisei sobre o tema durante a minha condição gravídica. Desde a gravidez, o corpo guarda e dá para o bebê tudo o que há de melhor dentro de você. Portanto, você pode ter uma anemia se não se cuidar, porque aquele bichinho hospedeiro está sugando tudo o que há de melhor em seu corpo. Seu corpo – e mente – trabalha em função dele. Dizem que pode haver até mudanças físicas no cérebro da grávida! O que pode explicar o porquê de grávidas terem problemas de memórias de curto prazo e de concentração. Para compensar, acredita-se que grávida pode aprender mais rápido e ter melhor capacidade de resolver problemas. Como me disseram, se fôssemos répteis, seria mais prático. Botaríamos ovo e a cria se viraria comendo o que está dentro do ovo. Depois, sairia buscando seu alimento. Mas existe coisa mais bela do que se doar para o próximo e amá-lo como a si mesmo?

 

Obs.: Não coloquei referências bibliográficas porque leio muito artigo pelo celular e, infelizmente, acabo perdendo os links.

Seja bem-vinda, você que sempre esteve aqui

2014-10-07 13_42_50Lembro como se fosse ontem. Há seis meses, eu passava pela experiência mais transcendental da minha vida. Talvez, fosse a segunda dela, perdendo apenas para meu nascimento. Momento que, infelizmente, não lembro. Quando acordei sentindo uma cólica leve, sabia que, enfim, o momento estava próximo. Só não o quão próximo. Será que pressionar os pontos de acupuntura deu certo? Talvez. Conversar com você? Talvez, também.

Depois de descobrir que estava com um centímetro e meio (e meio, rs) de dilatação, fiz o que a fisioterapeuta recomendou: suba e desça escada. Caminhe. Atividades que ajudam a aumentar o começo da dilatação.

Não encontrei nada mais agradável e poético do que andar para ver uma exposição em um hospital a ser reestruturado, o Hospital Matarazzo. Eram os nossos momentos de renascimento – espero que o local, símbolo da cidade de São Paulo, tenha o destino de permanência. E, na Avenida Paulista, eu estava feliz. Mesmo me amparando nos troncos das árvores a cada contração ou naquele que dividiria comigo o momento mais incrível das nossas vidas.

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Inexplicavelmente, descobri que é possível dormir entre cada pico de contração durante o trabalho de parto – até atingirmos cinco centímetros de dilatação. Deve ser o corpo se preparando para renovar as energias naqueles poucos minutos ou segundos que temos. Uma preparação para conseguir descansar ou dormir entre mamadas a cada três horas? Pode ser. Devemos nos alimentar decentemente. Devemos ter calma. Eu estava em paz.

Quando nos entregamos ao instinto animal, nosso corpo e mente sabem como agir na hora ideal. Como disse o anestesista (nunca esquecerei da imagem que formei em minha mente, um misto de Monet com Vidas Secas): “Pense em uma ponte com um rio correndo sobre ela. Essa é a força da natureza. Deixe ela agir”. Além de bem-humorado, era um médico filósofo, rs.

Também nunca esquecerei do sorriso feliz da obstetra chegando de madrugada e me olhando com a cabeça de lado: “Como você está se sentindo?” “Morrendo”, reclamei. Na hora, o riso fechou e apareceu uma feição de investigação. Acho que eu precisava daquele ombro para desabafar e ter mais segurança. Ela saberia o que fazer.

E, quando ela chegou, eu me rendi à dor das contrações. Não resisti. Não relutei. Não desisti. Aliás, desistir era uma palavra que não existia no meu dicionário naquele momento. Sério, mesmo. No fundo, a gente sabe que não há volta. Então, ela nem passa em nossa mente. E quando me entreguei àquela dor que, para mim, parecia que seria partida ao meio, entrei em transe.

Não tinha noção de horário, não me importava aos sons que emitia (que pareciam de entusiasmo), nem pensava na dor de cada contração que estava por vir no curto intervalo de minuto (acho que as contrações, neste momento, vinham a cada menos de dois minutos). Simplesmente, me entreguei. Queria vomitar, segurava para não desmaiar. Desfalecia. Tudo em transe. Também nem pensava no que estava por vir.

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Após fazer força, muita força, com vontade de colocar para fora sabiamente a cada contração, ouvi o choro estridente. Naquele momento, fomos apresentadas na vida aérea. Você tinha acabado de chegar e eu não sabia o que fazer. Como agir. Falei o que havia programado: “Seja bem-vinda”. Era tudo novo. Eufórico. Estranho. Desconhecido.

Dei de mamar primeiro no peito esquerdo, como li que era a tradição, se não me engano, judaica. Porque, assim, você ouve mais de perto a batida do meu coração e tem uma referência de algo que já conhecia. Queria que se sentisse acolhida. Ajudá-la nessa passagem da água para o ar. Que fosse a mais harmônica possível. Nós só nos conhecíamos em sonho, em voz, em barriga.

Hoje, você tem seis meses de mundo externo. Seis meses de um cansaço que ainda não superei. Seis meses de choro. De risadas. De descobertas. De alegria. De dor. De felicidade. De exaustão. De nascimento e renascimento. Embora tenha apenas seis meses e eu 33 anos nesta Terra, parece que você sempre esteve conosco. Parece que sempre fez parte das nossas vidas. Com lágrimas nos olhos, repito: “Bem-vinda”.

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Sei que este blog é sobre meio ambiente e ciência, mas quer algo mais científico do que o milagre da vida?

Como é possível plantar águas

É com muito orgulho (e suor) que divulgo o vídeo sobre o projeto Plantando Águas, da Iniciativa Verde. O documentário exclusivo mostra as ações possíveis e relativamente simples que podem ser tomadas para recuperarmos o nosso tesouro: a água. Estoure a pipoca e divirta-se!

Ter filho te deixará mais incompleta

maternidadeEu poderia estar dormindo, poderia estar comendo, poderia estar malhando, meditando, lendo, fazendo ioga, xixi. Mas, enquanto a bebê dorme, estou aqui para te alertar: ter filho te fará se sentir mais incompleta. Uma conversa que tive esta semana com a Maria Guimarães, bióloga-jornalista e uma das autoras do blog Ciência e Ideias, me fez refletir sobre esse sentimento. Na verdade, esta semana, eu iria escrever um post sobre cólicas em bebês e pesquisas sobre o assunto, mas deixo para uma próxima. Vou usar esta meia hora que tenho para avisar “azamigas”.

Não sei o porquê você resolveu ter filho. Não sei se eu escolhi parir para me sentir mais “completa”. Acho que os genes falaram mais alto: um brinde para a perpetuação da espécie. Há anos li um post da Paula Signorini, uma das autoras do blog Rastro de Carbono, que nunca esqueci (ATENÇÃO: NÃO ESTOU COLOCANDO REFERÊNCIAS DE LEITURAS E DE PESQUISAS NOS POTS ATUAIS PORQUE LEIO PELO CELULAR E ESCREVO PELO COMPUTADOR. PORTANTO, FAÇO AS ANÁLISES COM BASE EM ARTIGOS CIENTÍFICOS E OUTROS AUTORES, MAS SEM TEMPO PARA PROCURAR TUDO E COLOCAR AQUI). Nele, a Paula questiona a relação entre ter filhos e a degradação do planeta. Minha desculpa para ter é essa: criar uma pessoa para que ela ajude a formar um mundo mais harmonioso para vivermos. Que combata o aquecimento global como a mãe faz, hoje, trabalhando na Iniciativa Verde. Que tenha compaixão, respeito pelos outros seres e pela natureza. Que seja feliz procurando a felicidade dentro de si.

Quando estava grávida, amigas eram sinceras comigo. Diziam: “Quando ela nascer, você sentirá que um pedaço seu estará fora de você”. Até minha obstetra advertiu: “Eu digo que o cordão umbilical é cortado várias vezes durante a vida, se prepare para quando voltar a trabalhar”. Sempre fui uma pessoa independente dentro das condições de cada momento. Ou procurei ser. Nunca imaginei que seria uma mãe dedicada. Também me descobri mais paciente e tolerante às necessidades fisiológicas como o sono. Qualidades que eu tinha, mas não nesse tamanho. Por isso, quero aproveitar a me retratar com as demais mães que um dia critiquei – até por serem tão pacientes que se tornaram fastidiosas. Realmente, você só sabe como será como mãe quando nascer ou adotar um rebento (aliás, nascimento é uma forma de adoção).

E por que você se sente, então, mais incompleta? Desde o nascimento, aquele pedaço que um dia esteve, literalmente, dentro de você vai desenvolvendo autonomia. Ele deixa de se alimentar via placenta (aliás, sabia que a imunidade da grávida cai, um dos motivos, porque o bebê é um corpo estranho – tem genes do pai – e as células de defesa precisam tolerá-lo para que ele não seja abortado?) para se nutrir do leite produzido pelo teu corpo (outra curiosidade: parte da gordura e dos anticorpos que o bebê recebe são “retirados” do culote. Portanto, agradeça às gordurinhas localizadas pela saúde do teu filho). Depois, vai se descolando do seu seio para receber frutas e legumes.

“Os filhos são do mundo”, lembra o ditado. É verdade. Mas, cada vez que eles se “distanciam” do seu umbigo, mais você se sentirá incompleta. Aquele pedacinho originado por seu querido óvulo (que já estava pronto antes de você nascer, ou seja, você carregava o projeto de filho já quando vivia dentro da barriga da sua mãe), deve ganhar o mundo. Isso é ser saudável. Amém. Assim que deve ser. Então, querida mamãe, vou te dar um conselho: leve o mundo dentro de si.

Dê licença para a mãe

mao1Este ano, passei pelas experiências mais científicas e indescritíveis da minha vida: engravidei, pari (consegui normal, obrigada, Dra. Sandra, pela graça alcançada) e me tornei mãe. Foram nove meses – de janeiro até outubro – cuidando da pessoinha que crescia dentro do meu ventre, da nossa saúde e buscando garantir o sustento da cria. Agora, estou de licença-maternidade (neste exato momento, digito com uma mão e, com a outra, seguro a criança amamentando-a). Ok, tive que parar para trocar fralda, colocar para arrotar…

Li pilhas de livros e de sites sobre gravidez. Durante as leituras, tinha vontade de compartilhar várias informações aqui! Como, por exemplo, que os espermatozoides “de meninas” são mais lentos, demoram mais para chegar ao óvulo. Em compensação, duram mais tempo dentro do corpo da futura mãe. Portanto, se quiser ter uma filha, faça sexo antes de ovular (talvez, esse tenha sido o meu caso).

Pratiquei exercício físico quase todos os dias (no mínimo, caminhava quatro quilômetros diariamente), ioga para grávidas (o que também era praticamente um grupo de autoajuda e força na peruca), meditação e fui militar com a alimentação! Comi comida de verdade. Conclusão: engordei apenas nove quilos durante a gravidez (nem isso) e evitei andar como uma pata-choca. Também preveni o diabetes gestacional (tenso) e o sobrepeso (que gera bebês abaixo do peso). Até exercícios pontuais para facilitar o parto e pós-parto pratiquei. Experiências, no mínimo, cômicas. Segui a intuição, os especialistas e o que indicavam as pesquisas científicas. Foi um momento discovery da minha vida.

O parto foi o momento mais dolorido (é uma dor de parto, de partir, de separação), espetacular e inexplicável da minha vida. Senti muita dor. Tinha vontade de vomitar, perdia a força de me sustentar a cada contração (que durava mais de um minuto e vinha a cada dois), quase desmaiei. Após sete horas no hospital, nós dois éramos três. Inacreditavelmente, tinha um bebê parecido comigo nos meus braços. Aquele bebê com mais de três quilos, que não parava de chorar, saiu de dentro do mim. Oi? Como pode uma célula se tornar uma criança? Eu acredito em milagre. Será que toda a célula guarda a lembrança de ser alguém? Com certeza, sim.

Alguns fatos da “dieta” (puerpério) ninguém me contou antes de engravidar. Na gravidez, seu quadril “amolecerá” para o bebê passar – isso você deve saber. O cóccix, que está nessa região, pode ir para trás na hora do nascimento. O que pode causar muita, muita dor (antes e depois de parir). Sentar? Esquece. Durante o parto e dias depois, você vai sangrar – e muito. Terá contrações que ajudarão o útero a voltar ao tamanho de antes de engravidar (principalmente, enquanto estiver amamentando). Você dará de mamar a cada três horas contando a partir do início da mamada, faça dia ou noite. Ou seja, terá cerca de duas horas para comer, dormir, tomar banho… É normal por até cerca de um mês após o nascimento você ficar deprimida, chorando sem parar e sem causa aparente. Calma, não é a primeira, nem a última. Isso acontece porque os hormônios, antes elevados, despencam. Se a tristeza permanecer, é bom procurar auxílio médico.

Agora, estou vivendo mais ainda ser mamífera na pele. Antes, me sentia uma canguru. Hoje, uma macaca com o filho sempre dependurado. Haja quatro litros de água diariamente, água de coco, três copos de suco de laranja natural e vitaminas para amamentar. Ah, claro, e disposição para ficar quatro horas por dia com a cria mamando. Mas a amamentação é um dos meus momentos preferidos com ela. De maior cumplicidade. E de suor. Gente, como amamentar nos faz suar, afe. Neste bafão de verão, então, estamos um grude só (sacou?).

Apesar de toda essa verdade animalesca, e inclusive por essa sensação terrena e intangível, ter filho é uma viagem incrível. Como disse meu marido: “Todo mundo diz que ter filho é cansativo, mas não é um cansaço estressante. Sabe quando você tem que acordar cinco da manhã em uma viagem para pegar a van e fazer o passeio mais esperado? Quando está vivendo este momento, é o máximo”. “A mão que embala o berço governa o mundo”, disse Abraham Lincoln, um dos presidentes dos Estados Unidos. Espero ser a tutora de uma pessoa que ajude a tornar o mundo o que ele tem a vocação para ser: o paraíso na Terra.

Pronto: já plantei árvores, fiz um filho. Quem sabe, agora, vem um livro de minha autoria?

Obs.: Vou ficar um tempo sem postar novamente porque, nas horas vagas, mãe de bebê faz o quê? Aproveita para dormir! Então, desde já, quero desejar um maravilhoso 2015! Fui dormir!

 

Teriam os buracos negros cinquenta tons de cinza?

Olá! Minha vida está quase um buraco negro – ou não, dependendo da definição de buraco negro que você escolher. Estou para postar aqui informações incríveis que obtive com dois especialistas (e com muuuuita leitura) para escrever a matéria “Buracos nem tão negros assim”, publicada na revista Época – leia! leia! leia na íntegra! – e que não couberam na revista. Antes tarde do que nunca, devolvo as informações sobre o que é o temido corpo celeste (pegou a piada infame? leia a matéria e as informações abaixo para entender o trocadilho)!

buraconegro

Imagem: ESO

O que são buracos negros (Entrevista: Tânia Dominici, Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), Rio de Janeiro)

Os buracos negros são estruturas celestes em regiões do espaço-tempo (o espaço é formado pelas três dimensões, altura, largura e comprimento) com a gravidade tão intensa que, a partir de um limite em seu entorno, nada pode escapar, segundo a teoria da relatividade geral. O que passa esse limite é “sugado” para dentro dele em uma viagem sem volta. Quer dizer, só é possível sair de dentro de um buraco negro se o tempo andar para trás. E, dentro dele, não há nada. Tudo o que entra no fenômeno segue cada vez mais para o centro para, afinal, tornar-se parte integrante da singularidade onde as noções de tempo e espaço perdem o sentido – algo difícil de imaginar.

Quando foram descobertos (Entrevista: Tânia Dominici)

John Michell, da Inglaterra, e Pierre-Simon, da França, usando as Leis de Newton sugeriram de maneira independente a existência de uma estrela invisível no final de 1790. Em 1915, a teoria da relatividade geral de Albert Einstein previa a existência de buracos negros. Em 1967, o físico teórico americano John Wheeler aplicou pela primeira vez o termo “buraco negro” para denominar esses corpos. Os primeiros indícios observacionais são da década de 1960. Atualmente, acredita-se que a maioria das galáxias tem um buraco negro no centro delas, como é o caso da nossa Via Láctea. Os astrônomos internacionais, utilizando os telescópios do European Southern Observatory (ESO) para monitorar o centro da Via Láctea, conseguiram provas conclusivas da existência do fenômeno. As trajetórias das estrelas orbitando aparentemente o vazio (veja vídeo impressionante) mostram que elas devem estar sujeitas à imensa atração gravitacional de um buraco negro, com uma massa de quase três milhões de vezes a do Sol. Até hoje, todas essas evidências são indiretas. Mas, em breve, deve ser possível (como pode ler na matéria ou saber mais aqui, em inglês).

Como nasce um buraco negro estelar (Entrevista: Tânia Dominici)

Existem três tipos de buracos negros com origens e papéis distintos na constituição do universo: os estelares, os supermaciços e os primordiais (ou miniburacos negros).

• Os supermaciços são encontrados no centro da maioria das galáxias e podem possuir massas equivalentes a bilhões de estrelas como o Sol. Ainda não se sabe ao certo como são gerados, mas possuem papel fundamental na formação de estruturas e na evolução do universo.

• Os buracos negros primordiais são propostas teóricas. Eles teriam surgido no universo primordial, criados com o Big Bang a partir de flutuações na densidade da matéria. Esses buracos negros poderiam ter tamanhos subatômicos. Propostas mais recentes apontam que, se uma parcela deles não tiver evaporado, podem ser uma componente da misteriosa matéria escura.

• Os buracos negros estelares são os mais comuns e resultam dos estágios finais da vida de estrelas.

 

Buracos negros estelares (Entrevista: Tânia Dominici)

Nem todas as estrelas terminarão a sua vida como buracos negros. Apenas as de maior massa, que iniciaram sua vida com massas entre 25 e 100 vezes a massa do Sol (a massa do Sol é 1.98 x 1030 kg), devem se tornar um buraco negro. Entenda como uma estrela pode, curiosamente, vir a ser um buraco negro (em etapas):

1. A estrela nasce da contração de nuvens de poeira e gás no meio interestelar, a partir do momento em que a força gravitacional da matéria em direção ao núcleo é equilibrada pela força da radiação, gerada pela fusão de átomos de hidrogênio no seu centro.

2. Quando o hidrogênio no centro da estrela é todo consumido na formação de hélio, esses átomos começam a se fundir formando carbono e assim, sucessivamente, vão sendo criados elementos mais pesados. Durante essa evolução, as camadas mais externas da estrela sofrem processos de expansão.

3. Em certo momento, a estrela entra em uma fase evolutiva chamada de Wolf-Rayet, que se caracteriza pela variabilidade de brilho e deficiência em hidrogênio. A estrela é envolta por poeira e gás ejetados por ela própria devida à forte pressão de radiação.

4. A formação de elementos cada vez pesados continua no núcleo até que este chega ao ferro. Nesse ponto o núcleo da estrela sofre um colapso, no fenômeno conhecido como supernova.

5. Após a explosão da supernova, permanece um remanescente com grande massa. Sem o combustível que mantém a estrela gerando radiação para equilibrar a força gravitacional, a estrela implode sobre si mesma, dando origem ao buraco negro.

 

E o Hawking com isso?

Com o artigo recém publicado, o cientista britânico Stephen Hawking procura resolver o chamado por alguns pesquisadores “paradoxo da informação” – outros acreditam que não há “paradoxo” algum. Segundo George Matsas, Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp): “Usar a palavra paradoxo para descrever a perda de informação em buracos negros é totalmente imprópria, pois a perda de informação em buracos predita pelo efeito Hawking é totalmente compatível com a mecânica quântica e com a relatividade geral”. Saiba mais na matéria.

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