Teriam os buracos negros cinquenta tons de cinza?

Olá! Minha vida está quase um buraco negro – ou não, dependendo da definição de buraco negro que você escolher. Estou para postar aqui informações incríveis que obtive com dois especialistas (e com muuuuita leitura) para escrever a matéria “Buracos nem tão negros assim”, publicada na revista Época – leia! leia! leia na íntegra! – e que não couberam na revista. Antes tarde do que nunca, devolvo as informações sobre o que é o temido corpo celeste (pegou a piada infame? leia a matéria e as informações abaixo para entender o trocadilho)!

buraconegro

Imagem: ESO

O que são buracos negros (Entrevista: Tânia Dominici, Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST), Rio de Janeiro)

Os buracos negros são estruturas celestes em regiões do espaço-tempo (o espaço é formado pelas três dimensões, altura, largura e comprimento) com a gravidade tão intensa que, a partir de um limite em seu entorno, nada pode escapar, segundo a teoria da relatividade geral. O que passa esse limite é “sugado” para dentro dele em uma viagem sem volta. Quer dizer, só é possível sair de dentro de um buraco negro se o tempo andar para trás. E, dentro dele, não há nada. Tudo o que entra no fenômeno segue cada vez mais para o centro para, afinal, tornar-se parte integrante da singularidade onde as noções de tempo e espaço perdem o sentido – algo difícil de imaginar.

Quando foram descobertos (Entrevista: Tânia Dominici)

John Michell, da Inglaterra, e Pierre-Simon, da França, usando as Leis de Newton sugeriram de maneira independente a existência de uma estrela invisível no final de 1790. Em 1915, a teoria da relatividade geral de Albert Einstein previa a existência de buracos negros. Em 1967, o físico teórico americano John Wheeler aplicou pela primeira vez o termo “buraco negro” para denominar esses corpos. Os primeiros indícios observacionais são da década de 1960. Atualmente, acredita-se que a maioria das galáxias tem um buraco negro no centro delas, como é o caso da nossa Via Láctea. Os astrônomos internacionais, utilizando os telescópios do European Southern Observatory (ESO) para monitorar o centro da Via Láctea, conseguiram provas conclusivas da existência do fenômeno. As trajetórias das estrelas orbitando aparentemente o vazio (veja vídeo impressionante) mostram que elas devem estar sujeitas à imensa atração gravitacional de um buraco negro, com uma massa de quase três milhões de vezes a do Sol. Até hoje, todas essas evidências são indiretas. Mas, em breve, deve ser possível (como pode ler na matéria ou saber mais aqui, em inglês).

Como nasce um buraco negro estelar (Entrevista: Tânia Dominici)

Existem três tipos de buracos negros com origens e papéis distintos na constituição do universo: os estelares, os supermaciços e os primordiais (ou miniburacos negros).

• Os supermaciços são encontrados no centro da maioria das galáxias e podem possuir massas equivalentes a bilhões de estrelas como o Sol. Ainda não se sabe ao certo como são gerados, mas possuem papel fundamental na formação de estruturas e na evolução do universo.

• Os buracos negros primordiais são propostas teóricas. Eles teriam surgido no universo primordial, criados com o Big Bang a partir de flutuações na densidade da matéria. Esses buracos negros poderiam ter tamanhos subatômicos. Propostas mais recentes apontam que, se uma parcela deles não tiver evaporado, podem ser uma componente da misteriosa matéria escura.

• Os buracos negros estelares são os mais comuns e resultam dos estágios finais da vida de estrelas.

 

Buracos negros estelares (Entrevista: Tânia Dominici)

Nem todas as estrelas terminarão a sua vida como buracos negros. Apenas as de maior massa, que iniciaram sua vida com massas entre 25 e 100 vezes a massa do Sol (a massa do Sol é 1.98 x 1030 kg), devem se tornar um buraco negro. Entenda como uma estrela pode, curiosamente, vir a ser um buraco negro (em etapas):

1. A estrela nasce da contração de nuvens de poeira e gás no meio interestelar, a partir do momento em que a força gravitacional da matéria em direção ao núcleo é equilibrada pela força da radiação, gerada pela fusão de átomos de hidrogênio no seu centro.

2. Quando o hidrogênio no centro da estrela é todo consumido na formação de hélio, esses átomos começam a se fundir formando carbono e assim, sucessivamente, vão sendo criados elementos mais pesados. Durante essa evolução, as camadas mais externas da estrela sofrem processos de expansão.

3. Em certo momento, a estrela entra em uma fase evolutiva chamada de Wolf-Rayet, que se caracteriza pela variabilidade de brilho e deficiência em hidrogênio. A estrela é envolta por poeira e gás ejetados por ela própria devida à forte pressão de radiação.

4. A formação de elementos cada vez pesados continua no núcleo até que este chega ao ferro. Nesse ponto o núcleo da estrela sofre um colapso, no fenômeno conhecido como supernova.

5. Após a explosão da supernova, permanece um remanescente com grande massa. Sem o combustível que mantém a estrela gerando radiação para equilibrar a força gravitacional, a estrela implode sobre si mesma, dando origem ao buraco negro.

 

E o Hawking com isso?

Com o artigo recém publicado, o cientista britânico Stephen Hawking procura resolver o chamado por alguns pesquisadores “paradoxo da informação” – outros acreditam que não há “paradoxo” algum. Segundo George Matsas, Instituto de Física Teórica da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (Unesp): “Usar a palavra paradoxo para descrever a perda de informação em buracos negros é totalmente imprópria, pois a perda de informação em buracos predita pelo efeito Hawking é totalmente compatível com a mecânica quântica e com a relatividade geral”. Saiba mais na matéria.

Quer entender o Código Florestal?

livrosobrecodigoflorestalA Iniciativa Verde por meio do projeto Plantando Águas, patrocinado pela Petrobras, lançou o livreto “Sustentabilidade: Adequação e Legislação Ambiental no Meio Rural”. Escrita pelo engenheiro agrônomo Roberto Resende (e editada por mim), a publicação é um resumo de como aplicar o novo Código Florestal. Ela ajuda a entender o que deve ser feito de acordo com a legislação e também aborda temas relativos importantes como o que são os biomas e as bacias hidrográficas.

Trata-se de um excelente manual e apoio de bolso. O melhor: o livreto pode ser baixado grátis pela internet! Clique aqui para ter o PDF.

Obs.: Quem quer entender o porquê das propostas do “novo” Código Florestal terem causado rebuliço, indico o livro “Os Estertores do Código Florestal“, do agrônomo José Eli da Veiga. Ele é bem curtinho e situa as discussões na época da aprovação. Uma leitura complementa a outra.

Va-len-do 2014!

IMG_4917

Querida leitora e leitor, me doei de corpo e alma ao tentador ócio criativo durante o recesso de fim de ano – após 12 meses de muita semeadura. Agora, volto com o bom humor feminino procurando decifrar a intangível (muitas vezes, vaidosa) linguagem científica! Que os deuses da ciência me deem um dia de 30 horas, amém. Isso porque as minhas metas para 2014 estão acirradas e já comecei a colocar em prática desde o dia dois (palmas): ler mais livros (delícia), praticar exercício físico ao menos três vezes por semana, meditar, trabalhar (vamos plantar árvores?), frilar, blogar e colocar em prática os novos projetos. Ah, também dormir. Não necessariamente nessa ordem. Ufa.

Quando não publico por aqui, saiba que estou na labuta e mergulhada nos livros. “Mãs”, enquanto neste blog há grilos, sugiro que dê uma fuxicada no blog da Iniciativa Verde, instituição do terceiro setor onde trabalho – clique aqui. Nem tudo que criamos e executamos por lá está no blog, é muito trabalho por trás da instituição, mas publicamos informações que podem ajudar a entender mais sobre, principalmente, a recomposição florestal, a mata atlântica e o Código Florestal. Aliás, na Iniciativa Verde, estamos preparando vários materiais de comunicação relacionados a esses temas. Em breve colocaremos tudo no site. Aguarde, é muita interdisciplinaridade junto.

Para mim, o ano de 2012 foi de resistência e o ano de 2013, plantio. Portanto, que este 2014 que se inicia seja de colheita. Que, a todos nós, venham os frutos doces de tanto trabalho. Que tenhamos mais respeito, mais compaixão, mais tolerância, mais possibilidades. Que tenhamos saúde e emprego. Que tenhamos mais conhecimento. Uma família incrível e amigos maravilhosos. E, acima de tudo, que tudo seja embasado no amor. Feliz 2014!

Obs.: O desenho é a minha livre expressão dos átomos. Foi o melhor que pude fazer.

Como as Torres del Paine foram esculpidas

TORRESdelpaine
Fonte: Google Maps

Nem todas as montanhas gigantes que estão no Chile fazem parte da Cordilheira dos Andes, por mais incrível que pareça. Ou… por mais perto que elas estejam da Cordilheira, como é o caso das belíssimas montanhas do Parque Nacional Torres del Paine (Chile). Se não me perdi na navegação, o considerado mais belo parque da América do Sul (não duvido) está a cerca de 20 quilômetros próximo à Cordilheira dos Andes. E, apesar dos maciços de Torres del Paine alcançarem quase três quilômetros de altitude (!), eles não foram formados como a gigante Cordilheira – o avião parece que vai bater no Aconcágua, maior montanha dos Andes com quase sete quilômetros de altitude. Torres del Paine foi criada graças à força de “vulcão interno” (eu que inventei este nome, rs, o correto é vulcanismo intrusivo, que acontece dentro da terra)!

É, querido leitor, nossa América do Sul foi um ninho de lavas (O Brasil que o diga). A cordilheira Paine das famosas torres é um sistema montanhoso formado, principalmente, por rocha sedimentária (depositada, como pelo vento) na parte mais alta e por granito – curiosidade, a maioria daquelas montanhas lindas do Rio de Janeirocomo o Pão-de-Açúcar, também tem origem no granito. A rocha que sempre está visível no maciço Paine é o granito, que tem origem no magma. A mais escura em cima do Los Cuernos (aquela que parece ter dois chifres) é argilito – como o próprio nome aponta, ela contém argila. Na parte oeste das montanhas, há outras rochas plutônicas além do granito (como este, elas também se formam do magma que resfria dentro da terra) e sedimentárias como o arenito (derivado da areia).

Assim, as três torres do parque, marca registrada do lugar, são feitas de granito! Elas foram esculpidas pelo avanço e retirada dos glaciares há mais de 12 milhões de anos. Afinal, o clima da Terra é inconstante. O planeta já esquentou e esfriou inúmeras vezes – lembra-se do filme “A Era do Gelo”? -, aumentando e diminuindo a quantidade e o tamanho dos glaciares. A cada resfriada, as “pedronas” de gelo se arrastavam entre as montanhas desgastando o granito. Desenhando, dessa maneira, as três famosas torres.

Ah, e a Cordilheira dos Andes? Segundo o geólogo Hélio Shimada, ela foi formada pelo encontro de duas placas tectônicas, a de Nazca e a Sul Americana. Na “colisão”, a Placa de Nazca começou a descer sobre a Placa Sul Americana (subducção é o nome científico desse fenômeno) causando um “amarrotamento” das rochas sedimentares acumuladas sobre a Placa de Nazca, lá no fundo do Oceano Pacífico, contra a borda da Placa Sul Americana. Esse “amarrotamento” das rochas sedimentares gerou a Cordilheira dos Andes. É por isso que encontramos fósseis marinhos lá em cima dos Andes. O mesmo acontece no Himalaia, com a Índia entrando sob a Placa Eurasiana.

Mais curiosidades ditas pelo geólogo Shimada:

  • A parte da Placa de Nazca que desce sob a Placa Sul Americana acaba se fundindo devido às enormes pressões e temperatura na astenosfera (camada que se situa logo abaixo da litosfera, ou seja, da camada sólida mais externa do planeta, constituída por rochas e solo), produzindo o magma. Este pode esfriar lá em baixo e dar origem a rochas plutônicas como o granito ou sair à superfície na forma de vulcões (rochas extrusivas);
  • Do lado leste, no Oceano Atlântico, a Placa Sul Americana se afasta da Placa Africana em uma expansão que começa na cordilheira meso-oceânica (no meio do oceano!), por onde sai continuamente magma que vai empurrando as bordas para leste e para oeste.

Sobre o parque

O Parque Nacional Torres del Paine foi criado em 13 de maio de 1959 e declarado Reserva da Biosfera em 1978 pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Ele protege 227.000 hectares – o que corresponde à 227 mil campos de futebol. Ele tem 17 ecossistemas diferentes – e alguns muito visíveis devido às distintas vegetações mais secas ou úmidas. Animais selvagens e flora subantártica única habitam o local.

Fonte: Dados disponibilizados pelo próprio parque. As fotos abaixo são de minha autoria e do @gustamn.

aconcagua
Aconcágua, montanha mais alta à esquerda
lagogrey
Maciço Paine visto do Lago Grey
granito
Granito refletindo o Sol
loscuernos
Los Cuernos
torresdelpaineperto
Torres del Paine: repare o “raspado” causado por glaciares

Queremos parques “de bonito” ou para serem curtidos?

IMG_6381Na África do Sul, quando caminhávamos – vendo uma foca brincar nas ondas – pela areia da praia do Parque Nacional Tsitsikamma (foto acima) em direção a uma trilha, para subir 300 metros de morro, um homem nos parou. Abriu um sorriso: “Oi, tudo bem? De onde vocês são?” Respondemos que éramos do Brasil. “O que acharam do parque, estão gostando?” O lugar era lindo com animais marinhos, fantástico com paredões que despencavam na água, bem cuidado, bem estruturado, com uma lanchonete que não metia a faca na gente, seguro em relação a tudo, enfim, estávamos amando. “Que bom que estão aproveitando, desculpe-me a intromissão, mas sou o diretor do parque e queria saber se estavam contentes.” É por essas e por tudo o mais que amo a África do Sul, mesmo com seus graves problemas sociais.

Na África do Sul e nos maiores parques da Argentina e do Chile, é possível dormir dentro delesAproveitar a lanchonete, geralmente, sem preços muito abusivos. Também dá para caminhar com segurança pelas trilhas bem demarcadas e obter informações sobre o local com os funcionários. Os safáris da África dizem por si no imaginário das pessoas – é tudo isso o que você pensa. Aqui do outro lado do Atlântico, gente, o Chile nem parece um hermano brasileiro. As entradas aos parques são baratas e eles são bem sinalizados, organizados, têm excelentes estradas e trilhas – coração para o Parque Nacional Torres del Paine (foto do Sol, abaixo) e Parque Nacional El Morado. Se perder neles, só se for em pensamento…

IMG_7547

África do Sul, que há cerca de 15 anos estava em meio a uma guerra civil, conseguiu se reerguer economicamente sabendo usar o ecoturismo. Aliás, o ecoturismo colaborou até para recuperar áreas naturais e espécies. O Chile, apertadinho entre tanta beleza, tem parques desde o deserto do Atacama até o frio da Patagônia. Quem nunca sonhou em conhecer uma das belezas naturais do Chile? Digo o mesmo para a Argentina, que divide conosco as Cataras do Iguaçu, que tem o Perito Moreno e o Parque Nacional Tierra del Fuego lá no Fim do Mundo. E o Brasil, o que tem? Desse tamanho todo, não tem nada?

Muitos parques (reservas) brasileiros, sejam eles públicos ou privados, se encontram em triste situação. A maioria deles sofre com falta de planejamento e do famoso manejo. Em alguns parques, onde o atrativo eram as aves, não se observam mais aves. Outros quase tiveram que fechar as portas por conta da falta de dinheiro para mantê-los. Outros são depredados pelos visitantes, que em vez de terem orgulho da beleza nacional, preferem destruir o nosso patrimônio. Claro que, já que Deus é brasileiro, ainda há palmeiras onde canta o sabiá.

IMG_3017

Existem inúmeros bons exemplos no Brasil. O mais recente que eu visitei, a convite da Fundação Boticário que o mantém, é o Reserva Natural do Salto Morato (foto abaixo) distante apenas 170 quilômetros de Curitiba, capital do meu maravilhoso Paraná. O lugar tem cachoeira de 100 metros, piscina natural, figueira de 350 anos, quase 600 espécies de plantas, cerca de 350 espécies de pássaros (fáceis de serem avistados), mais de 80 espécies de mamíferos… Dá para caminhar por ele com segurança, dá para acampar e ele tem lanchonete. A entrada inteira? Sai por sete reais.

Vamos aproveitar o que temos de lindo e de melhor. Vamos conhecer as reservas respeitando a cultura local, sem retirar nada do lugar, tendo cuidado com nós e com os outros, guardando o meio ambiente. Assim, com essas ações, nós estimularemos a conservação desse e de mais locais. O Brasil é gigante. O Brasil é lindo. A população brasileira é uma das mais simpáticas e generosas do mundo. Isso tudo é o que temos de melhor. Alguns ecoturismo são caros, sim. Então, vamos estimular aqueles que são viáveis para que os inviáveis economicamente se tornem mais acessíveis. E, sempre, sempre com consciência. O ecoturismo pode impactar um lugar, mas pode ajudar a preservá-lo.

IMG_4061

Obs.: Todas essas fotos do pots pertencem ao Xis-xis. Por favor, peça autorização para usá-las.

Salto Morato: como são as pesquisas em reservas?

Por que eu tenho olhos castanhos? Ou azuis?

Vou fazer uma pausa nos posts e vídeos sobre a minha amada Patagônia para postar um vídeo da parceria do Xis-xis, este blog que vos fala, e do Aprenda.bio! Você nunca entendeu que raios é o tal do gene? E muito menos o que é gene recessivo, dominante e o porquê de você não ter olhos claros? Calma, minha gente. Estamos aí para ajudar. Veja o vídeo abaixo e tire suas dúvidas! Qualquer coisa, só escrever nos comentários! Um abraço e boa iluminada semana!

Como um glaciar é formado?

Antes de viajar à Patagônia, procurei informações em português sobre glaciares. Achei pouca coisa – não temos glaciares no Brasil… A maioria das informações estava em inglês e, algumas, em espanhol. Portanto, para ajudar pessoas como eu, fiz um vídeo explicando como os glaciares se formam. Parece mágica, mas não é! De quebra, você ainda verá em HD imagens exuberantes desse presente da natureza!

Você sabe o que é uma lagoa de sistema fechado?

sarmiento1Alguns lagos ou lagoas são chamados de “sistema fechado”. Ou seja, recebem água, mas sua água não corre para outro lugar (apenas evapora ou infiltra no solo). No maravilhoso Parque Nacional Torres del Paine (Chile), existem dois exemplos divinos de sistema fechado: o Lago Sarmiento (acima) e a Laguna Amarga (abaixo).

Nestes casos (de sistema fechado), os rios levam água – e minerais – para eles que não têm aonde correr (devido a sua posição). Quando isso acontece, os minerais ficam dentro deles. No caso da Laguna Amarga, conforme o tempo foi passando, essa acumulação aumentou. E, consequentemente, a água dela foi ficando mais salina… Assim, micro-organismos encontraram o ambiente ideal para crescer e se proliferar, já que muitos deles não conseguiriam sobreviver em locais com drenagem ou pH mais neutro – leia aqui sobre o pH da Laguna Amarga. ;)

lagunaamarga

Fonte: próprio Parque Nacional Torres del Paine. Ambos os ambientes das fotos podem ser vistos nas entradas dos parques. Fique atento!

Em tempo: lago tem água doce e lagoa, salgada!

O que é o gosto amargo

IMG_3173Essa, da foto, é a Laguna Amarga. Ela fica no considerado parque mais lindo da América do Sul: o Parque Nacional Torres del Paine (Chile). Como uma boa curiosa, advinha qual foi a minha ideia quando vi esse lugar divino? Não, não foi me jogar na água – que deveria ter menos de 5 ºC. Foi prová-la! Isso, mesmo prová-la! Sabe do que ela tem gosto? De bicarbonato de sódio!

IMG_2982

Como você deve ter percebido, viajar para mim é muito mais do que apenas “checar” o lugar bonito e tirar uma foto nele dizendo que estive lá. Eu gosto de entendê-lo e aproveitá-lo em tudo o que o for possível. O maridão e eu estávamos nos despedindo do parque quando paramos para tirar a foto acima em frente ao maciço Paine que dá nome ao parque, aquelas três belíssimas torres lá trás – depois, farei um post sobre essa geologia. O mapa do parque apontava esta como sendo a Laguna Amarga. AMARGA. Eu sabia que todas as águas do parque são potáveis, mas, como alguns lagos têm peixes, recomendo beber as águas das fontes ou dos rios para evitar um piriri.

Perguntei para o maridão: “Vamos provar a água da Laguna?” “Sério, mesmo?”, ele retrucou. Claro! Depois de muito sorrir para ele, se disponibilizou a colocar a mão na água friiiia para encher a garrafinha. Acho que bebi primeiro. Pouquinho. Ele bebeu: “Nossa, que água salgada!” Eu, de novo: “Humm, gosto de bicabornato de sódio”. Por que será?

Ah, rá! Graças ao pH da água! O pH varia de ácido, neutro e básico. Ele varia de 0 até 14, quanto maior o número mais básico (ou amargo) ele será. Por exemplo, o suco de limão tem pH 2 (ácido de baterias, 0). O cloro que usamos para limpar a casa tem 14. O bicabornato de sódio, 9. E a Laguna Amarga… 9.1! Não é divertido? Seu pH deu o nome à lagoa! Ah, por curiosidade, o pH da água “normal” é 7.

Viu como podemos aprender ciência em uma bela viagem? A sigla pH significa Potencial Hidrogeniônico, diretamente relacionado com a quantidade de íons de hidrogênio de uma solução. Quanto menor o pH de uma substância, maior a concentração de íons H+ e menor a concentração de íons OH-. Ou seja, o pH é um indicador.

Quer saber se tivemos dor de barriga? Não!

IMG_3138

Dica de viagem: Da Laguna Amarga e da Laguna Azul (andando mais para frente na estrada de terra, foto logo acima), dá para ver direitinho as três famosas torres que dão nome ao parque. Ambas ficam distantes das principais atrações, acho que cerca de 20 quilômetros para frente, então, se estiver de carro, certifique-se de que tem combustível. Aliás, se for à Torres del Paine de carro, leve tanque extra e planeje as trilhas de maneira que não tenha que circular à toa.

Categorias

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM