Gregos já sabiam: a Terra é redonda

Não foi nem Galileu, nem Copérnico quem descobriu a forma do nosso planeta. Para os pensadores da Grécia, a ideia descia muito mais redondo. Cerca de 200 a.C., o principal bibliotecário de Alexandria teve uma sacada.
Eratóstenes sabia que, ao meio-dia de 21 de junho na cidade de Syene, no Egito, os raios do Sol alcançavam o fundo de um poço. Era o dia mais longo do ano no hemisfério norte. O bibliotecário desconfiou. Como Alexandria estava mais ao norte, os raios deveriam chegar oblíquos na sua cidade. Se ele conseguisse calcular o ângulo desses raios, saberia o tamanho da Terra.
Na mesma hora, no mesmo dia, ele colocou uma vareta em pé. Mediu o ângulo, formado pela sombra do Sol. Dividiu esse valor por 360 – os graus de um círculo. Chegou ao resultado de 1/50. Ou seja, se você caminhasse entre  Syene e  Alexandria 50 vezes, teria andado o equivalente à circunferência do planeta.
Em seguida, Eratóstenes contratou um caminhante profissional – uma pessoa treinada para dar passos perfeitamente iguais. Assim, finalizando seus cálculos, deduziu que a circunferência da Terra era de 39.750 quilômetros. Hoje em dia, estima-se que a distância ao redor do equador é de 40.075. Acertou em cima!
Mas, aí… Chegou a Idade Média. Segundo historiadores, nessa época os europeus perderam o contato com esses  conhecimentos científicos. E o cristianismo ajudou a espalhar a ideia de uma Terra plana. Por outro lado, Eratóstenes acreditava que era possível ir da Espanha à Índia navegando para oeste. Onde exite a América, ele acreditava que havia um imenso mar. De acordo com o “O Livro do Sabe-Tudo” – de onde tirei a historinha –, inspirado pelo grego, em 1492 Cristóvão Colombo fez sua viagem rumo às Américas.
Obs.: O livro que citei é bem engraçadinho. Possui 365 curiosidades para serem lidas uma por dia, durante um ano. A maioria das histórias apresentadas não é novidade, mas vale recapitular tal conhecimento geral. Ah, leia aqui um post explicando que a Terra, apesar de redonda, também pode ser torta.

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Discussão - 22 comentários

  1. […] acho que alguém deve ter dito isso para o primeiro grego que começou a desconfiar que a Terra era redonda. E incrível como o fato de 100% das pessoas não […]

  2. daniel disse:

    ALEM DE BONITA É INTELIGENTE…

    EU CASARIA COM VC HOJE…

  3. [...] acho que alguém deve ter dito isso para o primeiro grego que começou a desconfiar que a Terra era redonda. E incrível como o fato de 100% das pessoas não [...]

  4. Alex disse:

    A pretensa “cientificidade” da Bíblia e de outros escritos mitológicos da Antiguidade é baseada em descrições vagas e que, no mais, refletem deduções baseadas apenas na observação acrítica dos objetos e fenômenos, ou seja, apenas na sua aparência. Assim, por exemplo, a circularidade do planeta poderia ser deduzida a partir da observação da Lua ou do Sol, também circulares. Aliás, “circularidade” é diferente de “esfericidade” (uma pizza é redonda e também achatada). Mas, de fato, as escrituras podem inspirar muito: há passagens que inspiram a fraternidade entre os homens, há outras que inspiram intolerância e até algumas que inspiram ideias socializantes de organização social e econômica, e não é preciso citar exemplos, basta analisar a história da humanidade e o uso das escrituras pelos homens e suas instituições.

  5. Sarah Sthefanie disse:

    Há grande equívoco em suas afirmações, pois sabia-se que a Terra era redonda antes mesmo de Cristo. A Bíblia não é um livro científico, porém, contém informações científicas. Vou te provar agora. Leiamos o que diz o livro de Jó lá no capítulo 26:7. “O norte estende sobre o vazio; e suspende a terra sobre o nada”. Como que naquela época Jó sabia que a Terra estava suspensa sobre o nada? Naquele tempo o homem já havia viajado ao espaço ou feitos estudos acerca de tal assunto? A ciência só descobriu que a Terra não estava sustentada por nada até 1650, ou seja muito depois de Isaías. Acreditava-se que a Terra estava situada em cima de um grande animal ou gigante (1.500 A.C.). Vamos agora lá em Isaías 40:22 “Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para neles habitar”; O texto nos diz que Ele (DEUS) é o que está assentado sobre o CÍRCULO da terra…ôpa, ôpa. Círculo da Terra? Ah, como então Isaías sabia que a Terra era redonda? Porque os livros de história nos dizem o contrario, não é? O livro de Isaías foi escrito aproximadamente entre 740 e 680 anos A.C. São pelo menos 300 anos antes de Aristóteles sugerir, em seu livro Sobre os Céus, que a Terra talvez fosse uma esfera. Dois mil anos depois (num tempo em que a ciência HUMANA acreditava que a Terra fosse plana) as Escrituras inspiraram Cristóvão Colombo a navegar ao redor do mundo. Estás vendo aí a comprovação da cientificidade da Bíblia? Isso é só o princípio, amiga. Esse livro (a Bíblia) é FAN-TÁS-TI-CO.

  6. Lucio disse:

    O conceito de uma Terra esferóide não era amplamente aceito até a renascença,alguns dos primitivos navegadores até mesmo temiam velejar a ponto de caírem da beirada da Terra plana!Daí, porém ,a introdução da bússola e de outros aprimoramento tornaram possíveis viagens oceânicas mais extensas.tais “viagens de descobrimento”,segundo explica outra enciclopédia,”mostraram que o mundo era redondo, e não plano como cria a maioria das pessoas”.
    Todavia, muito antes de tais viagens, com efeito,há cerca de 2.700 anos, a Bíblia dizia: “Há Um que mora acima do círculo da terra,cujos moradores são como gafanhotos.”(Isaías 40:22).

  7. Não li todos os comentários – a Terra gira rápido e o tempo é curto -, de modo que não sei se isso já foi dito aqui, mas o volume I de minha “História Ilustrada da Ciência” diz que já os pitagóricos, portanto lá pelos séculos VI, V antes de Cristo, defendiam que a Terra é esférica e que um discípulo de Pitágoras chamado Filolau propôs que a Terra além disso era um planeta como todos os outros, girando em órbita ao redor de um “fogo central”.
    Ah, não serei tímido e te enviarei agora mesmo um e-mail de divulgação do 4º número da revista artesanal que publico, chamada “Pensamento, tudo que a mente frutifica”. Mantenhamos contato!

  8. Thiago disse:

    Você tem toda razão. É incrível como os gregos contribuíram pra ciência sem os recursos que dispomos hoje.
    Eu tb fico fascinado.

  9. Ah, não é querer desmerecer o conhecimento grego. É que eles não tinham as tralhas tecnológicas de hoje.

  10. Tiago, super obrigada!
    Mas o que me deixou fascinada na historinha contada pelo livro foi que, antes de Cristo, já haviam calculado a circunferência do planeta. E acertaram. Acho incrível.

  11. Marcelo, ainda bem que hoje é sexta…. rs

  12. Thiago disse:

    Evidente que minha crítica foi à sua fonte, e não ao seu texto. Em todo caso, você tem razão, é sempre bom citar as fontes. Então vamos a elas.
    Sobre o sistema planetário aristotélico, aonde é possível ver que ele já defendia uma Terra redonda, além de toda a base física proposta por ele pode ser visto em seus “Física”. Não conheço nenhuma tradução para portugues dos livros, mas existem versões em inglês e em grego, claro.
    Sobre Ptolomeu, basta uma lida no Almagesto, o livro aonde ele propõe seu modelo de sistema solar. Se não estou enganado, existe uma tradução feita aqui em Portugal pela Fundação Gulbenkian, mas existe outras traduções pro inglês. Em inglês o livro chama Almagest.
    Sobre a questão da ciência na idade média e como de fato o período não foi o que se pinta habitualmente, o artigo “Medieval Science and Its Religious Context” de David C. Lindberg, publicado em 1995 na Osiris é bastante revelador.
    Este mesmo artigo aborda a questão sobre o Aristotelismo na Igreja.
    Pra um pouco de história sobre os colégios Jesuítas e como eles foram formados, recomendo a leitura Sphaera Mundi, disponível no seguinte link (http://chcul.fc.ul.pt/textos/BNP_Sphaera_mundi-2008.pdf). O livro conta com uma boa introdução sobre o início dos colégios Jesuítas, além de abordar questões cosmológicas da época. Esta em portugues (de Portugal).
    Na verdade, você pode visitar o seguinte link (http://chcul.fc.ul.pt/mestrado/revolucao_cientifica_2008-2009.htm#artigos) para dar uma olhada em uma seleção de artigos sobre estes assuntos cosmológicos até o renascimento. Infelizmente eles estão travados com senha, mas se você precisar de algum deles, me mande um email e eu te envio.

  13. Marcelo disse:

    :) A Terra é chata nos polos e nas proximidades do meu chefe.

  14. Nada, engraçado ver. Bom “discutir” esses papos de vez em quando. Uma filosofia puxa a outra.

  15. Pois é! Onde li, foi essa a informação passada! Veja como as coisas podem ser diferentes e como é bom citar a fonte….

  16. Dependendo de como você gira dentro dela… Verdade.

  17. Marcelo disse:

    A Terra é redonda, mas pode ser bem chata…

  18. Thiago disse:

    A idade média certamente não foi tão negra quanto pintam.
    Mais a mais, é um bocado exagerado dizer que os europeus perderam contato com os saberes antigos, ou mesmo que o cristianismo ajudou a difundir uma Terra Plana.
    Com efeito, o conhecimento do mundo helênico foi em grande parte salvo pela tradição enciclopedista romana. A Igreja tanto tinha conhecimento dos textos antigos que até o século XII adotavam uma série de princípios herdados de Platão. Do século XII em diante, em um movimento liderado pelos principais religiosos da época, quem veio à baila foi Aristóteles.
    O próprio Aristóteles, mais antigo que Erastótenes, já havia postulado uma Terra redonda. Com efeito, acredita-se que tal idéia é muito mais antiga, remontando talvez aos babilônicos.
    Além disso, o sistema planetário ptolomaico, de 160 D.C, já era adotado como padrão pela Igreja, e era o sistema ensinado pelos Jesuítas e apoiado pelo Vaticano.
    O problema real da Igreja nunca foi com uma Terra plana, a questão era com a Terra ser ou não o centro do Universo.
    O engraçado pra mim, enquanto estudande de história e filosofia da ciência, é ver como estes mitos se cristalizam, a ponto de serem continuamente publicados em diversos livros, ainda que estudos já nem tão recentes demonstrem que as coisas não são tão preto e brancas.

  19. Límerson disse:

    “achar que antes era melhor” pouco tem à ver com “deveria ser como antes”. são dois tipos de comentários totalmente diferentes. não dá para eu pensar assim. hoje é pior do que antes? existem motivos para achar “que sim” e “que não”. trata-se de uma postura pessoal, de acordo com o conhecimento e as observações sobre o próprio conhecimento. provavelmente se hoje fosse como antes (se é que se pode imaginar isso) seria ainda pior. Por que o que aconteceu antes nos gera saudosismo? E por que não respondemos esta pergunta hoje? Numa perspectiva que observe o que está acontecendo agora, em processo de historicização. Por que não respondemos pensando no que está acontecendo agora, esta dramaturgia retalhada e “aparentemente”, segundo algum olhar muito pessoal, conectada?
    Mas isso já está se tornando uma imensa digressão… me perdoe.

  20. etevaldo disse:

    gostei da ‘historinha’ :)
    coitado do kra contratado para andar… ahahahah

  21. Às vezes, tenho a impressão que em todas as época as pessoas meio que retomaram, de alguma forma, o passado. Sei lá, disseram que “antes era melhor”. Que “deveria ser como antes”. Etc. Talvez, faça parte da gente esse saudosismo. Mas, voltar para trás, impossível. Mesmo sobre a Idade Média alguns pesquisadores afirmam que ela não foi tão “negra” assim.

  22. Límerson disse:

    Sim, estou lendo Stephen Hawking, Uma Breve HIstória do Tempo, a introdução de visões do universo, óbvio, começa nos gregos. Em Aristóteles observando a sombra redonda dos eclipses. O que acontece na ciência, e nas artes “em larga escala” e “hoje” não acontece, é uma evolução que apresente uma certa coerência histórica. Tipo, os musicais da Broadway pretendiam repaginar as óperas clássicas, à moda estadunidense, e a cena downtown novaiorquina de teatro pretendia o off Broadway, e depois o off-off. Tudo sempre remeteu-se à um período.
    Minha observação atual é a de que, salvo o que se salva, todos estão apenas tentando sobreviver, e se salvar, e no teatro isso é nítido, seria ridículo dizer que isso não acontece. Estamos há mais de 50 anos hipnotizados, ou sob o efeito de algum saudosismo, de algum procedimento de vanguarda, mas é da vanguarda modernista. Que tudo desconstruiu, como todo o pensamento na segunda metade do século XX foi desconstruído e fragmentado. E hoje? Será que tudo já não foi desconstruído?
    Esses passos para trás que estamos dando, não só nas artes, mas no pensamento, vem sendo tentativas de retomadas de alguma coisa, mas tudo está aos pedaços. Não adianta insistir em dar um passo pra trás e fingir que estamos nos anos 60 70. Estamos tentando terminar com isso, estamos tentando, na medida do possível, reconstruir nossa linguagem, com os cacos que ficaram jogados nestes últimos 50 anos. E se não tentarmos fazer isso logo, não nos comunicaremos mais, possivelmente iremos só tweetar.

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