Todos os posts de Isis Nóbile Diniz

Sou jornalista com pós-graduação em divulgação científica. Cresci em um ambiente de cientistas malucos. Até pensei em ser inventora, mas não deixaria minha outra paixão, o jornalismo. Aqui, combino o útil ao agradável.

Própolis cura dengue

A epidemia de dengue no estado do Rio de Janeiro é a pior da história. Até agora, foram confirmadas 92 mortes devido à doença. É uma situação muito triste, principalmente, porque ela é cansavelmente conhecida, possui tratamento na maioria dos casos e pode ser evitada.
Bom, na internet e em pesquisas a gente acha de tudo. Na Radiobrás, “empresa” de notícias do governo, encontrei uma onde o biólogo Gilvan Barbosa Gama, de Florianópolis, afirma ter constatado que o própolis pode curar a dengue e a malária. “O própolis faz a pessoa eliminar pelo suor uma substância que afasta os mosquitos e ainda cura aqueles que já desenvolveram a doença.” Deve-se tomar 7,5 ml em dose única e durante a crise de duas em duas horas. Para crianças, reduz-se a dose pela metade. Mas, não é qualquer própolis que pode curar as enfermidades. “É preciso que ele esteja na concentração correta, 1kg de própolis para 900ml de álcool de cereais”, disse. Para ler mais, clique aqui.

Incursão: Pedra Roseta

Ísis, Osíris, Hórus… Creio que meu nome influenciou. Desde criança sou fascinada pela história antiga do Egito. Lia e via tudo sobre o tema. Tinha decorado e salteado a vida de cada deus. Por isso, a primeira vez que soube da existência da Pedra Roseta, minha respiração parou por um instante. “Então, foi assim que os pesquisadores descobriram o que significa todos aqueles hieróglifos!?!” Eu estava com menos de 10 anos e conferir de perto a descoberta passou a ser uma aspiração. Depois de muitos turistas e algumas cotoveladas…
No ano passado fui para Londres, conhecer a famosa capital. Claro, era lá, no British Museum, que o pedaço de granodiorito – ou granito negro – estava à mostra. Em um calmo domingo caminhei, pela rua paralela à do museu, observando as casas. Virei a esquina e passei tranqüila entre os leões – que ficam na frente do museu. Sabe quando se está comendo o chocolate preferido pelas beradas, para não acabar logo e saborear com masoquismo? Então. Ao chegar, visitei to-do o British Museum. Peças da Turquia, Grécia, Itália… Até que, enfim, surgiram as do Egito.
Após passar esculturas de faraós, múmias e sarcófagos, observei um falatório e uma multidão em torno de uma peça perdida no meio. Era ela! Andei rápido, hipnotizada, em sua direção, mas o sonho logo se esvaiu. Uma comitiva de turistas japoneses, cada um com uma máquina digital e uma filmadora, captavam cada ângulo (!) da pedra. Para piorar, o guia parou na frente dela com explicações sobre o tema. O que amontoou ainda mais curiosos.
Era impossível passar entre eles, fizeram um cinturão humano. Parecia uma barricada. Se eu me atrevia chegar mais perto… Todos – sério! – todos olhavam feio. Como cara feia, para mim, é fome, aquilo começou a me irritar. O pior era que infinitos grupos de turistas estavam se aproximando. Se com educação não dava… Como no metrô da Sé, às seis e meia da tarde, coloquei a bolsa para frente, segurei a máquina na mão e parti no empurrão e na cotovelada. O resultado… está na foto ao lado!
Obs.: Depois de mim, outros solitários admiradores tomaram a mesma atitude e conseguiram ver o achado. Em seguida, comi uma saladinha no restaurante do lugar.

Palestras sobre genoma

“Duas palestras movimentam a agenda cultural da exposição Revolução Genômica neste fim de semana. Às 15h do sábado (26/04), o parasitologista Luiz Hildebrando Pereira da Silva, do Instituto de Pesquisa em Patologias Tropicais (Ipepatro), de Rondônia, fala sobre o tema “Revolução genômica e saúde pública”. Às 11h do domingo (27/04), o biólogo Carlos Joly, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), faz apresentação sobre “O programa Biota-FAPESP: uma referência para estudos de biodiversidade’.”
A ENTRADA PARA AS PALESTRAS É GRATUITA. Clique aqui e veja a programação realizada pela revista Pesquisa Fapesp em paralelo à exposição Revolução Genômica.

Terremoto!

Eu não senti nada e você? Infelizmente, estava sentada numa confortável poltrona de cinema, vendo uma aula sobre documentário inglês. Nem percebi o terremoto. Mas, “infelizmente?” Pois é, não gosto de tragédias – vítimas ou problemas decorrentes -, mas admiro os fenômenos da natureza. Principalmente, esses que não acontecem com freqüencia no Brasil. Parecem divinos, no sentido literário da palavra.
Segundo os jornais, o terremoto de magnitude 5,2 graus na escala Richter teve seu epicentro no mar, a 270 km a sudeste de São Paulo, perto de São Vicente. Durou três segundos, ocorreu por volta das 21 horas. Em seguida, de acordo com a rádio BandNews FM, algumas pessoas do litoral estavam com medo de tsunami. Perigo, neste caso, descartado por pesquisadores.
Coletei três depoimentos de pessoas que perceberam o tremor. Curioso:
“Estava sentada no sofá, nesta posição (com as pernas esticadas). De repente, falei para meu marido: ‘Nossa, essa mola não é boa (o sofá é novo).’ Ele estava de pé e não percebeu nada. Me ajeitei, mas escorreguei novamente. Reclamei e arrumei as almofadas nas costas. Passou. Depois, vi que o sofá é bom, o problema foi o terremoto.”
“‘Dog, sai debaixo da minha cama!’ Estava deitado na cama vendo televisão, quando ela começou a se mexer. Achei que a cachorra estivesse fazendo bagunça no meu quarto. Quando olhei, ela não estava lá. Logo, parou!”
“Na sala, o lustre começou a se mexer! A fazer barulho e a balançar. Liguei para minha vizinha, ver se no apartamento dela estava tudo certo. Poderia ter sido problema na estrutura do prédio!”
Obs.: Tem gente até vendendo camiseta do terremoto! Links, Internautas fazem corrida para registrar impressões do terremoto, Tem terremoto em São Paulo, Queremos Terremotos No BRASIL.

Virada Científica

Em São Paulo, haverá a Virada Cultural no próximo final de semana. Ou, Virada Científica. Separei algumas atrações do gênero para quem preferir aprofundar seus conhecimentos sobre ciência. Se estarei em algum deles? Não sei. Adoro ciência, mas sou apaixonada por samba e bossa nova. Fiquei entusiasmada com a programação do Teatro Municipal e com o Bloco da Virada… Também, com a promoção de livros do catálogo da Pinacoteca, o jantar do MCB, os cafés literários…
Veja alguns eventos ligados diretamente, ou não, ao tema ciência:
Planetário Aristóteles Orsini
Museu da Língua Portuguesa
Pinacoteca do Estado
FESPSP
Virada das Vampiras
Confira toda a programação aqui. A do Metro, ali. Mais o SESC.
Ah, e aproveite para deixar o carro em casa. Conseqüentemente, a não poluir ainda mais a cidade. O metrô vai funcionar 24 horas. Faça como eu. Entre escolher uma escada ou um elevador, sempre digo: “Quem pode/ precisa gastar energia? Eu, claro. Não Itaipu”.

Calcule o TAMANHO do seu pé

A cada dia mais se fala sobre a “pegada de carbono”. O que seria isso? Trata-se de quanto de dióxido de carbono (CO2) nós produzimos ou “consumimos” por dia. Escovar os dentes, ligar o secador, comprar uma roupa, ir de carro para o trabalho… Pode parecer inconcebível, mas, praticamente, todas as nossas ações corriqueiras poluem a atmosfera terrestre.
Claro que o “vilão” não é apenas o carbono. Saiba que também existe a chamada “pegada ecológica”, que é o cálculo das emissões de vários componentes nocivos ao planeta. Geralmente, instituições especializadas calculam sob encomenda para empresas que queiram poupar o meio ambiente. Se você tem uma empresa, pense nisso. Ou, melhor, clique no site da Carbon Trust para conferir a poluição causada por ela.
Agora, se você se sente pequeno em relação ao universo, experimente somar quão grande é sua existência na Terra. Separei uma lista inédita de sites que possuem a calculadora. Inclusive em português! Cada um usa determinado método. De modo geral, dá para ter uma idéia de como evitar tanta sujeira. Prepare a vassoura…
Em português:
My Carbon Footprint – focado na Europa
Carbono Zero – possui uma apenas de locomoção
Florestas do Futuro – brasileiro do S.O.S. Mata Atlântica
Iniciativa Verde – bem completo
Earth Day – de simples uso, clique no Brasil
Em inglês:
Carbono Neutro
Act On – com desenhos simpáticos, do governo do Reino Unido
The Conservation Fund
MSN
Yahoo
Climate Crisis
The Nature Conservancy
Carbon Calculator
Carbon Footprint
WWF
Climate Neutral Group
Safe Climate
iVillage
Ecological Footprint

U.S. Environmental Protection Agency – sim, dos Estados Unidos

Food Carbon – quanto sua comida polui, com base no Reino Unido
O site oficial da União Européia, Climate Change – versão em português -, explica como cada um pode ajudar a mudar o clima do planeta.

Obs.: Se todos vivessem como eu, seriam necessários por volta de dois planetas para dar conta do recado. Ainda não tenho filhos e nem publiquei um livro, mas já plantei a minha árvore!

60ª reunião da SBPC será em Campinas

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) – criada entre outros, pelo José Reis – faz todo ano uma reunião para discutir temas relacionados ao assunto, apresentar simpósios, etc. A próxima será entre os dias 13 a 18 de julho na UNICAMP, em Campinas (SP). A temática será Energia – Ambiente – Tecnologia. Detalhe: a cidade também foi sede da 1ª Reunião Anual realizada em 1948. As inscrições já estão abertas. Saiba mais aqui.

Mais que a Torre

Quando decidi ir para a Itália, não poderia deixar de fora a torre de Pisa. Poxa, o Galileu pisou lá! Foi do alto dela que jogou uma bala de mosquete e outra de canhão para provar que cairíam juntas. O suficiente para me convencer em ver de perto a famosa.
Como iria passar UM dia na cidade, busquei outras atividades. Afinal, não iria ficar todo o tempo dentro da Pisa. Mesmo porque seria proibido. Conhecidos me disseram que lá não havia mais nada para fazer, era ver a torre, a praça e ir embora. Estavam enganados.
Comprei o ingresso de todas as “atrações” da praça principal: torre, cemitério, igreja e batistério. Lindos, recheados de histórias. Valeu cada centavo – de euro. Porém, especialmente o último me encantou. Tive a sorte de ver uma demonstração que acontece, se não me engano, a cada uma hora.
Do centro do batistério, um homem – que trabalha lá – emana algumas notas sonoras. Com as portas fechadas é possível ouvir à distância de dois quilômetros o que é “cantado” por ele. A acústica é impressionante. O som arrepia. Principalmente, porque o batistério foi construído por volta do ano 1100 d.C. Antigamente, usado nos rituais de… batismo!

USP debate uso dos campi dia 24

Até que enfim… Qual o papel de uma universidade pública? Além de formar os alunos, ela deve atender a sociedade. Afinal, nós “patrocinamos” ela. Pois é… no Brasil nem sempre é bem assim. Mas, parece que uma luz acendeu.
No próximo dia 24 de abril, a partir das 9h, o campus da Universidade de São Paulo, situado na capital, reberá o “Fórum Permanente sobre Espaço Público: a USP e a especificidade de seus campi”. A idéia: promover uma ampla reflexão e discussão sobre o uso, a ocupação e a destinação do campus universitário público, de modo a contribuir para seus processos de governança, conservação e funcionamento sustentável.
De acordo com a assessoria de imprensa: “O Fórum, que prevê encontros presenciais a cada dois anos, pretende contribuir para harmonizar as relações entre os diferentes grupos, que vão dos usuários da comunidade USP, os gestores da Universidade, o entorno social e político, aos cidadãos paulistanos em geral.”
As discussões contarão com a presença de dois palestrantes, o professor da Faculdade de Direito (FD/USP) , Edmir Netto de Araújo, que é doutor em Direito do Estado, com ampla produção científica no campo do Direito Administrativo; e Euler Sandeville Júnior, professor assistente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP), que coordena a Área de Concentração Paisagem e Ambiente, do Programa de Pós-Graduação da FAU, e o Mestrado do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (PROCAM/USP).
A recepção e entrega de material será feita a partir das 8h, no Auditório Francisco Romeu Landi, localizado à Av. Prof. Luciano Gualberto, travessa 3, nº 380, Cidade Universitária, Butantã. O encerramento está previsto para as 17h. O evento será transmitido no endereço www.iptv.usp.br .
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail [email protected] Mais informações pelos tels: (11) 3091-4600/1986/1654.

Pêndulo de Foucault

Em uma manhã de sol, saí do hotel meia estrela em que estava hospedada, em Paris (suspiro). Peguei o metrô na estação Vaneau decidida a conhecer o Panteão. Ou melhor, movida por um desejo mórbido de ver túmulos como de Voltaire, Rousseau, Victor Hugo, entre outras personalidades. Desci em alguma estação, caminhei pelo bairro. Na esquina, uma pequena patisserie chamou minha atenção. Provei os doces mais doces da minha vida. Segui rua acima. Passei por um muro medieval, que delimitava a cidade. Continuei. Avistei a igreja pelo lado esquerdo dela. Ansiosa, entrei em busca dos meus ídolos. Mas, qual foi a minha surpresa ao ver um pêndulo girando sozinho, pindurado no teto mais alto do Panteão! Parei. Não resisti. Por um longo momento esqueci meu objetivo. Fiquei admirando o pêndulo de Foucault que se move de acordo com o movimento da Terra. Colocado ali há séculos. Me senti no dia em que as mulheres de vestidos ornamentados e os homens de cartola se espantavam com o invento. Após minutos de admiração, segui ao fundo da igreja, desci os degraus para ver meus ídolos no subsolo. Depois da meditação ao lado deles, subi rápido as escadas. Sabia o que me esperava. Passei pela maquete da igreja, localizada em uma sala apêndice. Em seguida, andei em direção à saída. Parei novamente em frente ao pêndulo. Incrivelmente, ele girava mais devagar. Lutei contra essa fascinação, para continuar meu roteiro pela capital. Tarde demais. Passei duas horas dentro do Panteão, a tarde maravilhada e até hoje me impressiono com o que vi.