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Você sabia que existe a aurora austral?

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Não vamos cometer a injustiça de sempre desejarmos ver pessoalmente a longínqua aurora boreal. Para quem não sabe, existe a mais-perto-da-gente aurora austral! A aurora boreal é o fenômeno que acontece no norte do planeta – nome batizado por Galileu Galilei em 1619, em referência à deusa romana do amanhecer Aurora e ao seu filho Bóreas, representante dos ventos nortes. Já a aurora austral é o mesmo fenômeno que pode ser observado no Hemisfério Sul, em locais como Nova Zelândia, Austrália, Antártida (claro) e… Argentina! Juro. Dá para ver aurora no nosso vizinho hermano. E você estava, aí, juntando moedinhas para viajar até os países nódicos. Tsc, tsc.

Segundo o Laboratório de Paleomagnetismo e Magnetismo das Rochas do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG/USP), a aurora polar é um fenômeno óptico observado em zonas de maior latitude quando há o impacto de partículas de vento solar e de poeira espacial com a alta atmosfera da Terra (entre 60 km e 100 km acima da superfície terrestre), canalizadas pelo campo magnético do planeta. Assim, como as partículas de vento solar que “batem” na Terra dão origem ao maravilhoso fenômeno, quanto maior a atividade do Sol, maior a chance de vermos a aurora.

Agora que já sabe que existe uma aurora perto de você, vem a fatídica pergunta: “Qual a melhor época para vê-la?” Bom, nos meses de inverno – seja a aurora boreal ou a austral. Isso porque, em latitudes muito altas (mais perto dos pólos) há luz solar quase o dia todo no verão. Aliás, em algumas épocas, o Sol não se põe! Ele desce em um lado do horizonte e já sobe em direção ao outro. Trata-se do famoso “Sol da meia-noite“. A luz solar impede de vermos as luzes da aurora, simplesmente por causa da claridade emanada pelo astro.

Então, se quiser caçar a aurora, prepare-se para passar frio. As auroras são mais visíveis durante a noite e quando o céu está sem nuvens. Agora, tome nota dessa super dica: o Instituto de Geofísica da Universidade do Alasca em Fairbanks, nos Estados Unidos, tem um site que monitora ambas as auroras! A imagem acima, por exemplo, mostra os locais onde será possível ver a aurora austral no dia 11 de setembro (a Argentina está para a esquerda e a Austrália, à direita). No site, há até uma escala de 0 até 9. Quanto maior for o número, mais forte será o fenômeno.

Olhe que espetacular a aurora austral passando pelos países de Madagascar e Austrália em um vídeo feito da Estação Espacial Internacional (ISS) e divulgado pela Nasa:

Se você fosse sincera
Ô ô ô ô Aurora
Veja só que bom que era
Ô ô ô ô Aurora

Conheça os seus músculos!

Fique feliz: você é musculoso! E muuuito! No vídeo acima, uma parceria do Xis-xis com o Aprenda.bio, explico os tipos de músculos que fazem parte do nosso “shape”. Gostou? Veja os outros vídeos sobre biologia em geral no canal Além da Bio. Fui para a academia!

Cadê o aquecimento global com esse frio?

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O aquecimento global pode parecer um bicho-papão que vai te pegar se você não se comportar bem. E é mais ou menos por aí, ao menos, segundo pesquisas científicas. Pesquisas científicas, aquecimento global, quanta coisa difícil! Mas vamos com calma tentar explicar que raios é isso e se ele já está em ação, apesar de ter nevado em Curitiba (PR) – suspiro, tão perto de Sampa… Já se falou tanto em aquecimento global que ele deve fazer parte do inconsciente coletivo.

 

Resumindo a história, o nosso azul planeta Terra já passou por muitos aquecimentos e resfriamentos ao longo dos seus 4,6 bilhões de anos. Como sabemos disso? Devido a algumas evidências contidas, por exemplo, no gelo! De modo geral, quanto mais carbono há na atmosfera, mais isso indica que foram tempos quentes. Uma das maneiras de ver como era o clima da Terra é analisando as bolhinhas de ar contidas nos glaciares – depósitos de gelo. Os cientistas calculam a idade do gelo (muitas vezes, quanto mais profundo, mais antigo) e verificam quanto de carbono tinha naquela época.

 

E o que o carbono tem a ver com o clima do planeta? Ele é um dos gases causadores do efeito estufa (a famosa sigla GEE, gases de efeito estufa). O efeito estufa, de certa maneira, é ótimo. Ele impede que o calor do Sol saia da nossa atmosfera terrestre. Graças a ele, temos um planeta com clima gostosinho para viver. Sem esse fenômeno, talvez, nós nem existiríamos. Tome nota: o problema é que, como era de se imaginar, quanto mais carbono na atmosfera, maior será o resultado do efeito estufa.

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Ao longo dos 4,6 bilhões de anos, ações naturais como as grandes erupções vulcânicas fizeram a Terra esfriar porque impediram a entrada dos raios do Sol no planeta. Alguns pesquisadores acreditam que elas foram as responsáveis pela extinção, inclusive, dos dinossauros! Como as coisas parecem ser cíclicas neste planetinha perdido no universo, o clima da Terra voltou a esquentar. E, assim, a Terra seguiu vivendo.

 

Como eu disse acima, parece que o calor na Terra tem relação direta com o nível de carbono na atmosfera. Uso a palavra “parece” porque, em ciência, conforme os pesquisadores vão estudando, mais peças acham para montar o quebra-cabeça da vida. Já faz um tempo (mais de três décadas) que os pesquisadores têm notado, com base em medições, que a temperatura de alguns lugares ficou mais quente. Por quê?

 

Vamos juntar as peças. Principalmente, desde a Segunda Revolução Industrial, quando o petróleo foi “descoberto” como fonte de energia, o planeta tem aquecido mais. Antes dessa exploração, o petróleo estava quietinho lá nas profundezas da Terra (às vezes, nem tão fundo assim, apenas poucos metros da superfície do solo). A gente aprende na escola que o petróleo foi, um dia, os dinossauros. Sabe-se que ele é de origem orgânica e composto por moléculas de carbono (rá) e de hidrogênio.

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Agora, nós, seres humanos, mandamos ver em queimar petróleo. Queimamos para fazer indústrias funcionarem, para carros andarem, para aviões voarem. Essas moléculas de carbono vão para a atmosfera. Para piorar, a gente tem desmatado sem dó as nossas maravilhosas florestas. As árvores retém carbono, principalmente, durante o seu crescimento. Uma árvore da Mata Atlântica absorve 190 quilos de carbono, aproximadamente. Quando a gente desmata e, pior, queima essas árvores, aumenta a concentração de carbono na atmosfera. Lembra-se que, quanto maior a concentração de carbono na atmosfera, mais o planeta era quente? Matada a charada! Com base em estudos, estudos e mais estudos, os pesquisadores do famoso Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) projetam quanto o clima do planeta ficará mais quente.

 

Aí, é aquela bola sem neve. Quanto mais aumentar o clima do planeta, mais os gelos nas regiões frias da Terra vão derreter. Essa água correrá para o mar, que ficará mais alto. Mais alto, ele alagará cidades litorâneas (onde vive a maior parte da população do Brasil, se não me engano) e acabará com ilhas. Milhões de pessoas ficarão sem casa. Os fenômenos como furacões serão mais frequentes e mais fortes. É tipo a anunciação do fim do mundo. Fim do mundo para nós e para outros seres vivos. Porque a Terra, meu bem, esta seguirá seu movimento de translação em volta do Sol normalmente. Talvez, o eixo de rotação seja alterado, como aconteceu quando houve o terremoto que atingiu o Japão em 2011.

 

Bom, agora, voltando à pergunta do título. Sim, São Paulo teve o dia mais frio dos últimos 50 anos. Apesar da friaca nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, os últimos invernos têm tido as temperaturas altas mais altas das últimas décadas. Portanto, está frio, mas o aquecimento global bate a porta. E, muita gente me pergunta: as chuvas fortes do verão, os ciclones, os furacões que acontecem agora são culpa do aquecimento global? Minha resposta sempre a deixa desanimada: “Não podemos afirmar”. Científicamente ainda não podemos dizer que os eventos extremos que acontecem neste momento são culpa do aquecimento global. Pode ser que sim, pode ser que não. O fato é que fenômenos naturais são inevitáveis, mas as tragédias que eles causam podem ser evitadas. Pense nisso.

Dica: O excelente fotógrafo James Balog, especializado em natureza, reparou que alguns glaciares pareciam encolher. Aí, o cara teve a genial ideia de fotografar cada minuto de geleiras nos Estados Unidos, Groenlândia, entre outros lugares durante três anos. A saga rendeu o documentário “Chasing Ice“. Ele conseguiu captar a maior ruptura de gelo já filmada. Um bloco do tamanho de Manhattan, em Nova Iorque, se desprendeu fazendo um barulho ensurdecedor. O documentário poderia ser melhor, peca por se centrar muito na figura do fotógrafo e não no aquecimento global em si, deixando de explorar dados colocados interessantes e imagens maravilhosas. Mas, se você se interessa pelo tema, vale a pena. VEJA OS INCRÍVEIS VÍDEOS DOS GLACIARES AQUI.

Obs.: As fotos foram tiradas, respectivamente, na África do Sul, no Chile e na divisa de São Paulo com Minas Gerais.

Parto normal ou cesárea?

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Emily Cahal/ SXC.hu

Vou fazer uma pausa nas discussões sobre as manifestações aqui no blog para falar de outro assunto atual ao menos na minha timeline do Facebook: partos. Muitas amigas minhas estão grávidas ou tiveram filhos recentemente. Além das fotos dos bebês lindos e dos barrigões redondões, vez ou outra as conversas faceboquianas acabam em parto. Ouço muitas dúvidas e até ideias equivocadas sobre o assunto. Por isso, gostaria de ajudar as mulheres a debaterem a importância de um parto normal e saberem quando a cesárea é necessária.

De modo geral, a cesárea é uma cirurgia indicada quando a mãe ou o bebê correm risco em um parto normal. Alguns exemplos de indicação: quando o bebê “não vira”, está com a bundinha para baixo (isso porque, geralmente, o maior diâmetro do corpo do bebê é a cabeça, assim, pode ser que ele fique entalado com metade do corpo preso); quando a mãe não tem dilatação suficiente para o bebê sair; ou, quando há o sofrimento fetal (o ritmo cardíaco do bebê é instável, ele faz cocô dentro da barriga da mãe, etc).

Na maioria dos países desenvolvidos, o parto normal é feito quando não há esses riscos – leia o texto a epidemia da cesárea. E, por que o sistema de saúde deles prefere o parto normal? Além de ser mais barato por lá, ele traz muitos benefícios para a mãe e para o bebê. Abaixo, listo algumas dessas vantagens baseadas em pesquisas científicas para ajudar a desmitificar esse tipo de parto. Quando há a opção de escolha, por que não ser favorável ao parto normal – ou parto natural, se preferir (aquele em que se faz a menor intervenção possível como não anestesiar a mãe)?

Seguem algumas observações sobre o parto normal (se quiser saber mais, clique nos respectivos links):

Vale ressaltar que as condições da mãe e do bebê devem ser avaliadas pelo médico durante o acompanhamento da gravidez e, claro, durante o parto. Essa acesso a médicos e a recursos de qualidade garantem um parto mais seguro, seja normal ou com acesso necessário à cesárea. Tendo esse apoio, cuide da sua saúde para ter um parto e um bebê saudável e… Parabéns!

Obs.: Não sou médica. O que escrevo é de acordo com relatos de médicos, com o que li e com o que apurei para fazer matérias sobre o tema. Portanto, doutores, me corrijam se eu estiver errada.

Divulgação científica: concorra a três bolsas de curso!

bannercurso copyBem amigos do Scienceblogs, vou dar um curso sobre como escrever sobre ciência e meio ambiente focando diversas mídias! Já palestrei algumas vezes, mas essa será a minha primeira vez oficial como “professora”. Estou preparando o conteúdo com muito carinho e vou buscar passar o meu conhecimento nesses 15 anos de jornalismo (sim, escrevo para jornais desde adolescente!), entre eles, cinco anos cobrindo o tema. Espero que gostem!

O curso será ministrado no dia 8 de junho, sabadão inteiro. Ele custa R$ 120. Quem quiser, pode participar do sorteio de três bolsas integrais que está rolando AGORA! Cadastre-se aqui e boa sorte! Mais informações sobre o curso estão disponíveis na página do Aprenda.bio. Olhe o programa:

– O que é divulgação científica;
– História da divulgação da ciência no Brasil;
– Qual a percepção pública da ciência;
– Quais linguagens empregar para divulgar a ciência;
– Como usar técnicas de redação do jornalismo para divulgar a ciência;
– Qual linguagem empregar para cada veículo de comunicação;
– Como divulgar a ciência utilizando as redes sociais;
– Exercício em aula para colocar em prática as técnicas aprendidas.

Beijão e vejo vocês na aula! Quem não puder vir, pode contar comigo para palestras presenciais ou on-line (não é uma ideia?)!

Qual a importância do polegar opositor

Claro que você já reparou que um dos dedos das mãos está praticamente de frente aos outros. Agora, alguma vez se perguntou a importância dessa característica do corpo humano? Descubra no vídeo acima que nós não somos os únicos com essa particularidade e agradeça à evolução por ser um homo sapiens!

 

Obs.: Este vídeo foi produzido em parceria pelo Xis-xis e pelo Aprenda.bio. Conheça o nosso canal Além da Bio no YouTube!

O maior cânion da América Latina

O Rio Grande do Sul e Santa Catarina guardam uma formação geológica incrível: um cânion de 720 metros de altura que desce praticamente em 90 graus até o nível do mar. Você tem noção da altura? Os paredões são tão grandes, mas tão grandes que não dá para descrever a sensação de estar na ponta do despenhadeiro. Para você ter uma ideia, a famosa Cachoeira da Fumaça, localizada na Chapada Diamantina (BA), tem apenas 380 metros. Portanto, os cânions do Parque Nacional Aparados da Serra têm quase o dobro da altura! As formações podem ser vistas até do avião que decola de Porto Alegre para São Paulo (pena que minhas fotos tiradas lá do alto não ficaram boas).

Inúmeros cânions fazem parte do parque, cada um com uma característica própria – de alguns deles, inclusive, dá para ver o mar a 20 quilômetros de distância. Eles foram formados há mais ou menos 135 milhões de anos, quando os continentes começaram a se separar. O parque, mais novinho (hehehe), foi fundado em 1959. Mesmo assim, é um dos mais antigos do Brasil. Atualmente, ele passa por algumas mudanças. Terras para pastagens de antigos proprietários na região, onde ainda é possível ver alguns gados, estão virando parque.

O mais incrível nessa história toda é que, apesar da grandiosidade do local, poucos brasileiros o conhecem. Quando estive lá no carnaval deste ano, o número de gringos era o mesmo que o de tupiniquins. Olhe, se você está atrás de maravilhosas paisagens e um destino barato, não deixe de conhecer o parque. O melhor jeito de visitá-lo é via Cambará do Sul (RS). Indico ao menos quatro dias para curtir sussa cada trilha, cada barulho do vento, cada cheiro de araucária e cada despenhadeiro – claro! Se precisar de dicas, só escrever nos comentários que darei!

E seja gigantemente feliz!

Cuidado: arqueólogos trabalhando

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Toda vez em que passo pela região do Largo de Pinheiros, próxima à estação Faria Lima do Metrô (na cidade de São Paulo), fico curiosa em saber o que tanto escavam atrás daquelas placas de proteção – coisas que só percebe quem anda a pé, e não de carro. Várias vezes vejo algumas pessoas com água na mão, mochila nas costas, chapéu de tecido bege ou capacete branco nos quais se leem a palavra: “Arqueologia”. Uniforme diferente dos macacões dos operários.

 

Há mais de um ano, lembro-me de ter lido que as obras atrasariam um pouco mais porque acharam algumas peças arqueológicas, mas as matérias sobre o assunto nunca diziam com detalhes que tipo de peças eram, em quais condições estavam ou quais as esperanças dos arqueólogos. Aliás, dizem as “más línguas” que a maioria das empresas envolvidas com obras do tipo não gosta quando encontra resquícios arqueológicos. Afinal, nestes casos, obrigatoriamente a obra deve parar para começar a pesquisa – leia aqui uma matéria bacana, da Pesquisa FAPESP, sobre escavações no porto do Rio de Janeiro.

 

DSC00740A curiosa de plantão, aqui, se delicia com essas pesquisas. Não é fantástico escavar um quintal e encontrar resquícios de alguém que viveu no mesmo lugar que você? Portanto, semana passada não resisti. Parei em frente a um dos locais que estavam sendo escavados e vi um rapaz com o capacete mágico escrito “Arqueologia”. Como uma típica conversa informal que antigamente travávamos na rua com desconhecidos, ação cada vez mais incomum, falei “olá” para o arqueólogo e perguntei: “Tudo bem? Olhe, estou super curiosa, já encontraram bastante peça interessante aí?”.

 

Gente boa, o arqueólogo contou que, em épocas de chuva, antigamente o rio Pinheiros chegava até aquela região – isso explica a areia preta, bem típica de rio e ótima para adubo, debaixo dos nossos pés (foto logo acima). Quase peguei um punhado para colocar nos vasos das minhas plantinhas! Como lá era uma área alagável, quase um pântano, algumas peças não sobreviveriam à umidade. Por enquanto, ele disse que encontraram fragmentos na casa do milhar (se não me engano, mais de 110 mil).

 

A maioria das peças, inclusive as mais inteiras, eles acreditam que sejam de cerca de 1890 e 1950. São louças como pratos, um até com a suástica nazista e tanques pintados (!), garrafas de leite antigas, entre outros. Segundo o arqueólogo, ainda é necessário analisar a idade de cada objeto encontrado para ter certeza e aferir mais informações. Eles também encontraram ossos de animais, ainda não se sabe ao certo qual animal e de que época. E descobriram que, em uma ruela, a galeria de esgoto é de 1950.

 

Eu adoraria ver as peças, mas conforme são encontradas, elas são encaminhadas para estudo, claro. Questionei o que farão, depois, com elas: “Acredito que serão realizadas mais pesquisas sobre elas e doadas a museus”. Aí, o grand finale: “Dizem que uma tribo indígena, lá pelos idos do ‘descobrimento do Brasil’, vivia bem aqui no local. Vocês já encontraram algo sobre ela?”. O olhar do arqueólogo encheu de brilho: “Nós estamos buscando, mas devido ao tipo de solo, não sabemos se haverá algo preservado”. Voltar ao passado é sonhar.

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Obs.: A obra de reforma da região começou em 2007 (!), saiba mais sobre o projeto nesta matéria publicada na Folha de S. Paulo. Ah (suspiro), essas escavações me lembraram de Roma. Quando estive lá, em 2007, a obra de extensão do Metrô estava parada porque eles encontraram mais resquícios dos antigos impérios. <3 Em Roma, eu também coloquei o cabeção sobre os tapumes para ver, claro! Aliás, até peguei um ônibus na área para observar as escavações do alto!

 

Como ler um artigo científico ou…

O que esse cientista está falando?

Este post é uma participação especial feita pelo meu irmão Gabriel Nóbile Diniz, que também é engenheiro químico e nerd – veja o canal dele no YouTube. Ele dá dicas para quem tem acha complicado entender um artigo científico. É uma luz no começo do túnel:

Geralmente, quando a gente lê uma notícia científica, sempre começamos pela frase: “Cientistas descobrem que (…)”. E um jornalista descreve aquilo que o cientista estava tentando dizer, de uma maneira que podemos compreender. Mas, quando isso parece absurdo, o que a gente faz é coçar a cabeça e pensar: “Será que o cientista ficou louco? Será que o jornalista ficou louco? Será que EU fiquei louco?”.

Eu vi isso acontecer a alguns anos atrás. Um primo meu teve esse problema e resolveu mandar para várias pessoas uma postagem de um blog em inglês. O título dizia algo como: “Gravidade é um efeito e não uma Lei”. Para ajudar, havia um desenho com vários objetos e pessoas flutuando. Como se não bastasse, traduzindo rapidamente uma frase da postagem, o autor afirmava: “Enquanto outros (cientistas) acreditam que ele está certo e é um argumento trivial”. Não existe gravidade… Será que eu enlouqueci e esqueceram de me internar?

Na verdade, a postagem do blog não dizia em nenhum momento que a gravidade não existe. E que as pessoas não estão de forma ilusória presas ao chão. Porém, é a reação que temos ao ler a postagem.

Isso pode acontecer ao ler uma postagem científica, uma má interpretação da nossa parte ao ler uma notícia. Quando isso acontece, nos sobra procurar na internet (as ferramentas de busca conseguem achar!) os artigos científicos. No caso dessa notícia em questão, encontrei o artigo no site: http://arxiv.org/abs/1001.0785 Aí, nós lemos o artigo pensamos: “Hum… não entendi nada… E, para ajudar, está em inglês técnico-científico… Acho que vou procurar outra coisa para fazer”.

Eu posso ajudar vocês com a parte da ciência. Vou usar o artigo como referência, mas de uma forma que não será necessária uma leitura de um texto em inglês, ok?

O artigo científico começa como um livro. Ele tem título, o nome dos autores e o local em que foi escrito. Em um livro comercial, o local é uma editora. Em um artigo científico, uma faculdade ou universidade. É importante para o cientista, como para um autor de livro, dizer que ele foi quem escreveu, pois quer ser reconhecido por isso e quer que as pessoas saibam que podem esperar dele, livros ou artigos da mesma qualidade. Nada mais natural.

A faculdade é tão importante quanto a editora. Com o tempo, nota-se que assuntos interessantes e a qualidade boa que se deseja pode não vir apenas de um cientista/autor, mas de outros abraçados pela faculdade/autor.

Um artigo científico e um livro terão um resumo (está escrito no artigo em inglês como “abstract”). Ele é mais ou menos assim: “Esse é o assunto que iremos tratar. Se interessar continue lendo!” A diferença está naquilo que é dito no resumo: o de livro não conta o final. Sem estraga-prazeres! Já no artigo científico, a conclusão está no resumo. Outra diferença interessante é que na maioria das linguagens, haverá um resumo na linguagem nativa e em inglês.

Geralmente, o resumo basta para a gente entender o assunto. Só que nesse artigo específico temos a seguinte frase, traduzindo rapidamente: “Em que o espaço é emergente sobre um cenário holográfico”. Não ajudou! Vamos ter que ler o artigo inteiro para entender? Geralmente, não.

Temos no artigo uma introdução que “ambientaliza” o cenário. A introdução pode conter: “Eu era um fazendeiro, cuidando de minha horta”. Então temos, ali, uma região rural como cenário. No artigo que temos de exemplo, a primeira frase é: “De todas as forças da Natureza, a gravidade é a mais universal”. Então o que ele está dizendo é que vai falar sobre como a gravidade é vista há tempos. Não precisamos ler tudo, mas lendo por cima a introdução (pulando muito mesmo) vemos os nomes de Newton e de Einstein, além da frase, “geralmente, holografia é estudada na visão da relatividade”. Assim, dá para deduzir que ele quer pegar a visão antiga da gravidade e dar uma nova visão, com as ciências modernas.

Ciências que quase ninguém entende. Relatividade? Está brincando comigo…

Ok, sem problemas. Existem muitos que falam de relatividade, mas nem será necessário entendê-la para ler o artigo. Em seguida, o artigo aborda a força entrópica, as leis da inércia, a força elástica, várias e várias situações. Não desista! Alguma resposta está por vir! Pule a parte da explicação e vá para próximo do final!

Conclusão e Discussão… é isso! É aqui que a verdade é dada! Ambos são equivalentes ao epílogo do livro, onde tudo é explicado e detalhado! Se você quer uma resposta, lá teremos! Assim, lemos no próximo subtítulo (6.1): “O fim da Gravidade como uma força fundamental”.

Em nenhum momento o artigo fala que a gravidade não existe. Em nenhum momento o jornalista afirma que o artigo fala que a gravidade não existe. A intenção original do nosso prezado cientista é dizer que a gravidade é uma força. Mas não uma força fundamental. Ele disse que o tipo de força é que muda. Ele estava apenas falando da ORIGEM da gravidade! E não que as coisas flutuam pelo espaço.

Uma mancha vermelha no mar

Nesse fim de semana, os lindos céu e mar azuis pincelado por golfinhos em São Sebastião foi coberto por densas nuvens cinzas. O vento que trouxe essas nuvens agitou o oceano e carregou mais surpresas para perto da areia: uma mancha vermelha na água. Minutos antes, uma tartaruga morta foi encontrada ainda sangrando na praia. “Não é possível que toda essa mancha seja o sangue da tartaruga”, pensei. “São algas”, concluiu o grupo com o qual conversava.

 

Claro que, curiosa, entrei na água até acima do joelho para ver de perto (sem mergulhar). Nem sei se faz mal para a saúde, mas não resisti. Incontáveis algas avermelhadas de vários tamanhos boiavam lado a lado forrando o mar perto da praia com sua cor vermelho-coral alarmante (clique nas imagens para ampliar). Até deixei de sentir frio causado pelo vendaval que varria a parte da pele molhada exposta para fora da água. Fiquei ali admirando “a união faz a força” daqueles pequenos seres por alguns minutos. Saí fedida – geralmente, alga exala um cheiro forte.Algum biólogo saberia dizer se esse é o fenômeno conhecido por maré vermelha (proliferação excessiva de algumas espécies de algas tóxicas que pode ser causada, entre outros, pela poluição do mar)?

Boa colorida semana!