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Ainda verei o homem – melhor, uma mulher – pisar em Marte?

Sol2179B_P2585_L256atc_br.jpgEscrevi uma matéria sobre a possibilidade dos humanos irem até Marte, há um ano e meio. Na época, os entrevistados estavam otimistas. A Agência Espacial Européia (ESA) e o Instituto Russo de Problemas Biomédicos (IBMP) divulgavam inscrições de voluntários para participar de uma simulação de vida em Marte. A Nasa, por sua vez, dizia que mandaria mais “robôs” para o Planeta Vermelho, para continuar investigando o local.
Hoje, com o cancelamento feito pelo presidente dos EUA, Barack Obama, da missão elaborada pelo seu antecessor Bush – leia aqui um resuminho da história -, tenho lá minhas dúvidas. Será que estarei viva quando o homem – melhor se for uma mulher – pisar em Marte? Aliás, será que viajaremos até lá?
Tem gente que deve achar que ir até Marte é jogar dinheiro fora. Não. Chegar ao solo marciano trará muitas descobertas científicas, novas possibilidades de horizontes e novidades tecnológicas – para viver tanto tempo no espaço em terras vermelhas, teremos que elaborar muita tecnologia nova. Aliás, veja o que já foi inventado aqui. Só para constar: a sonda Phoenix demorou dez meses para chegar até o planeta vizinho.
Os otimistas dizem que, sim, eu verei a proeza. Hoje em dia, vou colocar minhas esperanças na ESA, Agência Espacial Federal Russa e na Agência Espacial Chinesa (CNSA), que mandou um chinês para o espaço em 2003. Apesar que, pensando bem, a Nasa não gostará de ficar para trás. Numa viagem tão longa, será necessário, mesmo, o esforço de todos juntos.
Enquanto a discussão – e minha dúvida – permanece, deixo meu apelo: se quiser enviar alguém para fora da Terra, lembre-se de mim! Adoraria passar uma semaninha de férias na Estação Espacial Internacional (ISS). Ao menos, tiraria fotos e postaria no Twitter em português. Não em japonês, como o astronauta Soichi Noguchi escreve – “leia” aqui!

O que acontece quando a mãe fuma na amamentação?

Durante o aleitamento materno, a mãe que fuma fica com o leite contaminado pela nicotina, que é absorvida pelo bebê, prejudicando o sono e aumentando a incidência de cólicas, náuseas, vômitos e agitação. A informação é da pediatra Sônia de Lourdes Liston Colina, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos. “A nicotina tragada pela mãe atinge rapidamente o sistema nervoso central determinando alterações na circulação fetal, dificultando as troca gasosas e a passagem de nutriente para o feto”, explica a especialista.
A alteração do sono do bebê está ligada à quantidade de cigarros consumidos pela mãe. Pelo menos cinco cigarros por dia já são capazes de diminuir a quantidade e qualidade do sono da criança. “A criança que dorme pouco, em geral, torna-se mais desatenta e na fase escolar pode vir a ter prejuízos no aprendizado. A nicotina também interfere na produção do leite e no ganho de peso dos bebês”, alerta a médica.
A orientação é para que aconteça a interrupção total do fumo durante a gestação e amamentação. Mesmo assim, o aleitamento materno deve ser mantido mesmo em casos de mães fumantes que não conseguem parar, pois a amamentação previne infecções em geral e inclusive problemas respiratórios.

Cientistas descobrem um sexto paladar: a gordura!

Os pesquisadores Russell Deakin Keast e Jessica Stewart, da Deakin University (Austrália), em parceria com colegas australianos e neozelandeses descobriram que os humanos podem detectar um sexto sabor: o da gordura. Eles também perceberam que as pessoas com alta sensibilidade ao gosto da gordura tendem a comer menos alimentos gordurosos. Logo… elas têm menor probabilidade de serem obesas. Os resultados da pesquisa foram publicados na edição do dia três do British Journal of Nutrition.
Deve ser por isso que minha mãe é magra… E confesso que não gosto de comidas pegajosas de tanta gordura! O cientista Keast conta: “Nós sabemos que a língua humana pode detectar cinco sabores – salgado, doce, azedo, amargo e umami (gosto “saboroso” identificado em alimentos ricos em proteínas)”. “Com nosso estudo, podemos concluir que os seres humanos sentem um sexto sabor, a gordura”, afirmou.
Como faz?
A equipe fez uma triagem. A ideia era testar a capacidade das pessoas em saborear vários ácidos graxos comumente encontrados nos alimentos – em geral, em gorduras e óleos. Assim, os cientistas checaram que cada pessoa sente mais ou menos o gosto da gordura. Também perceberam que quem é mais sensível ao gosto consome menos alimentos gordurosos e são mais magrinhos.
Agora, eles querem entender o porquê dessa sensibilidade. Desse modo, esperam ajudar as pessoas a comerem menos gordura. Uma luz no fim do túnel: “Como as gorduras são comumente consumidas, com o tempo pode ser que nosso paladar se sensibilize. Fazendo com que algumas pessoas fiquem suscetíveis aos alimentos gordurosos”, explica. Para ler o artigo, em inglês, clique aqui.

Veja o debate sobre blogs de ciência da Campus Party

É o seguinte. Tive uns “pobreminhas” aí – como diz meu pai, quem tem um “pobrema” tem dois “pobremas” – que me afastaram do meu hobby e minha paixão preferidos: escrever no Xis-Xis! Mais forte do que nunca, “vortei” marcando meu território.
Bem, lembra daquele post em que disse que participaria de uma discussão sobre blogs de ciência na Campus Party? Entonces, o debate foi ótimo e bem humorado!
Sinto que demos um passo à frente. Saímos dos debates sobre, por exemplo, a qualidade de blogs de área que ocorreram no I Encontro de Weblogs Científicos em Língua Portuguesa (EWCLiPo, em 2008). Para… Se quiser saber, sugiro que confira o vídeo abaixo! Ele é grande, mas se tiver um tempo para dar uma forcinha, fico agradecida:

Nosso Raio-X, blog que revela os bastidores do ScienceBlogs Brasil, também postou o vídeo. É isso aí minha gente. Vamos em frente.

Fotografia: Micro x Macro

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Nunca mais esqueci uma série imagens – seria uma exposição? – da nossa natureza microscópica comparadas com o universo macroscópico lá do céu. As formas se repetiam. Como é possível? Não dava para distinguir o que era micro do que era macro.
Pena que não lembro onde vi essas fotos. Mas tenho lindíssimas sugestões para comparar os “dois mundos”. Tem um tempinho para viajar nas psicodélicas fotos microscópicas e macroscópicas que não são captadas a olho nu?
Neste link da Universidade do Estado da Flórida, Estados Unidos, podemos ver – de pertinho – fotos do DNA, de moléculas, de materiais. É genial. Veja aqui, por exemplo, imagens em zoom de cervejas! Neste outro link, você pode até comprar um calendário de 2010 da empresa Nikon que celebra os 35 anos de excelência na fotografia feita pelo microscópio.
E fotos do macro? O telescópio Hubble vai se aposentar – está velhinho para a tecnologia -, mas guarda esta galeria fantástica. Devo a ele horas pasmando em torno das estrelas. A Nasa também possui inúmeras galerias. Há uma que é atualizada a todo momento com as imagens mais interessantes do universo no dia. Clique aqui, para conferir.
Suspiro. Como diz o ditado, é verdade. Muitas vezes, uma imagem vale mais que mil palavras.
Pegadinha da Isis: O que é micro e o que é macro nas fotos do post? Confira, aqui e ali, as respostas.

Bola de cristal: veja o futuro da ciência até 2030

O Centro de Gestão e Estudos Estratégicos do Ministério da Ciência e Tecnologia (CGEE/MCT) produziu uma linha do tempo com previsões de avanços na ciência, tecnologia e inovação até 2030. A linha não é das mais atraentes visualmente, mas deveras interessante porque os dados são acompanhados das fontes!
A base de dados prevê, por exemplo, que as baterias de celular durarão dois meses entre uma recarga e outra em 2012. Em 2027, o número de mulheres nas universidades deve superar o dos homens – he he.
Segundo o site, no ano de 2020, o Brasil perderá R$ 7,4 bilhões em safras de grãos por causa do aquecimento global. Ainda assim, em 2030, a demanda por petróleo no mundo continuará alta, em particular no setor de aviação.
O horizonte temporal da sucessão de eventos previstos é de 2009 a 2030. A abrangência espacial é definida pelas dimensões nacionais e internacionais de observação. Xerete aqui.

Por que está chovendo tanto?

Não é culpa do aquecimento global. Ao menos foi o que três meteorologistas me disseram em pré-entrevistas – para a televisão a gente entrevista a pessoa por telefone antes de falar, pessoalmente, com microfone. Eles disseram que não dá para afirmar que as chuvas de hoje já são consequência do aquecimento global. Mas eles têm certeza de que a “culpa” é do danado “El Niño”.
De acordo com o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), o El Niño é um fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no oceano Pacífico Tropical – na altura da Linha do Equador. Esse aquecimento pode afetar o clima global mudando os padrões de vento. O que, por sua vez, atinge os regimes de chuva das regiões tropicais.
Resumindo de maneira bem simplista, a água do mar aquece lá no Equador. Forma nuvens. O vento empurra elas para cá. E, aqui no Sudeste, elas nos molham. Mas… nem sempre foi assim. O El Niño já deixou o clima do Sudeste equilibrado.
Segundo alguns pesquisadores, talvez por ter chovido muito lá no Norte do Brasil no início do ano passado – lembram-se das inundações? – há mais águas para evaporar. E vir parar aqui no Sudeste. Assim, cada vez que aparece, sua intensidade pode ser diferente.
O El Niño pode ocorrer entre 3 e 7 anos. E, ter duração de um ano. Por isso muitas águas ainda irão rolar. Para entender melhor o fenômeno, apesar da linguagem técnica, encontrei uma animação no site do CPTEC. Veja aqui.
Bom, o fenômeno foi batizado como El Niño pelos pescadores do Peru e do Equador em referência ao Niño Jesus – ou Menino Jesus. Isso porque as águas ficam mais quentes nesses países perto da época de Natal. Agora, sabendo disso, deixemos o aquecimento global para outra conversar de bar. Fui tomar chuva!

A ciência por trás da TV

3219352526_5f2fc6073a.jpgAtualmente, estou trabalhando no fantástico mundo da televisão. É incrível a força e o alcance que a TV tem. Basta lembrar da pesquisa do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel). Ela constatou que cerca de 98% dos lares brasileiros contam com ao menos uma televisão. Desses, 2% não possuem geladeira.
E “fazer televisão” é indescritível. As imagens completadas pelos textos apenas, às vezes, pedem uma música. A imagem em movimento é forte. Tente lembrar de algo que viu na TV quando era pequeno… Inesquecível, a televisão.
Mas quem fez, literalmente, televisão foram os cientistas. Um inventou um treco, outro um barato e, ao final, nasceu o iconoscópio! Não sabe o que é isso? O fazer televisão resume como funciona a ciência. Uma peça que se encaixa na outra até podemos ver seu brilho. Acompanhe a história – científica – da TV comigo:

  • 1817 – O químico sueco Jakob Berzelius descobre que uma corrente elétrica modifica o elemento químico selênio;
  • 1838 – O pintor, editor e inventor americano Samuel Morse – hã, hã – pesquisava o eletromagneto – a “coisa” se magnetiza por meio da passagem de uma corrente elétrica. Um belo dia, com isso, ele inventou o telégrafo;
  • 1873 – O telegrafista irlandês Joseph May resolve melhorar as transmissões telegráficas prejudicadas pelo enfraquecimento dos sinais. Viu que o selênio transmitia os impulsos elétricos com maior intensidade dependendo da sua exposição à luz. Era o princípio da célula fotoelétrica – conversão de luz em corrente elétrica;
  • 1879 – O americano Thomas Edison lidera um grupo de pesquisadores que testa um filamento de papel carbonizado que brilhava por dias. Daí… inventou a lâmpada! Que mais tarde evoluiu para válvulas de televisão;
  • 1880 – O inventor francês Maurice Leblanc criou um sistema que projetava uma imagem atrás da outra. Assim… elas pareciam se movimentar;
  • 1884 – O estudante alemão Paul Nipkow criou um transmissor mecânico. Tratava-se de um disco de ferro com furos eqüidistantes dispostos em espiral. Ao girar o disco, a imagem de um objeto era quebrada em pequenos pontos. Mas, se a velocidade do giro fosse alta o suficiente, a imagem exposta atrás dos buracos voltaria outra vez à forma original;
  • 1884 – No mesmo ano, o físico alemão Heinrich Hertz – hã – prova a existência de ondas eletromagnéticas. E, ainda, que elas podem ser medidas;
  • 1901 – O italiano Guglielmo Marconi constrói um aparelho que codifica as ondas eletromagnéticas em sinais elétricos. O princípio do rádio. Mas há quem conteste. O gaúcho Padre Roberto Landell de Moura teria, três anos antes, inventado o rádio. Acontece que sofreu muito preconceito – saiba mais aqui;
  • 1901 – O russo Boris Rosing pesquisa tubos de imagem;
  • 1920 – O americano Charles Jenkins cria um disco perfurado que captava e transmitia imagens. Enquanto isso, o inglês John Lodgie Baird conseguiu o mesmo feito;
  • 1923 – O russo naturalizado americano, Vladimir Zworykin, inventa o iconoscópio – um tubo a vácuo com uma tela de células fotoelétricas. Quatro anos depois, transmite imagens a uma distância de 45 quilômetros trabalhando para a Radio Corporation of America (RCA). Na mesma época, John Baird faz uma demonstração de transmissão de imagem na Inglaterra. A British Broadcasting Corporation (BBC) o contrata;
  • 1931 – A RCA tem sua antena e os estúdios da National Broadcasting Corporation (NBC), no ultimo andar do Empire State, em Nova York;
  • 1935 – a França constrói sua antena no alto da Torre Eiffel;
  • 1936 – A BBC transmite a coroação do rei Jorge VI.

A partir de 1940, a TV se firma com sistema totalmente eletrônico. Em 1953, a imagem é enviada “a cores”. Em 1962, o satélite Telstar I permitiu a primeira transmissão, experimental, entre os Estados Unidos e a Europa – “ao vivo”. Para o Brasil, a primeira transmissão ao vivo se deu em 20 de julho de 1969. O que aconteceu nesse dia? O homem pisou na Lua. Quem viu, não esquece.
Obs.: Quer ver uma transmissão com minha matéria? Clique aqui. Lembrando que, sábado às 10: 30 h da manhã, participarei de um painel sobre blogs de ciência na Campus Party. Transmissão ao vivo e a cores, aqui. O texto escrevi com base no livro “O Texto na TV”, da jornalista Vera Íris Paternostro, Editora Campus.

Primeiro prêmio de física!

Este post é voltado aos físicos e amantes da área. O Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) – dê uma olhada na revista de divulgação científica deles – abriu inscrições para a primeira edição do Prêmio CBPF de Física. Ele será concedido a um pesquisador que não pertence à instituição e, claro, que tenha realizado trabalho científico de excelência na área.
Ricardo Galvão, diretor do CBPF, disse que que ideia da premiação instituída na celebração do sexagésimo aniversário do instituto, em outubro: “É reconhecer descobertas e desenvolvimentos singulares que tenham impulsionado o conhecimento na área de física. Por essa razão o Prêmio CBPF não será concedido para coroar cientistas pelo conjunto da obra, mas sim para reconhecer trabalhos e pesquisas seminais”.
Os candidatos – nesta primeira edição patrocinado pela empresa Lasertools Tecnologia Ltda – deverão ser indicados por cientistas reputados na comunidade científica até 19 de março. As indicações serão analisadas pela Comissão do Prêmio, integrada por cientistas indicados pela Sociedade Brasileira de Física (SBF) e pelo Conselho Técnico-Científico do CBPF. O vencedor será conhecido em maio. A entrega ocorrerá em julho. Mais detalhes sobre o Prêmio podem ser conferidos no edital.

Cientistas descobrem como são “feitas” as memórias duradouras

Após uma semana sumida devido ao mergulho no trabalho… Estou de volta com uma novidade que pode trazer soluções para a falta de memória – e doenças relacionadas. Pesquisadores do Instituto Karolinska, na Suécia, descobriram o mecanismo que controla a capacidade do cérebro de criar memórias duradouras.
Explicando de maneira simplificada… Os cientistas usaram ratos geneticamente modificados – com um gene extra – para as experiências. Eles conseguiram “ligar” e “desligar”, por meio do gene receptor com a adição de um aditivo na água dos ratinhos, a capacidade dos animais formarem essas memórias.
Quando o gene extra foi “desligado”, os ratos mantiveram a capacidade normal de formar memórias de longo prazo. Assim, os pesquisadores desconfiam que a inativação do gene é importante para a criação desse tipo de memória.
“Sabemos que o abalo pode fazer com que alguém esqueça os eventos que ocorreram na semana antes da lesão – o que chamamos de amnésia retrógrada -, embora possa lembrar de eventos que aconteceram antes de uma semana. Acreditamos que isso coincide com nossos resultados”, disse Alexandra Karlén, uma das cientistas envolvidas no estudo.
A capacidade de converter novas impressões sensoriais em memórias duradouras é a base para toda a aprendizagem do ser humano. Mas, segundo a instituição, pouco se sabe sobre os primeiros passos desse processo – aqueles que conduzem algumas horas a memórias duradouras. E menos se sabe sobre como as mudanças químicas nas sinapses – ligações entre as fibras nervosas – são convertidas em memórias duradouras armazenadas no córtex cerebral – a camada mais externa do cérebro.
Os pesquisadores esperam que os resultados sejam úteis no desenvolvimento de novos tratamentos para perda de memória – como derrames e os relacionados com a doença de Alzheimer. Os estudos foram conduzidos em colaboração com investigadores americanos do Instituto Nacional de Abuso de Drogas (NIDA, em inglês).
A pesquisa foi publicada na revista científica Proceedings of National Academy of Science (PNAS). Para saber mais, leia aqui – em inglês.