Muuuito além da economia verde

*Este post é uma participação especial, foi escrito pelo jornalista Gustavo Mendes Nascimento (@gustamn). 

Terminei esses dias de ler o livro “Muito além da economia verde”, do Ricardo Abramovay (Editora Planeta Sustentável). O título diz tudo. Caberiam até mais alguns “us” nele, como fiz de brincadeira acima, de tão além que o autor foi em sua competente reflexão sobre a incapacidade do atual modelo econômico de dar respostas efetivas ao esgotamento dos recursos naturais. Segundo Abramovay, nem mesmo uma economia verde, nos moldes da que é pregada atualmente, seria capaz disso. Por economia verde, leia-se: luta contra a pobreza, melhora na ecoeficiência e responsabilidade socioambiental corporativa. Apesar de parecer uma fórmula razoável, ela tem seus limites. Se a economia global não for além disso, não vai ter (água, alimentos, petróleo etc) para todos. Vejam o gráfico com a previsão de extração de recursos do planeta até 2050 (notem o salto na curva a partir de 2010).

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Fonte da imagem: Sustainability Europe Research Institute

O problema central do atual modelo, defende Abramovay, é o estímulo a um consumo desenfreado e ao crescimento econômico a qualquer custo, que tem pressionado os recursos naturais do planeta. Além disso, o aumento da população mundial, o crescimento dos países emergentes e a redução da pobreza exercerão uma pressão de consumo nos próximos anos que será insustentável. O livro mostra muito bem isso, com dados alarmantes. Veja, por exemplo, o caso do consumo de carne vermelha: “Para produzir um quilo de carne de gado estabulado, por exemplo, são necessários 9 quilos de produtos vegetais. (…) generalizar para o conjunto da humanidade o padrão americano de carne (120 quilos por ano) (…) consumiria tal quantidade de produtos vegetais que conduziria inevitavelmente a um colapso na oferta de alimentos”. O caso dos combustíveis fósseis, da água, da produção agrícola entre outros, é semelhante. Há quem argumente que os saltos na eficiência produtiva contornariam esse problema da escassez. Será? Não é o que a história recente tem mostrado. De que adianta ter ganho de eficiência, se ele é anulado pelo consumo desmedido. Veja o caso dos automóveis, citado no livro. Eles hoje são mais eficientes no consumo de combustível, mas também são maiores, mais potentes e com recursos tecnológicos que aumentam o consumo. Usando licença poética: não adianta passar do fusquinha beberrão para uma eficiente SUV 3.5 com quase duas toneladas (e muitas vezes levando apenas uma pessoa de 70 quilos).

Em suma, como disse o  secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, “o atual modelo econômico mundial é um pacto de suicídio global”.

Tem jeito?

É difícil pensar em uma economia que não meça o seu sucesso pelo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Ou seja, é difícil pensar em uma ordem econômica que não seja voltada para o crescimento e, consequentemente, consumo crescente de recursos naturais.

Assim como é difícil imaginar empresas que não pensem no lucro a qualquer custo, acima de (ou até mesmo desprovidas de) questões éticas. Parece forte dizer isso, mas quantas pessoas não são excelentes cidadãos fora da empresa, mas quando entram lá, desrespeitam leis, comunidades vizinhas, destroem o meio ambiente, e por aí vai? A boa notícia é que o livro mostra sinais de que a ordem das coisas já está mudando.

Abaixo, cito dois exemplos, resumidamente.

Ética no centro do negócio – Sei que muitos sentem sono com o clichê “ética no centro do negócio”. Mas a postura de muitas empresas está realmente mudando, lentamente, mas está. Grandes empresas estão colocando a sustentabilidade e tudo que a acompanha (direitos humanos, respeito ao meio ambiente, ética etc) no centro das suas estratégias de negócios de longo prazo. Sustentabilidade, para muitas, não tem sido mais encarada como um setor à parte, uma subdivisão. Algumas empresas já estão redesenhando suas estratégias de negócios pensando não apenas em mercado consumidor, lucro, risco etc, mas em quais problemas da sociedade elas podem resolver (mobilidade urbana, geração de energia limpa etc).

Desmaterialização da economia - Outro ingrediente para a mudança é a desmaterizaliação da economia, algo que se torna cada vez mais viável com o avanço as tecnologias de informação. Por exemplo, as tecnologias de comunicação de vídeo conferência hoje permitem uma redução brutal no número de viagens a negócios. Parece pouco, mas as emissões de carbono numa viagem de avião são altíssimas. Mas, muito além disso, as tecnologias de informação permitem inovações em diversos campos, como logístico, gestão urbana, etc.

Mas será que essa nova economia, que leva o planeta em conta, vai se desenvolver na velocidade necessária? O livro não responde à questão, pois esse movimento ainda é incipiente. Mas terminei a leitura convencido de que: 1) o atual modelo econômico não dará conta de prover bem estar nos próximos anos se nada mudar; 2) os recursos naturais não serão suficientes se a economia continuar como está; e 3) essa mudança já começou, só resta saber se será na velocidade necessária. Se você não ficou convencido disso nessas poucas linhas, garanto que lendo livro ficará ao menos balançado. E se já ficou convencido, leia o livro para se aprofundar no assunto.

O “Muito além da economia verde” representou, para mim, uma completa mudança de paradigma. Ele modificou completamente minha forma de ver a economia e o mundo. Recomendo!

Divulgação científica: concorra a três bolsas de curso!

bannercurso copyBem amigos do Scienceblogs, vou dar um curso sobre como escrever sobre ciência e meio ambiente focando diversas mídias! Já palestrei algumas vezes, mas essa será a minha primeira vez oficial como “professora”. Estou preparando o conteúdo com muito carinho e vou buscar passar o meu conhecimento nesses 15 anos de jornalismo (sim, escrevo para jornais desde adolescente!), entre eles, cinco anos cobrindo o tema. Espero que gostem!

O curso será ministrado no dia 8 de junho, sabadão inteiro. Ele custa R$ 120. Quem quiser, pode participar do sorteio de três bolsas integrais que está rolando AGORA! Cadastre-se aqui e boa sorte! Mais informações sobre o curso estão disponíveis na página do Aprenda.bio. Olhe o programa:

- O que é divulgação científica;
- História da divulgação da ciência no Brasil;
- Qual a percepção pública da ciência;
- Quais linguagens empregar para divulgar a ciência;
- Como usar técnicas de redação do jornalismo para divulgar a ciência;
- Qual linguagem empregar para cada veículo de comunicação;
- Como divulgar a ciência utilizando as redes sociais;
- Exercício em aula para colocar em prática as técnicas aprendidas.

Beijão e vejo vocês na aula! Quem não puder vir, pode contar comigo para palestras presenciais ou on-line (não é uma ideia?)!

O maior cânion da América Latina

O Rio Grande do Sul e Santa Catarina guardam uma formação geológica incrível: um cânion de 720 metros de altura que desce praticamente em 90 graus até o nível do mar. Você tem noção da altura? Os paredões são tão grandes, mas tão grandes que não dá para descrever a sensação de estar na ponta do despenhadeiro. Para você ter uma ideia, a famosa Cachoeira da Fumaça, localizada na Chapada Diamantina (BA), tem apenas 380 metros. Portanto, os cânions do Parque Nacional Aparados da Serra têm quase o dobro da altura! As formações podem ser vistas até do avião que decola de Porto Alegre para São Paulo (pena que minhas fotos tiradas lá do alto não ficaram boas).

Inúmeros cânions fazem parte do parque, cada um com uma característica própria – de alguns deles, inclusive, dá para ver o mar a 20 quilômetros de distância. Eles foram formados há mais ou menos 135 milhões de anos, quando os continentes começaram a se separar. O parque, mais novinho (hehehe), foi fundado em 1959. Mesmo assim, é um dos mais antigos do Brasil. Atualmente, ele passa por algumas mudanças. Terras para pastagens de antigos proprietários na região, onde ainda é possível ver alguns gados, estão virando parque.

O mais incrível nessa história toda é que, apesar da grandiosidade do local, poucos brasileiros o conhecem. Quando estive lá no carnaval deste ano, o número de gringos era o mesmo que o de tupiniquins. Olhe, se você está atrás de maravilhosas paisagens e um destino barato, não deixe de conhecer o parque. O melhor jeito de visitá-lo é via Cambará do Sul (RS). Indico ao menos quatro dias para curtir sussa cada trilha, cada barulho do vento, cada cheiro de araucária e cada despenhadeiro – claro! Se precisar de dicas, só escrever nos comentários que darei!

E seja gigantemente feliz!

Saúde: documentários grátis sobre alimentação

Ontem, postei aqui dicas de filmes sobre meio ambiente. Agora, compartilho dois documentários super interessantes sobre saúde, ou melhor (sendo mais específica), sobre alimentação. Se nós somos o que comemos, todos deveriam assistir aos filmes abaixo.

O documentário “Muito além do peso”, amplamente divulgado na mídia, foi patrocinado pelo Instituto Alana, uma ONG que atua a favor das crianças. Apesar de ser voltado à saúde infantil, as lições deixadas nele valem para as pessoas de qualquer idade. Com certeza, se você ver, notará que sabe menos sobre o que come do que imagina. É difícil não se surpreender com as informações divulgadas no vídeo. Imperdível. Veja na íntegra:

O “O veneno está na mesa”, outro documentário interessante sobre alimentação, eu vi na semana passada. Este é bem radical a favor dos alimentos orgânicos. Ele apresenta dados para mostrar que seria possível consumirmos produtos orgânicos a preços completamente acessíveis e mostra a quantidade intolerável de agrotóxicos que ingerimos diariamente. Está disponível no link:

Tenho procurado me alimentar de maneira mais saudável e mais consciente ecologicamente – quanto menos alimentos com produtos embalados eu consumo, menos lixo gero. Em um mês, meu marido (que entrou comigo no carrinho de supermercado seletivo) e eu emagrecemos sem regime apenas optando por mais frutas, verduras, legumes, alimentos pouco processados e pouco industrializados. Ah, tudo isso sem neurose – consumimos açúcar todos os dias e de vez em quando caímos em tentação. Pode ser efeito placebo ou piração, mas já sinto minha pele e meus cabelos mais hidratados.

Se você gostou da ideia de ter uma alimentação mais saudável, deixo outra dica. A jornalista e mestrando em nutrição Francine Lima escreve o blog “Uma equilibrista” apenas sobre alimentação. Olhe, foi lendo o blog dela, já há meses, que fiquei impressionada em saber como o assunto é mais extenso e intenso do que eu imaginava. Mas não se preocupe. Francine traduz de maneira fácil esse vasto universo e as pesquisas científicas ligadas a ele. Tudo isso com uma crítica na ponta da língua, quer dizer, dos dedos.

Devore os conteúdos acima e…

bon appétit!

Documentários grátis sobre meio ambiente

Recentemente, tenho visto documentários incríveis pela internet disponibilizados pelos próprios autores. Uma maravilha. Não preciso passar na locadora ou cruzar os dedos torcendo para que os canais de televisão transmitam algum documentário interessante. Basta eu ligar a internet e aproveitar o filme via YouTube, mesmo. Praticidade total.

O primeiro filme que recomendo, rapidinho, não tem 20 minutos, é o “Agricultura Legal” produzido pela ONG Iniciativa Verde – onde eu trabalho no momento. Não é puxa-saquismo. O breve documentário relata uma experiência bem interessante onde agricultores contam as vantagens em preservar as matas ciliares e outras áreas protegidas de acordo com a lei ambiental. Saiba mais aqui.

O segundo filme, um pouco maior com quase uma hora, “O Vale”, de de Marcos Sá Corrêia (fundador do “O Eco”) e João Moreira Salles, mostra como o Vale do Paraíba, em São Paulo, foi completamente devastado. É um filme emocionante, triste, deprimente, sem final feliz – na verdade, o final feliz depende de nós. Foi também indicado pelo Blog do Planeta. Veja o documentário na íntegra aqui.

 

Aproveite a sessão pipoca e tenha uma boa semana!

O jardim botânico mais incrível do mundo

O lindinho Jardim Botânico de São Paulo faz parte da minha vida, o do Rio de Janeiro é todo bossa que mora no meu coração, mas o da Cidade do Cabo… É INCRÍVEL.

Ele é o maior jardim botânico da África. Tem mais de oito mil espécies, um lugar reservado apenas para as plantinhas suculentas e – o mais impressionante – está aos pés da, de tirar todos os fôlegos (literalmente), Table Mountain. Conheça o Kirstenbosch National Botanical Garden, jardim botânico localizado na Cidade do Cabo, África do Sul.

Desculpe-me Jardim Botânico do Rio de Janeiro, mas ter uma montanha bem grande do lado é fundamental.

Meu primeiro encontro com os guepardos

“Vocês duas esperam aqui, do lado de fora”, ordenou gentilmente um dos guias. A menina de dez anos olhou feio para ele, enquanto a que tinha cerca de cinco anos sentou conformada no banco de madeira, em frente ao ambiente cercado por grades com mais de dois metros de altura onde estavam as duas chitas (guepardos) também irmãs. Uma era fêmea e a outra, macho. Nós seis (os dois guias sul-africanos, o casal americano, o meu marido e eu) seguimos em frente.

O guia tratador das chitas tirou o cadeado do bolso e abriu a porta de metal. Entramos naquela espécie de ampla jaula e caminhamos atentos em busca dos animais. Eles são amarelos, mas imperceptíveis nas sombras nas plantas. O casal americano parou para ver como as filhas estavam do lado de fora. “Venham, temos que andar todos juntos! É perigoso nos afastarmos uns dos outros”, ordenou o guia que nos acompanhou por todo o passeio dentro do Tenikwa Wildlife Awareness Centre, localizado na capital africana do surf Plettenberg Bay. Os americanos, que já estavam um pouco assustados, seguiram mais atentos. Até que…

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Encontramos as duas maravilhosas chitas deitadas sob escassa sombra de uma árvore. Não podíamos tocá-las, apenas observar os elegantes felinos que tinham a feição de um gatinho. Enquanto o tratador contava particularidades desses animais como o fato de serem os mais rápidos mamíferos terrestres do mundo, atingindo até 120 km/h durante uma caçada, os bichos ronronavam. Sim! Ronronavam – chitas não rugem! E era porque estavam gostando de algo. As chitas são, com exceção dos gatos domésticos, os únicos felinos que ronronam na idade adulta.

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O macho deitado no chão girava o corpo para um lado, girava para o outro, enquanto passamos a observar essa engenhosidade – estrutura leve e calda comprida que atua como um leme e dá estabilidade durante a corrida – da natureza de perto. Que emoção! Eu quis chegar mais pertinho, mas fiquei receosa. Pensei: “Melhor não me aproximar muito e nem fazer movimentos bruscos para não assustar os animais”. As chitas não costumam caçar e comer humanos. Apesar dessas estarem bem alimentadas e tratadas (dá para perceber pelo pelo brilhante) e já acostumadas com a presença humana (elas foram apreendidas de forma que não podem mais serem soltas na natureza), são carnívoras. Portanto, melhor não arriscar. Os músculos pouco rasgados e uma leve saliência na barriga entregam que, apesar da amplitude do local, elas não praticam muita atividade física. Não correm atrás do alimento.

Completamente vidrada-apaixonada-encantada pela espécie, tentei tirar uma foto com as duas chitas. O guia tratador me orientou: “Pode ir atrás delas, elas não farão nada. E pode abaixar lá para a foto ficar bem bonita”. Soltei uma risada nervosa. “Será?” “Sim, elas não atacam quando o tratador delas está aqui”, informou o nosso simpático guia. Ah, olhei bem as garras delas, engoli e fui para trás. Meu marido e eu fomos os únicos que “se arriscaram”. Foi o tempo de tirar algumas fotos até a fêmea levantar e sair com o olhar fixo num ponto. Admiramos um pouco mais o irmão que acompanhava a fêmea pelo olhar (foto abaixo). “Quer apostar que ela foi observar de perto as crianças?”, disse o tratador. As chitas têm aquelas espécies de “riscos” no rosto para evitar que a luz do sol reflita nos olhos. Diferente dos leões e outros felinos que preferem caçar à noite, no início da manhã ou no finalzinho da tarde, as chitas caçam durante o dia.

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Ficamos mais uns minutos, que nunca parecerão eternos (pena!), no local ao lado do macho. No caminho de volta por dentro da jaula, encontramos a fêmea sentada com o pescoço levantado e os olhos fixos nas duas crianças do lado de fora. É a posição de atenção em que elas permanecem por horas antes de correrem atrás da comida. O tratador soltou um sorriso. Só faltou levantar a placa: “Eu avisei”. A fêmea mal piscava e as crianças lá, sentadas no banco sob o sol, balançando as pernas no ar. Neste caso, a fêmea é quem caça. E as chitas caçam crianças. Os pais voltaram rapidinho para perto das filhas. E a chita lá, impassível.

O Tenikwa, um centro de reabilitação de animais selvagens especializado em felinos, permite vermos de pertinho essas reações de cada felino enquanto o guia discorre sobre a natureza deles. Como no Brasil, na África do Sul é proibido manter animais silvestres em casa sem autorização. Mas muitas pessoas capturam os bichos, como os felinos de pequeno porte, e os tratam como se fossem animais de extimação. Devido a essa convivência e educação, esses quando resgatados não têm mais condições de sobreviverem sozinhos na natureza.

caracal

É o caso de um divino caracal (acima) que corria atrás de um tronco em forma de bola jogado pelo guia. Também pudemos ver de perto um serval (ele quase nos tocou), um gato selvagem africano que estava dormindo escondido entre as folhagens como é de costume, um leopardo, entre outros. No caso do leopardo, estávamos a menos de três metros do animal e não conseguimos vê-lo!  Não entramos na gaiola dele. É tão proibido quanto encostar na grade de proteção onde vive. Ele ataca humanos, embora na natureza foge de nós assim que sente o nosso cheiro a dezenas de metros de distância. Isso porque eles costumam comer animais criados por fazendeiros como bezerros e ovelhas.

leopardo

Durante mais de 100 anos (até hoje, apesar de proibido), os fazendeiros matam os leopardos com tiros. Aliás, existe uma história recente de que em Pretória, capital executiva do país, um leopardo atacou e matou cachorros e crianças que estavam fora de casa até ser descoberto ele o autor dos “crimes”, capturado e solto na natureza bem longe dali. Eles agem durante a noite e passam o dia poupando energia camuflados sob as sombras das árvores. Mesmo assim, bobear perto de um felino como leões e leopardos enquanto tiram aquela soneca preguiçosa da tarde é perigoso.

Se você ama “cats”, animais selvagens (eles têm outros bichos como pássaros), a natureza em geral e vai para a África do Sul, recomendo conhecer o trabalho realizado pelo Tenikwa. Seu pagamento da entrada e compras que faz na lojinha ajudarão a devolver para a natureza animais machucados ou que foram encontrados em cativeiro. Apenas chegue cedo, pois o local sempre lota e só é possível visitar os animais acompanhado de um guia. Um ótimo feriado felino para você!

Gato selvagem africano

Gato selvagem africano

Serval

Serval


Evite comprar souvenirs de origem animal em viagens

porcupineVocê vê como desconhecimento pode facilitar a extinção de uma espécie… No ano passado, durante minha viagem à África do Sul – vou continuar postando sobre ela aos poucos por aqui, são muitas informações e pouco tempo para escrever sobre tudo -, eu caminhava pelos corredores de um grande mercado de souvenirs de Cape Town localizado no V&A Waterfront. Ele parecia uma gigante feirinha hippie repleta de estandes. Em alguns estandes, vi uma espécie de palito de prender o cabelo preto e branco com cerca de 25 centímetros de comprimento. A textura era como a de um osso. Perguntei para a vendedora o que era: “Pelo de porco-espinho”. Uau.

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Naquele momento, um balão abriu ao lado da minha cabeça: “Como eles recolheram esses pelos?”. “Quando caem os pelos dos animais, as pessoas pegam esse material para vender.” Tá bom. Não comprei, preferi algumas faquinhas para passar patê feitas com osso de vaca e pintadas de preto e branco como se fossem zebrinhas. Mais seguro. Saindo de Cape Town vimos inúmeras criações de vaca holandesa.

thinktwicePassados cerca de dez dias de pé na estrada pela África do Sul, fomos visitar o centro de reabilitação de vida selvagem – especializado em felinos <3 – Tenikwa Wildlife Awareness Centre, no município de Plettenberg Bay. Parêntese: esse centro merece um post à parte, viu? Se você ama “cats”, deve conhecer o lugar (foi onde tirei a foto em que apareço ao lado de duas chitas/ guepardos). Lá, antes de visitarmos os felinos e outros animais, somos obrigados a ver uma palestra e um vídeo sobre preservação (as informações sobre recuperação animal são dadas durante a visita aos bichos). Em seguida, você pode recolher folhetos com informações sobre os animais do país. Foi quando descobrimos que porcos-espinhos (porcupine, em inglês) são mortos para terem seus pelos arrancados.

Segundo a organização International Fund for Animal Welfare (IFAW), muitos porcos-espinhos são perseguidos com cachorros e mortos com um golpe rápido na cabeça. Os pelos deles são limpos com desinfetante. Em áreas em que há grande concentração de porcos-espinhos, a IFAW afirma que é possível colher apenas cerca de 100 pelos naturalmente, pegando do chão os pelos que os animais perderam sem ser devido à ação do homem. Porém, essa quantidade, de acordo com a organização, não faz da colheita um exercício altamente lucrativo como acontece quando os animais são mortos. Veja aqui uma lista, em inglês, do que nunca comprar em suas férias. E boa viagem!

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Crédito da foto do porco-espinho: Bohemianism. As outras são minhas e do maridón.

Brinquedo infantil

Diversas pesquisas científicas apontam que incentivar o pensamento e a coordenação motora da  criança desde pequenininha ajuda no desenvolvimento intelectual e físico dela. Uma das maneiras de fazer isso é bem simples: presenteando com brinquedos!

Se você tem dúvida sobre quais brinquedos – incluindo jogos – comprar dependendo da idade da criança, se é para uma menina ou menino, quais marcas existem, entre outras questões, saiba que existe um blog apenas sobre o assunto chamado Brinquedo Infantil: http://www.brinquedoinfantil.com/.

Por exemplo, você sabia que é possível alugar brinquedos? Existem empresas que disponibilizam o serviço! Se você quer fazer a festa do seu filho, afilhado, irmão, veja no blog Brinquedo Infantil onde encontrá-las. Essa pode ser uma solução amiga do meio ambiente – afinal, você estará reutilizando – e econômica para disponibilizar um brinquedo diferente.

Agora, se o assunto é presente, eu gosto de dar como mimo aos filhos de amigos e parentes brinquedos pedagógicos. Eu tinha vários quando era criança e os adorava. A função principal deles é a de ajudar no desenvolvimento da criança, claro. Além disso, o que também me atrai é que, geralmente, esses tipos de brinquedos infantis são lúdicos, coloridos e feitos com materiais que agridem menos o meio ambiente.

Mas o blog não para por aí. Além de dar diversas dicas sobre o assunto, o Brinquedo Infantil mostra onde encontrar o objeto em promoção em sites da internet. Gostou? Então, clique aqui para entrar no blog e divirta-se!

Obs.: Este é um publieditorial.

África do Sul: como preservar a natureza usando o turismo

Saudades, leitor! Fiquei o mês de agosto fora, de férias na África do Sul. Foi uma viagem de tirar o fôlego! Estou cheia de novidades. Tentei focar a viagem em passar mais tempo próxima à natureza e em conhecer um pouco a história local. Apesar de o país passar por alguns visíveis problemas, podemos aprender com algumas ações que parecem terem dado certo por lá.

Há menos de 20 anos a África do Sul quase entrava em guerra civil… Segundo o que me contaram, boa parte das vegetações originais tinham sido desmatadas até então. Hoje, existem incontáveis reservas públicas e privadas espalhadas pelo país. E, claro, eles usam o turismo para mantê-las de pé. Como?

Quem não quer fazer um safári? Ou ver baleias de perto? Então… Boa parte das reservas resgataram as vegetações endêmicas para receberem os animais – parece que as reservas públicas foram mais cuidadosas em inserir (com alguns rigores científicos) espécies de bichos que originalmente viviam naquele ecossistema.

É possível dormir dentro das reservas – tanto nas públicas quanto nas privadas. Por exemplo, existe um parque marinho chamado Tsitsikamma. Ele preserva a vegetação e animais costeiros e, claro, espécies marinhas. Lá não há leões, girafas ou elefantes, mas você pode fazer trilhas para ver paisagens de tirar o fôlego, remar e até nadar com as focas.

Se preferir, pode dormir no Addo Elephant. Como o nome sinaliza, é um parque que possui um grande número de… elefantes. Nesse lugar, é possível fazer safári com o próprio carro. Lá há mais de 30 espécies de animais – entre eles os temidos leões e leopardos.

Ou, se quiser, pode pousar no maravilhoso De Hoop (sinônimo de dunas, baleias, florestas e mar transparente) perto das zebras e dos antílopes. Como não há animais que atacam os homens, pode fazer trilhas a pé e de bicicleta. Detalhe: sua reserva marinha é famosa pelas baleias. Eu contei 15 juntas – incluindo bebês. <3

Nesses locais há restaurantes, cozinhas, passeios guiados e acomodações para diversos bolsos. São super seguros – tanto com relação ao ataque de bichos como à violência “humana”. Enquanto esse tipo de uso das reservas e dos parques gera dinheiro para a manutenção dos próprios, os visitantes também acabam sendo mais olhos para ajudar na preservação do lugar. Vi raras ações depredatórias.

Portanto, a natureza, lá, não é apenas para ser admirada e intocada. Ela pode ser respirada, sentida, vivida. Não seria um bom exemplo a se seguir?

Obs.: Para conhecer todos os parques e as reservas públicas da África, clique aqui.

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