Arquivo da categoria: estória

Dia Mundial dos Oceanos: Qual a sensação de praticar mergulho

Posso fazer aqui uma declaração de amor?

Imagine um mar que parece gelatina. De cima do barco, dá para ver o fundo dele a mais de quarenta metros abaixo de você. Ainda da embarcação, os cardumes de peixes que brilham como neon nadam lateralmente. Parecem nos olhar. Quando me jogo nessa água quentinha (como não se atirar?) ouço o barulho dos corais. Sim, eles estalam! Vejo um tubarão-lixa bebê, arraias, tartarugas tão lesadas como aquelas do filme “Procurando Nemo”, polvo assustado, moreias maiores que eu e muitos peixes coloridos de diversas formas. Corais de todas as cores, esponjas, uma água transparente e uma areia macia.

mergulhonoronha

Eu já havia praticado snorkeling no  litoral brasileiro, pelo que me lembre, em São Paulo, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Bonito (MS) – este merece um post à parte. Mas nunca havia visto nada como Fernando de Noronha, da descrição acima. Após me entregar para aquela água, minha vida mudou. Quando mergulhei de cilindro lá, então, entendi a paz que o mar nos traz.

Eu estava com medo de saltar na água com presos pesos à minha cintura e com aquele cilindro que deveria pesar mais que eu. Por sorte, estava com o instrutor mais paciente e carinhoso do grupo. Certamente ele pensou: “Essa vai dar trabalho”. Tremendo, não sei se de frio ou nervoso, começamos a afundar.

Quando cheguei a mais de dez metros de profundidade (sem precisar subir para pegar ar, como teria que fazer com o snorkel) ao mar eu tinha certeza que pertencia. Era relativamente silencioso. Ouvia mais forte apenas minha respiração. Tudo azul. Senti uma paz que só havia atingido meditando.

Brinquei de “fechar” corais. Observei os animais marinhos. Me senti de volta ao útero. Acolhida. Estava muito feliz e plena. Ficamos cerca de meia hora abaixo da água, explorando aquele mundo maravilhoso, mas parecia apenas cinco minutos quando já era para voltarmos.

Eu não quis. Comecei a fugir do instrutor. Como se tivesse a capacidade de deslizar como um tubarão cheia daqueles penduricalhos presos ao meu corpo. O instrutor nadou atrás de mim e falou que não tinha jeito, precisávamos subir. Deu a entender que o ar poderia acabar. Começou a inflar minhas boias.

Relutei em voltar à superfície tentando argumentar de baixo da água por língua de sinais de mergulho. Lamentei muito. Subi contrariada. Eles explicaram que aquilo que eu senti aconteceu devido ao excesso de oxigênio no meu cérebro. Que “dá barato” e a pessoa perde a noção de tempo e de perigo.

Não, meus amigos. Aquilo aconteceu devido ao excesso de mar em volta de mim.

#DiaMundialdosOceanos

DSC_9183

O que você mais “gostou” da greve?

O que podemos tirar de positivo com esta greve? Repensar nosso meio de produção e de distribuição. Uma diminuição das emissões relacionadas ao aquecimento global. Repensar nosso consumismo, nossa necessidade de ter tudo aqui agora. Ouvir o silêncio mesmo numa cidade tão barulhenta como São Paulo. Curtir nossa casa e nossa família. Nos aproximarmos da vizinhança tão perto, mas antes tão longe. Valorizar e cuidar do nosso bairro. Gastar a nossa energia andando a pé e pedalando – e reletir, “como podemos melhorar nosso ir e vir”? Observar os motoristas dirigindo com mais calma, respeitando o próximo sem “colar” no carro da frente ou fazer ultrapassagens perigosas. Consumir o que temos no nosso quintal (se possível) ou o que é cultivado próximo a nós e em seu tempo. Viver a vida no ritmo que é genuinamente nosso: o da natureza.

Meu blog Xis-xis completa 10 ANOS!

cropped-xisxiscerto.jpgEsta é uma semana de marcos. Meu blog Xis-xis completa dez anos. 10 ANOS! Eu lembro como se fosse ontem.

No fim de semana, após muita conversa com amigos, cheguei à conclusão sobre o nome do blog sobre ciência, comportamento e meio ambiente que criaria.

A ideia era ter uma marca que, de início, remetesse à ciência e ao feminino. Afinal, era um blog escrito por uma mulher, acima de tudo. Um canal para promover a igualdade em geral por meio do conhecimento científico.

Nasci com o ímpeto de realizar ações para ajudar as pessoas a terem melhor qualidade de vida. O que eu mais gosto de fazer? Comunicar. E tenho facilidade em usar linguagem simples. Eureka!

Era uma quinta-feira.

Após dias editando o HTML para criar a identidade visual e a base, cheguei em casa da redação da revista onde trabalhava na época, jantei, liguei o computador e decidi iniciar efetivamente jornada. Escrevi um primeiro texto, simples. Era o começo.

Jamais imaginaria quantas pessoas bacanas e locais conheceria.

Quantos empregos e projetos teria. Quantas apresentações faria. E a quantas possibilidades de vida seria apresentada.

Sou muito grata ao universo (físico, família, amigos, colegas, online, offline) por estar aqui, hoje. Sem toda essa rede de apoio física e online, o blog Xis-xis jamais teria completado dez anos.

“É impossível ser feliz sozinho”, disse o poeta. Na internet, no blog, na vida, somos o que somos graças às redes. E devido à chama que bate em média 70 vezes por minuto dentro de nós.

Obrigada. <3

Cadê a “galinha” brasileira que estava aqui?

Estava na “copa do bebê”, em um hotel fazenda a cerca de uma hora de distância de São Paulo, procurando frutas para minha bebê comer quando uma ave estranha me olhou desconfiada do jardim. Sou daquelas pessoas que vê rosto até onde não existe, um fenômeno psicológico chamado de pareidolia. Imagine um movimento estranho de uma ave com cerca de um metro camuflada entre as árvores. Na hora fui fisgada. E encantada.

Alguém sabe que ave é essa? #ave #bird #animal #silvestre

A post shared by Isis Nóbile Diniz (@isisrnd) on

Era uma ave que andava elegantemente e delicadamente, com um bico alaranjado neon, o entorno do olho azul turquesa, canto agudo e com um penacho na cabeça como se fosse desfilar no carnaval. Linda! Claro que abrimos a porta para o jardim para chegarmos perto. Claro que a criança correu atrás dela, mas a ave fugiu e ficou nos fitando de longe.

Aos poucos, nos aproximamos. Nunca tinha visto uma ave daquela. Amigos me contaram pelas redes sociais que se tratava de uma siriema. Fiquei até envergonhada. Como assim sou brasileira, trabalho com meio ambiente há mais de dez anos e nunca tinha visto uma siriema ao ponto de nem reconhecer o animal?

Outras aves que encontramos aos bandos por lá foram jacus, patos de diversas espécies e coloridos, minhas amadas curicacas, muitas andorinhas, gaviões, os barulhentos quero-queros e maritacas e diversos pássaros. Ah, uma observação, você sabia que nem toda ave pode ser chamada de passarinho? Todo passarinho é ave, mas os pássaros são da ordem Passeriforme – que fica logo abaixo da classe Aves na taxonomia, uma técnica científica de classificação de seres vivos.

Em seguida, veio a reflexão: “Onde estão essas aves tão brasileiras que mal conhecemos?” Apenas nos livros didáticos? Aves que deveriam ser comuns, que “pastavam” por toda a cidade de São Paulo e outros locais degradados por nós. Algumas conseguiram se adaptar ao nosso horroroso ambiente concretado – conhecidos por animais sinantrópicos – como os gaviões, os urubus e as maritacas.

Os gaviões, por exemplo, são muito observados nas beiras das rodovias. Entre outros, se alimentam de restos de animais atropelados e de pequenos bichos como roedores que circulam pelas monoculturas. Sobre os urubus nem preciso falar muito, também se alimentam de carcaça – se bobear, ainda invadem sua casa e te dão umas bicadas, principalmente se você for um piloto de avião, a vingança. As maritacas comem os frutos das árvores na cidade.

Já imaginou uma delicada siriema circulando pelo quase nulo canteiro da paulistana Avenida Bandeirantes, por exemplo? Ia morrer de estresse apenas com a infernal poluição sonora. Agora, se essas grandes aves brasileiras estivessem nos parcos parques paulistas, sendo respeitadas, poderia ser viável, não? Já temos tucanos, garças, patos… Neste caso, mais valeria uma ave retomando o ambiente que é dela do que voando para outros locais.

Já pensou em lagartear sob o Sol?

Toda vez que visito um local paradisíaco natural muito frequentado por humanos em temporadas, mas com pouca ou quase nula fauna silvestre, penso: “Cadê os bichinhos que estavam aqui?” Existiriam animais que ainda frequentam o lugar? Quais seriam? Em qual quantidade? Em quais épocas do ano esses animais vêm para cá? A natureza sempre nos surpreende.

Passei o último fim de semana em São Sebastião (litoral norte de São Paulo) e, já que não tinha compromisso na capital, aproveitei para emendar mais dois dias na praia. Quando tenho a possibilidade de fazer isso é comum me deparar com animais marinhos. Estes devem ficar escondidos – onde? -, enquanto o tumulto toma conta da praia.

Certa vez, quando só avistava no máximo dez pessoas em toda uma praia de cerca de três quilômetros, quase pisei em uma arraia enquanto entrava no mar. Paulistanos sabem o quanto isso é raro aqui no litoral do Sudeste. Em outra ocasião, durante um deslumbrante pôr do sol no qual a maioria dos humanos já havia se evadido da areia, vi duas tartarugas no raso (a água estava abaixo do meu joelho) dançando e se alimentando de restos de vegetais conforme o balanço das ondas.

Muitas outras vezes encontrei siris de diversas cores e estampas, caranguejos rosa-choque, uma quantidade surpreendente de maria-farinha, de mergulhões, de golfinhos, de ermitões, etc. É o que se espera de um ambiente litorâneo, certo? Nem sempre! Desta vez… os lagartos estavam por todas as partes!

Não sei se é época de reprodução, mas na estrada que dá acesso à praia vi um teiú correndo para o meio das árvores. Achei sorte. Até comentamos no carro! Seguimos em frente. Caminhando para a praia, vi mais dois teiús em momentos diferentes e de diferentes tamanhos correndo para o mato. Ok.

Na segunda-feira, quando voltamos à areia da praia, notei que ela estava repleta de pegada de lagartos! E um teiú com mais de um metro e meio (não é história de pescador) correu para dentro de uma pequena caverna na praia! Ficamos de tocaia esperando ele sair para vê-lo de perto. Conseguimos!

Em seguida, ao virarmos a cabeça para o caminho que acaba na praia, observamos um teiú pequeno, parecia jovem, correndo e saltando mais de dois metros! Um lagarto sal-tan-do. Nunca vi isso. Mas analisando a anatomia do bicho, um rabo grande e patas com dedos longos, dá para entender que o corpinho deles deve ter se adequado para a modalidade salto à distância.

https://www.instagram.com/p/BZecYg3Aq4Z

Era tanto lagarto tomando sol próximo da gente que até a novidade perdeu a graça. De ambos os lados. Nem mais os lagartos corriam de nós como nem as crianças queriam saber de correr atrás dos bichos para vê-los mais de perto.

Olhando para o lado direito, a moça deitada sobre a canga com o braço protegendo os olhos, e para o lado esquerdo, o lagarto parado nos fitando ao longe, deu para entender a expressão. Lagartear ao Sol. Aliás, o sol estava tão forte, a brisa tão fresca e branda e o céu tão azul que ninguém resistia ao lagartear. Nada melhor para dar aquela esquentadinha no sangue e liberar endorfina. Que o Sol brilhe para todos.

Ser é existir

Neste Dia das Mulheres, meu desejo é que todas nós possamos SER. Ser, acima de tudo. Porque não, hoje nós AINDA não podemos. Que nós possamos ser diretoras de empresas e, por isso, que nossos maridos assumam mais tempo com nossos filhos, sim – não “fizemos” sozinhas. Que nós possamos ser gordinhas – e isso não justifica perder algo. Que nós possamos ser alguém caminhando pelas ruas despreocupadamente, seja durante o dia ou durante a noite. Que nós possamos ser mulheres que gostamos de ciência, mas, ao mesmo tempo, também de maquiagem – uma atitude não invalida a outra. Que possamos ser “bonitas” sem sermos julgadas “burras”. Que nós possamos ser excelentes motoristas, sim. Que possamos ser preocupadas com o meio ambiente – ignorante é aquele que ignora o seu próprio futuro. Que possamos ser “mulher de fases”. Aceitem: temos hormônios e nossos humores variam de acordo com eles. Sempre foi assim e isso não significa que, se um dia estamos irritadas, é porque estamos de TPM. Que possamos ser menininhas. Mulheronas. Lésbicas. Bissexuais. Heterossexuais. Ou qualquer outra opção sexual – a “escolha” é nossa, ninguém vai “arrumar” nada. Que tenhamos o direito de não sermos vaidosas. Que possamos ser “gostosas” para nós mesmas. Que possamos ser equiparadas com relação ao salário – aliás, que possamos ganhar mais por termos estudado mais. Que possamos ser simpáticas sem sermos taxadas de “bobinhas”. Ou ser “bobas” quando quisermos. Ser mães que amamentam após o bebê completar dois anos de idade. Ser mães do nosso jeito. Que nós possamos optar não por ser nada. Ou ter direito de não querer ser. Apenas, nos deixem ser.

As pessoas são uma história de geografia

Esta pequena crônica não tem nada a ver com ciência. Ou, pode ter. Tem a ver com geografia, história, geologia, sociologia. Mas, acima de tudo, tem a ver com a gente. Homo sapiens. Segue um pequeno texto feliz. Tenha um lindo dia!

Música traz cada lembrança deliciosa… Estava ouvindo Caetano Veloso e Roberto Carlos cantar Wave, do meu amado Tom Jobim. Na hora, viajei no tempo para 2015 e no espaço para Puerto Natales, no Chile. Estávamos, o Gustavo Mendes e eu, num restaurante. Conversei em espanhol com o garçom magrinho, que trouxe o menu para a gente. Escolhíamos qual prato típico ia nos aquecer naquele cerca de 0 grau que fazia lá fora, em pleno feriado super festivo da Independencia Nacional. O garçom parou para observar um pouco de longe.

O chamamos e fizemos o pedido. E ficamos quentinhos observando as ruas cada vez mais agitadas, felizes, repletas de patriotas. Enquanto esperávamos o prato, o garçom perguntou: “Vocês são brasileiros?” “Sim”, dissemos animados. Ele contou que era colombiano (mal, na época, eu saberia que hoje seria apaixonada pela Colômbia, que estaria pesquisando a história do país), meio acanhado. Percebemos que, de repente, havia um certo preconceito por lá contra colombianos.

Ele disse que morava há tempo no Chile e que a família dele tinha uma “casa nas montanhas”. Um dos passatempos preferidos dele era, enquanto caía a neve, ficar na casa de campo bebendo vinho e ouvindo bossa nova! Detalhe, com a lareira acesa, claro. “Bossa nova é a música perfeita para esta ocasião.” Eu, que sempre remeti à brisa quente do Rio de Janeiro e, especialmente, ao Arpoador com aquele mar verde-água ao tipo de música, fiquei com um pingo de inveja. Deve ser bom, mesmo, e já me imaginei bebendo vinho, ouvindo Tom, com a neve caindo lá fora. No entanto, nosso amigo garçom estava aflito.

Ele queria saber os nomes dos cantores brasileiros de bossa nova para baixar e ouvir segurando sua bebida preferida. Ele não entende português, não sabia por onde começar. Veio com um guardanapo e uma caneta e pediu, um pouco escondido do chefe dele: “Vocês podem anotar o nome dos cantores para eu baixar as músicas?” No começo, escrevemos nomes mais contemporâneos como o de Roberta Sá. Fizemos uma lista com uns dez nomes. Até que ele nos mostrou o CD que tinha.

Sabe aqueles que vende no aeroporto, coletânea com cantores menos conhecidos cantando os clássicos readaptados? Ficamos compadecidos. Precisávamos começar do começo: Tom Jobim, Vinicius de Moraes, João Gilberto, Baden Powell… E os nomes aumentavam no papel… O guardanapo, com cerca de 25 músicos maravilhosos, ficou bem preenchido. O garçom guardou no bolso e saiu todo feliz. Vimos comentar com o barman. Após o jantar, ganhamos até uma bebida nacional, que é servida no feriado (algum chileno sabe o nome?). Aliás, foram dois copões da bebida deliciosa – que nem era servida no lugar, mas preparam para a gente.

E, até hoje, eu me pego pensando. Será que ele conseguiu baixar as músicas? Será que era o que esperava? Será que está feliz? Ou será que nos xingou e perdeu a chance de pedir exato o que queria? Será que veio para a Copa ou às Olimpíadas – por onde a gente passava, convidada os novos amigos hermanos para passearem aqui, demos até nosso e-mail para vários para ajudá-los a enfrentar a República Tupiniquim. Espalhamos dicas de segurança e de como se passar por brasileiros.

As viagens não são apenas feitas de paisagens indescritíveis como do maciço Paine, um dos locais mais lindos que já vi na vida. Aliás, Torres del Paine está para as montanhas como Fernando de Noronha está para o mar. As viagens são feitas de momentos. Bons momentos passados ao lado das pessoas. Caiu, agora, uma lágrima. Obrigada, amigo colombiano. Hoje, estudando mais sobre seu país, desejo que ele seja tão lindo de se viver quanto é maravilhoso em belezas naturais. E quanto a nossa conversa. Ah, e pena que esquecemos de colocar na sua lista esse CD do Caetano com o Roberto! Duas vozes que parecem feitas para a bossa nova…

Notícias da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

*Abri espaço neste blog para que a Cládice Nóbile Diniz, delegada pelo Rio de Janeiro e relatora da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, dividisse conosco suas impressões e o que está acontecendo esta semana no respectivo evento em Brasília. Ah, se estranhou o sobrenome, sim, somos parentes. Ela é minha tia-madrinha <3. Vamos lá às novidades. 

A 4aCNPM foi decidida em março de 2015. É um evento que ocorre a cada quatro anos. Neste participam quase três mil mulheres eleitas em conferências estaduais. Fui eleita delegada pelo Rio de Janeiro e convidada para ser relatora. Aqui tudo é grandioso: uma relatora para grupo de 150 delegadas. Vinte grupos sobre quatro eixos. Vai ser um trabalho incrível!

Hoje foi fogo. Houve de tudo. Uma delegada do Rio eleita e aprovada foi barrada na última hora por que ia com o filho de quatro anos. Foram detidas 73 delegadas da Bahia porque elas tinham gritado no avião “não vai ter golpe”. Esta manifestação foi contra a deputada federal Eronildes Vasconcelos, a “Tia Eron “, e o Deputado Federal José Carlos Aleluia, ambos da Bahia. Foram liberadas depois de quatro horas quando o José Eduardo Cardozo, da Advocacia-Geral da União, e a secretária especial de Políticas para as Mulheres Eleonora Menicucci foram lá.

Chegaram pouco antes da fala da Dilma e foram ovacionadas e recebidas em pé e com palmas. O discurso da Dilma foi emocionante. Afirmou que vai honrar seus 54 milhões de eleitores, nunca tendo pensado em renunciar. A ministra Eleonora falou bonito também. Lembrou que, nas décadas de 60 e 70, as mulheres “vestiram calças” e saíram para trabalhar. Mas os homens não “vestiram saias” e não se ocuparam da parte do trabalho deles em suas casas.

A delegada pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes, avisou em plenária que a CPI da merenda tinha sido instalada e o auditório veio abaixo. As mulheres conseguiram aprovar a eliminação dos delegados homens após tensa disputa, com seis intervenções próss e outras tantas contra.

13151601_1001708636572133_4684450322512329687_n

4b007bc3-3650-4ffd-a993-2dcc0aaf0a53

Mãe e filho na roda do berimbau tocado só por mulheres

 

 

 

 

 

Seja bem-vinda, você que sempre esteve aqui

2014-10-07 13_42_50Lembro como se fosse ontem. Há seis meses, eu passava pela experiência mais transcendental da minha vida. Talvez, fosse a segunda dela, perdendo apenas para meu nascimento. Momento que, infelizmente, não lembro. Quando acordei sentindo uma cólica leve, sabia que, enfim, o momento estava próximo. Só não o quão próximo. Será que pressionar os pontos de acupuntura deu certo? Talvez. Conversar com você? Talvez, também.

Depois de descobrir que estava com um centímetro e meio (e meio, rs) de dilatação, fiz o que a fisioterapeuta recomendou: suba e desça escada. Caminhe. Atividades que ajudam a aumentar o começo da dilatação.

Não encontrei nada mais agradável e poético do que andar para ver uma exposição em um hospital a ser reestruturado, o Hospital Matarazzo. Eram os nossos momentos de renascimento – espero que o local, símbolo da cidade de São Paulo, tenha o destino de permanência. E, na Avenida Paulista, eu estava feliz. Mesmo me amparando nos troncos das árvores a cada contração ou naquele que dividiria comigo o momento mais incrível das nossas vidas.

****

Inexplicavelmente, descobri que é possível dormir entre cada pico de contração durante o trabalho de parto – até atingirmos cinco centímetros de dilatação. Deve ser o corpo se preparando para renovar as energias naqueles poucos minutos ou segundos que temos. Uma preparação para conseguir descansar ou dormir entre mamadas a cada três horas? Pode ser. Devemos nos alimentar decentemente. Devemos ter calma. Eu estava em paz.

Quando nos entregamos ao instinto animal, nosso corpo e mente sabem como agir na hora ideal. Como disse o anestesista (nunca esquecerei da imagem que formei em minha mente, um misto de Monet com Vidas Secas): “Pense em uma ponte com um rio correndo sobre ela. Essa é a força da natureza. Deixe ela agir”. Além de bem-humorado, era um médico filósofo, rs.

Também nunca esquecerei do sorriso feliz da obstetra chegando de madrugada e me olhando com a cabeça de lado: “Como você está se sentindo?” “Morrendo”, reclamei. Na hora, o riso fechou e apareceu uma feição de investigação. Acho que eu precisava daquele ombro para desabafar e ter mais segurança. Ela saberia o que fazer.

E, quando ela chegou, eu me rendi à dor das contrações. Não resisti. Não relutei. Não desisti. Aliás, desistir era uma palavra que não existia no meu dicionário naquele momento. Sério, mesmo. No fundo, a gente sabe que não há volta. Então, ela nem passa em nossa mente. E quando me entreguei àquela dor que, para mim, parecia que seria partida ao meio, entrei em transe.

Não tinha noção de horário, não me importava aos sons que emitia (que pareciam de entusiasmo), nem pensava na dor de cada contração que estava por vir no curto intervalo de minuto (acho que as contrações, neste momento, vinham a cada menos de dois minutos). Simplesmente, me entreguei. Queria vomitar, segurava para não desmaiar. Desfalecia. Tudo em transe. Também nem pensava no que estava por vir.

****

Após fazer força, muita força, com vontade de colocar para fora sabiamente a cada contração, ouvi o choro estridente. Naquele momento, fomos apresentadas na vida aérea. Você tinha acabado de chegar e eu não sabia o que fazer. Como agir. Falei o que havia programado: “Seja bem-vinda”. Era tudo novo. Eufórico. Estranho. Desconhecido.

Dei de mamar primeiro no peito esquerdo, como li que era a tradição, se não me engano, judaica. Porque, assim, você ouve mais de perto a batida do meu coração e tem uma referência de algo que já conhecia. Queria que se sentisse acolhida. Ajudá-la nessa passagem da água para o ar. Que fosse a mais harmônica possível. Nós só nos conhecíamos em sonho, em voz, em barriga.

Hoje, você tem seis meses de mundo externo. Seis meses de um cansaço que ainda não superei. Seis meses de choro. De risadas. De descobertas. De alegria. De dor. De felicidade. De exaustão. De nascimento e renascimento. Embora tenha apenas seis meses e eu 33 anos nesta Terra, parece que você sempre esteve conosco. Parece que sempre fez parte das nossas vidas. Com lágrimas nos olhos, repito: “Bem-vinda”.

****

Sei que este blog é sobre meio ambiente e ciência, mas quer algo mais científico do que o milagre da vida?

Dê licença para a mãe

mao1Este ano, passei pelas experiências mais científicas e indescritíveis da minha vida: engravidei, pari (consegui normal, obrigada, Dra. Sandra, pela graça alcançada) e me tornei mãe. Foram nove meses – de janeiro até outubro – cuidando da pessoinha que crescia dentro do meu ventre, da nossa saúde e buscando garantir o sustento da cria. Agora, estou de licença-maternidade (neste exato momento, digito com uma mão e, com a outra, seguro a criança amamentando-a). Ok, tive que parar para trocar fralda, colocar para arrotar…

Li pilhas de livros e de sites sobre gravidez. Durante as leituras, tinha vontade de compartilhar várias informações aqui! Como, por exemplo, que os espermatozoides “de meninas” são mais lentos, demoram mais para chegar ao óvulo. Em compensação, duram mais tempo dentro do corpo da futura mãe. Portanto, se quiser ter uma filha, faça sexo antes de ovular (talvez, esse tenha sido o meu caso).

Pratiquei exercício físico quase todos os dias (no mínimo, caminhava quatro quilômetros diariamente), ioga para grávidas (o que também era praticamente um grupo de autoajuda e força na peruca), meditação e fui militar com a alimentação! Comi comida de verdade. Conclusão: engordei apenas nove quilos durante a gravidez (nem isso) e evitei andar como uma pata-choca. Também preveni o diabetes gestacional (tenso) e o sobrepeso (que gera bebês abaixo do peso). Até exercícios pontuais para facilitar o parto e pós-parto pratiquei. Experiências, no mínimo, cômicas. Segui a intuição, os especialistas e o que indicavam as pesquisas científicas. Foi um momento discovery da minha vida.

O parto foi o momento mais dolorido (é uma dor de parto, de partir, de separação), espetacular e inexplicável da minha vida. Senti muita dor. Tinha vontade de vomitar, perdia a força de me sustentar a cada contração (que durava mais de um minuto e vinha a cada dois), quase desmaiei. Após sete horas no hospital, nós dois éramos três. Inacreditavelmente, tinha um bebê parecido comigo nos meus braços. Aquele bebê com mais de três quilos, que não parava de chorar, saiu de dentro do mim. Oi? Como pode uma célula se tornar uma criança? Eu acredito em milagre. Será que toda a célula guarda a lembrança de ser alguém? Com certeza, sim.

Alguns fatos da “dieta” (puerpério) ninguém me contou antes de engravidar. Na gravidez, seu quadril “amolecerá” para o bebê passar – isso você deve saber. O cóccix, que está nessa região, pode ir para trás na hora do nascimento. O que pode causar muita, muita dor (antes e depois de parir). Sentar? Esquece. Durante o parto e dias depois, você vai sangrar – e muito. Terá contrações que ajudarão o útero a voltar ao tamanho de antes de engravidar (principalmente, enquanto estiver amamentando). Você dará de mamar a cada três horas contando a partir do início da mamada, faça dia ou noite. Ou seja, terá cerca de duas horas para comer, dormir, tomar banho… É normal por até cerca de um mês após o nascimento você ficar deprimida, chorando sem parar e sem causa aparente. Calma, não é a primeira, nem a última. Isso acontece porque os hormônios, antes elevados, despencam. Se a tristeza permanecer, é bom procurar auxílio médico.

Agora, estou vivendo mais ainda ser mamífera na pele. Antes, me sentia uma canguru. Hoje, uma macaca com o filho sempre dependurado. Haja quatro litros de água diariamente, água de coco, três copos de suco de laranja natural e vitaminas para amamentar. Ah, claro, e disposição para ficar quatro horas por dia com a cria mamando. Mas a amamentação é um dos meus momentos preferidos com ela. De maior cumplicidade. E de suor. Gente, como amamentar nos faz suar, afe. Neste bafão de verão, então, estamos um grude só (sacou?).

Apesar de toda essa verdade animalesca, e inclusive por essa sensação terrena e intangível, ter filho é uma viagem incrível. Como disse meu marido: “Todo mundo diz que ter filho é cansativo, mas não é um cansaço estressante. Sabe quando você tem que acordar cinco da manhã em uma viagem para pegar a van e fazer o passeio mais esperado? Quando está vivendo este momento, é o máximo”. “A mão que embala o berço governa o mundo”, disse Abraham Lincoln, um dos presidentes dos Estados Unidos. Espero ser a tutora de uma pessoa que ajude a tornar o mundo o que ele tem a vocação para ser: o paraíso na Terra.

Pronto: já plantei árvores, fiz um filho. Quem sabe, agora, vem um livro de minha autoria?

Obs.: Vou ficar um tempo sem postar novamente porque, nas horas vagas, mãe de bebê faz o quê? Aproveita para dormir! Então, desde já, quero desejar um maravilhoso 2015! Fui dormir!