Por que esperar 39 semanas para fazer cesárea


Por que é ideal esperar no mínimo 39 semanas de gestação para marcar a cesárea eletiva, conforme resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM)? Do fundo do meu coração, creio que gravei este vídeo pensando nas mães que gostariam de ter um parto normal, mas não conseguiram porque estavam sendo acompanhadas ou foram atendidas por um médico cesarista. Também lembrando daqueles casos de mulheres que escolhem o dia para marcar a cesárea, antes das 39 semanas ou de entrar em trabalho de parto, de acordo com o signo que quer para a criança, uma efeméride ou um dia que gosta mais.

Essa resolução do CFM evitará que as mães e os bebês da primeira situação citada acima (conheço vários casos assim) sejam expostos a mais riscos desnecessários ao serem obrigados a ter a cirurgia marcada antes de entrar em trabalho de parto. No segundo caso, a norma ajudará a impedir que esses pais, ignorantes no sentido literal da palavra, tirem o bebê antes dele estar pronto para nascer. Protegerá as mães e os bebês dos médicos que os colocaram em risco ao permitir e realizar uma cirurgia antes delas entrarem em trabalho de parto (claro que há exceções e estas deixei de fora do vídeo e deste post).

Vale ressaltar que no Brasil, até então, um feto com 37 semanas era considerado a termo, ou seja, pronto para nascer. Por isso muitos médicos marcavam cesárea antes das 39 semanas. Mas os Estados Unidos e outros países já adotavam as 39 semanas como o mínimo da data ideal para o nascimento. Isso porque diversas pesquisas apontavam que, antes desse tempo, o bebê ainda era prematuro.

Bom, espero ter ajudado mais mamães e futuros papais. E aguardem novos vídeos da série! Meu intuito é melhorar ainda mais a edição e voltar a ficar mais à vontade em frente à câmera. Um beijo.

Quais os benefícios da amamentação depois dos seis meses do bebê?

Parece que as pessoas se incomodam mais com a minha amamentação do que eu mesma, que fico horas por dia sentada no sofá, na cama ou na cadeira. São frequentes os questionamentos: “Vai amamentar até quando? Você não acha que ela está grande? Dê mamadeira! Ah, por isso que ela é tão apegada a você. Esse apego, a longo prazo, pode fazer mal”. Haja paciência.

No começo, eu tirava sarro. Mas, agora, cansei. O curioso é as pessoas questionarem a amamentação, algo tão natural e reforçada a sua importância, por exemplo, pela Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Sociedade Brasileira de Pediatria, e não o uso indiscriminado da mamadeira – quero deixar claro que não sou contra a mamadeira, afinal, cada pessoa sabe o que é melhor para si e para seu filho e em alguns casos elas são fundamentais para a saúde da criança.

Também é interessante essa associação que fazem do bebê se apegar mais a mãe (!) por conta da amamentação. Como se fosse melhor inexistir essa intensa ligação entre mãe e filho ou melhor a independência da criança antes mesmo dela andar e falar com segurança. Ou pior, induzindo ao raciocínio que mães e pais que dão mamadeira têm laços de união mais fracos com o seu filho. Ideia que pode ser cruel e equivocada.

Se você acha que apenas sai água após seis meses de amamentação, veja o vídeo! Irá se surpreender com alguns dos benefícios para mães e filhos (e para as finanças da família) que listo. Mas é claro que há muito mais entre o céu e a terra, a mãe e o filho, do que sonha nossa vã filosofia. Um beijo e até o próximo!

Será que somos mais parecidas com nossas avós maternas?


Para mim, a maternidade trouxe uma maior conexão comigo. Ela me fez voltar ao meu passado, aos meus antepassados, à minha infância. Dias após parir, tive momentos depressivos, devido à baixa nos hormônios e à mudança radical no meu estilo de vida. Antes, eu (espírito livre) saía por aí para encontrar pessoas queridas, para passear, para trabalhar, sem a responsabilidade de ter que cuidar de alguém. Que, aliás, dependia de mim para sua sobreviência no sentido mais animalesco da palavra: eu carregava no meu corpo o alimento dessa pessoa. Para suprir essa inquietação e na busca em ser uma boa mãe, comecei a ler muito, a estudar ainda mais sobre maternidade (a questão biológica, psicológica, comportamental). E decidi que esta é mais uma chance que a vida oferece para me conhecer mais, me aceitar e usar isso para me tornar uma pessoa melhor – não sei se já consegui ou se vou conseguir, mas procuro o caminho.

Nessa viagem espiritual, me deparei com um texto em espanhol que poetizava a questão do óvulo (pena que perdi o link). Eu sabia que nós nascemos com os óvulos que darão origem aos nossos filhos. Mas nunca parei para pensar no significado dessa condição. O que a nossa avó comeu, sentiu, viveu enquanto gerava a nossa mãe influenciou diretamente a nossa genética. Coincidentemente, após ler esse texto, cheguei a uma pesquisa apontado que algumas condições psicológicas das avós são mais vistas ou ainda observadas em netos do que nas próprias filhas (se eu achar o link para pesquisa, posto aqui). Como, por exemplo, traumas. Incrível, não?

E, desde a gravidez, tenho vontade de compartilhar esse meu conhecimento. Algumas amigas minhas, que ficaram grávidas logo depois, até brincavam comigo dizendo que eu era a doula delas. Tirei muitas dúvidas e dei muitas dicas que, literalmente, mudaram a minha gravidez e o parto para melhor. Dicas nem sempre facilmente encontradas. Eu gostaria de compartilhá-las com mais pessoas, colocar mais questões e filosofar mais sobre o tema. Quem sabe possam ser úteis para outras também? Após meses gestando a ideia, quando a bebê dormiu, resolvi gravar o primeiro vídeo da pretendida série “Ciência da Maternidade”. Gravei sem roteiro, de supetão, como diz minha mãe. Editei na madrugada, durante o sono da criança. Este é um piloto. Aceito dúvidas, sugestões, críticas e elogios (claro!). E, com esses vídeos, quero criar uma corrente do bem. Neste mundo árido para as mães e aos criadores em geral, quero deixar muito amor e palavras de conforto para acalentar os corações. <3 Bem-vinda a mais um primeiro filho!

Museu de Astronomia do Rio tem evento sobre divulgação de ciência na internet

Pessoal (quem gosta do tema, quer se aprofundar ou tem algum interesse), participe do evento sobre divulgação científica na internet no Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) do Rio de Janeiro. Será nesta sexta-feira, dia 3 (sim, logo chegaremos em junho!), com entrada gratuita! Quem não poder ir, pode acompanhar o debate ao vivo online. Um abraço! :D E uma estrelada semana!

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Diversidade representada na 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

Veja como foi o segundo dia da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (4aCNPM), contado pela Cládice Nóbile Diniz, delegada pelo Rio de Janeiro e relatora.

Hoje, fiquei para relatar um grupo que tratou das propostas de dois eixos: o de políticas públicas para as mulheres e o de sistema de políticas públicas para as mulheres. O primeiro tinha 88 propostas enviadas pelas conferências municipais e estaduais, sendo 32 a ter que se selecionar as dez mais prioritárias. O segundo tinha 30, onde se devia selecionar cinco. No eixo das políticas, eram propostas e as dez tiradas foram consideradas como desafios. No sistema nacional de políticas para mulheres, as seis propostas foram selecionadas como recomendações (as propostas e monções devem entrar no site do evento).

O ambiente no grupo foi muito rico. Vale ressaltar que um grupo de interesse somente tinha suas reivindicações compreendidas e acatadas se ao menos houvesse uma interessada presente. Por exemplo, as índias iam ficar com suas reivindicações encaminhadas em um “sacolão” geral, mas sendo informadas disso por uma militante negra, apareceram e passaram a atuar bem articuladas conseguindo garantir o que elas achavam o mais importante hoje: a demarcação das terras indígenas e quilombolas. Eram do Mato Grosso e denunciaram o assassinato no ano passado de um líder e a mutilação de outro, que ficou em cadeira de rodas.
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Uma moça com um carrinho de bebê era uma presidiária em liberdade condicional que trazia reivindicações para as presidiárias e às em liberdade condicional. Curiosamente, no grupo havia uma liderança das agentes penitenciárias, sendo ela responsável por um grupo em liberdade condicional. Ela confirmou as denúncias da jovem, ratificando a necessidade de políticas afirmativas de proteção. Um caso que ambas comentaram como exemplo é o da necessidade de escolta de emergência de saúde para as presas que adoecem. A polícia não providencia e elas ficam sofrendo sem socorro.

Houve muitos outros casos interessantes relatados por outras mulheres (os homens que aparecem na foto estão trabalhando no evento). Aliás, essa foi a primeira conferência com representação das mulheres ciganas. Eram um grande grupo muito colorido, lindo. Na volta em frente ao hotel encontramos com os que vinham da manifestação. A tristeza e a desolação me lembraram as pinturas do Portinari.

Notícias da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

*Abri espaço neste blog para que a Cládice Nóbile Diniz, delegada pelo Rio de Janeiro e relatora da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, dividisse conosco suas impressões e o que está acontecendo esta semana no respectivo evento em Brasília. Ah, se estranhou o sobrenome, sim, somos parentes. Ela é minha tia-madrinha <3. Vamos lá às novidades. 

A 4aCNPM foi decidida em março de 2015. É um evento que ocorre a cada quatro anos. Neste participam quase três mil mulheres eleitas em conferências estaduais. Fui eleita delegada pelo Rio de Janeiro e convidada para ser relatora. Aqui tudo é grandioso: uma relatora para grupo de 150 delegadas. Vinte grupos sobre quatro eixos. Vai ser um trabalho incrível!

Hoje foi fogo. Houve de tudo. Uma delegada do Rio eleita e aprovada foi barrada na última hora por que ia com o filho de quatro anos. Foram detidas 73 delegadas da Bahia porque elas tinham gritado no avião “não vai ter golpe”. Esta manifestação foi contra a deputada federal Eronildes Vasconcelos, a “Tia Eron “, e o Deputado Federal José Carlos Aleluia, ambos da Bahia. Foram liberadas depois de quatro horas quando o José Eduardo Cardozo, da Advocacia-Geral da União, e a secretária especial de Políticas para as Mulheres Eleonora Menicucci foram lá.

Chegaram pouco antes da fala da Dilma e foram ovacionadas e recebidas em pé e com palmas. O discurso da Dilma foi emocionante. Afirmou que vai honrar seus 54 milhões de eleitores, nunca tendo pensado em renunciar. A ministra Eleonora falou bonito também. Lembrou que, nas décadas de 60 e 70, as mulheres “vestiram calças” e saíram para trabalhar. Mas os homens não “vestiram saias” e não se ocuparam da parte do trabalho deles em suas casas.

A delegada pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), Camila Lanes, avisou em plenária que a CPI da merenda tinha sido instalada e o auditório veio abaixo. As mulheres conseguiram aprovar a eliminação dos delegados homens após tensa disputa, com seis intervenções próss e outras tantas contra.

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Mãe e filho na roda do berimbau tocado só por mulheres

 

 

 

 

 

Participe de vaquinha para plantar uma floresta

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Muita gente me pergunta: “Como posso ajudar a ONG onde você trabalha”? A-há! De várias maneiras. Agora, mais do que nunca, colaborando com a nossa vaquinha. Nós queremos, com a ajuda dos internautas, plantar 3.334 árvores da Mata Atlântica no Sistema Cantareira. Isso corresponde ao tamanho de três campos de futebol de floresta nativa ou dois hectares. Essa é a primeira vez que fazemos uma vaquinha. E também que o município de Extrema, Minas Gerais, onde serão plantadas as árvores, faz um plantio pago por pessoas. Gente como a gente. Clique aqui e faça sua boa ação do dia. Começando a semana do bem.

O que as árvores têm a ver com a água?

A escassez de água também está atrelada à falta de árvores. Esta relação se dá, principalmente, em locais de florestas tropicais como a Mata Atlântica. Coincidência – na verdade, não – as maiores cidades brasileiras como São Paulo estão localizadas nesse bioma. Assim, elas dependem das florestas para abastecer os seus mananciais e, claro, seus habitantes. Você sabe qual a relação das florestas com a água que sai da torneira?

Segundo um estudo da empresa de geoprocessamento Arcplan em parceria com a Fundação SOS Mata Atlântica, 76,5% dos 5.082 km de rios que formam o Sistema Cantareira estão sem cobertura vegetal. Sem mata ciliar não há como proteger os rios. O mínimo esperado para que a água seja preservada é cumprir o Código Florestal.

Se todas as Áreas de Preservação Permanente (APPs) dentro do Sistema Cantareira estivessem conservadas (seja com floresta primária, que ainda está livre da intervenção humana, ou recuperadas por meio do plantio de árvores nativas), a crise hídrica que atingiu o Sudeste teria sido menos crítica. Claro que essa preservação deve estar atrelada a medidas de racionalização do consumo; de educação ambiental; tornar a gestão e distribuição mais eficientes. Apenas culpar São Pedro é pouco.

Mesmo porque a Estação Meteorológica (EM) do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP) desde 1932 mede a precipitação (quantidade de água que cai do céu) na Região Metropolitana de São Paulo. O ano de 2014 foi o 13º período chuvoso (outubro a março) mais seco desde 1932 até o ano – o que acabou afetando o crítico ano de 2015. O ano mais seco (no período chuvoso) desde que começaram as medições foi o de 1941. Essa seca é uma variabilidade natural do clima. Assim, a gestão da água deve prever prevenção a esse tipo de condição climática.

Como o solo nessa situação permanece mais seco, a umidade leva mais tempo para voltar às condições médias, mesmo com um aguaceiro caindo sobre a represa. Por isso, o volume de água das represas demora a subir. Ou seja, as florestas contribuem para regular a vazão das águas, pois seguram o excesso de água das chuvas, liberando essa água aos poucos para os rios, represas e nascentes (mantendo-os sempre com água, no caso da Mata Atlântica).

A vegetação também contribui para a manutenção da qualidade das águas filtrando diversos sedimentos (evitando o assoreamento) e poluentes. As árvores nativas também protegem a biodiversidade. Por fim, um efeito global é absorver carbono e colaborar com a regulação do clima do planeta, diminuindo os efeitos negativos da mudança do clima como os eventos extremos (excesso de seca onde antes não havia este problema, por exemplo).

Venha abraçar árvores conosco. Abrace esta causa!

Nem ONG trabalha de graça!

campuspartyQuerida leitora (o), este blog está um tiquinho quietinho, mas as atividades offline não param! Quinta AGORA, dia 28, mediarei uma mesa redonda na Campus Party São Paulo sobre como engajar as pessoas em causas de instituições sem fins lucrativos! Venha ver e aproveite para me conhecer pessoalmente!

Ao meu lado, estarão os incríveis profissionais: Maria Guimaraes (ou a Renata Oliveira do Prado), da Pesquisa FAPESP; Lucas Carvalho Pereira, da Iniciativa Verde; Ariel Tomaspolski, da Juntos; e, Jessica Rampazo, da SOS Mata Atlântica. Vamos debater e animar as pessoas. Existem instituições sérias que tem como objetivo viver em um mundo melhor. Se essa é sua busca, vem com a gente! Vem! Vem!

Foto: Seu Sebastiãozinho, em São Carlos, dando entrevista para nossa revista Plantando Águas. <3

Quanto suas ações impactam o meio ambiente?

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Você sabia que suas ações emitem direta e/ou indiretamente gases de Efeito Estufa (GEE) que podem piorar o Aquecimento Global?

O Efeito Estufa é essencial para nossa espécie – e todas as outras. Isso porque graças a ele nosso planeta se mantém quentinho possibilitando a nossa sobrevivência. Ele é um fenômeno natural onde os raios infravermelhos enviados pelo Sol ficam retidos na atmosfera da Terra graças a esses gases.

O problema é que algumas ações nossas, do homo sapiens, estão aumentando a quantidade desses gases. O que eleva o Efeito Estufa. Assim, segundo algumas pesquisas, já estão nos fazendo suar mais. E isso se chama: Aquecimento Global.

Embora o Aquecimento Global pareça algo inalcançável, impalpável, nós vamos sofrer cada vez mais na pele as suas consequências. Sei que podemos nos sentir injustiçados, já que ele é resultado de diversas ações humanas realizadas ao longo de anos (nos quais eu nem era nascida).

Mas… Podemos fazer bastante coisa para evitar, literalmente, catástrofes em sua decorrência – e cuidarmos das gerações futuras (é justo deixar um planeta habitável). Uma delas, ainda por cima, é divertida: calcular a sua Pegada de Carbono. Ou seja, o quanto você emitiu, anualmente, de gases capazes de piorar o Aquecimento Global.

Para isso, a Iniciativa Verde renovou a sua tradicional Calculadora de Carbono: http://www.iniciativaverde.org.br/calculadora/index.php com dados atuais. O mais interessante é que ela, automaticamente, converte o seu impacto em número de árvores nativas de Mata Atlântica que precisam ser plantadas para compensar essas emissões.

Eu, por exemplo, preciso plantar cinco árvores (!) para compensar as minhas emissões de 2015. Parece pouco, mas é significativo! Como informação é poder, sabendo o quanto você emite e onde emite mais, pode repensar as suas atitudes para 2016. Deixando ações objetivas para cuidar do meio ambiente na clássica lista de resoluções para o Ano Novo.

E que venha um 2016 mais verde!

Obs.: Na foto acima, plantando ipês no Parque Villa-Lobos (Sampa) com os amigos em evento promovido pela Iniciativa Verde na Virada Sustentável.

Amamentar é psicológico

Fotos Marina-45Amiga (o)! Estou em falta com este blog. Espero que entenda que este ano resolvi me dedicar à maternidade, ao meu trabalho e à minha família. Estou vivendo um momento de me reencontrar. Afinal, maternidade é isso: psicológico.

Falando nisso, a bebê já completou um ano e eu sigo amamentando. Tive a sorte (e a preparação) de amamentar assim que a bebê nasceu sem nenhum empecilho e de continuar amamentando. A bebê saiu da maternidade mais gordinha do que nasceu, ou seja, ao contrário do que é esperado, ela não perdeu peso nos primeiros dias. Nem na primeira semana de vida. E nem durante todos os meses de amamentação exclusiva.

A amamentação seguiu tranquila até eu avacalhar e ter o peito rachado quando ela estava prestes a completar um ano. Como assim avacalhar? Comecei a amamentar deitada, de qualquer jeito, sem me preocupar com a tão falada “pega correta”. O resultado foram dias para meu peito cicatrizar. Após eu voltar a tomar cuidado, ele melhorou. Assim, muitas futuras mamães e até atuais mães me perguntam como consegui a façanha de amamentar – quase – sem problemas. O segredo? Ah, como diz o livro homônimo é… psicológico.

 

Tudo de bom

Bom, os benefícios da amamentação já foram exaustivamente abordados e estudados. Entre eles, para a mãe estão: menor risco de desenvolver câncer de mama e de ovário, menor risco de ter fraturas de quadril por osteoporose, voltar mais rápido ao peso de antes de engravidar, a barriga volta mais rápido ao que era antes de engravidar, o corpo libera endorfina que dá sensação de prazer, a ocitocina liberada (“droga do amor”) tem diversos papéis como de reforçar a ligação entre mãe e filho, entre outros.

E para o bebê? A cada pesquisa descobrem mais benefícios. Ajuda o bebê a se acalmar, a não ter as chamadas “cólicas” (aquele choro que ninguém consegue identificar a causa), fornece anticorpos, ajuda a elaborar o paladar para diversos alimentos (já que o gosto do leite muda de acordo com o que a mãe ingere), pode reduzir a mortalidade infantil em até quase 25%, ajuda a maturar o intestino, é o alimento mais rico em nutrientes que se pode oferecer ao bebê, previne a hipotermia, protege contra infecções gastrointestinais e respiratórias, previne contra o desenvolvimento de alergias, entre um monte de outras coisas.

 

É obrigatório?

Tem mãe que não quer amamentar. E essa é uma escolha. Ela não é menos mãe ou ama menos seu filho por isso. A decisão deve ser respeitada. Tem mãe que não pode amamentar. Algumas doenças como HIV e hepatites acredita-se que podem ser transmitidas via aleitamento materno. Em outros casos, a mãe precisa tomar alguns medicamentos de uso contínuo que também podem ser passados para o leite, contraindicando a amamentação. Também existem casos de mães que fizeram plásticas no seio que danificaram os dutos lactíferos. Em outros raros casos, as mães querem, mas não conseguem amamentar. Lembrando que mães com bico invertido ou plano conseguem amamentar, podem ter mais dificuldade, mas querer pode ser poder.

E qual o segredo do sucesso? Paciência, em primeiro lugar. E pega correta, disputando o páreo. Amamentar requer tempo. Disposição. Quando a gente amamenta, a gente cansa. Sua. Emagrece. Parece que corremos a maratona. Principalmente durante a noite, o ato de amamentar libera melatonina (substância responsável por ajudar a regular nosso relógio biológico sobre dia e noite), o que dá um sono incontrolável. In-con-tro-lá-vel. Deve ser por isso que dizem que a amamentação substitui o sexo. Não substitui, mas dá um sono… Por isso que bebês e mães parecem desmaiados após a amamentação.

 

O segredo

Bom, amamentar requer tempo. Demora. O bebê novinho suga devagar. Às vezes, eles querem ficar no peito, independente da idade, em busca de proteção e aconchego. Outras, choram e esperneiam porque o leite desce devagar. Se ele está nervoso, basta amamentar para que se acalme – as batidas de ambos os corações tendem a se regularem iguais. Quando você amamenta, sinaliza para a criança que ela está segura, que aquele é um lugar seguro.

Sem contar que, como disse acima, amamentar requer energia. Eu ingiro muito mais calorias, acho que quase 800 calorias mais por dia (esse número varia entre mães e filhos) do que antes da gravidez. Na gravidez, creio que basta ingerir no máximo mais 400 calorias por dia. Você parece calma sentada por horas, mas cansa! Dá até calor. Como se estivéssemos, mesmo, nos exercitando na academia. Sem contar que temos que ficar alerta para não dormir enquanto amamentamos. Pode ser perigoso sufocar ou derrubar o bebê. Está caindo de sono? Amamente sentada no chão e com pouca almofada. Ou… peça para alguém ficar ao seu lado te acordando, rs (isso quando a pessoa ao lado não dorme e é você quem tem que acordá-la na madrugada!). Você está dormindo? O ajudante responde: “Não, apenas estou descansando os olhos”. Está bom, rs.

E o que é a tal da lendária “pega correta”? É o jeito que o bebê abocanha. Da maneira correta, não deve doer. No começo, assim que ele nasce, pode incomodar. Mas com o tempo você não sentirá nada – apenas o leite descendo podendo até dar pontada nos seios. O bebê deve abocanhar quase toda a parte debaixo da auréola ficando com uma boca parecida com de peixinho na parte de cima. Veja aqui. Com o maxilar, ele bombeia o leite (dentro da auréola há uma espécie de bombinha que ajuda a puxar o leite).

Parece mágica da natureza. Nosso corpo é incrível e mais ainda como o cérebro age. Você sabia que até mães que adotam podem conseguir amamentar? Colocando o bebê no seio e com os hormônios liberados pelo cérebro, ela pode começar a produzir leite. É impressionante.

 

Dicas

Abaixo seguem minhas dicas (uma compilação de instruções fornecidas por minha obstetra, pela pediatra, pela minha fisioterapeuta e proveniente de infinitas leituras). Prepare-se para a amamentação antes do bebê nascer. Deram certo para mim. De repente, podem te ajudar:

  • A partir da 37ª semana de gestação, tente com sua mão formar um bico no bico do seu seio;
  • Antes do bebê nascer, combine com a obstetra que você quer amamentar logo após parir se esse não for o procedimento do local;
  • Tome ao menos quatro litros de água por dia! Sem água, sem leite;
  • Tenha paciência;
  • Insista sempre;
  • Procure não se estressar;
  • Evite oferecer chupeta, ela pode confundir o bebê prejudicando a pega (e pequisas indicam que bebê que usa chupeta larga o seio mais cedo do que os que não usam);
  • Evite oferecer mamadeiras, elas também podem atrapalhar a pega e fazer o bebê largar antes o seio, já que você produzirá menos leite e o leite da mamadeira sai mais fácil. Se precisar, ofereça leite no copo ou na colher (sim, dá um trabalhão, o segredo é não deixar o bebê se esgoelar de fome);
  • Está sentindo que está com pouco leite? Está estressada? Deixe o bebê sugando no seu peito. O ato ajuda a estimular a volta da produção de leite;
  • Confie no bebê;
  • Use sutiãs adequados (inclusive na hora de dormir) ao tamanho do seu seio (isso também ajuda a manter o peito firme);
  • Conchas de proteção podem ajudar a dessensibilizar o bico do peito;
  • No primeiro dia após o parto e durante dois dias, massageie o seio com movimentos circulares de fora para perto do bico para evitar que empedre e a mastite. Também vale chacoalhá-los, rs;
  • O bico pode ser um lugar exposto a bactérias que causam infecções. Tome banho lavando da cabeça aos pés, cuidado em piscinas;
  • Rachou? Passe lanolina no primeiro dia, use concha e deixe o bico do seio exposto ao ar;
  • Sempre que possível, deixe o bico do seio secando ao ar livre;
  • Impeça que o bebê puxe ou empurre o seio;
  • Evite lavar o peito após amamentar. Lave apenas no banho, normalmente. Evite passar sabonete no bico;
  • Use roupas confortáveis;
  • Sente-se com a coluna ereta;
  • Posicione o bebê na altura do peito com o auxílio de travesseiros ou almofadas enquanto amamenta;
  • Procure sentar como “índia” para melhorar a circulação nas pernas;
  • Evite gritar enquanto amamenta. Imagine alguém gritando no seu ouvido enquanto você se alimenta;
  • Aceite e peça ajuda com os outros afazeres;
  • Se alimente bem, coma alimentos saudáveis;
  • O bebê não está ganhando peso? Saiba que nos primeiros minutos o leite que sai tem mais anticorpos e água, o leite mais gordo (com calorias) vem depois. Portanto, deixe ao menos o bebê 15 minutos seguidos em cada seio;
  • Está cansada da livre demanda? Ofereça um peito por pelo menos meia hora e mexa no pezinho do bebê para que ele não durma enquanto mama. Deixe ele com menos roupa para não dormir. Em seguida, troque a fralda do bebê para que ele acorde mais e coloque um pouco mais de roupa adequada ao clima. Ofereça o outro seio por pelo menos mais 15 minutos. Se ele dormir, aproveite para descansar após colocá-lo por 15 minutos “para arrotar”. Geralmente, neste esquema, os bebês acabam mamando entre duas e três horas de intervalo. Se ganhar peso, parabéns, continue assim.
  • Ofereça o último seio primeiro;
  • Curta cada precioso momento. As crianças mamam por pouco tempo. Passa rápido.

Se você quer muito amamentar e não está conseguindo, procure ajuda. Se você não quer, tudo bem. O importante é ser feliz!

Foto: Poline Lys.

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