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É possível abastecer todos os brasileiros com agricultura livre de veneno

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo! Desde o início do ano, o Governo Federal liberou 290 substâncias, segundo levantamento do Greenpeace. Se para aplicar o veneno os agricultores devem usar máscara e material para se proteger, imagine o que acontece com a nossa saúde ao ingerirmos frutas, verduras e legumes com agrotóxicos! Uma opção seria consumir alimentos orgânicos, mas em supermercados eles costumam custar mais e fora nem sempre são fáceis de encontrar. Assim, pesquisadores nos Estados Unidos testaram uma solução para tentar tirar o veneno da maçã. Eles deixaram a fruta em uma solução de bicarbonato de sódio diluído em água e conseguiram remover quase todo o resíduo da superfície. Acontece que o experimento foi realizado apenas com duas substâncias e parte do agrotóxico absorvido no interior da fruta permanece lá. Carin Primavesi (vídeo), filha da Ana Maria Primavesi, agrônoma renomada mundialmente, foi clara durante uma entrevista para o CNPq que fiz com ela o ano passado: é possível abastecer todos os brasileiros com agricultura livre de veneno. Carin ainda ressaltou que o agrotóxico mata microrganismos importantes ao solo, deixando-o mais pobre e desprotegido da desertificação. Será que vale aceitar essa maçã?

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo. Uma vez por semana, minha coluna sobre sustentabilidade vai ao ar.

É preciso desmatar mais para cultivar?

Hoje, o Brasil têm mais áreas destinadas à agropecuária (245 milhões de hectares) do que áreas protegidas (216 milhões de hectares), segundo o Observatório do Clima, um grupo de organizações da sociedade civil. Dessas áreas de agropecuária, 50 milhões de hectares são terras degradadas, subutilizadas ou abandonadas pelo agronegócio. Uma pesquisa publicada este mês na revista científica Science Advances, mostrou que quando uma área usada para a agropecuária é abandonada, o número original de espécies é totalmente restabelecido em cerca de 50 anos. Relativamente, muito rápido. Em apenas 20 anos, o local já está praticamente tomado de plantas. Mas os pesquisadores encontraram um importante problema aí. Na maioria dos casos de regeneração, as espécies que aparecem na nova floresta são diferentes das originais. Apenas 34% são as mesmas espécies encontradas nas florestas antigas. Isso significa que teve perda de biodiversidade. E vale lembrar que o Brasil têm a maior biodiversidade do planeta. Desmatar para depois abandonar pode afetar inclusive nossa economia. Já que da biodiversidade extraímos, por exemplo, substâncias para medicamentos.

*Este texto foi ao ar no programa Desperta, da Rádio Transamérica, apresentando pelos queridos Carlos Garcia e Irineu Toledo.  Uma vez por semana, minha coluna vai ao ar por volta das 6h15 da manhã. Geralmente, às quintas-feiras. Beijo!

Foto: Isis Nóbile Diniz